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Colheita de café como elemento de qualidade

A qualidade do café depende da composição química dos grãos, influenciada pela genética, ambiente e manejo cultural e também do processo de colheita e preparo, com influência da umidade, temperatura e manejo que interferem diretamente na qualidade dos grãos; e posteriormente no processo de industrialização e preparo da bebida. Os frutos de café colhidos na época e modo correto constituem matéria prima ideal para um posterior processamento de um café de qualidade.

Qualidade do café

A colheita representa a operação mais importante, sob o ponto de vista econômico e social da lavoura cafeeira, tendo grande participação no custo de produção e no número de trabalhadores além, de influenciar diretamente na qualidade do produto.

A desuniformidade de maturação dos frutos é uma das principais dificuldades a serem superadas para realização de uma boa colheita do café. Frutos no estágio pós maturação podem sofrer influências negativas por fermentação quando os grãos cereja evoluem para passas ou secos, tendo como agravante a possibilidade de aumentar a quantidade de cafés de chão ou de varrição, pois os frutos caem facilmente. Outro problema são os frutos verdes que causam prejuízos na classificação por tipo, no peso de grão, no rendimento de colheita, no desgaste da planta, na qualidade da bebida e no valor do produto.

Desse modo a colheita deve ser iniciada quando a lavoura ou talhão apresentar pequena quantidade de cafés verdes, menor que 20%, e estiver ainda com pequena quantidade de frutos passas ou secos. Não podemos dizer qual época devemos iniciar a colheita, pois a época ideal de maturação dos frutos depende da região, variedade, sistema de plantio, face de exposição do terreno e do regime de chuvas.

Atentos a todos estes fatores podemos generalizar que o período de colheita vai de março/ Abril até setembro sendo que em alguns casos pode  prolongar até novembro/ dezembro, sendo de junho a agosto os meses onde se realizam a maior parte da colheita em nosso país.( Cultura do café no Brasil Manual de Recomendações Procafé ed.2005)

Cabe ao produtor observar em suas lavouras os estágios mais avançado de maturação para fazer planejamento da colheita e evitar prejuízos, tanto colhendo alta porcentagem de cafés verdes como em estágio avançado de maturação.

Tipos de colheita

  • Derriça manual

Neste sistema de colheita o café é derriçado sobre panos de plástico que são colocados sobre o chão ao lado de cada pé de café ou ao longo da linha. Os panos são colocados para evitar que o café colhido entre em contato com a terra e com cafés que caíram antes do início da colheita, cafés de varrição fermentados. Sendo por isso o modo mais adequado para regiões com invernos úmidos o que facilita a fermentação que é indesejável. Além disso, facilita a abanação, processo em que são separados os frutos de folhas e galhos e também colabora no transporte e processamento do café no terreiro, pois evita que impurezas como terra e pedras se misturem com o café.

A colheita compreende três operações: Derriça do café da planta, rastelação/varrição e levantamento do café do chão/abanação.Tarefas que representam respectivamente, em média 65, 15, e 20% do trabalho. (Manual de Recomendações PROCAFÉ, 2005)

O rendimento operacional da colheita por derriça manual no pano foi avaliado em um trabalho realizado por técnicos do ex – IBC no sul de Minas onde foram colhidas várias lavouras de duas variedades, Mundo Novo e Catuaí, em diversos níveis de produtividade. Verificou-se a necessidade variável de 15 a 60 homens/dia para a colheita de mil cafeeiros (espç. 4X 1,5), sendo essa necessidade crescente com o aumento da carga, não sendo esse acréscimo proporcional.

Nas lavouras de Catuaí de porte baixo onde não se exigiu escada o rendimento foi 38% superior em relação ao mundo novo com idêntica idade e produtividade.

A derriça é uma prática usada quase que somente no Brasil, pois como a maturação é mais igualada o café pode ser retirado de uma só vez, o que não impede a opção pela colheita seletiva (a dedo) praticada em algumas fazendas.

  • Derriça manual no chão

O café pode ser derriçado no chão em regiões com inverno mais seco com terrenos arenosos, onde a passagem do fruto maduro para o seco ocorre rapidamente não ocorrendo a fermentação que é indesejável. Esse tipo de derriça é muito usada em cafezais muito adensados, onde a colocação do pano é difícil.

Para se adotar esse tipo de prática temos que tomar alguns cuidados, principalmente em anos mais úmidos, tais como:

  • prévia arruação bem feita deixando o chão limpo;
  • juntar e recolher o café de varrição que estava no chão antes da colheita;
  • recolher no mesmo dia o café derriçado;
  • transportar rapidamente o café para a unidade de beneficiamento para que o mesmo seja lavado e seco;

 

  • Colheita a dedo

Esse sistema é muito pouco usado no Brasil. É muito usado na Colômbia e América Central e em quase totalidade das regiões cafeeiras do mundo. Esse tipo de colheita é em função da maturação desigualada dos frutos, sendo colhidos somente os frutos maduros e a colheita pode ocorrer em 10 a 16 passadas ao ano. No Brasil quase que somente no Nordeste se usa esse tipo de colheita, em sua maioria familiar.

Nesses casos de colheita a dedo ou catação o preparo de cafés descascados ou despolpados é quase uma obrigação, pois produz um café de possível melhor qualidade, dependendo do pós-colheita, aumentando a remuneração do produtor e compensando o seu maior custo de colheita, além de facilitar a secagem.

Mesmo sendo um sistema pouco utilizado pela maioria dos cafeicultores no Brasil vejo neste sistema uma boa alternativa para pequenos agricultores e agricultura familiar, pois se conjugado com um pós-colheita bem feito compensa a pequena escala produzida com um maior valor agregado por unidade.

O rendimento da colheita a dedo do café cereja é de 80 a 100 litros/ pessoa/dia (Informe Agropecuário EPAMIG,nº162 1989).

Dispomos hoje de vários modos de colheita para diversas situações cabendo o produtor ou técnico responsável escolher o modo que mais se adequar a sua propriedade e condição da região. Vale ressaltar que sendo a colheita o fator que mais onera o custo de produção da cafeicultura, deve ser o principal item a ser observado na tomada de decisão.

O café, após a colheita no campo, possui certa umidade, que irá variar de acordo com o estado de maturação sendo necessário fazer sua secagem para que não ocorra fatores que venham a prejudicar a qualidade do produto. O processo mais comum de secagem é feito em terreiros e secadores. Saiba mais sobre o processo de secagem de café em terreiro.

Bibliografia
  • Matiello J.B.; Santinato.R.; Garcia A.W.R. ; Almeida S.R. ; Fernandes, D.R. (2005) Cultura do Café no Brasil (Novo Manual de Recomendações)
  • Informe Agropecuário EPAMIG,1989 nº162
  • Site: www.cafepoint.com.br