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Micotoxinas na alimentação de vacas leiteiras: veja os impactos

As micotoxinas são substâncias produzidas durante o metabolismo secundário de diversos fungos, os quais podem contaminar inúmeros produtos agrícolas que são destinados à alimentação animal.

Elas são produzidas pelos fungos quando se sentem ameaçados em ambiente de estresse e então com o intuito de sobrevivência, liberam substâncias tóxicas para garantir vantagem sobre outros microrganismos.

Nesse texto, iremos discutir sobre os impactos negativos que as micotoxinas provocam na pecuária leiteira, bem como trazer informações sobre as principais micotoxinas encontradas nos alimentos, os seus impactos evidentes na produção de leite, como as vacas podem ser expostas, como avaliar as micotoxicoses e por fim, como podemos prevenir a contaminação. 

 

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Conhecendo melhor as micotoxinas

Essas substâncias podem se denominadas metabólitos tóxicos, orgânicos, secundários e de baixo peso molecular que de acordo com a literatura existem cerca de 500 diferentes formas de micotoxinas.

Os fungos estão por todo o ambiente, seja no solo, ar, água, plantas e em alimentos e tem grande importância na decomposição de matéria orgânica, absorção de nutrientes para as plantas e na produção de diversos medicamentos. Porém, a contaminação de alimentos por algumas espécies de fungos pode ser patogênica para os humanos e animais. 

Dentre os impactos negativos das micotoxinas nos rebanhos leiteiros, os principais deles serão no desempenho, saúde e reprodução dos animais. Os efeitos causados podem ser agudos ou crônicos, ou seja, aquele que se pode demorar perceber, mas que confere um alto impacto econômico. 

A redução na eficiência produtiva gerada está intimamente relacionada com a ocorrência de problemas gastrointestinais, qualidade do leite, queda de consumo e também morte embrionária.

Estima-se que cerca de 30% da produção de grãos esteja contaminadas e que 70% dessas amostras estão contaminadas com mais de uma micotoxina, o que determina uma multi-contaminação. 

Os gêneros mais conhecidos de fungos micotoxigênicos que são:

  • Aspergillus Produtores de aflatoxinas
  • Fusarium Produtores das fumosinas, tricotecenos, zearalenona e moniliforminas 
  • Penicillium Produtores de ocratoxinas

Ilustração com as possibilidades de contaminação por fungos e também os gêneros mais conhecidos e suas micotoxinas.

Imagem ilustrando as possibilidades de contaminação por fungos e também os gêneros mais conhecidos e suas micotoxinas. Fonte: Carlos Humberto Corassin

Estudos relacionados a silagem de milho e micotoxinas, demonstram que no primeiro semestre de 2023 que as principais micotoxinas presentes foram as Fumosinas, Tricotecenos, Zearelenona e Aflatoxinas.

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Aflatoxinas

  • Risco a saúde humana e animal;
  • São identificados aproximadamente 20 tipos de moléculas diferentes no grupo, sendo os principais tipos: B1, B2, G1 e G2;
  • A aflaloxina AFB1 é frequentemente encontrada no milho, amendoim, caroço de algodão, trigo, sorgo e girassol apresenta o maior potencial toxicogênico do grupo;
  • O animal produtor de leite ao ingerir alimentos contaminados com a AFB1, tem grande parte desta transformada em AFM1 a partir do processo de hidroxilação que ocorre no organismo do animal, fazendo esse derivado hidrossolúvel, facilitando assim a excreção através de fluídos corporais, como o leite, representando risco a saúde humana;
  • Leva a redução da produção de leite;
  • Imunossupressor, aumenta a susceptibilidade a outras infecções;
  • Hepatóxica, causando degeneração gordurosa, aumento de casos de fígado gordo no rebanho;
  • Carcinogênica, mutagênica e teratogênica;
  • Ideal: manter níveis inferiores a 3µg/kg para vacas leiteiras;
  • Nos ruminantes pode provocar diarreia sanguinolenta, metrite, perda de peso, queda na produção de leite. 

Zearelenona

  • Produzida principalmente por: Fusarium graminearum.
  • Possui estrutura semelhante ao estrógeno (17-β-estradiol), atuando no útero, glândula mamária, hipotálamo e hipófise, causando desregulação endócrina. 
  • Devido a semelhança estrutural com o estradiol, a mesma é capaz de se ligar a receptores de estrógeno, elevando assim o estrógeno circulante e tendo como principais efeitos os transtornos reprodutivos.  
  • É extremamente estável, não afetada no processamento (moagem, aquecimento, etc.) ou no armazenamento. 
  • A coocorrência de ZEA e outra micotoxinas e comum. 
  • Ideal: níveis inferiores a 100µg/kg para vacas leiteiras. 
  • Principais queixas: Infertilidade e vulvovaginite. 
  • No rúmen: grande parte é convertida em α-zearalenol (α-ZEL) e β-zearalenol (β-ZEL), que são 60 e 0,2 vezes mais estrogênicos. Ou seja, nessa metabolização (Fase 1) há a formação de componentes ainda mais tóxicos. 
  • Na reprodução: regressão de corpo lúteo, retorno ao cio, dificulta a fixação embrionária, ninfomania, aumento nos casos de aborto. 
  • Ação crítica da ZEA é sua atuação como o 17-β-estradiol, interferindo na função reprodutiva dos animais: 
    • Transtornos do ciclo estral 
    • Alterações patológicas do trato reprodutivo
    • Menor fertilidade 
    • Menor sobrevivência neonatal das progênies 
  • Os metabólitos de ZEA: afetam as células da granulosa, reduzindo os níveis do Hormônio Anti-Mülleriano (AMH), o que reduz a fertilidade. 
  • A ZEA também induz o estresse do retículo endoplasmático, afetando a síntese de precursores de gordura e proteínas do leite (biogênese dos componentes do leite). 

Fumosinas

  • Age muito mais no trato gastrointestinal, provocando: queda na produção, queda no ganho de peso, alteração da microbiota, lesão hepática, acentuação de problemas do Balanço Energético Negativo (BEN). 
  • A fumonisina B1 (FB1) e a fumonisina B2 (FB2), encontradas principalmente em cereais, são as principais micotoxinas do grupo e foram mais bem investigadas. Estudos mostram que FB1, que é considerado o composto mais tóxico do grupo fumonisina, é pouco metabolizado pela microflora ruminal e microssomas hepáticos.
  • Grande ocorrência com outras micotoxinas, estando frequentemente com as aflatoxinas. 
  • Apresentam hidrossolubilidade, termogenicidade e são quimicamente estáveis sob várias condições, o que dificulta sua remoção durante o processamento dos grãos. 
  • Ideal: manter níveis inferiores a 200µg/kg para vacas leiteiras. 
  • Nos ruminantes: alteração na qualidade do leite, queda na produção, recusa alimentar. 

Tricotecenos

  • Considerado o maior grupo das micotoxinas, sendo reconhecidos mais de 150 compostos, os quais são divididos em quatro grupos que vão de A a D. 
  • O maior foco dos estudos tem sido nos tricotecenos A e B, sendo estes considerados os mais preocupantes devido sua ampla toxicidade. 
    • Tricotecenos do grupo A: toxina T-2, toxina HT-2 e diacetoxiscirpenol (DAS). 
    • Tricotecenos do grupo B: desoxinivalenol (DON), 3-acetildeoxinivalenol (3 AcDON) e 15-acetildeoxinivalenol (15-AcDON).

Toxina T-2

Pode ser encontrada em grãos, como trigo, milho, cevada, soja e particularmente a aveia. Essa toxina é facilmente desativada por condições fortemente ácidas ou alcalinas. É de difícil detecção, pois é comum tê-la presente nos alimentos, porém é difícil de suspeitar de sua presença na fazenda. 

  • Nos ruminantes: Reduz ingestão de matéria seca (IMS), reduz a velocidade de crescimento, leva a perda de peso, pode causar gastroenterite, má formação fetal e é imunotóxica. 
  • Ideal: manter níveis inferiores a 100µg/kg para vacas leiteiras. 

Desoxinivalenol (DON)

Frequentemente encontrada em silagens e em outros ingredientes importantes da dieta de vacas leiteiras. Em baixas cargas de contaminação já pode fazer com que o animal se recuse a comer. 

  • Nos ruminantes: Diarreia sem causas específicas (em casos de alta carga de contaminação), afeta o metabolismo ruminal. 
  • Ideal: manter níveis inferiores a 500µg/kg para ruminantes adultos e 300µg/kg para jovens.

Tabela com efeitos das principais micotoxinas sobre a saúde e desempenho de vacas leiteiras

Efeitos das principais micotoxinas sobre a saúde e desempenho de vacas leiteiras. Fonte: Carlos Humberto Corassin

Qual o impacto das micotoxinas na produção de leite?

O impacto das micotoxinas na produção de leite está relacionada por elas interferirem na imunidade das vacas seja pela inibição na síntese e proliferação de células adultas, efeitos citotóxicos nos linfócitos ou corticosteróides produzidos em resposta ao estresse causado pelas toxicoses que também reduzem a função imune do organismo animal.

A intoxicação por micotoxinas pode interferir inclusive na imunidade induzida por vacinas como Rinotraqueíte Infecciosa Bovina (IBR) e Diarreia Viral Bovinas (BVD) e leptospirose. 

No desempenho reprodutivo a micotoxina Zearalenona do gênero Fusarium é a que mais afeta a reprodução devido a atividade estrogênica, já as demais micotoxinas reduzem a ingestão de alimentos, causam atraso no crescimento, além de causarem injúrias em órgãos vitais do organismo.

No desempenho produtivo um animal consumindo dieta com Fumonisinas pode diminuir sua produção de leite em até 6kg/dia explicada pela diminuição no consumo de alimentos, já uma vaca consumindo dieta com Aflatoxina produz 25% a menos de leite por dia do que ela mesma consumindo dieta sem Aflatoxina. 

Um mito sobre as micotoxinas é que elas poderiam ser degradadas após passarem pela fermentação ruminal, entretanto, o que se sabe é que vários compostos podem manter ou até elevar a sua toxicidade, principalmente em animais confinados e de pH ruminal mais baixo o que pode levar a um reduzido desaparecimento das micotoxinas no rúmen, dando a entender que em animais de alto desempenho o desafio é ainda maior. 

Quanto maior a concentração de micotoxinas, menor será o crescimento de bactérias no rúmen importantes para a digestão de alimentos, resultando em menor crescimento microbiológico e menor conversão de alimentos em ácidos graxos voláteis, limitando o animal com menores cargas de nutrientes e consequentemente menor produção de leite.

De modo geral as micotoxinas impactam em uma fazenda produtora de leite reduzindo a imunidade dos animais, o que leva a um aumento no custo com sanidade do sistema produtivo das vacas pela recorrência de enfermidades infecciosas e fisiológicas. Além disso, também reduz o  consumo de alimentos e produção de leite, por causa da perda de palatabilidade dos alimentos e mal-estar ligados à intoxicação sistêmica, reduzindo taxas de prenhez, por atrapalhar a identificação do cio e causar morte embrionária, e um forte impacto no ambiente ruminal.

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Como as vacas são expostas?

A contaminação dos alimentos pode ocorrer antes, durante e após a colheita, mas principalmente durante o armazenamento incorreto em condições inadequadas de temperatura e umidade.  

Na lavoura espécies de Fusarium sp sobrevivem nos restos da cultura do milho, no solo, infectando as raízes e podendo causar tombamentos de plantas ainda quando pequenas e podridão da espiga que durante a colheita os grãos contaminados vão se misturar com grão limpos ou ir para dentro dos silos. 

Nos grãos a falta de manutenção no local de armazenamento pode causar acúmulo de matéria orgânica que favorece o crescimento de fungos.

Grãos de milho com presença de fungosMilho armazenado com presença de fungos

Imagem superior ilustrando a presença de fungos nos grãos de milho e a imagem inferior mostra restante milho armazenado também com a presença de fungos. Fonte: Consulado do Leite

A silagem de milho é um ambiente que favorece a proliferação de fungos por ser úmida, com temperatura favorável e presença de nutrientes.

Na silagem a contaminação e proliferação está relacionada a qualidade ruim durante a confecção, principalmente a pouca compactação, lonas furadas e trincheiras não preparadas. Silagens de grãos úmidos ou reidratados também possuem grande chance de contaminação.

Fungos na silagem das vacas

Silagem mofada

Silagem mofada

Imagem superior demonstrando a presença de fungo na silagem de milho. Imagem central e da inferior evidenciando a presença de partes mofadas e com fungos no grão úmido. Fonte: Consulado do Leite

Alimentos como cevadas armazenadas em caixas de concreto e expostas ao sol e chuva, feno e pré-secado dependendo do armazenamento podem ser um potencial local de incubação de fungos, apesar do desfio ser um pouco menor por causa da pouca umidade.

É preciso ter atenção com a higienização do equipamento de preparo de rações e dietas, sacarias e ingredientes armazenados em locais úmidos e precários, pois oferecem ótimas condições de proliferação e contaminação.

Silagem presa aos equipamentos utilizados na distribuição da dieta contendo presença de fungos

Silagem presa aos equipamentos utilizados na distribuição da dieta contendo presença de fungos

Silagem presa aos equipamentos utilizados na distribuição da dieta contendo presença de fungos

Imagens ilustrando a presença de silagem presa aos equipamentos utilizados na distribuição da dieta contendo presença de fungos, caracterizando má qualidade da limpeza dos mesmos. Fonte: Debora Potenciano

De forma resumida, a origem das micotoxinas na alimentação animal pode estar associada a três fatores: 

  1. Fatores climáticos – Temperaturas elevadas favorecem alguns fungos, longo período de seca ou de chuva. 
  2. Fatores ambientais – Híbridos inadequados para as condições da região, pragas, infestação por insetos. 
  3. Práticas agrícolas inadequadas – Falha na colheita, secagem ineficiente dos grãos, armazenamento em condições de umidade e temperatura inadequados, períodos longos de armazenamento.  

Entretanto, é importante entender que não é regra ter a presença do fungo para ter a micotoxina, da mesma forma que ter a presença do fungo não significa ter a micotoxina

Como avaliar as micotoxicoses?

  1. Observação das queixas, como por exemplo: quedas bruscas na produção de leite, redução de IMS, alteração na taxa de ruminação, diarreias, maior sensibilidade ao estresse térmico. 
  2. Diferenciar ocorrências agudas e crônicas. 
  3. Somente detecção visual é um grande erro, pois muitas vezes não encontraremos nenhum sinal na dieta. 
  4. Avaliar dieta para uma única micotoxina é inútil, pois é comum a coocorrência das micotoxinas. 
  5. Amostragem cuidadosa e representativa. 
  6. Avaliar dados sanitários, reprodutivos, zootécnicos do rebanho e analisar juntamente a dieta e mudanças recentes de manejo da fazenda. 
  7. Ter consciência de que o resultado do laboratório pode não ser soberano, visto que ele expressa somente o que foi amostrado, o que muitas vezes pode não ser a realidade da fazenda. 

Como prevenir a contaminação por micotoxinas?

Sabendo dos potenciais efeitos aditivos da presença de multi micotoxinas na dieta dos rebanhos leiteiros, o que afeta desempenho, saúde e reprodução, a necessidade de prevenção e controle da contaminação é essencial. 

Técnicas como rotação de culturas, plantio programado de modo que a planta não passe por estresse térmico e hídrico durante o desenvolvimento e maturação de sementes, evitar o contato dos grãos com o solo e fertilização bem equilibrada do solo são práticas que vão evitar a contaminação por micotoxinas antes da colheita.

Outras práticas como higiene dos equipamentos, manutenção no local de armazenamento, atenção quanto a umidade e temperatura dos alimentos, porém, esse cuidado pode não ser suficiente para eliminar completamente os riscos de contaminação. Por isso, existem aditivos anti-micotoxinas, os quais são misturados na dieta e que vão adsorver e inativar as micotoxinas no interior do trato gastrointestinal sem que sejam gerados resíduos tóxicos ou produtos indesejáveis. 

Esses aditivos são denominados como adsorventes e vão ter um efeito de quimio-absorção, ou seja, são capazes de reduzir os efeitos deletérios das micotoxinas por diminuir a bioacessibilidade das moléculas de micotoxinas durante a passagem pelo trato gastrointestinal. Isso resulta na formação compostos estáveis e irreversíveis que serão eliminados pelas fezes. 

Existem compostos disponíveis com tecnologia baseada na adsorção e também na desativação:

Possíveis compostos relatados com capacidade de adsorver ou desativar as micotoxinas.

Possíveis compostos relatados com capacidade de adsorver ou desativar as micotoxinas. Fonte: Eduardo Micotti da Glória.

A escolha de qual utilizar vai depender a realidade de cada propriedade então é necessário conhecer quais micotoxinas estão presentes na dieta com análises periódicas de todos os ingredientes e então escolher um adsorvente capaz de absorver a maior parte das micotoxinas presentes.

Dentre os pontos importantes para escolha de um aditivo para controle de micotoxinas, podemos citar: 

  • Atuar em ampla variedade de micotoxinas.
  • Baixos níveis de inclusão. 
  • Adsorção estável em diferentes pHs. 
  • Adsorção de micotoxinas em alta e baixa concentração. 
  • Rápida capacidade de adsorção. 
  • Não se ligar a outros nutrientes, como vitaminas e minerais. 
  • Rigoroso controle de qualidade. 
  • Comprovadamente livre de outros contaminantes. 

Por fim, sabendo dos impactos negativos que as micotoxinas podem trazer ao rebanho leiteiro, é fundamental monitorar e controlar a presença dessas na alimentação das vacas leiteiras a fim de garantir saúde, elevado desempenho, qualidade do leite e segurança alimentar.

A adoção de práticas adequadas de manejo, armazenamento, seleção dos alimentos e inclusão de aditivos corretos podem ser essenciais para minimizar os riscos que as micotoxinas conferem a produção leiteira.

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