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Uso de subsoladores e escarificadores no sistema de plantio direto

Em sistemas de produção intensificados, um dos principais desafios é a manutenção da adequada estrutura e aeração do solo. Uma forma de suprir a demanda de oxigênio para as raízes é por meio de práticas de escarificação e subsolagem, pelo rompimento da camada compactada. Para recomendação dessa prática devem ser avaliados os níveis de compactação do solo. 

Em SPD, uma das principais causas da compactação dos solos é o tráfego de máquinas ocasionado pela redução das janelas de semeadura e intensificação do sistema de produção, em operações de semeadura, tratos culturais e colheita. O problema aumenta quando as operações são realizadas em solos em condições de muita umidade e com pouca palha na superfície. O tráfego de máquinas pesadas pode promover a compactação superficial desses solos, sendo observados aumentos prejudiciais para as plantas, principalmente até 20 cm de profundidade. 

subsoladores e escarificadores

Os solos argilosos são mais suscetíveis à compactação quando comparados a solos com a textura arenosa. Em solos compactados, há decréscimo da macroporosidade, da disponibilidade de água e da absorção de nutrientes. Como consequência, há redução na difusão de gases no solo, limitando os processos metabólicos das plantas.

Quando é identificada a compactação do solo, recomenda-se utilizar um sistema de manejo que possibilite romper a camada compactada. A escarificação proporciona redução da resistência do solo à penetração, com pouca mobilização do solo. Quando a camada compactada está em profundidades não atingidas pelos escarificadores, a subsolagem é recomendada para o rompimento dessa camada.

subsoladores e escarificadores

A utilização de escarificadores em SPD vêm sendo indicados para romper camadas compactadas até 0,20 m. Entretanto, a eficiência desta prática em solos sob SPD tem sido questionada. Girardello et al. (2014) avaliaram a eficiência de escarificadores e observaram uma diminuição nos valores de RP, comparado aos locais sem escarificação. Nas parcelas em que não realizou a escarificação, o valor da RP foi de 1,36 MPa, e de 1,75 MPa onde teve o tráfego de tratores, sem escarificação. Bellé et al. (2014) relatam que, em solos com a utilização de escarificador, há menor consumo de combustível, potência e tração do trator do que em locais sem uso de escarificador.

O uso de subsoladores vem sendo indicado para romper camadas compactadas em profundidades acima de 0,20 m. Monteiro et al. (2017) relatam que, com a utilização de subsoladores, há o rompimento das camadas compactadas até 0,30 m. A subsolagem é uma prática que corrige e mobiliza o solo em subsuperfície tendo como vantagem o não revolvimento do solo, sendo indicado para áreas sob SPD.

Seki et al. (2015) avaliaram o efeito de escarificadores e subsoladores em solos sob SPD. Observaram que a utilização do escarificador proporcionou maior manutenção da cobertura vegetal do solo do que os subsoladores. No entanto, Nunes et al. (2015) concluíram que a utilização de semeadoras adaptadas ao SPD, podem descompactar o solo até a profundidade de 0,17 m. 

A prática da subsolagem em solos sob SPD, pode ser uma operação com alto custo e com baixo rendimento operacional. Raper et al. (2005) observaram que solos onde foi realizada a subsolagem, não apresentam diferença na produtividade de culturas, em comparação com solos manejados sem subsolagem, sob SPD.

Vários autores relatam que não foram apresentados incrementos na produtividade das culturas, após a prática da escarificação ou da subsolagem em solos compactados. Em Latossolos e Argissolos oxídicos, sob SPD, a escarificação e subsolagem apresentam como operações desnecessárias, pois em longo prazo, a qualidade física do solo pode ser melhorada com a prática de rotação e sucessão de culturas. Girardello et al. (2014), avaliando a eficiência de escarificadores verificaram que a produtividade da soja em área escarificada foi de 3.669 kg.ha-1, sendo semelhante a área sem escarificação. Andrade Junior et al. (2014) observaram que os sistemas de preparo de solo, cultivo mínimo com subsolagem e SPD, com espaçamento de plantio de 0,40 m proporcionam aumento na produtividade de milho.

Para proporcionar efeito duradouro das práticas de escarificação e subsolagem sob SPD, deve-se implantar gramíneas forrageiras após a prática da intervenção mecânica, permitindo que as raízes ocupem os espaços deixados pelas hastes dos equipamentos, a fim de que possam formar poros contínuos, melhorando a capacidade de suporte de carga do solo.

Apesar de trabalhos mais antigos terem mostrado pouco efeito no uso de escarificação e subsolagem na produtividade das culturas, atualmente, em muitos sistemas de cultivo, o tráfego de máquinas aumentou, devido a adoção de dois ou três cultivos por ano na mesma área. Além disso, os produtores têm utilizado máquinas com maior rendimento operacional e, portanto, mais pesadas, e devido ao maior número de entrada nas áreas para manejo de doenças, plantas daninhas e pragas, visando atingir maiores produtividades. Na soja, há situações em que o produtor tem feito de oito a dez pulverizações por ciclo da cultura. Dessa forma, novas avaliações devem ser realizadas para diferentes condições edafoclimáticas e regiões de produção do país.

Referências Bibliográficas

  • ADAMS, F.; RAWAYFIH, Z. Basalumite and alumite: a possible cause of sulfate retention by acid soils. Soil Science Society of America Journal, Madison, v. 41, n. 4, p. 686-692, 1977.
  • ALLEONI, L.R.F. et al. Liming and eletrochemical attributes of an oxisol under no tillage. Scientia Agricola, [s,l.], v. 60, n. 1, p. 119-123, jan./mar. 2003.
  • AMARAL, A.S.; ANGHINONI, I.; DESCHAMPS, F.C. Resíduos de plantas de cobertura e mobilidade dos produtos da dissolução do calcário aplicado na superfície do solo. Revista Brasileira de Ciência do Solo, v. 28, p. 115-123, 2004.

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