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5 dicas básicas da alimentação e manejo nutricional de gado de corte

Revisão:

Produtividade entra pela boca. Este é um ditado popular que se adéqua perfeitamente quando o assunto é produção de proteína animal de qualidade. Na pecuária de corte, existe um tripé que sustenta e confere dinamismo quando se fala em produção de bovinos, que consiste em genética, sanidade e nutrição. 

A associação da eficiência desse tripé somada à uma gestão eficiente dos recursos financeiros, e das pessoas envolvidas no processo, proporciona grande capacidade de obtenção de uma margem de lucratividade satisfatória.

Para se obter boa eficiência produtiva é importante que o manejo nutricional de bovinos de corte seja fundamentado em conhecimentos técnicos e aprofundados, revertidos em práticas eficientes de manejo nutricional. Isto permite que sejam adotadas estratégias para melhorar a eficiência alimentar dos animais e também a eficiência econômica do sistema.

Fonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro

Alimentação combinada com manejo nutricional de gado de corte pode ser considerado um assunto complexo, pois são diferentes variáveis que podem influenciar no sucesso deste manejo. 

Pensando em pecuária de corte brasileira, o dinamismo na atividade é ainda maior. As diferenças nos sistemas de produção variam de região para região, e mesmo de forma regional podem variar muito  em função de quantidade de raças de animais utilizadas, condições climáticas e ambientais que mudam ao longo do território nacional, variedade da composição nutricional da dieta utilizada para os animais nos diferentes sistemas, diversidade de forrageiras disponíveis, entre outras variações observadas.

Os níveis de intensificação de cada sistema, também interfere muito nesse dinamismo. O país apresenta uma diversidade muito grande em tipo e níveis de intensificação dos sistemas, onde é possível observar desde sistemas altamente extensivos, de criações a pasto, como sistemas de ciclo completo com 100% dos animais confinados, recebendo a dieta no cocho.

manejo nutricional

Fonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro

Embora todas estas variações citadas, existem alguns princípios que devem ser levados em consideração para se fazer um bom manejo nutricional de bovinos de corte, independente das variáveis como raça, condições climáticas e espécies forrageiras disponíveis. Aqui neste texto vamos explorar 5 dicas importantes para obter sucesso no plano nutricional da fazenda.

1- Definição do objetivo do sistema de acordo com a categoria animal

O manejo nutricional adotado no sistema deve estar alinhado com os objetivos almejados para cada categoria. Os requerimentos nutricionais dos animais quanto aos nutrientes como proteína, energia, minerais e vitaminas variam conforme a categoria animal e também quanto a meta de desempenho produtivo.

Os bezerros, por exemplo, estão em uma fase onde o tipo de ganho é predominantemente o desenvolvimento dos tecidos musculares e ósseos, necessitando de uma dieta com níveis de proteína e minerais superiores as dietas dos animais mais erados, que por sua vez precisam de uma dieta mais energética, por estarem em uma fase onde o crescimento do esqueleto e desenvolvimento dos músculos já esta mais estabilizado e o aumento de deposição de tecido adiposo (gordura) torna-se mais acentuado. 

Isto implica em planejar uma alimentação com os níveis adequados de nutrientes para garantir a efetividade do bom desempenho dos animais, sem contudo, perder eficiência econômica, seja pela falta de fornecimento de nutrientes, o que impossibilita o ganho de peso desejado, ou pelo excesso de nutrientes na alimentação, provocando aumento no custo de produção e desperdício de dinheiro.

Além dos objetivos traçados por exigências específicas de cada categoria, estabelecer o objetivo de ganho da categoria também é fundamental, desmamar bezerros com 240 kg, por exemplo, ou obter ganhos de 1,2 Kg por dia na engorda, são objetivos importantes de serem traçados em cada categoria. 

2. Planejamento nutricional com estimativas da necessidade e disponibilidade de MS para alimentação dos animais durante determinado ciclo produtivo

Quando se fala em bovinos mantidos a pasto, a qualidade e a quantidade da forragem estão entre os principais fatores que influenciam a produtividade animal. As plantas forrageiras são responsáveis por fornecerem energia, proteína, minerais e vitaminas aos animais em pastejo com um baixo custo alimentar.

Contudo, estas estão sujeitas à estacionalidade de produção, apresentando boa qualidade e produtividade durante o período das chuvas, mas com perdas quantitativas e qualitativas durante os períodos secos do ano., como ilustrado na Figura 1.      

manejo nutricional

Figura 1- A imagem representa a sazonalidade de produção forrageira em algumas regiões do Brasil, acompanhando as estações de seca e chuva.

Quando os bovinos não têm disponibilidade de pastagens com níveis mínimos de fibra e nutrientes, o desempenho produtivo destes animais é comprometido. Neste cenário, a probabilidade de que ao final do ciclo produtivo os animais não tenham apresentado o desempenho satisfatório é alta, o que provoca impacto negativo sobre a rentabilidade do sistema.

Para que isso não aconteça, é fundamental o planejamento nutricional antes do início do ciclo produtivo, para garantir que os níveis mínimos de nutrientes alimentares sejam oferecidos aos animais para atender suas exigências e o animal continuar ganhando peso durante o período estabelecido. Desta forma, permite-se que os animais possam apresentar o desempenho satisfatório para que os objetivos produtivos e econômicos do sistema sejam alcançados.

Em um bom manejo nutricional, busca-se em geral maximizar a produção biológica e/ou econômica para determinado cenário socioeconômico, minimizar custos produtivos e garantir a sustentabilidade do sistema.

manejo nutricional

Fonte: Acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenador de consultoria do Rehagro. 

Durante o período de maior disponibilidade de forragem, podemos utilizar de suplementação também, diferente do período seco, onde além de corrigir as deficiências nutricionais das pastagens, aumentamos o consumo do capim mais seco. Durante as águas, o pensamento é em maximizar os ganhos, ganhar ainda mais desempenho no período onde as pastagens são favoráveis, a conta não é simples, e não devemos simplesmente suplementar para ganhar mais, a estratégia deve compor um planejamento global e ser rentável economicamente.

3. Suplementação alimentar

Em função da estacionalidade produtiva das pastagens, estratégias alimentares que ajudem a sanar este problema devem ser adotadas, entre elas está a suplementação.

Bons resultados produtivos podem ser obtidos com a utilização da suplementação quando esta é realizada com um bom planejamento e apresenta coerência com a categoria animal e com o ganho desejado. 

É preciso estar atento, pois este cenário pode mudar em função de alguns fatores, dentre eles estão: disponibilidade e qualidade de forragem, categoria animal e  mercado (para compra de insumos, animais e valor pago pela @ vendida do animal) e o custo desta suplementação.

Critérios que devem ser observados para suplementar:

  • objetivo produtivo,
  • raça e categoria animal,
  • disponibilidade e qualidade de pastagens,
  • quantidade e valor nutricional do suplemento,
  • tempo de suplementação,
  • preço pago pela arroba,
  • custo x benefício do suplemento. Além de recursos físicos como cochos e disponibilidade de mão de obra capacitada.
  • Logística da propriedade.
  • Infraestrutura, cocho, galpão, fábrica, etc.

manejo nutricional

Fonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro.

É importante ressaltar que independente do tipo e nível de suplementação adotado, o objetivo desta estratégia deve ser sempre garantir a utilização eficaz da forragem e seus nutrientes pelos animais, potencializando o desempenho individual e aumentando a produção por hectare. Ao se analisar o fator custo alimentar, os nutrientes obtidos através das forrageiras é consideravelmente inferior ao da suplementação, o que ressalta a importância da boa eficiência do pastejo. 

Estratégias de suplementação podem ser utilizadas também para garantir sucesso em estratégias pontuais, como preparar novilhas para a estação de monta, desmamar bezerros, dentre outros.

Fonte: Acervo pessoal de Cristiano Rossoni, técnico do Rehagro

4. “Contas na ponta do lápis”

Outro fator importante para se estabelecer o manejo nutricional dos animais, é a realização de uma análise sobre a viabilidade econômica. Não adianta fornecer alimentação diferenciada aos animais, garantindo bom desempenho, mas se esta não apresentar custo benefício favorável ao sistema. Em outras palavras, a produtividade animal tem que pagar o investimento realizado com a suplementação.

Por exemplo, em um sistema de cria onde a disponibilidade de forragens não atende aos requerimentos nutricionais das vacas em determinado período do ano, estas precisarão ser suplementadas. 

Antes de qualquer decisão, deve-se realizar a análise da viabilidade econômica e o custo benefício da adoção desta estratégia. Isto pode ser realizado de diferentes maneiras, dentre elas, uma análise onde são levados em conta parâmetros como custo do suplemento, o tempo de suplementação e as taxas de desmame conseguidas (kg de bezerro desmamado/vaca/ano). Somente através desta análise e planejamento será possível garantir que o sistema apresente índices produtivos adequados com rentabilidade satisfatória.

Ressalva importante, é que não devemos levar em conta somente os custos diretos com o suplemento, seja ele concentrado ou volumoso, os cálculos devem ser amplos levando em consideração, toda a logística e a operação envolvida no programa nutricional.

5. Monitoramento

Sabe-se que produzir, entender, monitorar e controlar dados em uma empresa é fundamental para o sucesso do negócio. Na bovinocultura de corte isto não é diferente, principalmente quando se observa as margens de lucro cada vez mais reduzidas como tem sido nesta atividade.

Fonte: Acervo pessoal de Paulo Eugênio, coordenado de consultoria do Rehagro.

Sendo assim, após um bom planejamento nutricional com a realização de estudos e análises que demonstram viabilidade da estratégia, é fundamental o monitoramento desta ao longo de sua execução. Isto permitirá que durante a execução deste manejo, caso aconteça algum desvio como, por exemplo, desempenho produtivo insatisfatório, seja possível avaliar a causa do problema e também uma intervenção que o sane e possibilite que se tenha sucesso no final do ciclo produtivo.

Concluímos que o planejamento nutricional é fundamental para proporcionarmos aos animais condições ótimas para que possam expressar seu potencial genético, o monitoramento das estratégias, e principalmente a execução do manejo bem realizada são passos indispensáveis para o sucesso da atividade

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