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Colostro para bezerras leiteiras – 4 dicas úteis

A colostragem é um dos primeiros cuidados essenciais a serem oferecidos para as bezerras leiteiras. Alguns de seus benefícios são o crescimento e desenvolvimento do animal e redução das taxas de mortalidade antes do desmame.

O colostro é a principal fonte de anticorpos para elas e um dos pilares da bovinocultura, que garante a saúde e a sobrevivência dos animais, protegendo-os contra as doenças. 

Neste artigo, saiba mais sobre os conceitos básicos sobre o colostro, sua importância e confira quatro dicas para realização de uma boa colostragem.

O que é colostro?

Colostro é a secreção oriunda da glândula mamária obtida durante a primeira ordenha pós-parto em fêmeas mamíferas. Graças à sua composição rica em gordura, proteína (principalmente imunoglobulinas G – IgG), leucócitos, fatores de crescimento, hormônios e fatores antimicrobianos, o colostro materno possui a função de fornecer imunidade, fortalecer e aquecer o recém-nascido. 

A tabela a seguir apresenta uma comparação da composição nutricional do colostro bovino com o leite bovino:

Colostro para bezerros leiteiros

Importância da colostragem e da imunidade passiva

O colostro bovino representa a principal fonte de anticorpos para o neonato, visto que a placenta bovina é do tipo sindesmocorial, impedindo a passagem de grandes moléculas da mãe para o feto. 

Quando realizada de forma correta, a colostragem permite a absorção intestinal de imunoglobulinas que auxiliarão a bezerra na proteção contra doenças. Este processo de absorção de anticorpos via colostro materno é conhecido como transferência de imunidade passiva (TIP). Para saber mais sobre como monitorar a TIP, clique aqui.

Já é sabido que uma boa colostragem proporciona adequada TIP, estimula o crescimento e desenvolvimento do animal e reduz as taxas de morbidade e mortalidade antes do desmame. Os benefícios adicionais a longo prazo associados à transferência passiva bem-sucedida incluem redução da mortalidade no período pós-desmame, melhor taxa de ganho de peso, redução da idade ao primeiro parto, aumento do volume de leite produzido na primeira e segunda lactação e redução das chances de descarte durante a primeira lactação.

No entanto, quais são os pilares que garantem uma boa colostragem?

Diretrizes para uma boa colostragem 

As diretrizes do modelo atual de criação de bezerras leiteiras apontam quatro aspectos básicos como sendo os pilares para se alcançar uma colostragem adequada e, consequentemente, eficiência na TIP. São eles: tempo, qualidade imunológica, qualidade microbiológica e quantidade de colostro.

1. Tempo até a colostragem

O ideal é que a colostragem de bezerras seja realizada em até duas horas após o nascimento, sendo permitido realizar em até seis horas. O período entre o nascimento do animal e a colostragem é de extrema importância, pois após as seis primeiras horas de vida a taxa de absorção das imunoglobulinas do colostro materno cai consideravelmente devido à alteração estrutural das vilosidades intestinais.

2. Qualidade imunológica

Logicamente, a concentração de anticorpos no colostro bovino é outro aspecto que contribui para o sucesso da transferência de imunidade passiva. Nesse caso, o anticorpo colostral utilizado para mensuração da qualidade imunológica é a IgG. O recomendado é que 90% das amostras de colostro bovino apresentem concentração de IgG maior que  50 g/L. Um método indireto de se mensurar a concentração de IgG do colostro materno é através do refratômetro de Brix, seja ele óptico ou digital, sendo que valores iguais ou superiores a 22°Brix indicam boa qualidade imunológica. No entanto, vale ressaltar que os valores de imunoglobulina estipulados como meta durante a avaliação do refratômetro variam conforme o desafio de cada propriedade. Raça, idade da vaca, duração do período seco, manejo alimentar no pré-parto e vacinação constituem alguns dos fatores que interferem na qualidade imunológica do colostro bovino.

3. Qualidade microbiológica

Os parâmetros de qualidade microbiológica avaliados no colostro são a contagem bacteriana total e a quantidade de coliformes totais, sendo que as metas consideradas ideais são < 100.000 UFC/ml e < 10.000 UFC/ml, respectivamente. Diversos estudos demonstram haver correlação entre a quantidade sérica de IgG e a contagem total de coliformes, sendo que quanto maior a quantidade de coliformes menor é a concentração de IgG. A qualidade microbiológica do colostro bovino está totalmente relacionada com a adoção de práticas de higiene durante a sua ordenha, manipulação e armazenamento.

4. Quantidade de colostro ingerida

Por muito tempo se trabalhou somente com uma única oferta de colostro na quantidade de 10 a 12% do peso corporal (PC) da bezerra nas 6 primeiras horas de vida. Atualmente, estudos científicos vêm demonstrando os benefícios de uma segunda oferta de colostro na quantidade de 5% do peso corporal da bezerra. Deste modo, o modelo atual de criação de bezerras leiteiras recomenda um plano de colostragem baseado em duas ofertas de colostro ao longo das primeiras 24 horas de vida, sendo a primeira ingestão do colostro materno em até 6 horas (10 a 12% do PC) e a segunda oferta ocorrendo nas demais 18 horas antes da bezerra concluir o primeiro dia de vida (5% do PC). Uma alternativa interessante para a segunda oferta consiste no resfriamento do volume excedente utilizado para a primeira colostragem. Sempre atentar para o correto armazenamento do colostro bovino refrigerado: de preferência em sacos plásticos resistentes e higienizados, em temperatura de 2 a 8°C e por um período não superior a 48 horas.

Colostro para bezerros leiteiros

Colostragem via sonda esofágica – Fonte: Fazenda Queima Ferro

Portanto, atenção!

Conforme já abordado durante o texto, o sucesso na colostragem é multifatorial, sendo influenciado desde questões práticas, como duração do período seco da vaca, manejo alimentar, programa vacinal, tempo até a colostragem, qualidade microbiológica do colostro e dentre outros, até questões inerentes ao manejo com os animais, como raça e idade da vaca. O recomendado está em fazer o básico bem feito, ou seja, adotar um adequado manejo de colostro que se fundamente nos quatro pilares: tempo, qualidade imunológica, qualidade microbiológica e quantidade de colostro ingerida.

Lembre-se a colostragem apresenta diversos benefícios e é imprescindível para a proteção das bezerras contra as doenças, sendo sua principal fonte de anticorpos. Quer saber mais sobre as doenças que podem acometê-las para se preparar melhor para evitá-las? Então, confira nosso próximo artigo: Principais enfermidades na criação de bezerras leiteiras.

Sucesso na sua produção!

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