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Vacas leiteiras em um sistema de compost barn

Compost barn: o que é e quais são seus benefícios

O sistema de Compost Barn consiste em uma instalação coberta de cama coletiva para os animais, onde os seus dejetos orgânicos (fezes e urina) são incorporados ao substrato, e essa mistura gera o processo de compostagem em camadas mais profundas da cama.

É um sistema que possibilita a interação da produtividade com o meio ambiente.

Sabemos que ter uma fazenda produtora de leite lucrativa depende de diversos aspectos, entretanto, quando se pensa em produzir com menor custo é algo que nos chama atenção.

Dessa forma, temos o sistema de instalação do tipo Compost Barn como uma grande oportunidade, onde além de visar reduzir custos de produção, quando trabalhado de forma adequada tem-se melhoria em índices zootécnicos, muito relacionado com o conforto e bem estar disponibilizado, além de tornar possível um correto destino e tratamento dos dejetos dos animais.

 

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Entretanto, é interessante durante o processo de elaboração do projeto de Compost Barn que seja realizada uma avaliação completa relacionada a genética dos animais, pois isso vai estar intimamente ligado com o sucesso do negócio.

Quanto mais geneticamente evoluído o animal inserido no sistema, melhor será o seu desempenho, pois ele estará em um ambiente com condições para que seja possível expressar o seu potencial genético.

Vacas deitadas em um compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

Planejamento de um projeto de Compost Barn

Quando pensamos desde a construção, existem etapas que devem ser seguidas e bem analisadas a fim de que seja possível reduzir chances de insucesso relacionadas com o projeto de criação.

Diversos são os pontos a serem avaliados e que são responsáveis pelo sucesso da operação, dentre eles ter claro o manejo que a fazenda deseja ter, a categoria animal que será trabalhada, ter uma elaboração do projeto atenta a região da fazenda, ao clima, a localização de construção, a orientação, a estrutura de ventilação, como serão as demais estruturas como sala de espera, sala de ordenha e o centro de manejo de dejetos.

Hoje, é comum encontrarmos instalações do sistema Compost Barn de variadas formas, sendo elas desde de estruturas de concreto, metálicas galvanizadas ou de madeira, aquelas que detém de maior tecnologia que envolvem um maior investimento ou serem mais simples, que não requerem tamanho investimento, mas que se bem planejadas e manejadas conferem bons resultados.

Instalação de um compost barn em uma propriedade leiteira

Fonte: Acervo Rehagro

Assim como a estrutura pode ter variadas possibilidades de material, o telhado também pode ser de diferentes formas, dentre elas utilizando telha de zinco, barro e/ou concreto.

Essas diferenças em relação ao tipo de estrutura estão intimamente ligadas ao investimento que a fazenda está disposta a fazer, ao custo benefício dos materiais escolhidos e até mesmo a velocidade de construção.

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Elaboração do projeto de Compost Barn

Como dimensionar a área de cama (m²/animal)?

O dimensionamento da área da cama é algo extremamente importante no processo de elaboração do projeto, pois isso irá impactar de forma direta na necessidade de manejos e também no bem-estar dos animais ali alojados.

Para o cálculo da área mínima para cada animal devemos levar em consideração que seja possível que todos os animais permaneçam deitados ao mesmo tempo na cama.

Tem-se hoje um valor recomendado que leva em conta a qualidade da cama e o conforto do animal, tendo por base a quantidade de fezes e urina produzidas de acordo com a categoria a que o animal pertence.

  • Para animais em lactação é necessário que a área de cama esteja entre 10 a 15m² por animal.
  • Em lotes de animais de vacas secas, onde a produção de excretas é menor, a área em m² por animal pode ser menor, ficando em torno de 12m².
  • Já as vacas que compõem o grupo de animais de pré-parto e pós-parto, é ideal que a área de cama por animal seja maior, ficando em torno de 15m².

A maior área de cama nos animais desse grupo é baseada no momento de transição que a vaca se encontra, onde diversas alterações fisiológicas, metabólicas e imunológicas ocorrem e que já deixa o animal mais susceptível a uma série de problemas, dessa forma, devemos pensar em proporcionar o máximo de conforto a esses grupos.

Em casos onde no sistema de Compost Barn serão alojados animais de recria, como as novilhas com média de 350kg, uma menor área de cama por animal é possibilitada pois é uma categoria onde os animais são menor e mais leves e consequentemente produzem diariamente menores quantidades de fezes e urina. A área de cama recomendada para essa categoria é no mínimo 8m² por animal.

Como dimensionar a pista de alimentação, comedouros e bebedouros?

Quando pensamos no tamanho do barracão do Compost Barn, além do espaço de cama, o dimensionamento da pista de alimentação é outro ponto chave para determinar de fato o tamanho que a instalação terá, pois é a partir do comprimento da pista de alimentação que será determinado o comprimento do barracão.

Quando se trata de animais adultos em lactação, para a elaboração do projeto, o espaço de cocho deve ser de no mínimo 0,7 metros lineares por animal para vacas secas e vacas em lactação.

Em contrapartida, quando se refere a animais em lotes de pré e pós-parto, onde vacas e novilhas estiverem separadas, a fim de reduzir interações negativas no grupo e causar prejuízos no momento que esses animais passam pelo período de transição, sendo então estipulado o espaçamento de no mínimo 0,8 metros lineares por animal.

Em casos onde vacas e novilhas compuserem o mesmo lote em pré e pós-parto, é essencial que o espaçamento seja maior, pois animais maiores e mais velhos são dominantes em relação aos menores e mais novos.

Para esses casos, o espaçamento adequado é de no mínimo 1 metro linear por animal. Já em casos onde o projeto é para animais em crescimento, recomenda-se que o espaçamento seja de no mínimo 0,4 metros por animal.

É de extrema importância que a pista de alimentação no projeto de Compost Barn seja concretada, pois é nesse local que cerca de 25% de fezes e urina serão retidos.

Quanto à largura da pista de alimentação, é importante que seja suficiente para que os animais consigam comer e beber água ao mesmo tempo, o que hoje recomenda-se ser de no mínimo 4,5 metros.

Pensando no dimensionamento dos bebedouros, eles obrigatoriamente devem estar inseridos fora da área de cama. Quanto ao espaçamento recomendado, ele deve ser de no mínimo 0,12 metros lineares por animal.

É importante ressaltar a importância de obedecer o espaçamento dos bebedouros e ter rotina de limpeza, pelo fato da ingestão de matéria seca pelo animal estar diretamente relacionada com a ingestão de água.

Tabela com as dimensões para um sistema compost barn de acordo com cada animal

Como deve ser o sistema de ventilação do Compost Barn?

Durante a elaboração do Compost Barn é indispensável que o tema estresse térmico seja levado em consideração. Esse estresse vai ocorrer quando os animais são expostos a uma condição ambiental que excede sua faixa de conforto térmico, causando um desequilíbrio entre a produção de calor do corpo e a capacidade de dissipá-lo.

No barracão de Compost Barn, esse estresse térmico pode-se agravar em períodos de temperatura mais elevada devido ao acúmulo de calor do ambiente, o que consequentemente pode provocar redução no consumo de matéria seca, redução da eficiência de energia para a produção de leite e até mesmo reduzir a taxa de concepção quando o estresse térmico ocorre algumas horas após a inseminação artificial.

Por isso, é importante que também seja elaborado um projeto visando o resfriamento da instalação.

Dentro do Compost Barn a forma de ventilação mais utilizada é a feita através de ventiladores, onde além de atuar no resfriamento dos animais, atua também favorecendo a secagem da cama.

Para que o sistema de ventilação seja eficiente, é necessário que a velocidade do vento dentro de todo comprimento do barracão esteja em torno de 2 metros por segundo.

Medição de temperatura em um sistema compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

A adoção de sistemas de resfriamento combinando ventiladores e aspersores são considerados os mais eficientes para redução do estresse térmico, e podem estar instaladas na linha de cocho ou sala de ordenha, ou em ambas.

Nesses casos, nos momentos de resfriamento direto dos animais é recomendado que a velocidade do vento seja de no mínimo 6 metros por segundo e quando aspersão for utilizada, que a gota seja grossa e com alta vazão por bico.

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Manejos essenciais no Compost Barn

Na busca pelo sucesso do sistema após implementado, existem alguns fatores que devem ser sempre avaliados e contar com um manejo adequado. Dentre esses fatores, um dos mais importantes é o relacionado com a cama do barracão que está no processo de compostagem e que a depender da sua condição será responsável pelo conforto dos animais e pelo tempo que permanecem deitados.

Em relação ao material da cama dos animais, a granulometria do material é algo que deve ser analisado, pois é recomendado que esse material detenha de granulometrias diferentes, sendo elas pó, moída fina e moída grossa.

Dessa forma, o material mais recomendado hoje são os resíduos de madeira, entre eles a maravalha e a serragem.

Quando se tem na cama apenas material com granulometria fina irá provocar a compactação da cama, com queda na taxa de fermentação e aeração, deixando-a úmida e contribuindo para formação de torrões.

Entretanto, quando se tem apenas granulometria grossa, o processo de compostagem será acelerado devido à maior aeração da cama, o que aumenta a velocidade de decomposição do material.

Material da cama em um sistema compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

Diariamente o manejo da cama irá consistir em realizar o seu revolvimento, ou seja, a viragem da cama para que o processo de compostagem ocorra de forma homogênea.

É indicado que a frequência desse manejo seja realizada com base na condição da cama e a umidade do ar, onde em momentos que a umidade da cama está alta a necessidade de revolvimento aumenta, para que seja acelerado seu processo de secagem.

A cama deve ser revolvida a uma profundidade de no máximo 30cm, com auxílio de implementos acoplados em trator.

É importante que os implementos consigam promover a aeração da cama, descompactá-la, pois haverá períodos em que esse manejo de descompactação será necessário e também que tenha regulagem da profundidade, porque em momentos onde a porção mais profunda da cama já tenha completado o processo de compostagem, a profundidade deverá ser reduzida para que não se tenha a mistura desse material com o que está na superfície.

Revolvimento da cama em um sistema compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

Quanto à umidade da cama é recomendada que esteja entre 40 a 60%. Lembrando que nesses casos a ventilação deve ser mantida, onde além de auxiliar nesse processo de secagem, leva conforto térmico aos animais.

O processo de compostagem é uma forma de estabilização dos resíduos, onde é requerido condições ideais para que isso ocorra de forma correta. É necessário que se tenha umidade adequada e aeração para que se tenha temperatura ideal para que todo processo ocorra. Recomenda-se que a temperatura da cama esteja em uma faixa entre 45 e 60°C a uma profundidade de 30 cm.

Sistema compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

Relação carbono:nitrogênio

Outro ponto importante que vai indicar saúde da cama e que merece atenção é a relação carbono:nitrogênio, a qual deve ser adequada para garantir sucesso no processo de compostagem. É recomendado que essa relação seja de 25:1 a 30:1.

Quando se tem um aumento excessivo de matéria orgânica na cama essa relação desses elementos vai ser comprometida, pois haverá o aumento da porção de nitrogênio e da umidade da cama e redução da porção de carbono.

Essa relação não é um procedimento facilmente realizado na rotina da fazenda, porém existem indícios que podem ser visualizados e que sinalizam que o processo de compostagem está comprometido.

Na prática, existe um somatório de sinais que nos leva a enxergar que houve um desequilíbrio na relação carbono:nitrogênio, onde dentre eles podemos citar a temperatura da cama está abaixo do recomendado (45 a 60°C), excesso de umidade e de matéria orgânica, além de ser possível ter odores desagradáveis devido a fermentação anaeróbia desencadeada nessa situação.

Em relação ao momento de reposição da cama e quantidade a ser reposta, isso irá depender de alguns pontos como o tempo entre uma reposição e outra, às condições climáticas do ambiente, a troca de ar no barracão e também a área de cama por animal que a fazenda detém.

Situações onde se tem uma ventilação inadequada e condições climáticas de tempo chuvoso e umidade alta a frequência de reposição da cama aumenta, assim como também em situações onde se tenha a área de cama fora da faixa de 10 a 15m² por animal a necessidade de reposição com menor intervalo de tempo será maior.

Reposição da cama em um sistema compost barn

Fonte: Acervo Rehagro

Considerações finais

Sabemos então o quanto o sistema de Compost Barn pode ser uma excelente opção de alojamento dos animais, entretanto, é importante que um técnico capacitado esteja inserido dentro do negócio, para que avaliações precisas sejam feitas a fim de se ter as melhores definições dentro do negócio.

Hoje, fazendas com sistema já implementado seguem apresentando boas evoluções em indicadores de produtividade, saúde e reprodução.

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Laryssa Mendonça

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