A adubação é uma das práticas mais determinantes para a produtividade e a sustentabilidade da cafeicultura brasileira. Ao mesmo tempo, representa um dos maiores pesos no custo de produção, respondendo por 20% a 30% do custo operacional da lavoura de café.
Com a elevação dos preços dos insumos, a volatilidade cambial e as incertezas do mercado internacional, melhorar o aproveitamento dos fertilizantes deixou de ser apenas uma estratégia técnica e passou a ser uma decisão econômica fundamental.
Mesmo em períodos de preços mais favoráveis do café, como os observados recentemente, a margem do produtor segue pressionada por custos elevados e riscos climáticos.
Neste cenário, cafeicultores, técnicos agrícolas e consultores que dominam as melhores práticas de adubação conseguem transformar investimento em produtividade real, garantindo lavouras mais equilibradas, resilientes e economicamente viáveis no longo prazo.
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Onde estão as perdas de fertilizantes na lavoura de café?
O baixo aproveitamento dos fertilizantes na lavoura cafeeira está diretamente relacionado a diferentes processos físicos, químicos e biológicos do solo. Compreender esses mecanismos é o primeiro passo para reduzi-los.
Principais mecanismos de perda
- Erosão: Remove superficialmente solo e nutrientes, sendo um problema comum em áreas declivosas, lavouras novas e sistemas com baixa cobertura do solo.
- Lixiviação: Promove a perda de nutrientes solúveis em profundidade, especialmente nitrogênio, potássio, enxofre e boro.
- Volatilização: Típica de fontes nitrogenadas como a ureia, principalmente quando aplicadas superficialmente em condições inadequadas de umidade e temperatura.
- Fixação ou indisponibilização: Processo comum ao fósforo em solos ricos em óxidos de ferro e alumínio, além de micronutrientes que perdem disponibilidade em pH elevado.
No caso do nitrogênio, ainda ocorrem processos como mineralização da matéria orgânica, imobilização microbiana e desnitrificação, que interferem diretamente na quantidade efetivamente absorvida pelo cafeeiro.
Nitrogênio: alto custo e alto risco de perdas
A ureia continua sendo a fonte de nitrogênio mais utilizada na cafeicultura brasileira devido ao menor custo por unidade de N. No entanto, também é a fonte mais suscetível a perdas, especialmente por volatilização de amônia.
Magnitude das perdas de nitrogênio
Estudos indicam que, em condições desfavoráveis, as perdas de N da ureia podem ultrapassar 30% e, em situações extremas, chegar a 50-70%. Um estudo demonstrou que a ureia convencional apresentou perdas de 36,2%, enquanto fontes como nitrato de amônio e sulfato de amônio apresentaram perdas de apenas 0,7% e 0,6%, respectivamente.
A combinação de umidade elevada do solo, ausência de chuvas no primeiro dia após a adubação e temperatura elevada pode determinar perdas de amônia por volatilização de até 44% do N aplicado.
Alternativas tecnológicas
Hoje, o mercado dispõe de tecnologias mais eficientes para reduzir as perdas de nitrogênio:
- Ureias tratadas com inibidores de urease;
- Fontes protegidas e fertilizantes de liberação controlada;
- Combinações com micronutrientes como cobre e boro.
Essas alternativas não eliminam totalmente as perdas, mas reduzem significativamente a volatilização, aumentando a eficiência do uso do nitrogênio.
Recomendações para adubação nitrogenada
A adubação nitrogenada deve ser necessariamente parcelada para evitar perdas, sendo sugerido o parcelamento nas proporções de 30%, 40% e 30%, respectivamente. Deve-se ter cuidados especiais com a aplicação de ureia em solo úmido, altas temperaturas, pH básico e excesso de matéria orgânica no local.
O excesso de nitrogênio pode estimular excessivamente a vegetação em detrimento da produtividade, além de favorecer doenças como a Mancha de Phoma.
Fósforo: o desafio da fixação no solo brasileiro
O fósforo segue sendo um dos nutrientes mais críticos na cafeicultura tropical. Em solos altamente intemperizados, comuns nas regiões produtoras do Brasil, grande parte do fósforo aplicado é rapidamente fixada pelos óxidos de ferro e alumínio, tornando-se indisponível às plantas.
Taxa de aproveitamento
De forma geral, estima-se que o aproveitamento do fósforo aplicado varie entre 30% e 50%, dependendo do tipo de solo, do nível de correção, da fonte utilizada e da forma de aplicação. Em solos bem corrigidos e com maior teor de matéria orgânica, esse aproveitamento tende a ser maior.
Boas práticas para adubação fosfatada
- A aplicação de fósforo deve ser feita em solos corrigidos, pois em pH ácido há grande adsorção em óxidos de ferro e alumínio.
- A aplicação deve ser feita de uma só vez, normalmente nos meses de setembro a outubro.
- Evite aplicar calcário e fertilizantes fosfatados juntos, pois pode ocorrer indisponibilização de fósforo.
- Tenha cuidado com fosfatos de rocha, que demoram mais para serem disponibilizados.
Os teores ideais no solo variam conforme o extrator utilizado: com Mehlich 1, trabalha-se com 15-25 mg/dm³; com resina, 30-40 mg/dm³.
Potássio: maior eficiência, mas exige atenção
O potássio apresenta, em média, maior eficiência de aproveitamento, variando entre 80% e 90%, além de possuir boa mobilidade no perfil do solo. No entanto, aplicações excessivas ou mal distribuídas podem causar desequilíbrios nutricionais e perdas significativas.
Cuidados na adubação potássica
- Trabalhe com teor mínimo no solo de aproximadamente 120 mg/dm³ ou 0,30-0,35 cmolc/dm³.
- Observe o equilíbrio Ca:Mg:K na proporção de 9:3:1 ou 25:5:1.
- Não aplique mais de 200 kg de K₂O por parcelamento, pois quantidades maiores estão sujeitas à lixiviação.
O excesso de potássio pode competir pelo mesmo sítio de absorção do cálcio, acarretando menor absorção deste último e maior incidência de cercosporiose.
Erros comuns na adubação do café e como evitá-los
A fertilização do café, quando feita incorretamente, pode comprometer o desenvolvimento da lavoura, a produtividade e a qualidade final do café. A tabela abaixo resume os principais erros e suas soluções:


Práticas de manejo para maximizar a eficiência da adubação
Não existe uma única solução para melhorar o aproveitamento dos adubos. O resultado vem do conjunto de práticas bem executadas.
- Escolha adequada da fonte de fertilizante, considerando solo, clima e sistema de produção.
- Definição correta da época e forma de aplicação.
- Correção e manutenção da fertilidade e do pH do solo.
- Uso de plantas de cobertura nas entrelinhas, reduzindo erosão e temperatura do solo.
- Manejo adequado da irrigação, quando disponível.
- Monitoramento constante por meio de análises de solo e folha.
- Ajuste das doses conforme produtividade esperada e histórico da lavoura.
Importância da calagem
A calagem é fundamental para corrigir a acidez do solo e garantir a disponibilidade de nutrientes . Em pH abaixo de 5,5, há baixa disponibilidade de N, P, K, Ca e Mg. O pH ideal para o cafeeiro situa-se entre 5,5 e 6,5 .
Realizar a adubação do cafeeiro de um lado ou dos dois lados da planta?
Resultados de estudo feito pela Procafé, comparando modos de adubação do cafeeiro mostraram que houve maior produtividade média, considerando 5 safras, quando se adubou na projeção da saia, dos dois lados da planta.
Dessa forma, mostrando a importância de se adubar dos dois lados da planta, colocando assim o adubo mais próximo às raízes do cafeeiro, para que ele possa absorver.


Produção média anual de cinco safras em cafeeiros sob diferentes modos de adubação. Martins Soares/MG. 2001.
Por isso, quando nos referimos à adubação mecanizada, o adubo deve ser colocado dos dois lados do cafeeiro, na projeção da saia. Conforme mostra o estudo, esse tipo de adubação proporciona maior incremento na produtividade, se comparado aos outros modos de adubação.
Nesse sentido, quando nos referimos a adubação mecanizada, é recomendado que a adubadora entre em todas as entrelinhas da lavoura e realize a adubação em ambos os lados da planta.


Adubação na projeção da saia do cafeeiro. (Foto: Rehagro).
Nas adubações em lavouras manuais, quando possível, é recomendado que seja realizado em ambos os lados.
No entanto, em muitos casos, onde as propriedades apresentam uma declividade muito acentuada, dificultando assim a realização da prática, e/ou não se possui mão de obra suficiente para a realização da adubação no período correto, pode ser realizada a adubação de um lado só do cafeeiro, feito no lado de cima das plantas.
Faça da adubação uma aliada da produtividade e do lucro
A adubação bem feita é decisiva para garantir qualidade e evitar desperdícios na lavoura de café. Mas, para transformar insumos em resultados consistentes, é preciso unir técnica e gestão.
No Curso Gestão na Produção de Café Arábica do Rehagro, você aprende de forma prática a planejar melhor o uso de recursos, reduzir custos e conduzir a fazenda de maneira mais eficiente e lucrativa.















Boa noite, muito bom os seus comentário, gostei muito obrigado.
Olá boa tarde tudo bem.
Estou prescisando de informações curso sobre plantio café e adubo etc…