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A fertilidade do solo para máxima eficiência produtiva

Quem busca atingir o máximo potencial produtivo de uma lavoura, precisa ter em mente que a fertilidade é um dos pontos essenciais, mas obviamente existem outros tão importantes quanto.

Em uma propriedade rural, qualquer que seja sua característica, a sustentabilidade do negócio agrícola e pecuário, será atingida apenas se a gerência dessa propriedade for capaz de contemplar apropriadamente todos os fatores envolvidos no processo produtivo, tais como:

  1. Definir, com clareza, o que produzir;
  2. Quais características pretende atingir;
  3. Quais insumos são necessários;
  4. Quais as tecnologias serão empregadas;
  5. Em que época vai implantar o sistema;
  6. Qual será o custo;
  7. Para qual mercado vai escoar essa produção;
  8. Quem são os concorrentes.

Todos esses, são aspectos indispensáveis na formulação de um negócio bem administrado.

Quando a fertilidade é fundamental

É primordial que a propriedade se atente aos quesitos ambientais, disponibilidade de mão de obra, bem como toda a equipe, recursos financeiros e materiais de que essa fazenda dispõe.

A união desses fatores, quando usados de forma adequada, é possível otimizar e gerar oportunidades e evitar imprevistos. Assim, a fertilidade do solo passa a ser fundamental.

Há uma gama de informações de pesquisa que, se bem utilizadas, permitem transformar solos pobres do Cerrado em solos tão ou mais produtivos do que os mais férteis do Brasil.

Fatores de desenvolvimento no mundo

Os fatores de produção normalmente citados são: terra, trabalho e capital. Um quarto fator de produção, que é o conhecimento tecnológico, deve também ser incluído.

No processo de desenvolvimento econômico de diferentes nações, são utilizados todos esses fatores em combinações variadas e apropriadas para cada caso. Assim, países com pequenas dimensões territoriais, procuram fazer do trabalho, capital e tecnologia os maiores fatores propulsores do desenvolvimento. 

Como exemplo, podem ser citados o Japão, alguns países nórdicos, a Holanda e alguns países asiáticos.

Por sua vez, existe uma corrente de pensamento econômico que defende o uso da terra em maior escala como fator propulsor do desenvolvimento em países de grandes dimensões territoriais. 

Em nível mundial, essa corrente de pensamento já perdeu grande parte da sua importância, e o número de defensores hoje é relativamente pequeno e em declínio.

Fatores de desenvolvimento no Brasil

No Brasil, entretanto, existem grupos de teóricos que ainda defendem o uso de maiores áreas de terra e mais trabalho, considerados abundantes e de baixo custo, como os elementos-chave para o desenvolvimento. 

Em consequência, no tocante ao aproveitamento agroindustrial da região do Cerrado, ainda ocorrem questionamentos sobre a tecnologia que está sendo gerada para o segmento agrícola. 

Os críticos argumentam que o modelo de desenvolvimento agrícola do Cerrado é capital intensivo, sendo o país extremamente carente em capital e tendo como fatores abundantes terra e trabalho. Concluem, assim, que seria mais racional usar mais os fatores terra e trabalho e menos o fator capital, que é escasso.

Nesse ponto, é de se duvidar que o que acreditamos sobre domínio público do conhecimento em relação à pobreza generalizada dos solos do Cerrado seja verdadeiro.

Produção no Cerrado

Não é economicamente e cientificamente viável a produção comercial e em larga escala, nesses solos do Cerrado. De modo geral, eles são são do tipo:

  • Latossolos; 
  • Areias quartzosas; 
  • Podzólicos; 
  • Lateritas hidromórficas; 
  • Gleys.

A terra é abundante em quantidade, mas limitada na sua fertilidade. Além disso, a mão de obra deixou de ser abundante no meio rural e é limitada, seja por falta de qualificação profissional dos operários rurais, seja devido à atual legislação trabalhista para o campo, onerando os custos e reduzindo a competitividade em contraposição à mecanização dos processos.

Viabilidade da substituição do capital por terra

A substituição do capital por terra pode ser viável em situações específicas, quando não existe pressão de uso sobre a terra e seu valor de mercado é relativamente baixo. 

Essa situação ainda existe em algumas áreas diferenciadas do Cerrado. Nessas circunstâncias, pode existir um sistema de criação de gado (pecuária extensiva), produzindo cerca de 20 kg de carne por hectare por ano, como uma atividade econômica estável. 

Outra alternativa é o uso da terra, por curtos períodos de tempo, para desenvolver atividades extrativas de carvão, lenha, madeira, fibras, oleaginosas, látex, frutos comestíveis, plantas medicinais e mesmo agricultura de subsistência. 

Nesses sistemas de produção, tanto a terra como a mão de obra, podem ser utilizadas em maior quantidade em substituição ao capital. Contudo, esses sistemas de produção pouco intensivos no uso de capital e de tecnologia, foram importantes no passado, quando grande parte da população residia nas zonas rurais. 

Atualmente, o valor agregado da produção obtida nesses sistemas é de importância marginal e eles não atendem mais às necessidades de uma população predominantemente urbana.

Como tornar a propriedade sustentável

Pode-se afirmar que uma propriedade agrícola sustentável deve resultar da otimização do conjunto-solução de um sistema de equações do tipo:

  • Equações biológicas
  • Equações sociais
  • Equações culturais
  • Equações econômicas
  • Equações políticas
  • Equações ambientais
  • Equações energéticas
  • Equações administrativas
  • Equações de mercado

As equações econômicas são, em geral, as que apresentam resultados mais rápidos e perceptíveis para as decisões tomadas. Por isso mesmo, a preocupação com elas leva muitos a não obedecer às restrições de outras equações, como as biológicas, ambientais e a adotar o monocultivo de culturas que, comercialmente, sejam interessantes. 

Por isso surgem exemplos indesejáveis de monocultivos como os da soja, do feijão e do algodão.

Profissionais qualificados

Nos últimos anos, houve investimentos vultosos na formação de recursos humanos especializados, de tal modo que, atualmente, já se dispõe de conhecimentos sobre vários componentes dessas equações. 

A formação de indivíduos capazes de resolver sistemas de equações, não tem tido um investimento equilibrado, observando os limites e restrições desses sistemas. 

Em outras palavras, dispõe-se de pessoas capacitadas para executar trabalhos de análise, mas poucos capazes de sintetizá-los, enxergando a propriedade agrícola como um todo e inserida num ambiente externo de dimensão global. Essa é uma limitação de natureza técnica e pode restringir o sucesso nas análises, interpretações e recomendações de conjuntos de técnicas e práticas agrícolas.

Eficiência histórica da produção no Cerrado

O desenvolvimento econômico do Cerrado deve passar pela formação de um complexo agroindustrial forte e atuante que, além de propiciar o surgimento de um segmento agrícola tecnificado e produtivo, seja capaz de gerar empregos e renda para a região.

Até o final da década de 1970, não era comum a discussão sobre o tema relativo à eficiência do processo produtivo na região Centro-Oeste do Brasil. Naquela época, as políticas macroeconômicas eram voltadas para o desenvolvimento acelerado da região do Cerrado, como uma alternativa de produção de alimentos, especialmente, grãos. 

Como um segundo objetivo, não menos importante, os governos da época estimularam a ocupação dessa região, baseados numa filosofia de integração dos espaços vazios, como fundamento para um processo duradouro de segurança nacional.

Um conjunto de fatores, representado por um ambiente econômico de programas voltados para essa região e de subsídios elevados para alguns insumos importantes para a agricultura, abriu espaço para certo nível de ineficiência no processo produtivo. 

No início do desenvolvimento da agricultura no Cerrado, o grau de utilização das tecnologias, então existentes, deixava a desejar. Mesmo assim, vultosos investimentos foram realizados para possibilitar a formação de um parque produtivo na região.

A partir de determinado momento, os subsídios foram retirados e programas de desenvolvimento regional desativados em curto espaço de tempo. Como consequência, os custos de produção foram bruscamente elevados, e os produtores viram-se ante uma necessidade imperativa: ou se ajustavam rapidamente à nova situação, diminuindo custos e aumentando a eficiência técnica e econômica, ou faliam.

Como obter a eficiência desejada

A busca da eficiência, como toda aprendizagem, é um processo que leva tempo e exige sensibilidade administrativa e investimentos tanto em recursos materiais (novas máquinas e equipamentos, por exemplo) como em recursos humanos (mão de obra mais qualificada, inclusive na administração e na gerência dos estabelecimentos rurais).

A eficiência pode ser definida como a relação entre as saídas e as entradas no processo de produção agrícola, podendo ser medida em termos de unidades de valores monetários ou de energia entre outros. Essa relação deve ser maior que 1, numa ordem de grandeza que satisfaça o produtor rural e a sociedade.

Na agricultura, trabalha-se com fatores de difícil controle ou mesmo incontroláveis como:

  • Pluviosidade;
  • Temperatura; 
  • Luminosidade; 
  • Textura do solo; 
  • Topografia. 

Por sua vez, há fatores controláveis e todo o esforço deve ser despendido para controlá-los, tais como: 

  • Variedades ou híbridos; 
  • Épocas de semeadura; 
  • Espaçamentos; 
  • Pragas, doenças e plantas invasoras; 
  • Acidez do solo; 
  • Insuficiência de nutrientes e interações. 

Importância das interações

As interações constituem posto-chave do processo produtivo, uma vez que se pode aumentar bastante a eficiência, como as interações do tipo: 

  • Populações de plantas com doses de nitrogênio; 
  • Híbridos com níveis nutricionais; 
  • Defensivos com doses de fósforo e/ou de potássio; 
  • Preparo do solo com rotação de culturas; 
  • Nutrientes com diferentes modos de aplicação, unidos e na irrigação;
  • Fertilidade do solo com doenças; 
  • Nutrientes com qualidade do produto; 
  • Calcário com nutrientes, com espécies e variedades. 

Há um elenco de interações e cabe ao empresário e administrador rural, tirar proveito delas. 

Conhecer e saber usar as interações, significa ter como resultado do uso de dois ou mais desses fatores interativos, mais do que o somatório dos benefícios obtidos com o uso individual de cada fator. 

Contudo, os mecanismos de controle dos chamados fatores controláveis da agricultura, requerem o uso de capital. A utilização pura e simples do ambiente natural do Cerrado não permite exercitar muitos desses controles.

Quesitos ambientais na produção

Dentro do sistema de equações da produção, a ambiental é tão importante quanto a equação econômica, já mencionada. 

A redução da área, até determinado limite, poderá resultar em maiores cuidados no seu uso e manejo, na sua conservação e na preservação de maior superfície com a cobertura vegetal natural. Tudo isso sem redução de produção e a um custo menor da unidade de produto obtido. 

A preservação, por tempo prolongado do ambiente natural, pode proporcionar à pesquisa, a oportunidade para conhecer melhor o patrimônio genético da flora e da fauna regionais. Isso é de extrema importância pela sua diversidade e para o estabelecimento do equilíbrio e da sustentabilidade dos sistemas de produção estabelecidos ou a se estabelecer.

Sucesso do produtor

Em suma, o sucesso da produção depende de inúmeros fatores, mas na base dele está a gestão. É por meio do gerenciamento de objetivos, prioridades e como obtê-los, que um negócio agrícola pode prosperar.

Alguns desses fatores, infelizmente, são difíceis ou simplesmente impossíveis de controle, mas aqueles que dependem do conhecimento técnico do produtor, podem compensar isso, como a escolha da melhor época do plantio, cultivares adaptadas à realidade da fazenda, adubação e proteção.

O conhecimento desses fatores ajuda na tomada de decisões para uma colheita mais farta, assim sendo, o foco primário deve ser na qualificação desse profissional.

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Sucesso!

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