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Como melhorar a taxa de detecção de cio nas fazendas leiteiras?

A maximização da eficiência reprodutiva do rebanho consiste em uma das chaves para o sucesso da atividade leiteira. A obtenção de boas taxas reprodutivas tende a contribuir para o aumento dos lucros da fazenda, pois eleva-se a proporção de vacas em fase inicial de lactação. Nesta fase, o fato da produção de leite ser maior possibilita uma otimização do retorno sobre o custo alimentar. No entanto, para que haja maior proporção de vacas em fase inicial de lactação e otimização do retorno sobre o custo alimentar é necessário, dentre outros fatores, que haja eficiência reprodutiva. O objetivo principal deste texto baseia-se em apresentar e discutir os métodos que auxiliam na detecção de cio e, consequentemente, na maximização da eficiência reprodutiva.

No que consiste o cio?

O cio, também conhecido como estro, é comumente referido como o dia zero (D0) do ciclo estral das fêmeas bovinas, consistindo no período da fase reprodutiva no qual a fêmea apresenta sinais de receptividade sexual (aceitação de monta), seguida de ovulação. A duração média do estro é de aproximadamente 12 a 18 horas, sendo que a ovulação ocorre de 12 a 16 horas após o término do cio. No entanto, em vacas leiteiras de alta produção tem-se observado que a duração média do cio se encontra inferior a 8 horas. O início das atividades que caracterizam o cio tende a ocorrer durante a noite, madrugada ou começo da manhã, conforme demonstrado pela figura a seguir.

detecção de cio

Características relacionadas ao cio das vacas

No período de estro, os elevados níveis circulantes de estradiol promovem alterações anatômicas e comportamentais nas fêmeas bovinas. Um conjunto de comportamentos e alterações características são manifestadas pelos animais antes, durante e depois do estro, sendo importante que o colaborador responsável pela observação de cio conheça tais comportamentos para que redobre sua atenção. As principais alterações comportamentais das vacas devido ao cio envolvem pressão do queixo sobre o períneo/garupa, tentativa de monta, agitação, micção frequente e perda de apetite. Associado às alterações comportamentais estão as mudanças anatômicas do aparelho reprodutivo da fêmea. Dentre elas, as principais são o edema e o avermelhamento da vulva, a abertura da cérvix e o corrimento muco-vaginal claro e viscoso.

Métodos auxiliares de identificação de cio

A observação de aceitação de monta representa o método clássico para identificação de cio, no entanto apresenta alguns fatores limitantes para sua utilização isolada em rebanhos com maior produção de leite. Conforme citado anteriormente, os sinais de estro frequentemente são expressados mais no período noturno, momento em que, geralmente, não há ninguém observando cio. Além disso, o elevado consumo de matéria seca que é necessário para suprir as exigências nutricionais da alta produção de leite faz com que se eleve a taxa do metabolismo hepático das vacas, aumentando assim a depuração dos hormônios esteroides relacionados à reprodução. Esse fato contribui para redução da duração e intensidade dos sinais de estro.
A seguir serão discutidos alguns métodos/ferramentas que auxiliam no controle dos problemas relacionados à identificação de cio.

Raspadinha

A raspadinha consiste em um dispositivo semelhante a uma raspadinha de loteria que é colada na base da cauda do animal. No momento em que o animal é montado, a tinta da tira adesiva é removida, o que torna possível identificar que o animal aceitou monta. Uma grande vantagem da utilização dessa ferramenta é identificar os animais que manifestaram cio durante a noite ou em momentos sem observação de cio. Uma das desvantagens é que utilizar em todo rebanho pode se tornar inviável economicamente.

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Medidores de atividade

São ferramentas que se baseiam no aumento da atividade dos animais quando estão em estro. Além disso, alguns desses medidores atualmente conseguem realizar outras funções como identificar possíveis animais doentes, avaliação de estresse térmico e monitorar alimentação. Os principais medidores disponíveis no mercado até o momento são pedômetros, colares e recentemente os brincos.

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Bastão de tinta

Consiste em pintar a base da cauda do animal e observar se o bastão passado foi apagado, indicando que o animal aceitou monta. Esse manejo é realizado, geralmente, após a ordenha, na saída dos animais, aproveitando a passagem dos animais pelos currais de manejo. Fazendas que possuem canzis conseguem realizar esse manejo em momentos desvinculados da ordenha. Todas as vacas em lactação devem ser pintadas para padronizar o manejo e evitar equívocos, inclusive vacas recém-paridas, vacas prenhes e vacas descarte.

Considerações finais

O aumento da produção de leite e a otimização do custo alimentar das propriedades leiteiras passam, além de outros pontos, pela obtenção de eficiência reprodutiva. Uma reprodução bem ajustada pode ser responsável por alcançar um DEL médio baixo no rebanho, ou seja, alcançar uma maior proporção de vacas em início de lactação produzindo mais leite. A associação de métodos auxiliares de detecção de cio com outras ferramentas, tecnologias e estratégias torna-se interessante quanto mais intensificado for o sistema de produção. Identificar os pontos críticos de cada propriedade torna-se essencial para encontrar as oportunidades e atuar de modo a otimizar não só a reprodução, mas todos os setores da fazenda.

Referências

  • BERGAMASCHI, Marco Aurélio Carneiro Meira; MACHADO, Rui; BARBOSA, Rogério Taveira. Eficiência reprodutiva das vacas leiteiras. EMBRAPA PECUÁRIA SUDESTE, São Carlos, n. 64, 2010.F.J.C.M. Van Eerdenburg, H.S.H. Loeffler & J.H. van Vliet (1996) Detection of oestrus in dairy cows: A new approach to an old problem, Veterinary Quarterly, 18(2), 52-54.
  • Fonte: Rehagro Consultoria Fonte: Rehagro Consultoria 6
  • PONTES, Guilherme Corrêa et al. Estratégias para aumentar a detecção de cios nas fazendas. E-book Faculdade Rehagro, 2019.
  • SARTORI, Roberto. Manejo reprodutivo da fêmea leiteira. In: Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia – Artigo em anais de congresso (ALICE). Reprodução Animal, Belo Horizonte, v. 31, n. 2, p. 153-159, 2007.
  • WATTIAUX, Michael A. Detecção de cio, monta natural e inseminação artificial. Instituo Babcock para Pesquisa e Desenvolvimento da Pecuária Leiteira Internacional. University of Wisconsin-Madison, ?

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