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Desenvolvimento radicular no sistema de plantio direto

Uma das formas de se avaliar a presença de compactação é pela avaliação do sistema radicular das culturas nas camadas inferiores do solo. Atualmente, tem sido desenvolvido metodologias para avaliar o crescimento de raízes em profundidade, além da avaliação da atividade de raízes no perfil. O desenvolvimento radicular no perfil do solo é afetado pela presença de Al tóxico e principalmente pelo impedimento físico.

A causa direta do excesso de Al tóxico é o engrossamento das raízes nas camadas superficiais do solo e restrição do crescimento da parte aérea em situação de limitação de chuvas.

Desenvolvimento radicular

Imagem: Alessandro Alvarenga

As raízes não apresentam bom desenvolvimento em solos ácidos devido ao excesso de Al e/ou deficiência de Ca. De maneira geral, o crescimento das raízes é prejudicado pela presença de Al tóxico às plantas (Al3+e AlOH2+). Solos manejados adequadamente sob SPD, não têm apresentado restrição ao crescimento de raízes devido à falta de Ca e/ou Al tóxico. Além disso, parte do Al tóxico pode ser complexado por ligantes orgânicos.

Desenvolvimento radicular

Imagem: Alessandro Alvarenga

Nas condições do Sul do Brasil, a acidez do solo limitou o crescimento radicular e a produção de trigo pela falta de água na fase do desenvolvimento vegetativo. A calagem superficial proporcionou aumento de 66% no crescimento radicular até 60 cm de profundidade e aumento de até 140% na produtividade de trigo. Nos estudos de Joris et al. (2013), a calagem aumentou a densidade e o comprimento das raízes, absorção de nutrientes e produção de milho e soja sob estresse hídrico, comparado aos locais sem aplicação de calcário.

Segundo Caires et al. (2001), o crescimento radicular da soja não foi afetado pelas condições de acidez do solo com 1,5, 1,2 e 0,8 cmolc dm-3 de Ca e 28, 32 e 40% de saturação por Al, nas profundidades de 0-10, 10-20 e 20-40 cm, respectivamente.

A concentração das raízes apenas na camada superficial do solo proporciona menores produtividade das culturas. Com a correção da acidez do solo no perfil, as culturas apresentam maior desenvolvimento radicular, proporcionado maiores produtividades.

A acidez subsuperficial apresenta-se como fator determinante para o crescimento do sistema radicular, tendo grande importância para o aumento do reservatório de água disponível durante os períodos de estresse hídrico. Além disso, a aplicação de calcário na superfície do solo, apresenta baixa eficiência na correção da acidez subsuperficial. Nesse sentido, Veronesse et al. (2012) observaram que plantas de cobertura associadas à calagem promoveram melhoria nos parâmetros de acidez do solo, quando a dose aplicada é maior ou igual que a recomendada para saturação por bases (V) de 50%.

Plantas de cobertura apresentam como função, a liberação de ácidos orgânicos de baixo peso molecular, formando complexo orgânico com alumínio (Al), cálcio (Ca) e magnésio (Mg). Dessa forma, além de neutralizar o Al tóxico, esses ácidos podem aumentar a mobilidade de Ca e Mg no perfil do solo. A calagem com resíduos de aveia preta e nabo forrageiro, promoveu o aumento do pH e o teor de Ca, reduzindo o teor de Al na camada de 0 a 20 cm de profundidade.

Desenvolvimento radicular

Imagem: Geraldo Gontijo

O crescimento das raízes acompanha os efeitos químicos do solo, sendo favorável ao gradiente de correção da acidez, e após nove anos da calagem em superfície com dose de 3 ton ha-1 aumentou os teores de pH e Ca e reduziu os teores de Al até 60 cm de profundidade. Franchini et al. (2001) observaram que a prática da calagem em superfície sem resíduo vegetal promoveu crescimento de raízes de trigo até 10 cm de profundidade, enquanto a calagem em superfície com resíduos de aveia e nabo favoreceu o crescimento das raízes até 20 cm de profundidade.

A manutenção da palhada proporciona melhores condições de umidade no solo, favorecendo o desenvolvimento radicular das culturas. A aplicação superficial de calcário sobre palhada de aveia preta não provocou aumentos no crescimento de raiz de milho e soja. Girardello et al. (2017) acrescentam que o menor crescimento do sistema radicular das culturas, inviabiliza o acesso a um maior volume de água e nutrientes em períodos de veranicos.

Plantas de sistema radicular robusto (braquiárias e milheto) contribuem para mobilização de nutrientes, recuperando aqueles deslocados para zonas inferiores (K, S, B) e auxilia a incorporação de outros menos móveis (P e Ca), além de aportar carbono e agregar os benefícios da matéria orgânica do solo em camadas mais profundas.

Desenvolvimento radicular

Imagem: Flávio Moraes

Além da acidez, a restrição física pode apresentar como principal fator de impedimento ao crescimento radicular. A resistência do solo à penetração superior a 1,3 MPa afeta o desenvolvimento do sistema radicular no perfil. Isso porque reduz a macroporosidade do solo, a qual apresenta como indicador para a restrição do crescimento radicular do milho.

Diagnósticos qualitativos como a distribuição das raízes no perfil do solo, e quantitativos como o grau de acidez no perfil do solo, apresentam-se como ferramentas para auxílio na verificação da qualidade do manejo adotado e no estabelecimento de limites de acidez, que não afetam o desenvolvimento radicular das plantas em sistemas de produção de grãos.

Imagem: Alessandro Alvarenga

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Referências Bibliográficas

  • ADAMS, F.; RAWAYFIH, Z. Basalumite and alumite: a possible cause of sulfate retention by acid soils. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 41, n. 4, p. 686-692, 1977.
  • ALLEONI, L.R.F. et al. Liming and eletrochemical attributes of an oxisol under no tillage. Scientia Agricola, [s,l.], v. 60, n. 1, p. 119-123, jan./mar. 2003.
  • AMARAL, A.S.; ANGHINONI, I.; DESCHAMPS, F.C. Resíduos de plantas de cobertura e mobilidade dos produtos da dissolução do calcário aplicado na superfície do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 28, p. 115-123, 2004.
  • ANCÂNTARA, F.A. et al. Adubação verde na recuperação da fertilidade de um latossolo vermelho-escuro degradado. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v. 35, n. 2, p. 277-288, fev. 2000.
  • ANDRADE JUNIOR, O. de. et al. Crescimento e produtividade de milho em três sistemas de manejo de solo e dois espaçamentos entrelinhas. Semina: Ciências Agrárias, [s.l.], v. 35, n. 3, p. 1221-1229, 2014.
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