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Como planejar o plantio de milho para silagem?

A silagem de planta inteira de milho é um dos ingredientes de alimentação animal mais utilizada no Brasil, em razão de sua capacidade de fornecer energia, suprir as necessidades de fibra de qualidade e possibilidade de armazenamento por longos períodos sem perder a qualidade.

Para isso é de extrema importância analisar, controlar e assegurar um alimento de boa qualidade e produtividade para garantir maiores retornos positivos para a fazenda leiteira. 

Quando falamos de cultura de milho, o planejamento da lavoura deve iniciar com a escolha correta do híbrido, independente da finalidade da lavoura sendo para produção de silagem ou grão. Sempre deve-se seguir as orientações agronômicas levando em conta as características da região como altitude, solo, clima, chuvas e do período de cultivo, ou seja, safra ou safrinha. 

Nesse texto iremos trazer dicas importantes relacionadas com o planejamento para o plantio de milho para silagem com o intuito de potencializar a produtividade e a qualidade da lavoura de milho.

Nele vamos tratar de pontos importantes, como a escolha da área e o conhecimento da fertilidade do solo, a escolha do híbrido, época e densidade de plantio, adubação e o controle de pragas e doenças.

 

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Pontos importantes no plantio de milho para silagem

Dentro dos aspectos práticos de condução de uma lavoura de milho para silagem, alguns pontos são muito importantes de serem ressaltados: 

  • O processo é mais importante do que o produto, por exemplo, o quando adubou é mais importante do que qual adubo usou. 
  • O ciclo de produção de silagem se encurta cada vez mais, na média, na maioria das regiões se colhe silagem entre 90 e 110 dias. 
  • O grande gap da agricultura 🡪 MANEJO – Sob manejo ruim, mesmo sob condições climáticas favoráveis a produtividade não melhora. 
  • Todo indivíduo mais produtivo e mais precoce requer mais manejo. 
  • Atenção com atrasos em aplicações – O clima pode ser limitante em muitos casos, mas não se pode ter atrasos por incompetência. 

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Ao optar pelo plantio de milho para silagem o produtor deve estabelecer a incorporação de tecnologia na agricultura para alcançar uma média de mais de 50 toneladas por hectare de massa verde total, visando uma produção acima de 16,5 toneladas por hectare de matéria seca, se colhida no ponto recomendado. 

Além disso, garantir uma qualidade elevada na produção de silagem é crucial para a produção de leite e carne. No caso da silagem de milho, a qualidade está fortemente relacionada com a quantidade de grãos na forragem ensilada, visto que a silagem é um componente energético concentrado nos grãos.

Recentemente, a pesquisa indica que os grãos do tipo dentado são mais eficientemente aproveitados pelos animais do que os grãos do tipo duro. Além disso, a composição e qualidade da parede celular (FDN) nas folhas e caules tornam-se cada vez mais importantes na avaliação do valor nutricional da silagem.

Diferença do milho duro e dentado

Diferença do milho duro e dentado. Fonte: Biomatrix

Tradicionalmente, o custo da lavoura representa a maior parte do custo da silagem, abrangendo de 60 a 65% do custo total de produção. Esse custo está diretamente relacionado à produtividade da cultura, sendo determinado por fatores como a escolha da cultivar, preparo do solo, níveis de adubação, densidade de plantio e práticas culturais.

O custo da ensilagem representa de 35 a 40% do custo total e varia conforme fatores como eficiência das máquinas, estado de conservação, habilidade dos operadores, formato e topografia do terreno, e o sistema de produção da silagem.

Como obter alta produtividade e qualidade na lavoura e na silagem?

1º passo: escolha da área e conhecimento da fertilidade do solo

Deve-se iniciar pela escolha de um terreno plano ou levemente inclinado e fértil para aumentar o rendimento das máquinas. Com o aumento dos valores dos corretivos e fertilizantes, a correta adubação, sem gastos excedentes ou uso de adubos incorretos pode reduzir os custos de adubação e, consequentemente os custos finais da lavoura.

A adubação deve ser equilibrada, e ser feita de acordo com as necessidades da cultura, expectativa de produção e fertilidade do solo, dentre outros. 

O milho é uma das culturas com maior necessidade de potássio, sendo 70 a 80% deste componente armazenado nas folhas e colmo. Quando a lavoura é destinada a produção de milho grão, a maior parte deste nutriente retorna ao solo, ao contrário da lavoura para produção de silagem, que toda a planta é colhida. Sendo assim, a destinação da cultura irá refletir nas necessidades de adubação de potássio conforme descritos na tabela abaixo.

Tabela com a extração média de nutrientes do milho destinados à produção de silagem

Para a avaliação e definição das quantidades de adubação devemos realizar a análise do solo, com o objetivo de orientar o que já está presente no solo e determinar o que necessita ser corrigido, dando emprego à utilização de fertilizantes e calcário. 

Podemos dividir essa fase de conhecer a fertilidade do solo em dois momentos:

Amostragem representativa de solo (0-20 cm e 20-40 cm)

A variabilidade nutricional está mais na superfície (até 40 cm), por isso, realizar análises de solo mais profundas (40-60/ 60-80/ 80-100), pode ser algo mais esporádico 

Interpretar a análise de solo

É importante entender inicialmente que o V% na análise, significa saturação por base, ou seja, a porcentagem de coisas boas. Sabemos que as plantas devido a fotossíntese, e o solo tem capacidade de reter cargas, e a maioria das cargas do solo são negativas e possuem capacidade de atrair as cargas positivas. 

O somatório de todas as cargas nos da o que chamamos de Capacidade de Troca de Cátions (CTC), entretanto, temos cátions considerados “bons”, como o cálcio e os “ruins”, como o alumínio, onde os dois competem pelos mesmos sítios. 

Quanto mais matéria orgânica no solo, maior o CTC. Dessa forma, é melhor ter um solo com CTC mais alto, pois significa que ele tem mais cargas. Então, mesmo que se tenha 50% de coisas ruins em solos diferentes, é melhor o solo com CTC mais alto do que um solo com CTC mais baixo. Pois no solo com CTC mais alto, as cargas já estão disponíveis, bastando apenas corrigir o solo com calcário e gesso. Já um solo com CTC mais baixo, não tem cargas disponíveis, sendo uma possível correção a colocação de matéria orgânica. 

As quantidades e melhor forma de aplicação deverão ser definidas pelo técnico, juntamente com o proprietário e/ou gerência da fazenda de acordo com os resultados da análise de solo e a produtividade que se deseja alcançar.

2º passo: escolha do híbrido

Por muito tempo, os híbridos recomendados para plantio de silagem eram os mesmos usados para produção de grãos, porém atualmente há híbridos específicos para a produção de silagem.

Esses híbridos apresentam grãos com endosperma mais farináceo (mole), que possui amido descompactado, fazendo com que este seja um grão de mais fácil digestibilidade pelo rúmen do animal e consequentemente mais fácil quebra pela máquina de colheita.

Grãos de milho com variação na proporção de endosperma duro e farináceo

Também pode ser recomendado cultivares de milho para silagem com base na digestibilidade da parede celular (FDN), que é um dos parâmetros relacionados com a qualidade da fração verde da planta (caule e folhas) e com o consumo voluntário da silagem pelos animais.

Deve-se atentar para escolha de plantas que apresentam boa relação colmo, folhas e grãos, além da resistência ao acamamento ou quebramento. Assim, o híbrido deve fornecer uma silagem de planta inteira com cerca de 40 a 45% de grãos, de onde se tem o fornecimento do amido. O restante, de 55 a 60% será composto por outras partes da planta, como folhas, colmo e bainha. 

Em áreas extensas é recomendado, também, o uso de híbridos com diferentes ciclos, permitindo a colheita escalonada e melhor operacionalização da safra. 

3º passo: época de plantio

Os híbridos de milho são muito sensíveis ao clima, altitude, níveis de investimento e manejo empregado. Pesquisas realizadas pela Embrapa Milho e Sorgo, mostram que a melhor época para se plantar milho no Sudeste, Centro-Oeste e Sul, vai da segunda quinzena de setembro até o final da primeira quinzena de novembro, sendo a melhor época a primeira quinzena de outubro. 

De forma mais geral, é aconselhável que o início do plantio quando já se teve 80 a 100 mm de chuva, aliada a previsões firmes para os próximos 15 dias pelo menos em áreas que não há presença de palha para retenção de água. 

Em plantios tardios, as plantas crescem muito, fazendo com que o colmo fique fino e mais propenso ao acamamento. Além disso, com as condições piores de precipitação em plantios tardios, há grande risco de menores produções de silagem, exceto quando há uso de irrigação.

Tabela com a influência da época de semeadura na produção de matéria seca e composição da planta

Após o florescimento da planta o foco é alterado, passa a ser sustentar a espiga e depositar amido. A plantar irá usufruir do que está disponível no solo e direcionará para o grão. Somado a isso, se a planta possui um bom armazenamento do colmo, os nutrientes também são direcionados ao grão. 

Um comum problema observado em muitas fazendas é o de plantas com 80 dias de plantio começar secar de baixo para cima, demonstrando que há uma deficiência no armazenamento no colmo e de disponibilidade de nutrientes no solo, o que favorece a planta a pragas.

Planta de milho secando de baixo para cima, evidenciando a falta de armazenamento no colmo e disponibilidade de nutrientes no solo

Imagem demonstrando a planta de milho secando de baixo para cima, evidenciando a falta de armazenamento no colmo e disponibilidade de nutrientes no solo. Fonte: Blog Verde

4º passo: densidade de plantio

Ao falar de densidade de plantio estamos nos referindo ao número de plantas por hectare no momento da colheita. Para um plantio de precisão, existe uma recomendação de 60 mil plantas por hectare.

Os espaçamentos mais recomendados para silagem ficam entre 70 a 90 cm entre linhas, variando de acordo com o tamanho a cultivar. Além disso, é importante estar atento a profundidade, sendo o ideal entre 4 a 5 cm. 

Esse princípio fundamenta-se na relação entre a produção de grãos e a qualidade da forragem, especificamente para uma determinada cultivar. A recomendação é utilizar a mesma população de plantas para silagem que é indicada para alcançar uma ótima produção de grãos. 

É importante notar que, mesmo em condições ambientais favoráveis, onde a produtividade é otimizada, a qualidade pode encarecer o custo total da silagem produzida.

Estudos demonstram que, em solos bem adubados ou em plantas férteis, o aumento na população de plantas não deve exceder 10% para não impactar negativamente na qualidade final da silagem.

Portanto, é desaconselhável aumentar excessivamente a população em busca de melhorias na qualidade da produtividade, uma vez que isso pode resultar em perdas significativas.

5º passo: adubação

A consideração crucial na produção de forragem de milho é a adubação. Na produção de silagem, a exportação de nutrientes é significativamente maior, pois além dos grãos, uma grande quantidade de colmos e folhas também é produzida na área. 

Isso é especialmente relevante para o potássio, uma vez que apenas cerca de 20% desse nutriente está localizado nos grãos. Como resultado, o processamento na produção de forragem tende a ser aproximadamente cinco vezes maior em comparação com a produção de grãos.

Cerca de 80% do potássio (K), 50% do cálcio (Ca) e magnésio (Mg), e outros nutrientes presentes na palhada, tornam-se abundantes com a prática da silagem, empobrecendo o solo e comprometendo a produtividade, qualidade e custo final da silagem.

O desafio reside na retirada exaustiva de massa vegetal da área, levando à remoção da matéria orgânica do solo, gerando uniformidade e contribuindo para a retirada significativa da matéria orgânica das plantas. Isso favorece o aparecimento de plantas indesejadas e, mais preocupante, provoca a compactação da área.

Imagem demonstrando pontos importantes do diagnóstico atrelados ao objetivo de elevar a produtividade

Imagem demonstrando pontos importantes do diagnóstico atrelados ao objetivo de elevar a produtividade. Fonte: Breno Araújo

6º passo: controle de pragas, doenças e rotação de cultura

A produção de milho é significativamente impactada pela competição com plantas daninhas nos primeiros 50 dias após o plantio. Durante esse período, é recomendável manter a cultura livre dessas interferências. É crucial observar o tipo de planta daninha predominante no local para selecionar os herbicidas apropriados e determinar a forma adequada de aplicação.

Quando se trata do controle de pragas e doenças, o aumento da área cultivada e o uso repetido do solo para a mesma cultura tendem a aumentar a incidência desses problemas.

Pragas do solo podem ser eficientemente controladas tratando as sementes com inseticidas específicos. Para pragas que afetam a parte aérea, o controle ocorre quando os danos são observados, podendo-se utilizar inseticidas biológicos ou contar com inimigos naturais. 

É essencial implementar um programa de rotação de culturas, incorporando culturas de inverno com a produção de silagem, o que pode aumentar a produtividade e melhorar a estrutura física e fertilidade natural do solo, considerando a época de colheita e a região de plantio. Exemplos de culturas a serem consideradas incluem Tremoço Branco, Milheto, Guandu, Crotalária, Girassol, Canola, Sorgo, Aveia, Triticale, Braquiárias, entre outras.

Webinar Impacto da qualidade da silagem na dieta de vacas leiteiras

Em resumo, quais são os manejos comuns entre os bons agricultores?

  • Solo cultivado e com multicultivos (sair do milho-milho);
  • Ambiente favorável para as raízes;
  • Bons teores de nutrientes no solo;
  • Importância da matéria orgânica no solo;
  • Investimento contínuo em análises de solo;
  • Programa de controle de nematoides/pragas/doenças;
  • Preocupação com o planejamento;
  • Preocupação com a intercepção luminosa do dossel da planta (se o sol não chega em baixo da planta começa a ter o amarelamento das folhas);
  • Programa intenso de rotação de culturas;
  • Uso crescente de produtos biológicos;
  • Operações de qualidade.

Em conclusão, o planejamento do plantio de milho para silagem é um processo complexo e multifacetado que exige cuidados detalhados em várias etapas.

A escolha criteriosa do híbrido, levando em consideração as condições específicas da região, é o primeiro passo crucial. A incorporação de tecnologia na agricultura é fundamental para atingir altas produtividades e garantir uma média significativa de massa verde total por hectare, visando uma produção substancial de matéria seca.

A qualidade da silagem é diretamente impactada pela composição da planta, especialmente a quantidade de grãos na forragem ensilada. A atenção ao ponto de colheita, tipo de silo, infraestrutura de ensilagem e técnicas utilizadas é essencial para minimizar perdas ao longo do processo. Além disso, o controle de pragas e doenças, juntamente com a rotação de culturas, desempenha um papel vital na sustentabilidade e na saúde do solo.

Ao considerar todos esses elementos, o produtor busca manter os custos de produção sob controle, visando obter uma silagem de qualidade por um valor pertinente. O equilíbrio na adubação, escolha adequada do híbrido, época e densidade de plantio são estratégias fundamentais para alcançar esses objetivos.

Portanto, o sucesso na produção de silagem de milho está intrinsecamente ligado à integração eficiente de práticas agronômicas, tecnologia e gestão, resultando não apenas em altas produtividades, mas também em uma silagem de qualidade que atenda às demandas nutricionais dos animais e, por conseguinte, contribua para o êxito da fazenda leiteira.

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