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Você sabe a diferença dos extratores Mehlich 1 e Resina?

Para quantificar o fósforo no solo, podem ser utilizados os métodos de Mehlich 1 e Resina de troca aniônica e mista (aniônica + catiônica). O método de Mehlich 1 (ácido clorídrico + ácido sulfúrico) utiliza um extrator fortemente ácido, dessa forma, esse método pode extrair o fósforo ligado ao cálcio, que não está disponível para as plantas. Por isso, solos adubados com fosfatos de baixa solubilidade, como fosfatos naturais, e com a utilização desses extratores ácidos pode extrair quantidade de fósforo superiores àquelas consideradas disponíveis, não apresentando boas correlações com rendimentos das culturas (Raij e Diest, 1980). Por outro lado, em solos argilosos, esse mesmo extrator, pode subestimar os valores de P disponível, apresentando valores menores devido ao fato dos extratores serem mais desgastados nesses solos, quando comparados aos solos arenosos (Novais & Kamprath, 1979; Muniz at el., 1987).

A Resina de troca aniônica, fundamenta-se na premissa de simular o comportamento do sistema radicular das plantas na absorção de fósforo do solo (Raij, 1978). Esse processo gera a adsorção de P na solução nas cargas positivas da resina aniônica, como consequência, há a remoção do P adsorvido na superfície das partículas do solo, dessa forma, a resina não superestima a disponibilidade de P em solos tratados com fosfatos naturais, como ocorre com os extratores ácidos. 

Estudos – Tabela 1

Segundo Silva et al. (2013) a resina apresenta maior sensibilidade as variações de solos, portanto sendo mais adequado para estimar o P disponível independentemente da fonte utilizada e do tipo de solo, podendo ser utilizado tanto em solos ácidos como em alcalinos, diferentemente do extrator Melhich 1. Além disso, segundo Silva & Raij (1999), esse método revela adequadamente, o efeito da calagem em aumentar a disponibilidade de P para as plantas, o que não acontece com o método de Mehlich 1 (quadro 1). 

Quadro 1. Fósforo (P) no solo em experimento de calagem – com a cultura da soja – Ribeirão Preto SP:

Mehlich 1 e Resina

Fonte: Silva & Raij (1999).

Estudos – Tabela 2

Dessa forma, esse estudo realizado na cultura da soja mostra a sensibilidade do extrator resina em detectar o aumento da disponibilidade de P no solo, devido ao aumento do pH do solo, apresentando assim diferença estatística quando se utilizou o extrator resina (marcado em verde), o que não foi observado quando se utilizou o extrator mehlich 1 (marcado em vermelho).

Da mesma forma, uma revisão feita pelo mesmo autor, Raij, mostra a maior eficiência do extrator resina, quando comparado aos outros extratores (Quadro 2):

Quadro 2. Comparação de métodos na literatura mundial, 1953 a 1977 – 42 trabalhos.

Mehlich 1 e Resina

Fonte: Raij, 1978.

Além disso, pode-se utilizar a resina mista, de troca Catiônica e aniônica, que possui cargas positiva e negativas e permite, numa única extração, avaliar a disponibilidade não apenas do P, mas também de cátions trocáveis como o cálcio (Ca2+), magnésio (Mg2+) e potássio (K+) (Raij & Quaggio, 1983 & Raij et al., 1987), que é atualmente utilizado na quantificação de fósforo disponível nos laboratórios do estado de São Paulo entre outros.

Um inconveniente desse método, é o fato do método de resina ser mais trabalhoso, no entanto, valem esforços devido a analogia com a extração pela planta (Raij et al, 1982).

Considerações:

Portanto, devido a extração pelo método de resina ter maior correlação com as respostas das plantas, ele se mostra mais adequado para estimar o P disponível, quando comparado ao método de Mehlich 1, visto que este método, não é seletivo para quantificar apenas o P-lábil, e pode superestimar o P de solos com fosfatos naturais ou subestimar o P em solos argilosos.

Referências:

  • NOVAIS, R. F. & KAMPRATH, E. J. Fósforo recuperado em três extratores químicos como função do fósforo aplicado no solo e do “fator capacidade”. R. Bras. Ci. Solo, 3:41-46, 1979.
  • MUNIZ, A. S.; NOVAIS, R. F.; FREIRE, J. C. L.; BARROS, N. F. Disponibilidade de fósforo e recomendação de adubação avaliadas por meio de extratores químicos e do crescimento de soja em amostras de solo com diferentes valores do fator capacidade. R. Ceres, 34:125-151, 1987.
  • RAIJ, B. van. Métodos de Diagnose de Fósforo no Solo em uso no Brasil. Simpósio sobre Fósforo na Agricultura Brasileira – POTAFÓS Piracicaba, SP – 15 de maio de 2003.
  • RAIJ, B. van & DIEST, B. van. Phosphate supplying power of rock phosphate in an Oxisol. Plant Soil, The Hague, 55:97- 104, 1980.
  • RAIJ, B. van; FEITOSA, C.T.; CARMELLO, Q.A.C. A adubação fosfatada no Estado de São Paulo. In: OLIVEIRA, A.J. de; LOURENÇO, S.; GOEDERT, W.J. (ed.). Adubação fosfatada no Brasil. Brasília, 1982. p.103-36, (EMBRAPA-DID. Documentos, 21).
  • RAIJ, B. van. Seleção de métodos de laboratório para avaliar a disponibilidade de fósforo em solos. R. bras. Ci. Solo, Campinas, 2:1-9, 1978.
  • SILVA, W. M.; FABRÍCIO, A. C.; MARCHETTI, M. E.; KURIHARAS, M. E.; MAEDAS, S.; HERNANI, L. C. Eficiência de extratores de fósforo em dois latossolos do Mato Grosso do Sul. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/pab/v34n12/6932.pdf> Acesso em: 3 Mai. 2013. 
  • SILVA, F. C. D.; RAIJ, B. V. Disponibilidade de fósforo em solos avaliada por diferentes extratores. Pesq. agropec. bras., Brasília, v.34, n.2, p.267-288, fev. 1999.

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