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Dicas para adubação do cafeeiro

Adubação nitrogenada

A adubação nitrogenada deve ser necessariamente parcelada, a fim de evitar perdas. Sugere-se o parcelamento nas porcentagens 30%, 40% e 30% respectivamente. Deve-se ter cuidados com a adubação do cafeeiro com ureia, dependo das condições do ambiente e do clima (Cuidado com solo úmido, altas temperaturas, pH básico próximo ao local, excesso de matéria orgânica no local). 

Um estudo feito por Bartelega (2018) mostra as perdas de ureia durante a 1ª adubação nitrogenada. No gráfico, observamos que houve maiores perdas quando se utilizou a ureia convencional (36,2% de perda) e quando se utilizou a ureia + polímero aniônico (36,5% de perda) (demarcados pelo retângulo vermelho). Já os fertilizantes nitrato de amônio e sulfato de amônio, apresentaram perdas com valores quase que insignificantes, de 0,70% e 0,60% respectivamente quando se utilizou essas fontes (demarcados pelo retângulo verde) (Figura 1, abaixo):

adubação do cafeeiro

Figura 1. Perdas de N-NH3 acumuladas (A), diária (B) de fertilizantes nitrogenados convencionais e estabilizados e condições climáticas (C) após a 1ª adubação nitrogenada no cafeeiro no ano de 2016/2017. (BARTELEGA, 2018)

Perdas de ureia

Outros autores também observaram perdas de ureia, conforme relatado por Júnior et al. (2014), que a combinação elevada de umidade do solo, ausência de chuvas durante o primeiro dia depois da adubação e temperatura elevada determinou elevadas perdas de amônia por volatilização, perdas observadas de 44% do N aplicado.

Excesso de nitrogênio, pode estimular muito a vegetação da cultura, em detrimento da sua produtividade. Além disso, algumas doenças são favorecidas pelo excesso de nitrogênio.

O estudo feito por Lima et al. (2010) mostra o aumento linear de 34,8% para a área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) da Mancha de Phoma, com o aumento das doses de nitrogênio. Isso porque, altos teores de N promovem aumento na produção de tecidos jovens e suculentos, por serem constituintes de ácidos nucléicos, aminoácidos e proteínas, entre outros. Além disso, aumenta a concentração de aminoácidos e amidas no apoplasto e na superfície foliar, favorecendo a germinação e a infecção, principalmente de fungos (MARSCHNER, 1995). (Figura 2).

adubação do cafeeiro

Figura 2. Área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) e da severidade (AACPS) da mancha de Phoma em mudas de café, em função de doses de nitrogênio em solução nutritiva.

Adubação potássica

Deve-se trabalhar com um teor mínimo no solo de potássio. Trabalhamos com cerca de 120 mg/dm3 ou 0,30 – 0,35 cmolc/dm3, observando sempre o equilíbrio Ca:Mg:K, na proporção de 9:3:1 ou 25:5:1.

Não deve-se aplicar mais que 200 kg de K2O por parcelamento na lavoura de café, pois quantidades maiores que essas estão passíveis a lixiviação desse nutriente. Quando a recomendação de doses superiores a 200 kg de K2O por aplicação, deve-se optar por seu parcelamento.

Adubação fosfatada

  • O fosforo é recomendado a fim de se trabalhar com um teor no solo de acordo com o extrator utilizado.
  • Se o extrator do fósforo for o mehlich 1, pode-se trabalhar com cerca de 15 – 25 mg/dm3 no solo, já se o extrator for resina, trabalhamos com cerca de 30 – 40 mg/dm3 no solo.
  • Sua aplicação deve ser feita em solos corrigidos, visto que, em pH ácido, há uma grande adsorção de fósforo em óxidos de ferro e de alumínio.
  • A aplicação de fósforo deve ser feita de uma só vez, normalmente é feita nos meses de setembro – outubro.
  • Deve-se ter o cuidado com a aplicação de calcário e fertilizantes fosfatado junto, pois pode ocorrer indisponibilização de fósforo.
  • Cuidado com a aplicação de fosfatos de rocha, visto que demoram um pouco mais para serem disponibilizados, dependendo na necessidade de demanda de fósforo.

Cuidados com a utilização de formulados NPK:

Quando a adubação é feita somente com formulados, por exemplo, no caso da utilização do formulado 20-00-20, há o fornecimento da mesma quantidade de nitrogênio e potássio por esse fertilizante. Como a recomendação de adubação para nitrogênio e potássio normalmente não são iguais, deve-se aplicar o formulado baseado no nutriente menor demandado para aquela adubação. Por exemplo, se for demandado menor valor de nitrogênio quando comparado ao potássio naquele parcelamento, aplique a quantidade total de nitrogênio via esse formulado, e o restante do potássio deve ser incrementado com fertilizantes que contêm apenas potássio, sem nitrogênio, como o cloreto de potássio ou sulfato de potássio. 

Por isso, quando recomendado diferentes doses de N e K nesse caso, não deve-se fazer seu fornecimento 100% via esse formulado.

Caso sejam utilizados outros formulados, deve-se fazer os cálculos da quantidade de cada nutriente está sendo fornecido, para não proporcionar fornecimento excessivo de algum nutriente.

O uso do formulado, proporciona maior facilidade na aplicação, visto que nitrogênio e potássio são aplicados juntos, no entanto, deve-se ter o cuidado com o que foi explicado acima, devido ao excesso de qualquer nutriente não ser desejável ao cafeeiro. Além disso, o excesso de potássio pode competir pelo mesmo sitio de absorção do cálcio, acarretando em menor absorção deste último, podendo proporcionar assim, maior incidência de cercospora, como mostra o estudo abaixo:

Garcia e Junior observaram que o aumento das doses de cálcio, acarretou em menor área abaixo da curva de progresso da incidência (AACPI) de Cercospora coffeicola (GARCIA JUNIOR, 2003)

Área abaixo da curva de progresso de incidência (AACPI) de Cercospora coffeicola em cafeeiro (Coffea arabica) em função das doses de cálcio em solução nutritiva.

Referências:

  • BARTELEGA, LUCAS. Fertilizantes nitrogenados convencionais, estabilizados, de liberação lenta, controlada e blends para o cafeeiro. 2018.
  • GARCIA JUNIOR, D. POZZA, E. A. POZZA, A. A. SOUZA, P. E. CARVALHO, J. G. BALIEIRO, A. C. Incidência e Severidade da Cercosporiose do Cafeeiro em Função do Suprimento de Potássio e Cálcio em Solução Nutritiva. Fitopatol. bras. 28(3), maio – jun 2003.
  • JÚNIOR, M., BUENO, G., CORSI, M., TRIVELIN, P. C. O., VILELA, L., PINTO, T. L. F., … & BARIONI, L. G. et al. Perda de amônia por volatilização em pastagem de capim-tanzânia adubada com uréia no verão. R. Bras. Zootec, p. 2240-2247, 2004.
  • LIMA, L. M. D., POZZA, E. A., TORRES, H. N., POZZA, A. A., SALGADO, M., & PFENNING, L. H. Relação nitrogênio/potássio com mancha de Phoma e nutrição de mudas de cafeeiro em solução nutritiva. Tropical Plant Pathology, 35(4), 223-228. 2010.
  • MARSCHNER, H. Mineral nutrition of higher plants. 2ª. Ed. London. Academic Press. 1995.

 

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