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Uso de subsoladores e escarificadores no sistema de plantio direto

Em sistemas de produção intensificados, um dos principais desafios é a manutenção da adequada estrutura e aeração do solo. 

Uma forma de suprir a demanda de oxigênio para as raízes é por meio de práticas de escarificação e subsolagem, ou seja, rompendo a estrutura física da camada do solo. Para recomendação dessa prática deve-se analisar o solo quanto à compactação.

Imagem 1. Penetrômetro

Compactação do solo

Em sistema de plantio direto (SPD), uma das principais causas da compactação dos solos é o tráfego de máquinas ocasionado pela redução das janelas de semeadura e intensificação do sistema de produção, seja em operações de semeadura, tratos culturais e colheita.

O problema aumenta quando as operações são realizadas em solos com condições de muita umidade e com pouca palha na superfície. 

O tráfego de máquinas pesadas pode promover a compactação superficial desses solos, sendo observados aumentos prejudiciais para as plantas, principalmente até 20 cm de profundidade.

subsoladores e escarificadores

Imagem 2. trator com escarificador e subsolador acoplados

Os solos argilosos são mais suscetíveis à compactação quando comparados a solos com textura arenosa. 

Solos compactados apresentam decréscimos de diversos fatores importantes, tais como:

  • Macroporosidade;
  • Disponibilidade de água; 
  • Absorção de nutrientes. 

O déficit desses fatores acaba gerando consequência, como a redução na difusão de gases no solo, o que acaba por limitar os processos metabólicos das plantas.

Manejo para solos compactados

Quando é identificada a compactação do solo, recomenda-se utilizar um sistema de manejo que possibilite romper a camada compactada. 

A escarificação proporciona redução da resistência do solo à penetração, com pouca mobilização do solo. 

Quando a camada compactada está em profundidades não atingidas pelos escarificadores, a subsolagem é recomendada para o rompimento dessa camada.

Escarificador para SPD

A utilização de escarificadores em SPD vêm sendo indicados para romper camadas compactadas até 0,20 m. Entretanto, a eficiência desta prática em solos sob SPD tem sido questionada.

Girardello e seus colaboradores (2014) avaliaram a eficiência de escarificadores e observaram uma diminuição nos valores de resistência à penetração (RP), comparado aos locais sem escarificação. 

Nas parcelas em que não realizou a escarificação, o valor da RP foi de 1,36 MPa , e de 1,75 MPa onde teve o tráfego de tratores, sem escarificação. 

Já na pesquisa de Bellé (et. al, 2014) relata que, em solos com a utilização de escarificador, há menor consumo de combustível, potência e tração do trator do que em locais sem uso de escarificador.

Subsolador para SPD

O uso de subsoladores vem sendo indicado para romper camadas compactadas em profundidades acima de 0,20 m. A utilização de subsoladores rompe as camadas compactadas até 0,30 m (Monteiro et. al, 2017).

A prática da subsolagem em solos sob SPD, pode ser uma operação com alto custo e com baixo rendimento operacional. Em solos onde foi realizada a subsolagem, não apresentaram diferença na produtividade de culturas, em comparação com solos manejados sem subsolagem, sob SPD (Raper et. al, 2005).

A subsolagem é uma prática que corrige e mobiliza o solo em subsuperfície, tendo como vantagem o não revolvimento do solo, sendo indicado para áreas sob SPD.

Vídeo 1. Subsolador e escarificador em funcionamento

Comparativo entre escarificador e subsolador

Seki e seus colaboradores (2015) avaliaram o efeito de escarificadores e subsoladores em solos sob SPD. Observaram que a utilização do escarificador proporcionou maior manutenção da cobertura vegetal do solo do que os subsoladores. 

No entanto, na pesquisa de Nunes (et. al, 2015) concluíram que a utilização de semeadoras adaptadas ao SPD, podem descompactar o solo até a profundidade de 0,17 m. 

Vários autores relatam que não foram apresentados incrementos na produtividade das culturas, após a prática da escarificação ou da subsolagem em solos compactados.

Em Latossolos e Argissolos oxídicos, sob SPD, a escarificação e subsolagem apresentam como operações desnecessárias, pois a longo prazo a qualidade física do solo pode ser melhorada com a prática de rotação e sucessão de culturas. 

Imagem 3. Rotação de culturas – Fonte: Instituto Agro

Girardello e seus colaboradores (2014), avaliando a eficiência de escarificadores, verificaram que a produtividade da soja em área escarificada foi de 3.669 kg.ha-1, sendo semelhante a área sem escarificação.

Práticas desejáveis para alta produtividade

Em pesquisa de 2014 (Andrade Júnior et. al) observaram que os sistemas de preparo de solo, cultivo mínimo com subsolagem e SPD, com espaçamento de plantio de 0,40 m proporcionam aumento na produtividade de milho.

Para proporcionar efeito duradouro das práticas de escarificação e subsolagem sob SPD, deve-se implantar gramíneas forrageiras após a prática da intervenção mecânica, permitindo que as raízes ocupem os espaços deixados pelas hastes dos equipamentos, a fim de que possam formar poros contínuos, melhorando a capacidade de suporte de carga do solo.

Imagem 4. Manejo de gramíneas forrageiras em ILP e SPD no Semiárido – Fonte: Embrapa

Apesar de trabalhos mais antigos terem mostrado pouco efeito no uso de escarificação e subsolagem na produtividade das culturas, atualmente, em muitos sistemas de cultivo, o tráfego de máquinas aumentou, devido à adoção de dois ou três cultivos por ano na mesma área. 

Além disso, os produtores têm utilizado máquinas com maior rendimento operacional e, portanto, mais pesadas, e devido ao maior número de entrada nas áreas para manejo de doenças, plantas daninhas e pragas, visando atingir maiores produtividades. 

Na soja, há situações em que o produtor tem feito de oito a dez pulverizações por ciclo da cultura. Dessa forma, novas avaliações devem ser realizadas para diferentes condições edafoclimáticas e regiões de produção do país.

Assim sendo, o uso de máquinas têm aumentado nas lavouras, até porque estão produzindo mais, buscando melhores qualidades e em menos tempo.

O quesito físico do solo é essencial tanto no desenvolvimento da cultura quanto na saúde desse solo, mas igualmente importantes são os fatores químicos e biológicos. 

Sobre isso, os bioindicadores podem ser verdadeiros aliados. Por isso eles têm ganhado cada vez mais espaço nas avaliações do solo. 

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Boa leitura!

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