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Manejo eficiente de pastagens na pecuária leiteira

Após uma implantação de pastagem realizada com sucesso, o manejo dela é fundamental para uma pastagem produtiva e longeva. Sabemos que no Brasil ainda existe uma grande parte da proporção do seu rebanho leiteiro mantido em sistema de pastagem. Em relação ao manejo dessas pastagens, apesar de parecer fácil e descomplicado, ele não é tão simples assim. 

Nesse texto, iremos discutir sobre o manejo de pastagens, trazendo os principais métodos de pastejos que as fazendas têm adotado e também práticas essenciais para manutenção dessa pastagem, como a adubação, controle de pragas e monitoramento. 

Estabelecendo a pastagem

Entre 40 e 75 dias pós germinação, onde a planta estará com altura em torno de 75% da indicada para o pastejo, é recomendado que se realize um pastejo com animais leves para não haver arranquio das plantas e compactação do solo, no intuito de diminuir competição, pois elimina o excesso de plantas e proporciona uma cobertura de solo mais rápida.

Após a pastagem estar de fato estabelecida na área, é necessário saber qual o método de pastejo será adotado. Abaixo iremos tratar sobre os 3 principais métodos, a fim de te ajudar a decidir qual se enquadra melhor no seu sistema produtivo.

Vale destacar que o manejo de pastagem para o gado leiteiro tem como fundamento garantir a saúde dos animais, maximizar a produção de leite e promover a sustentabilidade do sistema de produção e por isso deve ser cuidadosamente planejado e gerenciado.

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Pastejo contínuo

Esse método se baseia em alocar os animais de forma integral em uma determinada área. Tal manejo é adotado em grandes áreas em sistemas de produção extensivos.

Ainda dentro do método, temos duas subdivisões:

  • Lotação contínua;
  • Lotação variável.

Na primeira, se adota uma taxa de lotação menor a qual é mantida durante todo o ano, na segunda, a lotação varia de acordo com a disponibilidade de forragem, devido às condições climáticas que variam com a época do ano.

Apesar de menor necessidade de mão de obra, o pastejo contínuo traz consigo alguns pontos negativos do ponto de vista de eficiência, onde podemos citar: 

  • Pastejo desuniforme;
  • Baixa produção por área;
  • Degradação da área caso seja mal manejado.

Pastejo alternado

Esse método consiste em manejar os animais em uma área de pastejo e ter outra área em descanso, de forma a manter um “estoque de forragem” para quando a pastagem atual se esgotar.

Esse é um sistema que em relação a produtividade, quando bem manejado traz resultados interessantes, conseguindo uma taxa de lotação maior quando comparado ao contínuo e obtendo um pastejo mais uniforme.

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Pastejo rotacionado

O uso desse método traz para o sistema maior produtividade, pois, melhora o aproveitamento da área e da planta forrageira.

A área escolhida é dividida em um número determinado de piquetes onde os animais pastejam de forma rotacionada, assim teremos um pastejo uniforme, melhor aproveitamento de área e quando manejado de forma correta alta produção de forragem. Isso resulta em elevada taxa de lotação, o que torna o sistema de produção mais eficiente do que nos dois casos anteriores.

A escolha da espécie forrageira utilizada no sistema é crucial para determinar o número de piquetes que o módulo de pastejo terá, devido à variação de taxa de crescimento que determinará o período de descanso.

O outro fator que determina o número de piquetes é o período de ocupação, que nada mais é do que quantos dias os animais irão pastejar em cada piquete. Na pecuária leiteira é comumente utilizado 1 ou 2 dias e além disso é recomendável deixar 1 piquete reserva.

A equação que leva a esse resultado está descrita abaixo:

Nº de piquetes = (Período de descanso/ período de ocupação) + 1

Ilustração com a ordem de rotação dos piquetes no pastejo rotacionado

Ordem de rotação dos piquetes. Fonte: Farmin

O manejo de entrada e saída dos animais é feito por altura do capim, cada espécie terá sua respectiva altura de entrada e saída, e é crucial que esses parâmetros sejam seguidos à risca, pois, a altura de entrada é baseada no período em que a planta atinge aproximadamente 95% de interceptação luminosa, ou seja, alta taxa fotossintética e por consequência alta produção, bem como, alta relação folha/colmo.

A altura de saída adequada garante que a planta poderá atingir novamente 95% de interceptação luminosa e assim continuar o ciclo.

Tabela com manejo de pastejo de algumas espécies forrageiras usadas no Brasil

Tabela demonstrando o manejo do pastejo de algumas espécies forrageiras usadas em pastagens no Brasil. Fonte: Rehagro

Além disso, independentemente do método adotado é sempre importante que o sistema planta-solo-animal esteja em harmonia, o que trará produtividade e sustentabilidade.

Ilustração com o esquema da interação solo-planta-animal com interferência de clima e manejo

Interação solo-planta-animal com interferência de clima e manejo. Fonte: Ana Eliza Baccarin Leonardo

Importância das práticas de manejo

Cada sistema, com seus prós e contras, deve ser manejado com base em instrução técnica para atingir o seu máximo potencial. Na medida que se intensifica e busca melhores resultados, a exigência também aumenta.

Sendo assim, no pastejo rotacionado onde se espera alta produção de forragem para que haja pastejo intensivo, é necessário realizar práticas de fertilização ao final dos ciclos adubação. 

É importante ressaltar que além do manejo de pastagem adotado, algumas práticas de manejo são essenciais, sendo elas: 

  • Avaliação da pastagem: é fundamental que antes da implementação de qualquer prática de manejo seja realizada a avaliação da qualidade e quantidade de forragem disponível na pastagem. Nessa prática podem estar inclusas análise bromatológica do capim e a medição da altura da forragem. 
  • Adubação: realizar de maneira adequada a adubação da pastagem contribui para a melhoria tanto da qualidade como da produtividade da forragem. Isso pode incluir aplicação de fertilizantes nitrogenados, fosfatados e potássicos, conforme a necessidade apontada na análise de solo. 
  • Controle de pragas: o controle de pragas, o que inclui principalmente o controle de ervas daninhas é importante para evitar que elas compitam com a espécie forrageira desejada. Quanto aos métodos para esse controle, temos os métodos mecânicos, químicos ou biológicos, onde a escolha irá depender do grau de gravidade da infestação. 
  • Monitoramento regular: monitorar regularmente a condição da pastagem e o comportamento dos animais é essencial para verificar a necessidade de ajustes. Esse manejo inclui monitorar a altura da forragem, a condição corporal dos animais, a presença de pragas e doenças e também indícios sobre as condições de fertilidade do solo. 

A partir do conhecimento dos métodos de pastagem, aplicar de forma adequada esse manejo trará impactos positivos significativos para o sistema produtivo, como o aumento da produtividade do rebanho, redução de custo alimentar dos animais, melhoria da qualidade do leite, além da possibilidade de aumentar a longevidade do pasto.

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Marcos Dornelas - Equipe leite

Laryssa Mendonça

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