A tripanossomose bovina é uma doença parasitária que pode comprometer a saúde e o desempenho produtivo dos animais, causando prejuízos importantes para a pecuária.
No Brasil, a enfermidade está relacionada principalmente ao protozoário Trypanosoma vivax, que pode ser transmitido entre os bovinos por insetos hematófagos e também por práticas de manejo que favorecem o contato com sangue contaminado.
Animais infectados podem apresentar sinais como anemia, febre, perda de peso, queda na produção de leite e alterações reprodutivas. Entretanto, a manifestação da doença pode variar, dificultando sua identificação apenas pela observação dos sinais clínicos.
Neste artigo, você entenderá o que é a tripanossomose bovina, como ocorre a transmissão, quais são os principais sintomas e quais medidas ajudam no diagnóstico, tratamento, prevenção e controle da doença.
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Tripanossomose bovina nas Américas
A primeira ocorrência do T.vivax nas Américas foi na Guiana Francesa e, mais tarde, em outros países da América do Sul, Central e em algumas ilhas do Caribe. O primeiro relato na Venezuela foi em 1920 e em 1931 na Colômbia.
Na época, importavam-se muitos animais da Venezuela para a Colômbia, então, acredita-se que essa doença tenha sido disseminada por meio da importação de gado.
No Brasil a tripanossomose bovina é considerada nova, mas não é tão recente assim, e já existe há muitos anos no norte do país. Lá, o estágio é de endemia e os transmissores são as moscas tabanídeos, que se adaptam a períodos chuvosos e são de difícil controle.
Tripanossomose bovina no sudeste do Brasil
No sudeste o problema é a Stomoxys calcitrans, que se prolifera em ambientes úmidos e que têm matéria orgânica. Na região norte, o parasita se instalou e os animais já adquiriram resistência à doença – é uma situação crônica.
Agora, em São Paulo e no Rio de Janeiro, a tripanossomose chegou de surpresa por algum motivo, como pelo transporte de animais, e causou um estrago. Não existe programa de vacinação, mas é como se o gado do norte/nordeste fosse imunizado e o do sudeste não.
Em 2007 tivemos o primeiro caso de tripanossomose bovina em Minas Gerais e o contágio na região nada tem a ver com as moscas hematófagas. O que mais temos visto é a doença ocorrer em animais na ordenha, principalmente devido ao uso da ocitocina.
Ao aplicar o hormônio na veia mamária da vaca, suga-se o sangue contaminado e transfere-se o parasita aos outros animais devido ao uso repetido da agulha infectada.
Em todas as fazendas que chegamos, que apresentam mortes e baixa produtividade por causa da doença, o problema está na ordenha. Geralmente, no estado, a T.vivax acomete animais livres da parasitose e que ainda não têm defesas para combatê-la.
Já em São Paulo, existe outra situação: os animais são atacados pelas moscas; então vemos bezerros, garrotes, vacas e bois reprodutores, todos infectados.
As usinas de cana-de-açúcar dão origem ao vinhoto, que é utilizado nas lavouras no processo de fertirrigação.
Essa matéria orgânica é rica em nutrientes e favorece a reprodução das moscas. Por isso, como existem várias usinas no estado, a população de Stomoxys na região é altíssima.
Sinais clínicos da tripanossomose
Quando ocorre surto de Trypanosoma vivax numa fazenda, a produtividade é reduzida em torno de 50% a 60%. O parasita se instala no sangue, causando anemia e mucosas pálidas.
Em determinado momento do ciclo, ele se aloja nos linfonodos, provocando inchaço no local e hipertermia. Outros sintomas também são o emagrecimento e a cegueira, porque o parasita pode se hospedar na câmara anterior do olho.
Observamos o seguinte: após cerca de dois meses da entrada de um animal infectado na fazenda, o surto é iniciado. Neste momento, a produção de leite é reduzida em 40 – 60% e 5% dos que ficam doentes, morrem – o que representa cerca de 4 a 6 animais por fazenda; o tempo de vida após a infecção é de 15 a 21 dias.
Quando a parasitose é transmitida no momento da aplicação da ocitocina, a quantidade de sangue infectado que é repassado aos outros animais e a imunidade de cada um, impacta no desenvolvimento da doença. Se o animal é forte, bem alimentado, ele é mais resistente e demora a adoecer.
Vários trabalhos mostram que a tripanossomose quando ataca os machos causa uma inflamação nos testículos e epidídimos chamada orquite epididimite, ocasionando diminuição da fertilidade e deixando a qualidade do sêmen comprometida.
A tripanossomose é uma doença muito inespecífica, não existe um sinal clínico que facilite a sua identificação. Um dos sintomas, como o aborto, por exemplo, é provocado por várias doenças como brucelose, leptospirose, neosporose, tristeza parasitária bovina, entre outras.
A tripanossomose é uma doença de rebanho aberto, de propriedades que compram e vendem gado. Em rebanhos fechados, geralmente, não há problema algum, porque não existe o risco de contágio por um animal externo infectado no momento da aplicação da ocitocina, por exemplo.
Animal com sinais clínicos de tripanossomose
A doença acomete humanos e outros animais?
Outros animais, como cães, cavalos e até mesmo nós, humanos, podemos contrair outros tipos de tripanossomose, que nada têm a ver com a que atinge os bovinos.
Os equinos podem ser infectados pelo Trypanosoma evansi, já os cães e humanos, pelo Trypanosoma cruzi, a famosa doença de chagas.
Tratamento da tripanossomose bovina
A doença tem tratamento, mas é preciso cuidado com o medicamento, dose e via a ser utilizada. Dependendo da forma como a parasitose é combatida, os animais podem adquirir resistência. Neste caso, após um ou dois meses da primeira infecção, o contágio volta a ocorrer, atingindo todo o rebanho.
Dessa forma, por erro de tratamento, a doença retorna e causa os mesmos transtornos, baixa de produtividade e mortes, como se nunca tivesse ocorrido na fazenda em questão.
O melhor tratamento é feito à base de “cloreto de isometamidium”. O medicamento deve ser aplicado na medida correta – 1mg/kg. Muitas pessoas, para fazer economia, utilizam meio miligrama por quilo, ou seja: a metade da dose.
Muitos dizem que o tratamento não funciona, mas não é bem assim. A eficácia perdura por um período aproximado de 3 meses – tempo necessário para o produtor controlar a infecção. Se o problema não é resolvido em sua essência, com a regulagem da ocitocina ou o controle das moscas, os surtos continuarão ocorrendo.
Quais erros podem ser evitados?
- Compra de gado sem procedência.
- Má aplicação de ocitocina.
- Falta de controle de vetores.
- Diagnóstico intuitivo. O diagnóstico do Trypanosoma vivax deve ser feito por um veterinário, pois a doença possui diversos sinais clínicos e é de difícil identificação.
O caminho para se prevenir a tripanossomose nas fazendas é o cuidado com a compra de gado e esse é um desafio.
Mas, é possível driblar a doença e impedir que o rebanho seja contaminado no momento da ordenha, durante a aplicação da ocitocina. Utilizamos a estratégia de ter uma seringa para cada animal.
Dividimos as agulhas em dois potes – em um deles colocamos as agulhas limpas e no outro as que já foram utilizadas. Dessa forma, é impossível a contaminação. Logo depois de aplicar a ocitocina em todas as vacas, lavamos as seringas com água e sabão e pronto, podemos utilizá-las novamente.
Outra possível alternativa é a eliminação do uso de ocitocina. Vacas holandesas, Jersey, animais mais puros, produzem leite sem a necessidade de um bezerro ou da ocitocina como estímulo. Já os animais mestiços, que precisam da estimulação externa, é possível treiná-los desde o nascimento.
Perguntas frequentes sobre tripanossomose bovina
O que é tripanossomose bovina?
É uma doença parasitária causada por protozoários do gênero Trypanosoma, que pode comprometer a saúde e o desempenho dos bovinos.
Como a tripanossomose é transmitida?
A transmissão pode ocorrer por insetos hematófagos e pelo contato com sangue contaminado por meio de agulhas, seringas e equipamentos.
Quais são os sintomas da tripanossomose bovina?
Febre, anemia, perda de peso, fraqueza e queda na produção estão entre os principais sinais.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico considera o histórico do rebanho, os sinais clínicos e exames laboratoriais específicos.
A tripanossomose bovina tem tratamento?
Existem estratégias de tratamento, que devem ser definidas pelo médico-veterinário conforme a situação dos animais e do rebanho.
Como prevenir a tripanossomose?
Práticas de biossegurança, uso adequado de agulhas e equipamentos, controle das formas de transmissão e monitoramento sanitário ajudam na prevenção.
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Quer dizer que é só lavar as seringas utilizadas, com água e sabão e estão prontas para o reuso?
nao, é necessario lava as ceringas com agua sanitaria