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Milho

Produção de milho no Brasil e no mundo: acompanhe o cenário

No decorrer das últimas décadas, o milho alcançou o patamar de maior cultura agrícola do mundo, sendo a única a ter ultrapassado a marca de 1 bilhão de toneladas, abandonando antigos concorrentes, como o arroz e o trigo.

Concomitantemente à sua importância em termos de produção, a cultura ainda se notabiliza pelos diversos usos. Estimativas apontam para mais de 3.500 aplicações deste cereal.

Além da relevância no aspecto de segurança alimentar, na alimentação humana e, principalmente, animal, é possível produzir com o milho uma infinidade de produtos, tais como combustíveis, bebidas, polímeros, etc.

 

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Milho e derivados

Milho: dados da produção mundial

Da safra 2000/01 para a de 2017/18, a produção mundial de milho passou de 591 milhões de toneladas para 1,076 bilhão de toneladas, com aumento de 82%, principalmente por causa do uso como ração animal para a produção de frangos e suínos.

Segundo dados da USDA (2018a, 2018b) apenas dois países representam 58,9% da produção mundial de milho, sendo representado pelos Estados Unidos, com 34,5% (371 milhões de toneladas) da produção mundial, seguido da China, com 24,5% (263 milhões de toneladas).

Ao se agregarem Brasil e União Europeia aos dois maiores produtores mundiais, os 4 maiores produtores são responsáveis por 72,3% da produção mundial.

Alguns países destacam-se com aumento da produção bem acima da média mundial:

  1. Argentina;
  2. Índia;
  3. México;
  4. Ucrânia;
  5. Canadá.

Principais países produtores de milhoGráfico 1: Principais países produtores de milho (Em 1.000 t). 2000/01 – 2005/06 – 2010/11 – 2017/18.t/. – Fonte: USDA (2018a, 2018b), Adaptado Contini et al. (2019).

A Ucrânia merece destaque por ter apresentado um crescimento da produção em menos de duas décadas superior a 500%, passando a ser um dos principais players no comércio mundial de milho, e com a vantagem logística de estar mais próximo dos mercados consumidores do que os Estados Unidos, o Brasil e a Argentina.

Comercialização do milho

A importância do milho como maior cultura agrícola mundial e de sua comercialização, apresenta uma taxa de crescimento de 3,34% a.a., bem superior ao crescimento populacional, uma indicação do dinamismo do produto (USDA, 2018b).

Sua comercialização como commodity, no comércio internacional desse cereal, possui um percentual baixo em relação à produção, apenas de 14% em 2017/18.

A produção de milho no mundo tem aumentado a cada ano. É possível observar pelo aumento de produção e de produtividade ao longo dos últimos anos.

Os principais fatores que contribuíram com esse aumento de produção foram:

  • Desenvolvimento de novos cultivares adaptados às diversas regiões produtoras de milho no mundo;
  • Manejo integrado no controle de pragas, doenças e plantas daninhas;
  • Melhoria no manejo do solo, principalmente, por meio da adoção de sistemas de produção conservacionistas sem o revolvimento do solo e com a manutenção da palhada das culturas anteriores no solo.

Maiores consumidores, exportadores e balança comercial agrícola

Importadores/compradores

O Gráfico 2 apresenta os principais importadores mundiais. Apesar de em 2017/18 a União Europeia ter se destacado como a maior compradora de milho, individualmente o México é o maior cliente mundial, condição que deve se consolidar ainda mais na próxima década.

Para a próxima década, em 2027/28, a projeção é de que o México será o maior comprador de milho no planeta, seguido de Japão, Irã, Egito, União Europeia e Vietnã.

Há anos se espera que a China se torne em algum momento o maior comprador de milho do mundo, mas os aumentos de produção sucessivos do país têm frustrado esses planos.

Principais países importadores de milhoGráfico 2: Principais países importadores de milho (Em 1.000 t.). 2000/01, 2005/06, 2010/11 e 2017/2018. – Fonte: USDA (2018a, 2018b), Adaptado Contini et al. (2019).

Segundo Contini et al. (2019) no relatório do USDA de novembro de 2018 os dados de produção e estoque de milho da China, mostram que a produção era maior que a estimativa divulgada.

Os estoques estimados para o final da safra 2018/19, que eram de 58 milhões de toneladas nos relatórios de setembro/2018, passaram para 208 milhões de toneladas nos relatórios em novembro. Sendo assim, não é provável que a China seja um relevante comprador de milho nos próximos anos.

Exportadores/vendedores

No Gráfico 3 encontram-se os principais países exportadores de milho, no período de 2000/01 a 2017/18.

Em termos de volume exportado, no ano de 2000/01 foram 76,9 milhões de toneladas, passando para 90 milhões em 2010/11, e atingindo 151,1 milhões em 2016/17.

Considerando o período, o crescimento foi de 96,7%. Da mesma forma que a produção, as exportações também estão concentradas em poucos países.

Principais países exportadores de milhoGráfico 3: Principais países exportadores de milho (Em 1.000 t.). 2000/01, 2005/06, 2010/11 e 2017/18. – Fonte: USDA (2018a, 2018b), Adaptado Contini et al. (2019).

Em 2017/18, os Estados Unidos foram responsáveis por 24,1% das exportações totais de milho no mundo, diminuindo sua participação em relação a 2000/01, que era de 64,1%.

Nos últimos anos o Brasil se estabeleceu como o segundo maior exportador de milho no mundo, apresentando um crescimento de 302% (CONAB 2018b).

Balança comercial e o PIB

Os últimos 10 anos têm apresentado aumento no valor de comercialização e fatores climáticos, como a seca no Meio Oeste Americano no ano de 2012, contribuem para elevar o valor da ommodity no mercado internacional, segundo Contini et al. (2013).

O risco climático é um dos principais fatores que podem contribuir para a alta dos preços no mercado internacional, possibilitando com que países emergentes possam atuar como players no mercado internacional.

O Brasil no cenário mundial de milho

O milho é cultivado em todas as regiões do Brasil. Sua produção ocorre em diferentes épocas, face às condições climáticas das regiões.

O cultivo da primeira safra é semeado na primavera/verão e predomina na maioria das regiões produtoras, com exceção de regiões no Norte e Nordeste, em que, a época de chuvas tem maior concentração a partir do mês de janeiro, sendo o período de semeadura denominado segunda safra.

Produção de milho no Brasil

Na região Centro-Sul do Brasil o cultivo de milho é realizado após a colheita da soja, com semeio concentrado no verão/outono denominado segunda safra. Sendo assim, o sistema e o fluxo de produção em diferentes meses do ano trazem maior complexidade no entendimento do equilíbrio de oferta e demanda.

A mudança da época de semeadura do milho para a segunda safra ocorreu gradualmente desde o início da década de 1990.

Em 2006/07 representou 29% da produção nacional, em 2009/10 e 2010/11 foi de 39%. Na safra 2018/19 apresentou produção recorde de 74 milhões de toneladas.

A inversão da produção do verão para o inverno se estabeleceu de fato em 2011/12, quando a colheita da safrinha quase dobrou em relação ao ano anterior e passou pela primeira vez a safra de verão. Desde então a diferença só aumentou (Gráficos 6 e 7).

Área plantada de milho no BrasilGráfico 4: Área plantada de milho no Brasil por safras – 1976/77 a 2019/20. – Fonte: CONAB (2019).

Produção de milho no BrasilGráfico 5: Produção de milho no Brasil por safras – 1976/77 a 2019/20 – Fonte: CONAB (2019).

A produção brasileira de milho durante os últimos 40 anos pode ser visualizada no Gráfico 8.

O aumento da produção foi de 20 milhões de toneladas na safra 1976/77 a ponto de atingir o pico de 99 milhões em 2018/19.

O crescimento do Brasil é espetacular, com 4,67% ao ano (a.a.) na produção e 2,95% a.a. na produtividade (Conab, 2018a), dados superiores aos observados para o mundo (3,34% a.a.).

A produtividade média do milho brasileiro (4,9 t/ha), no entanto, está abaixo da mundial (5,65 t/ha), a produtividade norte-americana supera 11 t/ha (USDA,2018b).

Produção total de milho no BrasilGráfico 6: Produção total de milho no Brasil – 1976/77 a 2019/20. – Fonte: CONAB (2019)

Este crescimento da produção só foi viável em decorrência do aumento da demanda doméstica, associado à evolução da avicultura e da suinocultura, e da demanda externa com o crescimento acentuado das exportações.

Na Tabela 1, observa-se que, entre 2014/15 e 2018/19, o consumo animal de milho aumentou 250 mil de toneladas, e as exportações aumentaram mais de 1 milhão de toneladas.

Demanda de milho no BrasilTabela 1: Demanda de milho no Brasil (milhões de toneladas) – 2014/15 a 2018/19. – Fonte: Associação Brasileira das Indústrias do Milho (2019).

Cenário estadual do milho

No âmbito nacional, a situação da produção de milho no Brasil em 2018/19 e perspectiva para a safra 2019/20, mostra que a produção passou do verão para o inverno, e a localização predominante foi do Sul para o Centro-Oeste.

O Mato Grosso passou a ser o maior produtor de milho no país com 31,3 milhões de toneladas, sendo que o milho segunda safra representou 95% da produção total na safra 2018/19 (Conab, 2019).

Cabe ressaltar que a mudança da produção de milho do verão para o inverno favoreceu as exportações, ao diminuir a competição com a soja por espaço nos portos.

Assim, os embarques de milho ganham força em julho, quando passam a diminuir os embarques de soja, e despencam em fevereiro do ano seguinte, após a colheita da oleaginosa.

O milho apresenta uma razoável distribuição regional. Os principais estados produtores são:

  1. Mato Grosso;
  2. Paraná;
  3. Goiás;
  4. Mato Grosso do Sul;
  5. Minas Gerais.

Juntos, foram responsáveis por 76% da safra nacional de milho em 2018/19. Esses números são suportados pela importância do milho no mercado nacional e internacional e pelo crescimento acentuado do milho de segunda safra.

Em algumas regiões dos estados de Sergipe, Alagoas e Bahia, tem se observado o cultivo de milho terceira safra, os cultivos são semeados no outono/inverno devido ao período de chuvas.

Essa característica climática faz com que os produtores tenham grãos de alta qualidade para serem comercializados fora do período tradicional, próximo à colheita de milho nos Estados Unidos.

Há também a vantagem de estar próximo aos terminais portuários dos três estados, garantindo uma redução no frete para exportação da produção.

Perspectivas comerciais no Agronegócio

O PIB do agronegócio no Brasil teve alta de 1,87% em 2018, segundo o Cepea. Atualmente, o agronegócio sozinho representa 21,1% do PIB brasileiro. Além disso, é responsável por metade das exportações do país, o que demonstra grande poder sobre o saldo positivo na balança comercial brasileira.

O valor bruto da produção (VBP) do agronegócio alcançou R$536,5 bilhões em 2017, dos quais R$342,6 bilhões na produção agrícola e R$193,9 no segmento pecuário.

Em relação a esses valores, os 10 que mais se destacaram no ranking foram:

  1. A soja (grãos) foi o produto com maior VBP em 2017, R$127,7 bilhões;
  2. O segundo lugar no ranking do VBP do agronegócio nacional foi ocupado pela pecuária de corte, com R$88 bilhões;
  3. O terceiro maior VBP foi o da cana de açúcar, com R$55,3 bilhões;
  4. Na sequência vêm o milho (R$49,3 bilhões);
  5. Em quarto há a pecuária de leite (R$44,6 bilhões);
  6. O frango só aparece em sexto lugar com VBP de R$35,6 bilhões;
  7. Já o café ocupa a sétima posição com R$20,6 bilhões;
  8. Suínos ficam em oitavo com R$14,3 bilhões;
  9. Apesar do aumento recente, os ovos assumiram a nona posição com R$11,4 bilhões;
  10. Por fim, em décimo está a mandioca com R$10,8 bilhões.

Valor bruto da produção no BrasilFigura 1: Valor bruto da produção no Brasil em 2017 (R$ bilhões). – Fonte: CNA (2019).

O setor agrícola absorve praticamente 1 de cada 3 trabalhadores brasileiros.

Em 2015, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), 32,3% (30,5 milhões) do total de 94,4 milhões de trabalhadores brasileiros eram do agronegócio.

Desses 30,5 milhões:

  • 13 milhões (42,7%) desenvolviam atividades de agropecuária;
  • 6,43 milhões (21,1%) no agrocomércio;
  • 6,4 milhões (21%) nos agrosserviços;
  • 4,64 (15,2%) na agroindústria.

Quanto ao comércio internacional 44,1% das exportações brasileiras, em 2017, foram de produtos do agronegócio – também há forte contribuição do agronegócio para o desempenho da economia brasileira.

A importância econômica desse setor se dá pelo fato, que desde 2007 o superávit comercial do agronegócio brasileiro tem mais que superado o déficit comercial dos demais setores da economia brasileira, e garantido sucessivos superávits à Balança Comercial brasileira.

Atualmente, o Brasil é o quarto maior exportador mundial de produtos agropecuários, aproximadamente US$ 96 bilhões. Ele fica atrás, apenas, da União Europeia, EUA e China.

Esse desempenho comercial superavitário com o resto do mundo, tem contribuído de forma decisiva para a estabilidade da taxa de câmbio e para a continuidade da política de flexibilização da política monetária, com reflexos importantes nos menores custos de crédito para toda a sociedade brasileira.

Saldo da balança comercial brasileiraGráfico 7: Saldo da balança comercial brasileira (US$ bilhões) – 1989 a 2017. – Fonte: MDIC e AgroStat/Mapa. Adaptado CNA.

Apesar dos desafios contemporâneos nos mercados doméstico e internacional, os destinos e a diversidade de produtos exportados pelo agronegócio brasileiro aumentaram significativamente.

Seu futuro no agronegócio de grãos!

O milho tem sua importância mundial bem difundida, por servir de alimento humano, animal e ainda tem seus subprodutos. No entanto, apesar do Brasil estar crescendo em produção, produtividade e exportação, ainda fica abaixo da produção mundial.

Analisando as perspectivas futuras, a demanda por esse alimento tende a crescer cada vez mais. Isso significa: oportunidade!

Esse cereal é cultivado, comercialmente, 2 vezes ao ano e em todo o país, então há a oportunidade clara de crescimento nesse segmento, tanto para produtores quanto para profissionais que lidam nessa área.

Mas com grande expectativa de produção, também vêm grandes exigências. Estar por dentro do mercado, se atualizando e aprimorando seus conhecimentos pode ser a chave para seu sucesso.

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