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suplementos múltiplos e concentrados para gado de corte

Suplementação para bovinos de corte: importância e utilização

A produção de bovinos no Brasil é predominantemente baseada na utilização de pasto, sendo a fonte mais econômica de nutrientes para os ruminantes nos trópicos.

A estacionalidade de produção das forrageiras tropicais devido ao impacto das condições climática é uma realidade na produção de bovinos a pasto, que prejudicam a produção das pastagens no inverno.

Esses períodos, também conhecidos por época de seca, são caracterizados pela redução de incidência de luz solar, temperatura e pluviosidade, podendo um ou mais desses fatores serem mais ou menos predominantes em cada região. Os fatores supracitados interferem no crescimento das forrageiras, diferenciando-o da época do verão.

 

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Nos períodos de seca, há uma redução nos nutrientes das plantas, principalmente de proteínas e minerais com o avanço do processo de maturação das pastagens. Nesse cenário um plano nutricional com a utilização de suplementos torna-se fundamental ganhos satisfatórios.

Embora as pastagens das águas não sejam consideradas deficientes em proteínas, a exigência do animal pode superar esses valores, o que resulta em ganhos de peso obtidos nestas condições aquém do observado quando uma estratégia de suplementação adequada é adotada.

Desta forma, a curva de crescimento animal fica comprometida, aumentando a idade ao abate e/ou ao primeiro parto, dependendo da categoria animal que a fazenda trabalha. Contudo, variações quantitativas e qualitativas de forragens ao longo do ano comprometem os índices produtivos, afetando na produção por animal e por área.

Suplementação para o gadoMaximização de resultados através de estratégias de suplementação adotadas na fazenda. Fonte: Arquivo Pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

Diante disso, torna-se importante avaliar a utilização dos suplementos e concentrados, já que para um ganho de peso satisfatório temos que ajustar as deficiências das pastagens e intensificar o sistema de produção para maximizar a lucratividade da propriedade.

Importância da suplementação

Quando a oferta de pastagem, quantativamente e qualitavivamente, não é suficiente para suprir as exigências nutricionais e atender as necessidades para o desempenho esperado dos animais, se faz necessário a utilização de suplementos e um plano nutricional adequado ao longo do período.

A suplementação surge como aliada para maximizar a produção animal individual e aumentar a produção por área. Quando feita de forma correta, suprindo as exigências básicas dos animais, os resultados serão sempre positivos.

A qualidade da pastagem ofertada aos nossos animais, é de suma importância e terá grande influência na produção. Por isso, o manejo correto das pastagens e do pastejo, nas águas e nos períodos das secas, é uma prática que deve ser implementada na propriedade, quando visamos uma produção lucrativa.

Um manejo de pastagem bem feito associado ao bom planejamento nutricional, garante a expressão máxima do potencial produtivo dos animais, reduzindo inclusive custos com suplementação e em outras frentes dentro da propriedade, como nos custos operacionais. Vale ressaltar que as forragens representam cerca de 70 a 95% da dieta do animal, dependendo da suplementação adotada, em um sistema de criação a pasto. Portanto, a suplementação maximiza resultados e evita perdas de peso em épocas desafiadoras, porém, ela não corrige a deficiência e inadequado manejo das pastagens.

Em resumo, a suplementação de animais em pastejo é uma ferramenta que nos permite corrigir dietas desbalanceadas, melhorando o ganho de peso vivo, a conversão alimentar, e por consequência, diminui os ciclos produtivos da pecuária de corte.

Webinar Suplementação a pasto

Área de cocho

O cocho é uma instalação rural viável e indispensável para a pecuária que permite o uso correto dos suplementos.

Infelizmente, a inspeção dos cochos nas propriedades é uma das práticas mais negligenciadas. Antes de representar custo, o cocho é uma solução eficaz para levar nutrientes aos animais de forma simples e barata.

Cocho para o gadoTécnico do Rehagro, Hugo Pereira, mensurando a dimensão dos cochos para avaliar o espaçamento de cocho. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

No manejo diário em fazendas, podemos identificar erros comuns para essas estruturas, como:

  • Quantidade e dimensionamento inadequados;
  • Localização errada;
  • Cochos descobertos que permitem o suplemento sofrer alterações físico-químicas, desperdiçando a mistura e altera o padrão de consumo;
  • Formação de atoleiros ao redor do cocho, dificultando ou mesmo impedindo o acesso dos animais;
  • Falta de reposição adequada do suplemento.

A quantidade e o tamanho dos cochos, devem estar diretamente relacionadas com o número de animais existentes no pasto, sendo que quanto maior o número de animais, maior a quantidade de metros de cochos, necessários para aquele rebanho.

Outros fatores a ser considerados são o tamanho dos pastos e a topografia da fazenda, que dependendo do caso (terrenos inclinados e acidentados) podem até dobrar ou triplicar a necessidade normal de cochos (ASBRAM, 2003).

Cocho com acesso aos dois ladosEm cochos com acesso aos dois lados, os animais se posicionam intercalados e nunca cabeça com cabeça. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro. 

A necessidade de cocho é variável de acordo com a suplementação utilizada, de forma geral, quando maior e mais rápido for o consumo dos animais de determinado suplemento, maior será a exigência por espaçamento de cocho.

Importância da suplementação mineral

A concentração de minerais nas plantas forrageiras é bastante variável, pois dependem do gênero, espécie e variedade; época do ano, do tipo de solo e suas condições.

Os minerais obtidos pelos ruminantes são em sua totalidade advindos da ingestão de alimentos, uma vez que os ruminantes não são capazes de sintetizar elementos minerais.

Os minerais estão envolvidos em quase todas as vias metabólicas do organismo animal e na fermentação ruminal, com funções importantes na performance reprodutiva, no crescimento, no metabolismo energético, na função imune entre outras tantas funções fisiológicas. Diante disso, os requerimentos minerais não são apenas para a manutenção da vida, como também para o aumento da produtividade animal (LAMB et al., 2008; WILDE, 2006).

No Brasil, a deficiência mineral sofrida pelos animais ruminantes ainda é observada em fazendas, embora seja notório que este cenário venha melhorando devido a maior adoção da suplementação pelos gestores.

A suplementação mineral do rebanho deve ser feita de forma objetiva, considerando a sanidade, categoria, produtividade e aspectos econômicos. O consumo de suplemento mineral é de 0,025% PV, podendo ser maximizado quando adicionado milho para possibilitar a adição de aditivos alimentares, denomina-se “sal mineral aditivado”.

Algumas características foram levantadas por McDowell (2001) para um suplemento mineral completo aceitável para bovinos, tais como:

  1. Incluir sais minerais de alta qualidade que contenham as melhores formas biologicamente disponíveis de cada elemento mineral, e evitar a inclusão mínima de sais minerais contendo elementos tóxicos.
  2. Ser suficientemente palatável para permitir o consumo adequado em relação às exigências da categoria animal que será suplementada.
  3. Ser produzido por um fabricante idôneo com controle de qualidade, e garantias quanto aos valores de etiqueta.
  4. Ter um tamanho de partícula aceitável, permitindo uma mistura adequada, sem partículas muito pequenas que acabam sendo perdidas.
  5. Ser formulado para uma determinada área, nível de produtividade animal, ambiente (temperatura, umidade, etc.) na qual será utilizado, e ser tão econômico quanto possível.

Importância da suplementação proteica

A suplementação proteica causa efeitos positivos associativos quando adicionada à dieta de forragem de baixa qualidade, principalmente na época seca do ano. Produtos proteicos ureados, potencializam o ganho de peso de bovinos que consomem forragem de moderada a baixa qualidade por aumentar a ingestão e degradabilidade da forragem.

O consumo de um suplemento proteico é de 0,1% PV, o que é denominado também de suplemento de baixo consumo. Consumo de 0,3% PV é considerado suplementação proteico energética, já que requer maiores níveis de energia através da adição de insumos energéticos no suplemento.

Entretanto, a suplementação proteica na estação seca só é eficiente quando a forragem disponível não for limitante. Por exemplo, pastagens muito “passadas”, em que houve a formação de talos, a ingestão será limitada pela dificuldade de apreensão do alimento e tempo de pastejo do animal, o que a suplementação não conseguirá suprir o déficit na ingestão de matéria seca diário.

Cocho com distribuição uniforme do suplementoCocho com distribuição uniforme do suplemento. Fonte: Arquivo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

Outro ponto importante para considerar na suplementação é a relação carboidratos e proteína da dieta. Aqui quando falamos dieta, estamos nos referindo à forragem e suplemento juntos.

O simples aumento dos teores proteicos do material ingerido não é uma garantia de maior suprimento intestinal de proteína por unidade de matéria seca ingerida, ou maior quantidade de proteína absorvida.

Tal eficiência no aproveitamento da fração proteica, depende da disponibilidade de energia para os microrganismos ruminais utilizarem a amônia oriunda da proteína degradada ou da ureia no rúmen. Essa sincronia aumentará a produção de proteína microbiana, e esta sim será responsável pelo suprimento de aproximadamente 70% das exigências proteicas do animal.

Portanto, maximizar a produção de proteína microbiano é um dos grandes objetivos da suplementação proteica.

Desse modo, conseguimos entender a necessidade da adição de ureia no suplemento para o fornecimento “imediato” de amônia no rúmen para o crescimento microbiano.  Sempre que os teores proteicos das gramíneas estivem abaixo do valor mínimo de 7% de PB, se torna um fator limitante para atividade dos microrganismos do rúmen (LAZARRINE et al., 2006).

Exemplos de insumos proteicos:

  • Farelo de soja (48 a 50% de PB e 82% de NDT);
  • Farelo de algodão (38 a 41% de PB e 66 a 75% de NDT);
  • Ureia (45% de N, PB tem 16% de N, logo, o equivalente de ureia é 281% Cada kg de ureia equivale a 2,81 kg de PB;
  • Outros: Farelo de amendoim, cevada, glúten de milho, etc.

Destes insumos supracitados, a ureia é comumente citada pelos pecuaristas como estratégia de uso nas fazendas, ligada também a possibilidade de redução de custos da dieta, pela substituição parcial de fontes proteicas vegetais.

Os microrganismos ruminais conseguem transformar o nitrogênio vindo da ureia em um equivalente proteico de altíssima qualidade.

Apesar desta característica, é importante ressaltar que, a ureia é extremamente solúvel, em contato com o ambiente ruminal, é rapidamente degradada e transformada em amônia, o excesso de nitrogênio será transportado para o fígado, onde poderá sofrer uma reciclagem e voltar como ureia por via metabólica através da saliva, onde será aproveitado pelo animal, este processo demanda muita energia, o que levará a redução da disponibilidade da mesma para o animal.

A alta concentração de amônia no rúmen, irá fazer com que não ocorra um sincronismo entre as fermentações de carboidratos ocorre, portanto, uma redução da captura ruminal de nitrogênio  para a síntese de proteínas microbianas devido à falta de carboidratos no rúmen, levando a um quadro de intoxicação.

Casos de intoxicação por ureia são relatados por vários motivos, muitas vezes essa intoxicação esta diretamente ligada com a forma de distribuição da ureia para o animal. Essas intoxicações são mais relatadas quando ocorre o acúmulo de água no cocho, diluindo a ureia na água. O bovino ao “beber essa sopa” ingeri níveis muito acima da capacidade utilização no rúmen, causando quadro de intoxicação. A ingestão diária máxima de ureia é de 40 g a cada 100 kg de PV.

É comum utilizarmos o sal ureado na época da seca, que nada mais é que o sal mineral mais a ureia, porém, alguns cuidados devem ser levados em consideração, como:

  • Cochos cobertos e inclinados, com furos para evitar o excesso de água;
  • Jamais fornecer ureia misturada em água;
  • Deve ser introduzida de maneira gradativa (iniciando com 20g/100kg PV).

No contexto descrito, o fornecimento de suplementos proteicos propicia melhorias no desempenho animal, desde que aplicados de forma correta, considerando os valores nutricionais e disponibilidade da forrageira.

Importância da suplementação energética

O uso de maiores quantidades de alimentos concentrados energéticos para bovinos de corte é inevitável, uma vez que o melhoramento genético dos animais é acompanhado ao aumento das exigências nutricionais, e consequentemente maior desempenho animal.

A suplementação energética (suplemento de alto consumo) tem consumo superior a 0,3% PV, sendo que acima de 0,7% PV consideramos como ração, já que o fornecimento de 1% PV equivale 50% da dieta.

O crescimento microbiano no rúmen depende da quantidade de energia proveniente da fermentação ruminal. Uma característica que são relatadas com o uso desta suplementação, é o efeito de substituição. Este ocorre quando o suplemento alimentar reduz a ingestão da forragem. Começamos observar isso na prática quando o consumo de suplemento é maior que 0,5% PV.

O uso correto desta suplementação a pasto, é uma estratégia interessante no período das águas e secas. Nas águas, onde o nível de proteína da forrageira está alto e o de energia mais baixo, são relatados aumento de ganho de peso médio diário de animais destinados para produção de carne. Porém, nas secas quando deseja-se ter ganhos superior a 0,4 kg/dia, esta estratégia é comumente adotada.

Um exemplo de estratégia são animais suplementados energeticamente na recria a pasto, podem entrar mais pesados no confinamento e podem ser abatidos mais pesados ou com o mesmo peso de animais não suplementados, porém com menor tempo de confinamento.

Os alimentos com alto teor de energia, 75 a 92% de NDT (%MS) e < 12% de PB são:

  • Milho;
  • Sorgo;
  • Milheto;
  • Polpa cítrica;
  • Farelo de trigo;
  • Farelo de mandioca, entre outros.

Suplementação de gadoFonte: Arquivo pessoal, Cristiano Rossoni.

Suplementação de animais a pasto é uma estratégia!

A suplementação mineral com energia e/ou proteína na produção de gado de corte é estabelecida de acordo com o valor nutritivo da forragem, intimamente ligado à estratégia de manejo do pasto.

A suplementação afeta a taxa de lotação, que decresce linearmente com acréscimo na altura de pastejo, independente da suplementação utilizada. No entanto, a lotação deve ser sempre superior nos pastos em que os animais recebem suplemento proteico energético em relação aos suplementados com sal mineral.

Dessa forma, pode-se manter mais animais na mesma área, com a utilização da suplementação, em que é possível aumentar a capacidade suporte dos pastos, refletindo em maior produtividade por área.

É importante que o uso de suplementos venha a interagir com o pasto de forma a aperfeiçoar o uso da pastagem pelos animais. Além disso, deve-se sempre respeitar a capacidade de conversão alimentar e a ingestão do animal, em termos de custo/benefício e bem-estar animal.

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