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Como realizar amostragem de folhas e interpretar usando DRIS

A análise foliar é uma prática importante de ser realizada todos os anos nas lavouras de café, uma vez que ela permite a diagnose do estado nutricional da planta. Entretanto, ela não deve ser usada em substituição à análise de solo, e sim como uma complementação e dessa forma auxiliar na tomada de decisão para as próximas adubações.

Amostragem foliar – Como realizar?

Como realizar uma amostragem foliar na sua lavoura de café:

1) Separar as áreas em glebas homogêneas de acordo com o histórico da área, cultivar, idade e manejo realizado.

2) Caminhar em zigue-zague na gleba.

Análise de folha

3) Coletar no terço médio da planta o 3° e 4° par de folhas a partir da extremidade.

Análise de folha

 

4) Coletar um par de folha de um lado da planta, e outro par de folhas deve ser coletado lado oposto deste, mas este último pode ser coletado em linhas diferentes, ou seja, não necessariamente na mesma planta que foi coletada de um lado, para não se ter a necessidade de cruzar as linhas. Dessa forma, serão coletadas 25 plantas de um lado, e 25 plantas do lado contrário = totalizando 100 folhas.

Análise de folha

5) As folhas coletadas não devem apresentar danos oriundos de pragas, doenças ou mesmo pela ação climática.

6) As folhas amostradas devem ser colocadas em sacos de papel devidamente identificados e enviadas ao laboratório.

Época de realização da análise de folha

A análise de folha pode ser realizada a qualquer momento, desde que se siga os padrões referenciais para cada época (tabela abaixo).

Tabela 1. Parâmetros para  análise de folha do cafeeiro:

** Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / ha FOLHAS RECEM – AMADURECIDAS (Resultados na matéria seca).
Fonte: Fertibrás – Fonte: E. Malavolta / G.C.Vitti

Cuidados na realização da amostragem de folha:

É importante ressaltar, que deve-se realizar essa amostragem no mínimo 30 dias após a última adubação via solo ou via foliar para que não haja interferências.

Não é recomendado realizar a amostragem de folha próximo a dias que houve chuva, pois Moraes & Arens (1969), constataram ser o K facilmente lavado das folhas de plantas cultivadas, quando estas são lavadas, mostrando que o fenômeno pode ocorrer em condições de campo, graças à ação da água do orvalho ou das chuvas. Da mesma forma, estudos realizados pela PROCAFÉ, mostram a lavagem e lixiviação do potássio das folhas de cafeeiros.

Estudo sobre lixiviação de potássio

1) Folhas verdes, lavagem rápida de rotina- é o processo normal adotado nos laboratórios, onde as folhas são lavadas apenas para tirar sujeiras, secas em estufa por 16 horas a 60ºC, e encaminhadas para processo de análise. 

2) Folhas verdes, sem a lavagem rápida de rotina- secas em estufa por 16 horas, e encaminhadas para processo de análise. 

3) Folhas verdes, com lavagem por 24 horas, em 1500 ml de água destilada, em becker de dois litros sobre um agitador a 90 rpm, e depois foram secas por 16 horas em estufa a 60ºC, e encaminhadas para a análise. 

4) Folhas secas, por 16 horas, então lavadas por 24 horas do mesmo modo do tratamento 3.

Tabela 2. Teores foliares de K em folhas de cafeeiros, submetidas ou não à lavagem, rápida ou demorada, Varginha MG, 2010.

Fonte: PROCAFÉ, 2010.

Dessa forma, a lavagem e lixiviação do potássio das folhas de cafeeiros ocorrem de forma significativa, com redução do teor foliar desse nutriente, que pode ocorrer principalmente pela lavagem mais demorada, nas folhas verdes, e mais efetivas nas folhas secas.

Utilização do DRIS na cultura do café – O que é DRIS?

Sistema Integrado de Diagnose e Recomendação, que considera o equilíbrio nutricional. O DRIS visa fazer comparações das relações dos nutrientes da amostra, dois a dois, com as do padrão, observando a sinergia e o antagonismo entre os mesmos.

O método DRIS, foi proposto por Beaufils (1973), desenvolvendo estudos com milho e seringueira na África do Sul. Inicialmente o DRIS foi proposto como modelo para identificar fatores limitantes de produtividade. Entretanto, com o tempo, tem se mostrado muito mais eficiente como uma forma de interpretação de análise nutricional das plantas do que como modelo de produtividade agrícola (BATAGLIA, 1989).

Como interpretar os resultados da análise DRIS?

Lavouras mais equilibradas normalmente apresentam menores IBN, enquanto que, lavouras com maiores IBN, indicam maior desequilíbrio nutricional, evidenciado pelos índices DRIS de nutrientes muito negativos (deficiência) ou muito positivos (excesso).

Índice DRIS:

A base de interpretação pode variar de acordo com os técnicos, por exemplo, alguns consideram valores de índice DRIS menores que -1 como nutriente deficiente, e valores maiores que 1, como excesso, o intervalo de -1 a 1 é considerado adequado. No entanto, alguns técnicos consideram a referência de -1,5, ou seja, se for menor que -1,5 consideram como nutriente deficiente, e se for maior que 1,5 nutriente em excesso, e o intervalo adequado é considerado de -1,5 a 1,5.

Referências:

  • BATAGLIA, O. C. DRIS-Citros-uma alternativa para avaliar a nutrição das plantas. Laranja, Cordeirópolis, v. 10, n. 2, p. 565-576, 1989.
  • BEAUFILS, E.R. Diagnosis and recommendation integrated system (DRIS): a general scheme for experimentation and calibration based on principles developed from research in plant nutrition. Pietermararitzburg: University of Natal, 132 p. (Soil Science Bulletin n. 1). 1973.
  • MALAVOLTA, E., VITTI, G. C., OLIVEIRA, S. A. D. Avaliação do estado nutricional das plantas: princípios e aplicações. 1997.
  • MATIELLO,J.B., SANTINATO,R., GARCIA, A. W. R., ALMEIDA, S. R., & FERNANDES, D.R. Cultura de café no Brasil: manual de recomendações. Rio de Janeiro: MAPA/Procafé. 2010.
  • MATIELLO, J. B., SANTINATO, R., GARCIA, A. W. R., ALMEIDA, S.R., & FERNANDES,D.R. Cultura de café no Brasil: novo manual de recomendações (No. 633.730981 C968 2005). Ministério da Agricultura, da Pecuária e do Abastecimento, Brasília, DF (Brasil). 2005.
  • MENDONÇA, G. P. D., AMARAL, J. A. T. D., AMARAL, J. F. T. D., & TOMAZ, M. A. NORMAS DO DRIS DO CAFEEIRO (Coffea arabica L.) NA MICRORREGIÃO DO CAPARAÓ-ES. 2009. http://livros01.livrosgratis.com.br/cp106676.pdf
  • MORAES, J. A. P.; ARENS, K. Potassium loss from leaves as affected by light. Ci Cult, 21: 728-730. 1969. 

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