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Fotossensibilização em bovinos: saiba as causas e como manejar os riscos

A fotossensibilização, também conhecida como requeima e sapeca, trata- se de uma doença causada pela resposta excessiva da pele (principalmente de áreas despigmentadas e/ou sem presença de pelos) a radiação solar, devido ao acúmulo de substâncias tóxicas (fototoxinas ou fotoalérgenos) na pele. Essa doença acomete principalmente os bovinos no período da desmama até aproximadamente os dois anos de idade.

O número de animais afetados é variável, podendo ser a nível de animal ou até a nível de rebanho, causando diversos prejuízos econômicos para o produtor devido a perdas em performance (ganho de peso), gastos com medicamentos e morte. 

Nesse texto iremos tratar sobre os principais tipos de fotossensibilização que acomete os bovinos, como pode ser realizado o diagnóstico dessa doença, como atuar caso na propriedade tenha animais afetados e quais ações podem ser tomadas para evitar novos casos.

 

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Qual os impactos da fotossensibilização nos bovinos?

De maneira geral, essa doença leva a um ressecamento da pele, rachaduras, úlceras, desprendimento da pele e exposição de áreas avermelhadas e inflamadas no tecido subcutâneo, principalmente em regiões da extremidade do corpo, como orelhas, períneo, vulva, úbere, focinho e extremidades dos membros.

Além disso, muitos animais podem apresentar sintomas sistêmicos como, febre, icterícia (mucosas amareladas), apatia, anorexia, desidratação e edema em áreas acometidas.

Bovino jovem com lesões na pele por conta de fotossensibilização

Imagem de um animal em um quadro de fotossensibilização apresentando lesões na pele. Fonte: Laryssa Mendonça

 

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Tipos de fotossensibilização

Existem dois tipos principais de fotossensibilização, sendo elas a primária e a secundária, essa última também conhecida como hepatógena.  Ambas podem acometer os bovinos, embora a fotossensibilização secundária seja considerada mais comum. 

Fotossensibilização primária

Ocorre quando o animal ingere alimento com presença de substância fotodinâmica, ou ainda por meio da sua absorção direta pela pele. No Brasil, três plantas fotossensibilizantes primárias são descritas: 

  • Fagopyrum esculentum;
  • Ammi majus;
  • Froelichia humboldtiana (planta nativa de ocorrência comum no semiárido nordestino, conhecida por Ervanço). 

Essa última planta contém um pigmento que é absorvido pela mucosa intestinal do animal e atravessa a barreira hepática, alcançando a circulação sistêmica e por fim a pele, onde causa uma resposta inflamatória exacerbada da pele à medida que a incidência de luz solar aumenta. 

Fotossensibilização secundária – Hepatógena

Considerada a fotossensibilização mais comum, ela acontece quando o animal ingere alimento com presença de alguma substância fototóxica, como as saponinas esteroidais (encontradas em brachiaria – Brachiaria spp,  e capim mombaça – E Panicum spp.), furanos sesquiterpenos (encontrado em Myoporum spp.) ou triterpenos (encontrado no Camará – Lantana spp.), sendo as do gênero Brachiaria as mais frequentes no Brasil.

Após ser ingerida, a substância é capaz de lesionar o fígado e reduzir a sua capacidade de o metabolizá-la, reduzindo assim a sua excreção biliar. Consequentemente, os agentes fototóxicos não são eliminados do corpo do animal e se acumulam na pele, que com a maior incidência de luz solar, causa lesões, edemas e demais sinais clínicos da fotossensibilização. 

Como diagnosticar a doença?

O diagnóstico é baseado principalmente na anamnese junto da pessoa responsável para entender aspectos relacionados à idade do animal, tipo de pastagem e ambiente em que está inserido.

Os sinais clínicos mencionados anteriormente devem ser analisados detalhadamente, os quais são altamente sugestivos da doença e na maioria das vezes vão de encontro às informações obtidas na anamnese. 

Em caso do animal vir a óbito, a necropsia é de extrema importância para um diagnóstico preciso, onde pode-se encontrar aumento no volume do fígado (hepatomegalia), repleção da vesícula biliar, pigmentação ictérica de mucosas e tecidos adjacentes ao fígado, entre outros. 

Como atuar na situação dos animais afetados?

Primeiramente, os animais acometidos devem ser removidos do ambiente/pasto em que estavam e movidos para um pasto diferente, onde tenha menos probabilidade de exposição a fototoxinas. Além disso, o sombreamento é de suma importância, para que os raios solares não cheguem diretamente até a pele do animal, agravando a situação. 

Quanto ao tratamento, esse é paliativo e de suporte, sendo indicado a utilização de protetores hepáticos, hidratação e corticosteroides durante o início dos sintomas. Para as lesões de pele, as pomadas antissépticas e cicatrizantes são de suma importância para melhor eficiência no processo de recuperação. 

Como evitar novos casos na propriedade?

Para evitar a fotossensibilização em bovinos leiteiros, algumas medidas preventivas podem ser tomadas, como: 

  • Controle de pastagens e alimentação: nesse quesito, é importante a identificação e remoção de plantas tóxicas, certificando-se que as pastagens estejam livres de plantas fotossensibilizantes, bem como a diversificação, rotação e bom manejo dos pastos, principalmente da Brachiaria spp.  em que os animais jovens permanecem, visto que esse manejo pode ser um fator de risco para os animais dessa categoria. Além disso, é fundamental o fornecimento de uma dieta balanceada para evitar deficiências nutricionais que possam afetar a saúde hepática. 
  • Proteção contra a luz solar: proporcione sombra adequada nas pastagens e abrigos para que os animais possam se proteger do sol intenso. 
  • Monitoramento constante: é fundamental que os animais tenham regularmente sua saúde monitorada, o que inclui a avaliação para detecção precoce de qualquer sinal de fotossensibilização e consequentemente a aplicação de um tratamento imediato. 
  • Gestão sanitária: manter os animais vacinados e em boas condições de saúde é importante para reduzir o risco de doenças que possam comprometer o fígado, como é o caso dos parasitas hepáticos, como a fascíola hepática, que podem aumentar o risco da fotossensibilização secundária.

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