A fotossensibilização em bovinos, popularmente conhecida como requeima ou sapeca, é uma condição em que a pele se torna excessivamente sensível à radiação solar devido à presença de substâncias fotodinâmicas no organismo.
Quando essas substâncias chegam à pele e são ativadas pela luz, desencadeiam reações que provocam inflamação e lesões. As alterações são mais frequentes em áreas despigmentadas, com pelos claros ou pouco protegidas, como focinho, úbere, vulva, períneo, orelhas e extremidades dos membros.
A doença pode afetar um único animal ou atingir parte significativa do rebanho. Além de causar dor e comprometer o bem-estar, pode provocar redução do consumo, perda de peso, gastos com tratamento e até morte nos quadros mais graves.
Neste artigo, você entenderá quais são os tipos de fotossensibilização, as principais causas, como reconhecer os sinais clínicos e quais medidas devem ser tomadas para controlar e prevenir o problema na propriedade.
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Quais são os sintomas da fotossensibilização nos bovinos?
Os primeiros sinais podem incluir inquietação, procura por sombra, coceira, sensibilidade ao toque e desconforto quando o animal permanece exposto ao sol.
Com a evolução do quadro, podem surgir:
- Vermelhidão e inflamação da pele;
- Edema;
- Ressecamento e formação de crostas;
- Rachaduras e ulcerações;
- Desprendimento da pele;
- Exposição de áreas avermelhadas e doloridas;
- Redução do consumo de alimentos;
- Apatia e desidratação.
As lesões aparecem principalmente nas regiões menos pigmentadas ou pouco protegidas por pelos, como orelhas, focinho, úbere, vulva, períneo e extremidades dos membros.
Nos quadros hepatógenos, também podem ocorrer sinais associados ao comprometimento do fígado e das vias biliares, como icterícia, perda de peso e alterações no estado geral do animal.

Imagem de um animal em um quadro de fotossensibilização apresentando lesões na pele. Fonte: Laryssa Mendonça
Tipos de fotossensibilização
Existem dois tipos principais de fotossensibilização, sendo elas a primária e a secundária, essa última também conhecida como hepatógena. Ambas podem acometer os bovinos, embora a fotossensibilização secundária seja considerada mais comum.
Fotossensibilização primária
Ocorre quando o animal ingere alimento com presença de substância fotodinâmica, ou ainda por meio da sua absorção direta pela pele. No Brasil, três plantas fotossensibilizantes primárias são descritas:
- Fagopyrum esculentum;
- Ammi majus;
- Froelichia humboldtiana (planta nativa de ocorrência comum no semiárido nordestino, conhecida por Ervanço).
Essa última planta contém um pigmento que é absorvido pela mucosa intestinal do animal e atravessa a barreira hepática, alcançando a circulação sistêmica e por fim a pele, onde causa uma resposta inflamatória exacerbada da pele à medida que a incidência de luz solar aumenta.
Fotossensibilização secundária – Hepatógena
Considerada a fotossensibilização mais comum, ela acontece quando o animal ingere alimento com presença de alguma substância fototóxica, como as saponinas esteroidais (encontradas em brachiaria – Brachiaria spp, e capim mombaça – E Panicum spp.), furanos sesquiterpenos (encontrado em Myoporum spp.) ou triterpenos (encontrado no Camará – Lantana spp.), sendo as do gênero Brachiaria as mais frequentes no Brasil.
Após ser ingerida, a substância é capaz de lesionar o fígado e reduzir a sua capacidade de o metabolizá-la, reduzindo assim a sua excreção biliar. Consequentemente, os agentes fototóxicos não são eliminados do corpo do animal e se acumulam na pele, que com a maior incidência de luz solar, causa lesões, edemas e demais sinais clínicos da fotossensibilização.
Como é feito o diagnóstico da fotossensibilização?
O diagnóstico deve considerar o histórico da propriedade, os sinais clínicos, as características das lesões e as possíveis fontes de substâncias fotodinâmicas.
Durante a investigação, é importante avaliar:
- Idade e categoria dos animais afetados;
- Áreas do corpo atingidas;
- Presença de pele clara nas regiões lesionadas;
- Pastagem ou alimento consumido;
- Introdução recente em novos piquetes;
- Plantas tóxicas presentes na área;
- Ocorrência de icterícia ou outros sinais de comprometimento hepático;
- Número e distribuição dos casos no rebanho.
Exames laboratoriais podem auxiliar na avaliação da função hepática e na diferenciação entre as formas primária e hepatógena.
Quando houver morte, a necropsia e o exame histopatológico podem fornecer informações importantes para confirmar lesões hepáticas e identificar a origem do problema.
Outras doenças dermatológicas, queimaduras, intoxicações e alterações que provocam lesões semelhantes também devem ser consideradas durante o diagnóstico diferencial. Por isso, a avaliação deve ser conduzida por um médico-veterinário.
Como atuar na situação dos animais afetados?
Primeiramente, os animais acometidos devem ser removidos do ambiente/pasto em que estavam e movidos para um pasto diferente, onde tenha menos probabilidade de exposição a fototoxinas. Além disso, o sombreamento é de suma importância, para que os raios solares não cheguem diretamente até a pele do animal, agravando a situação.
Quanto ao tratamento, esse é paliativo e de suporte, sendo indicado a utilização de protetores hepáticos, hidratação e corticosteroides durante o início dos sintomas. Para as lesões de pele, as pomadas antissépticas e cicatrizantes são de suma importância para melhor eficiência no processo de recuperação.
Como evitar novos casos na propriedade?
Para evitar a fotossensibilização em bovinos leiteiros, algumas medidas preventivas podem ser tomadas, como:
- Controle de pastagens e alimentação: nesse quesito, é importante a identificação e remoção de plantas tóxicas, certificando-se que as pastagens estejam livres de plantas fotossensibilizantes, bem como a diversificação, rotação e bom manejo dos pastos, principalmente da Brachiaria spp. em que os animais jovens permanecem, visto que esse manejo pode ser um fator de risco para os animais dessa categoria. Além disso, é fundamental o fornecimento de uma dieta balanceada para evitar deficiências nutricionais que possam afetar a saúde hepática.
- Proteção contra a luz solar: proporcione sombra adequada nas pastagens e abrigos para que os animais possam se proteger do sol intenso.
- Monitoramento constante: é fundamental que os animais tenham regularmente sua saúde monitorada, o que inclui a avaliação para detecção precoce de qualquer sinal de fotossensibilização e consequentemente a aplicação de um tratamento imediato.
- Gestão sanitária: manter os animais vacinados e em boas condições de saúde é importante para reduzir o risco de doenças que possam comprometer o fígado, como é o caso dos parasitas hepáticos, como a fasciolose hepática, que podem aumentar o risco da fotossensibilização secundária.
Perguntas frequentes sobre fotossensibilização em bovinos
O que é fotossensibilização em bovinos?
É uma condição em que substâncias fotodinâmicas presentes na pele reagem à radiação solar e provocam inflamação, edema e lesões cutâneas.
Quais são os sintomas da fotossensibilização?
Os principais sinais incluem procura por sombra, vermelhidão, edema, crostas, rachaduras, ulcerações e desprendimento da pele, principalmente em áreas claras.
Qual é a diferença entre fotossensibilização primária e hepatógena?
Na forma primária, o animal absorve diretamente uma substância fotodinâmica. Na hepatógena, uma lesão hepática ou biliar impede a eliminação adequada da filoeritrina.
A braquiária pode causar fotossensibilização?
Pastagens do gênero Urochloa, anteriormente classificado como Brachiaria, estão associadas a casos de fotossensibilização hepatógena em bovinos, principalmente em determinadas condições de susceptibilidade e manejo.
A fotossensibilização é contagiosa?
Não. A doença não é transmitida diretamente entre os animais. Vários bovinos podem adoecer ao mesmo tempo por estarem expostos à mesma planta, pastagem ou fator causador.
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A fotossensibilização pode causar grandes prejuízos se não for prevenida e controlada corretamente.
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