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Perspectivas da produção agrícola brasileira para 2050

Atualmente tem-se discutido que, com o aumento da população mundial estimado em 9 bilhões de pessoas em 2050, praticamente deverá dobrar a produtividade das culturas para abastecimento do consumo humano e animal.

Um aumento entre 25% e 70% acima dos níveis atuais de produção pode ser suficiente para atender à demanda da safra 2050 (Hunter et al., 2017). 

Ao mesmo tempo, as perdas de nutrientes e as emissões de gases de efeito estufa da agricultura devem cair drasticamente pela adoção de sistemas conservacionistas, a fim de restaurar e manter o funcionamento do ecossistema.

Prevê-se que a demanda por alimentos aumente, enquanto os impactos ambientais devem despencar. Os pedidos para duplicar a produção agrícola a partir de uma linha de base recente implicam taxas de crescimento fora do intervalo das projeções empíricas, como mostra na figura a seguir:

Projeções de produção de grãos no mundo

O trabalho da OECD-FAO (2019) projeta uma produção mundial da ordem de 1,311 bilhão de toneladas de milho para a safra 2027/28. Deste total, cerca de 60,0% devem ser destinados à alimentação animal, 13,4% ao consumo humano e 15,5% à produção de biocombustíveis. 

Os maiores incrementos serão representados pelos 5 países: 

  1. China (+47 milhões de toneladas);
  2. Estados Unidos (+31 milhões de toneladas);
  3. Brasil (+25 milhões de toneladas);
  4. Argentina (+17 milhões de toneladas);
  5. Ucrânia (+6 milhões de toneladas).

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos projeta exportações totais de milho da ordem de 188,8 milhões de toneladas em 2027/28. Esse volume deverá ser suprido principalmente pelos Estados Unidos, 29,6%. No entanto, a ordem aqui muda um pouco, pois é seguido por:

  • Brasil, 23,7%;
  • Ucrânia, 16,2%;
  • Argentina, 17,2%. 

Em volume, as exportações brasileiras previstas pelo USDA são de 44,8 milhões de toneladas. Os maiores importadores, em um total de 84,0 milhões de toneladas, serão: 

  1. México;
  2. Japão;
  3. União Europeia;
  4. Irã;
  5. Egito.

Segundo o USDA (2018), o comércio internacional de commodities agrícolas, tais como o milho, soja, e farelo de soja, é impulsionado pela demanda crescente de rações para a produção de frangos e suínos. O consumo internacional de carnes continuará a crescer ao longo do período das projeções.

Futuro brasileiro para produção de grãos

Saber as projeções para o agronegócio brasileiro é importante para identificar a direção que o mercado está tomando.

Esse tipo de conhecimento possibilita saber quais as tendências de preços, entre outros pontos importantes.

Podemos observar que haverá aumentos significativos nas safras de grãos:

  1. De 234,1 milhões de toneladas na safra 2018/19 para 302 milhões de toneladas na safra 2027/28. Ou seja, quase 30% a mais que o valor atual.
  2. A área plantada sairá dos atuais 62,6 milhões de hectares para 71 milhões de hectares em 2027/28. Ou seja, mais de 13% a mais de áreas necessárias.

Percebe-se que o ganho com o agronegócio não será devido somente à expansão de área, mas sim ao ganho com produtividade.

Produção de grãos no Brasil para 2027-28Tabela 1: Projeção de produção de grãos e área plantada no Brasil para 2027/28. – Fonte: MAPA (2019).

Atualmente, no Brasil, cerca de 850 mil toneladas de milho estão sendo usadas para etanol. A capacidade industrial atual é para uso de 1,95 milhão de toneladas e, até o final de 2019, essa capacidade deverá crescer para 4,8 milhões de toneladas.

Sistema de produção de grãos nas regiões do Brasil

O Brasil é um dos maiores produtores de alimento do mundo, com potencial para ser o maior produtor mundial. Isso se deve, em partes, porque dispomos de vários recursos, principalmente climáticos, que favorecem a vasta produção de alimentos. 

Além do clima, o Brasil apresenta quantidade de água considerável e potencial de mais áreas agricultáveis, utilizamos apenas 7,8% dessas áreas, com 25,6% de área preservada nos imóveis rurais.

Há também mais investimentos em tecnologia, o que difere positivamente nos valores de produção alcançados, desta forma, o agronegócio vem sendo impulsionado a produzir de maneira eficiente e consciente.

Uso e ocupação de terras no BrasilFigura 1: Uso e ocupação de terras no Brasil. – Fonte: Embrapa, (2019).

Sistema de Plantio Direto

O sistema de plantio direto (SPD) apresenta como pilares fundamentais para a produção sustentável, a construção da fertilidade do solo, antes da sua adoção, e a rotação/sucessão de culturas. 

O cultivo de uma safra sempre ocorre sobre os restos culturais de uma lavoura anterior. A palha na superfície do solo, além de ser reserva de nutrientes, auxilia na: 

  • Manutenção da umidade;
  • Aeração;
  • Temperatura;
  • Atividade macro e microbiológica do solo. 

Atualmente, estima-se que existam no Brasil cerca de 33 milhões de hectares sob SPD (IBGE, 2017).

Com as práticas de rotação e sucessão de culturas e o não revolvimento do solo por implementos agrícolas, ocorre aumento da macroporosidade nos solos. Esse fato está relacionado com a diversificação de formas de exploração exercida pelas raízes das plantas no perfil dos solos.

Rotação de Culturas

A rotação de culturas favorece a manutenção da fertilidade do solo, quebra o ciclo de pragas, doenças e plantas daninhas, proporcionando maior rentabilidade ao produtor pela diversificação do cultivo.

Práticas de rotação de culturas devem envolver, preferencialmente, diversidade de espécies (gramíneas e leguminosas) e de arquitetura radicular (fasciculada e pivotante), contribuindo para a ciclagem de nutrientes.

Como adotar esse sistema

Para adoção do SPD, é necessário um bom cultivo convencional antes da sua implantação, preconizando-se a correção da acidez pela aplicação e incorporação do calcário aplicado em profundidade no solo.

Como o calcário apresenta baixa mobilidade no perfil do solo, associado a uma solubilidade limitada, antes da adoção do SPD, torna-se necessário uma adequada correção da acidez até as profundidades de 30 a 40 cm.

Caso a correção não seja adequada, haverá limitação do desenvolvimento das raízes das plantas, reduzindo a absorção de água e nutrientes. A utilização desta prática, juntamente com a de gessagem, vem sendo uma alternativa para elevar os teores de nutrientes no perfil do solo. 

Após a adoção do SPD em solos que necessitam da correção da acidez, é realizada a aplicação de calcário e/ou gesso na superfície, sem incorporação.

A calagem superficial não apresenta efeito rápido na correção da acidez no perfil do solo, entretanto, ao longo dos anos pode-se corrigir a acidez no perfil do solo. Sua associação com o gesso contribui como um carreador de nutrientes no perfil do solo.

A liberação de ácidos orgânicos de baixo peso molecular na superfície do solo, é um dos principais mecanismos da correção da acidez do solo com aplicação de calcário em superfície no SPD.

Nos solos sob SPD de longa duração, com rotação de culturas e plantas de cobertura há maior produção da palhada. Isso favorece e fortalece: 

  • O tamponamento;
  • A resiliência dos solos;
  • Estabilidade nos solos de fertilidade construída;
  • Funcionamento do sistema. 

Apesar da dificuldade de elevar os teores de matéria orgânica (MO) nas regiões tropicais, a manutenção ou acréscimo aumenta a capacidade de reserva e suprimento de nutrientes pelo solo. Isso é, vinculado a níveis mais elevados de fertilidade do solo, biomassa microbiana e produtividade de grãos.

A adoção do SPD promove um sistema mais tamponado pela MO, reduzindo a ação de processos erosivos pela proteção da palhada, minimizando a perda de nutrientes pela erosão, adsorção ou lixiviação. 

Esse sistema favorece também, segundo Resende et. al (2016), a recirculação de nutrientes, pela ciclagem e estabilidade do sistema, proporcionando maior eficiência do: 

  • Uso da água;
  • Redução de custos;
  • Estabilidade produtiva e econômica;
  • Melhoria das condições de vida do produtor.

Principais sistemas de sucessão de culturas

Nas figuras a seguir, estão apresentados alguns dos principais sistemas de rotação/sucessão de culturas utilizados nas principais regiões produtoras de grãos do Brasil.

Rotação de culturas no Centro OesteFigura 2: Sistema de rotação/sucessão de culturas no Centro Oeste (MT, MS, GO). 

Rotação de culturas no SulFigura 3: Sistema de rotação/sucessão de culturas no Sul (RS, SC, PR). 

Rotação de culturas no SudesteFigura 4: Sistema de rotação/sucessão de culturas no Sudeste (SP, MG). 

Rotação de culturas no Norte e NordesteFigura 5: Sistema de rotação/sucessão de culturas no Norte/Nordeste (BA, TO, MA, PI, PA, AL e SE).

Uma opção de rotação de cultura que tem ganhado cada vez mais adeptos pelos múltiplos benefícios, é o consórcio milho-braquiária.

Por meio desta técnica é possível aproveitar o excedente hídrico do outono/inverno, em que se cultiva milho segunda safra para, ao mesmo tempo, cultivar a braquiária para formação de resíduos ao SPD.

No caso de propriedades sob o sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), a braquiária serve como planta forrageira, justamente no período de maior escassez das pastagens.

Atingindo alta produtividade e se destacando

Como você pôde notar, as perspectivas para a produção agrícola brasileira são positivas. No entanto, também mais exigentes. É preciso produzir mais, em menos área e menos tempo. A isso se atribui a produtividade acelerada e ao alto volume que o país tem demonstrado a cada safra.

O mercado está mais exigente e quem não consegue acompanhá-lo, acaba perdendo grandes oportunidades. Por isso, é preciso se especializar, entender as tendências de mercado, as perspectivas, novas tecnologias e conseguir superar as metas de produtividade.

A Pós-graduação em Produção de Grãos pode ser esse elo entre sua atualização e conhecimento específico na área e seu destaque de sucesso no mercado.

Ele é um curso online e completo, onde você aprenderá desde o planejamento de safras com projetos, passando por fertilidade, proteção, fisiologia e muito mais.

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Alessandro Alvarenga

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