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Manejo da cama de Free stall: você conhece os pontos de atenção e monitoramento?

No sistema de produção de leite com gado confinado um dos mais populares métodos de criação de gado leiteiro é o Free Stall, nesse sistema de criação as vacas ficam instaladas em um galpão que possui área de alimentação e área de repouso.

Na área de repouso cada animal possui uma baia para descanso individual, permitindo alta densidade animal em um ambiente confortável, que desempenha um papel fundamental na busca pela melhoria da produtividade na pecuária leiteira proporcionando um ambiente mais adequado e confortável para as vacas. 

Nesse texto iremos tratar de pontos de atenção sobre a cama do sistema de Free stall, discutindo sobre as características dessa cama, os cuidados importantes no manejo, pontos de monitoramento e os principais riscos de um manejo inadequado dessa cama.

 

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Importância do bom planejamento

A cama da baia onde as vacas vão descansar deve ser levada em consideração desde o planejamento do projeto de construção da instalação, pois ela vai ser responsável por proporcionar conforto às vacas, já que o intuito é que elas fiquem deitadas a maior parte do dia.

Os pontos que precisamos levar em consideração na escolha do material da cama são: disponibilidade do material, facilidade de manutenção, conforto e custo-benefício (descarte ou reutilização do material).

Vacas na cama do sistema free stall

Imagem de um sistema de Free stallFonte: Débora Potenciano

 

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Quais as características das camas do Free Stall?

As camas do Free Stall devem ser de materiais confortáveis, secas, ou seja, favorecem a drenagem adequada e oferecem apoio a vaca. A lista de materiais que podem ser utilizados na cama é bem variada, mas, podemos dividir em dois princípios: 

  • Compostos orgânicos;
  • Compostos não orgânicos.

Entre as camas de compostos orgânicos nós podemos usar a palha, maravalha, casca de café, casca de arroz e bagaço de cana, esses materiais vão oferecer conforto às vacas com um custo menor, porém são matérias que degradam mais rápido demandando trocas mais frequentes da cama. 

Já a cama de compostos não orgânicos podemos citar a areia ou materiais sintéticos como borracha e esteiras de etileno-acetato de vinila (EVA), que inicialmente vão ter um investimento financeiro maior, portanto a durabilidade também é maior, com manutenção mais fácil e possibilidade de reutilização como é o caso da areia.

Quais os cuidados e como realizar esse manejo?

O manejo da cama de Free stall é crucial para garantir o conforto e a saúde dos animais e ele vai depender muito do material escolhido. Entretanto, é fundamental manter a cama sempre limpa e seca, o que inclui a necessidade de:

  • Limpeza: para que a cama se mantenha limpa e seca, evitando a proliferação de microrganismos, é necessário que se tenha a rotina diária de remoção de fezes e urina. 
  • Nível da cama: a altura da cama deve ser mantida consistente para evitar problemas de lesões e desconforto para as vacas. Uma cama muito baixa pode resultar em degradação do leito e acúmulo de umidade. Por isso, é importante ter sempre uma superfície nivelada e confortável, realizando a reposição da cama nos momentos em que as vacas são direcionadas para a ordenha. 
  • Controle da umidade: manter a umidade sob controle é essencial para evitar problemas de saúde, como mastite e dermatite digital. Isso pode ser alcançado através do uso de materiais de cama que absorvam bem a umidade e da manutenção adequada da ventilação do barracão. 
  • Monitoramento da qualidade: é importante que seja realizado monitoramento regular da qualidade da cama, a fim de garantir que esteja atendendo às necessidades dos animais. Isso pode envolver a observação da umidade, odor e presença de sinais de problemas de saúde nos animais. 

Quais os pontos de atenção no monitoramento das camas?

A cama do Free Stall deve ser sempre monitorada, esse monitoramento deve envolver avaliação da umidade, temperatura, textura, profundidade e compactação da cama.

A cama com excesso de temperatura e umidade pode ser um precursor para o crescimento de microrganismos que causam problemas de saúde nas vacas. Já a compactação vai afetar o conforto dessa cama, sendo, o odor excessivo ou proliferação de moscas indicativos de compactação

A areia é o mais comum dentre os materiais de cama nesse sistema, porém ela precisa de mais alguns pontos de atenção, como por exemplo em relação a qualidade da areia, pois se for uma areia de má qualidade, com muitas impurezas ou partículas muito pequenas, pode causar desconforto para as vacas e dificultar a limpeza das camas. 

A areia deve ser lavada, peneirada e seca antes de ser usada. Um teste simples para verificar a adequação da areia é formar um “bolinho” com as mãos e arremessá-lo de uma mão para outra. Se o bolinho não se quebrar, a areia pode estar muito úmida ou as partículas podem ser muito pequenas. 

Além da qualidade do material, é imprescindível que seja mantido o nível adequado de areia nas camas, o que em muitas propriedades pode ser considerado um desafio comum. Camas com pouca areia não proporcionam o efeito “amortecedor” desejado e podem alterar as dimensões da cama, tornando-a desconfortável para as vacas. Além disso, as vacas podem preferir se deitar na diagonal, sujando mais as baias.

Como identificar problemas com o manejo da cama?

Podemos utilizar alguns sinais que indicam problemas com o manejo da cama e que o mesmo não esteja sendo realizado corretamente, dentre esses sinais podemos citar:  

  • Tamanho da cama inferior ao recomendado;
  • Corpo da vaca para fora ao se deitar;
  • Animais e baia sujos;
  • Dificuldades para se levantar ou recusa em deitar na baia;
  • Acúmulo excessivo de esterco;
  • Compactação da cama;
  • Presença de poças de urina ou odor forte;
  • Presença excessiva de moscas.

Quais os riscos do manejo inadequado?

Um manejo inadequado das camas pode levar a vários problemas e riscos as vacas leiteiras, como lesões articulares e em jarretes devido à superfície irregular, estresse nos animais, aumento da propensão a desenvolver doenças e infecções devido à exposição a ambientes sujos e úmidos, além de problemas de casco e respiratórios devido ao acúmulo de gases e poeira.

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Além disso, pode haver uma diminuição na produtividade dos animais, na qualidade do leite produzido e nos índices reprodutivos, oriundos da falta de conforto dos animais que passam pela situação de manejo errôneo da cama do sistema, o que vai impactar diretamente para que se tenha prejuízos econômicos, afetando de forma negativa a rentabilidade do negócio.

Animal no sistema de Free Stall apresentando proeminências na região do jarrete devido à má qualidade da cama.

Imagem de um animal no sistema de Free Stall apresentando proeminências na região do jarrete, onde essas lesões foram ocasionadas devido a má qualidade da cama, onde podemos observar a ausência de areia para promover o amortecimento das articulações do animal ao deitar. Fonte: Marco Vinício Couto

Considerações finais

Uma cama bem manejada no sistema Free Stall é essencial para manter a viabilidade do negócio, ela vai proporcionar descanso adequado para as vacas, contribuir para saúde, bem-estar, prevenir lesões e doenças, além de ter um custo menor pois camas de qualidade e bem mantidas exigem menos trocas e manutenção, resultando em economia de tempo e recursos. Com isso, as vacas vão responder em leite, pois, vacas confortáveis tendem a produzir mais leite e têm uma melhor saúde geral. 

Em resumo, estar atento à cama do Free stall é fundamental na garantia da saúde, bem-estar e produtividade do rebanho. Por isso, a adoção de práticas de manejo adequadas para assegurar que as camas sejam mantidas limpas, secas e confortáveis é essencial, pois isso além de todos os benefícios direcionados a vaca, contribui para a sustentabilidade da operação.

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Debora Potenciano - Equipe LeiteLaryssa Mendonça

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