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Bovinos de corte em uma pastagem

Reforma de pastagem: as 5 principais etapas para uma realização bem feita

O Brasil possui aproximadamente 180 milhões de hectares de pastagens, que se não forem bem manejadas, se tornam o fator fundamental na restrição para o aumento dos índices produtivos na criação de gado.

Assim, se não há pasto de qualidade, não há condições de se ter uma pecuária com bons índices de ganho de peso, animais com o escore corporal adequado e nem mesmo lotação elevada.

Muitos pecuaristas almejam reformar a pastagem, contudo, o alto investimento e o tempo de inutilização da área, necessários no método tradicional, impossibilita muitos projetos.

Para que a reforma de pastagem seja eficiente é importante dividir em etapas o programa de estabelecimento da pastagem, como mostra o exemplo abaixo de um calendário de ações aplicadas.

Cronograma para estabelecimento da pastagemCalendário de estabelecimento de pastagens. Fonte: Adilson Aguiar.

Nesse artigo, vamos ressaltar os pontos mais importantes das etapas do programa acima, explicando o passo a passo para que você possa aplicar na sua fazenda. Porém, antes disso, vamos entender melhor como identificar pastagens degradadas.

 

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Como identificar pastagens degradadas?

A degradação da pastagem é um problema que se não for resolvido, aumenta com o passar do tempo, por isso identificá-la logo no início pode garantir melhores resultados na sua propriedade.

A presença de solo exposto, sem vegetação, somado a infestação por plantas daninhas, por exemplo, é um forte indício de um pasto degradado.

O processo de degradação se divide em duas causas principais: degradação agrícola e degradação biológica.

Na degradação agrícola, há um aumento expressivo de plantas daninhas, além disso, pode se observar uma competição entre a forragem e as plantas indesejáveis. Essa competição leva a redução da produção da forragem e assim reduz a eficiência do pasto.

Já na degradação biológica, a queda da produtividade forrageira está diretamente atrelada ao esgotamento da fertilidade natural do solo.

Além disso, é importante ressaltar que nem toda pastagem degradada é passível de ser recuperada, sendo assim é preciso classificar quanto ao grau de degradação para direcionar a tomada de decisão perante ao pasto.

A tabela a seguir, retirada da cartilha da Embrapa, demonstra os quatro níveis de degradação:

Níveis de degradação de pastagens

Fonte: EMBRAPA.

Caso existam grandes áreas de solo exposto ou com predominância de plantas daninhas, a recuperação da pastagem não é indicada.

Nessa situação o ideal é uma nova implantação (reforma), do pasto.

Etapas para uma reforma de pastagem eficiente

A recuperação das pastagens degradadas, quando possível, é uma prática viável técnica e economicamente, afinal recuperar uma pastagem é muito mais barato que estabelecê-la novamente.

Além disso, a recuperação é bastante interessante do ponto de vista ambiental, pois recuperar pastagens já existentes, evita desmatamentos para formar um novo pasto.

As primeiras etapas para recuperação da pastagem consistem em corrigir as deficiências do solo. Confira a seguir as etapas para recuperação do pasto:

1. Escolha da área a ser reformada e da forrageira

É muito importante checar qual relevo da área em questão para que se possa fazer um planejamento bem estruturado e mais eficiente. Assim, podemos avaliar se será necessária a utilização de máquinas de maior precisão ou mão de obra braçal.

A partir da escolha da área, é feita a escolha da forrageira, levando em conta onde será implantada (encosta leve, baixadas ou em morros). Além disso, devemos considerar a questão climática local (quantidade e distribuição de chuva e variação de temperatura ao longo do ano) e a fertilidade do solo.

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2. Análise do solo

O manejo de reforma de pastagem inicia pela análise de solo. Não existe outra forma de conhecer a real situação da fertilidade do solo sem uma correta amostragem e uma análise feita em um bom laboratório.

É importante salientar que caso a saturação de base esteja baixa, é necessário que a mesma seja elevada através da calagem, dando condições para que a gramínea se desenvolva através da disponibilidade dos nutrientes do solo.

Área rural dividida em glebasDivisão da área em glebas para amostragem de solos.

3. Recomendações agronômicas através da análise de solo

Calagem

Posteriormente à interpretação da análise do solo por um profissional da área, o engenheiro agrônomo, faz-se a recomendação da correção inicial, a relação Ca/Mg, que deve estar em torno de 3:1. Essa relação irá influenciar na escolha do tipo de calcário a ser usado.

Além disso, devemos prestar atenção para o teor de fósforo existente no solo, já que esse nutriente é de grande importância para um bom desenvolvimento das pastagens e que, infelizmente, é deficitário nos solos brasileiros.

Deve-se aplicar o calcário com frequência, haja vista a extração de nutrientes ao longo do desenvolvimento das forrageiras.

Se o recomendado for abaixo de 1000 kg/ha pode ser feita em uma única aplicação e se for maior que 3000 kg/ha é apropriado dividir em duas aplicações. Após a distribuição do calcário, é interessante a ajuda de uma grade para melhor incorporação ao solo. Lembre-se de realizar essa atividade antes do período chuvoso, assim como a gessagem.

Gessagem

A aplicação de gesso agrícola no solo tem como objetivo disponibilizar cálcio e enxofre e, também, reparar o ambiente em subsuperfície. O gesso pode ser utilizado como corretivo em solos salinos e sódicos. No entanto, por ser uma fonte mais solúvel do que o calcário, o gesso não promove a neutralização da acidez do solo.

Antes do cultivo é importante que haja a aplicação do gesso sempre em área total. A recomendação do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) indica as quantidades de gesso a serem aplicadas no solo de acordo com a análise do solo para os teores de Ca e Al. Também deve considerar, além do aumento na saturação em bases em camadas de subsuperfície, a capacidade de troca catiônica (CTC).

Por ter alta solubilidade no solo, o gesso abastece o cálcio, que pode ser lixiviado em profundidade, aprimorando a fertilidade e aumentando a exploração das raízes.

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4. Execução da reforma da pastagem

Aragem

A aração é um processo que visa revolver a terra, popularmente conhecido como tombamento. Nessa etapa, há uma inversão da camada superficial e a profunda do solo (em aproximadamente 30 cm). A superficial vai para baixo e a camada mais profunda para cima.

Como resultado deste processo, podem surgir muitos torrões, fragmentos grandes de solo agregado. Para não prejudicar o manejo (plantio e adubação), é importante realizar a gradagem.

Gradagem

Deve-se realizar a gradagem quantas vezes forem necessárias para descompactar o solo devidamente. Usualmente, de 2 a 3 gradagens são satisfatórias. É essencial terminar o preparo do solo com uma grade niveladora, a fim de um acabamento no preparo.

Escolha da semente e semeadura

É de grande importância termos cautela na compra da semente, pois é exatamente neste item que muitos pecuaristas acabam errando, considerando o melhor preço como fator principal na decisão da aquisição e não a semente mais pura.

O maior percentual de pureza indica melhor qualidade e maiores as chances de sucesso com o plantio, pois não haverá sementes de outras espécies sendo “plantadas” podendo comprometer a cobertura da gramínea e a presença de plantas invasoras

Embora pareça lógico que o produto tenha o mais próximo possível de 100% de sementes da gramínea que o produtor escolheu, infelizmente a fiscalização no Brasil é deficiente e a contaminação com outras sementes ainda é uma realidade.

Dessa forma, o pecuarista na ânsia de economizar acaba comprando um produto de pior qualidade e tendo mais gastos futuros com controle de invasoras, além das falhas de cobertura no solo. .

Para operacionalizar a semeadura, temos que considerar o clima e garantir que todos os passos anteriores foram bem feitos e no tempo correto, pois todos são muito importantes.

Caso a semeadura seja realizada após o prazo correto, pode-se não ter níveis satisfatórios de chuva para o estabelecimento correto da forrageira escolhida. Assim, perde-se quase todo o trabalho feito, pois para a semente germinar é necessário a presença de umidade no solo.

5. Manejo da pastagem

Após a formação e com o início da utilização da pastagem entra a parte mais importante que é o manejo, ou seja, manter a qualidade da pastagem. Ele requer que se conheça a altura correta para o cultivar implantado e o período necessário de descanso desta para a sua rebrota.

Lembre-se que o homem é o responsável em determinar o momento de retirar o gado da pastagem, e o treinamento da pessoa que cuida dessa decisão na fazenda é fundamental. O Cepea, em 2017, fez uma comparação dos custos, em reais, para a reforma e manutenção de pastagem por hectare. É possível observar o elevado custo de se reformar uma pastagem comparada com o custo da manutenção.

Custos para reforma e manutenção da pastagem

Assim, devemos levar em consideração que a reforma da pastagem deve ser feita quando não há alternativas de manejo para manter a produção animal em alta. Caso todos os passos apresentados acima sejam seguidos e caso a climatologia seja favorável, a reforma não será necessária.

Deve-se apenas monitorar o manejo, ajustando sempre a lotação animal dentro de cada área para que se tenha um pastejo ótimo e um ganho de peso por animal e por área equilibrado, conseguindo uma amplitude ótima de pastejo não tendo áreas grandes de superpastejo ou subpastejo, como mostra a figura abaixo.

Monitoramento do manejo da pastagem

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3 comentários

  • Gostei muito .Não tinha muita credibilidade na análise de solo .pois, achava desnecessário ,minha opinião mudou completamente,e deste que se inicia o plantio de boas sementes .

  • Qual o capim ideal pra um projeto de semi confinamento a pasto irrigado aqui em Sergipe, pra clima semiárido, temperatura média aual de 30graus e solo agiarenoso?