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Sistema de plantio direto no Brasil

Você que lida com o meio agrícola: quer conquistar mais produtividade com resultados mais duradouros? Se sim,  já pensou em adequar seu sistema de plantio? À medida em que toda a fazenda se alinha a uma boa estratégia, os lucros tendem a aparecer e é o caso quando falamos de plantio direto.

O sistema de plantio direto (SPD) é um dos pilares fundamentais para a produção sustentável, pois ajuda na construção da fertilidade do solo, e a rotação/sucessão de culturas. Assim, o cultivo de uma safra sempre ocorre sobre os restos culturais de uma lavoura anterior. Como por exemplo, o plantio do milho, sobre a palhada de trigo, mas o ideal é rotacionar com leguminosa e gramíneas.

A palha na superfície do solo, além de ser reserva de nutrientes, auxilia na manutenção da umidade, aeração, temperatura e atividade macro e microbiológica do solo. Atualmente, estima-se que existam, no Brasil, cerca de 33 milhões de hectares sob SPD.

 

sistema de plantio

 

Com as práticas de rotação e sucessão de culturas e o não revolvimento do solo por implementos agrícolas, ocorre aumento da macroporosidade nos solos. Esse fato está relacionado com a diversificação de formas de exploração exercida pelas raízes das plantas no perfil dos solos.

Lembrando que, além da exploração das raízes em busca de nutrientes, as mesmas buscam por água, então, dependendo do seu empreendimento agrícola, é interessante adotar um sistema de irrigação. 

Muitos ficam inseguros sobre investir nesse tipo de sistema, por isso te indico o webinar gratuito, ministrado por um especialista em gestão de irrigação. Nele, um especialista na área ensina vários pontos desse tipo de sistema, faz comparativos, explica vantagens e muito mais. Basta clicar neste link: Quero assistir ao Webinar.

Com o sistema de plantio direto, o solo permanece úmido por mais tempo, ou seja, pode reduzir o gasto com água, já a rotação de culturas favorece a manutenção da fertilidade do solo, quebra o ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas, proporcionando maior rentabilidade ao produtor pela diversificação do cultivo. Além disso, a rotação de culturas é uma das práticas efetivas na redução de nematoides no solo.

Práticas de rotação de culturas devem envolver, preferencialmente, diversidade de espécies (gramíneas e leguminosas) e de arquitetura radicular (fasciculada e pivotante), contribuindo para a ciclagem de nutrientes.

A união dos dois métodos: SPD e rotação de cultura, é muito utilizada no Brasil, com cultivares de soja e milho na próxima safra, e essa prática aumenta significativamente o rendimento de ambas as culturas.

Para adoção do SPD, é necessário um bom cultivo convencional antes da sua implantação, sendo prioritária a correção da acidez pela aplicação e incorporação do calcário aplicado em profundidade no solo. 

Como o calcário apresenta baixa mobilidade no perfil do solo, associado a uma solubilidade limitada, antes da adoção do SPD, torna-se necessária uma adequada correção da acidez, até as profundidades de 30 a 40 cm. A utilização desta prática, juntamente com a de gessagem, vem sendo uma alternativa para elevar os teores de nutrientes no perfil do solo. 

Após a adoção do SPD em solos que necessitam da correção da acidez, é realizada a aplicação de calcário na superfície, sem incorporação. A calagem superficial não apresenta efeito rápido na correção da acidez, entretanto, ao longo dos anos pode-se corrigir a acidez no perfil do solo. 

A liberação de ácidos orgânicos de baixo peso molecular na superfície do solo, é um dos principais mecanismos da correção da acidez do solo com aplicação de calcário em superfície no SPD.

Nos solos sob SPD de longa duração, com rotação de culturas e plantas de cobertura, há uma maior produção da palhada, o que fortalece o tamponamento, resiliência e estabilidade nos solos de fertilidade construída. Isso tudo, ainda favorece o funcionamento do sistema. 

Apesar da dificuldade de elevar os teores de matéria orgânica (MO) nas regiões tropicais, a manutenção ou acréscimo aumenta a capacidade de reserva e suprimento de nutrientes pelo solo, vinculado a níveis mais elevados de fertilidade do solo, biomassa microbiana e produtividade de grãos.

Na prática, por outro lado, há relatos de produtores que adotaram o SPD e tiveram problemas de compactação do solo. Nesse caso, o problema pode ser causado pelo tráfego de máquinas pesadas, principalmente se o solo ainda estiver muito úmido.  

Solos sob SPD bem manejados, com mínimo revolvimento do solo, rotação de culturas e produção de palhada, não apresentam limitações físicas de manejo. Os bioporos, criados pelas raízes das culturas anteriores e mesofauna do solo, proporcionam que raízes das culturas sucessoras penetrem camadas mais compactadas. 

A adoção do SPD reduz a ação de processos erosivos pela proteção da palhada, minimizando a perda de nutrientes pela erosão, adsorção ou lixiviação. Favorece também a recirculação de nutrientes, pela ciclagem e estabilidade do sistema, proporcionando maior eficiência no uso da água, redução de custos, estabilidade produtiva e econômica, com melhoria das condições de vida do produtor.

Fique atento, pois apesar de você ter acabado de aprender e entender mais sobre o sistema de plantio direto e rotação de culturas no Brasil, pode estar se perguntando se esses métodos beneficiam alguma praga. E um dos maiores problemas desse sistema é o quanto ele favorece percevejos, atraídos pelos restos de culturas e eles fazem parte das principais pragas para soja, por exemplo!

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