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Saiba a melhor forma de atuar contra a tristeza parasitária bovina

Saiba a melhor forma de atuar contra a tristeza parasitária bovina
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A tristeza parasitária bovina (TPB) é formada por um complexo de doenças hemolíticas que possuem agentes etiológicos diferentes, porém com sinais clínicos parecidos. Dentre elas estão a Anaplasmose, que é uma doença causada por uma bactéria da ordem das Riquétsias e da espécie Anaplasma spp., cuja principal representante, a A. marginale. Juntamente com a babesiose, causada por protozoários Babesia bovis e B. bigemina, é responsável por prejuízos significativos na pecuária mundial.

  • Anaplasmose: é causada por uma bactéria intraeritrocitária obrigatória, da ordem Rickettsiales. A transmissão é feita por carrapatos, por moscas e mosquitos hematófagos, material cirúrgico ou agulhas contaminadas. Também há relatos da transmissão via intrauterina e transplacentária.
  • A Babesiose é causada por B. bovis e B. bigemina. As fêmeas do carrapato fixadas na epiderme dos bovinos se ingurgitam de sangue, ingerindo com ele o parasito. Após completar o ciclo de vida parasitária, o carrapato abandona o hospedeiro e inicia a ovoposição no solo das pastagens, transmitindo à sua descendência os parasitos babesídeos com os quais se infectou. A reconhecida transmissão efetiva do B. bovis se dará, portanto, pelas formas larvares do carrapato originada de teleóginas infectadas, e a B. bigemina, por ter um ciclo mais longo, será transmitida a partir do estágio de ninfa, até parte do estágio adulto do carrapato.

A média de idade de início da primeira doença de tristeza parasitária no Brasil em bezerras em aleitamento varia de 14 a 43 dias de idade. Para babesia a maior taxa de infecção ocorre nos animais entre seis a doze meses de idade, sendo incomum a ocorrência de infecção nos animais com mais de cinco anos de idade. O clima tropical e subtropical é favorável a disseminação dos principais vetores do complexo da tristeza parasitária bovina.

Em regiões que há flutuações periódicas na população de vetores devido a condições climáticas, juntamente com estratégias inadequadas de controle contra ectoparasitas, os animais infectados apresentam uma sintomatologia clínica aguda. Essa situação é chamada de instabilidade enzoótica. A outra situação ocorre nas áreas endêmicas, onde a população de vetores está presente durante o ano todo. Nestas regiões, os animais apresentam maior resistência à infecção, pois desenvolvem imunidade nos primeiros meses de vida, ao serem infectados quando ainda estão protegidos pelos anticorpos colostrais. Esta situação caracteriza áreas de estabilidade enzoótica, onde não são esperados surtos, nem altas taxas de mortalidade.

Outros fatores são predisponentes para o desenvolvimento do complexo da tristeza parasitária bovina, como falhas na transmissão da imunidade passiva, fornecendo maior resistência a doença pelo animal, doenças concorrentes fragilizando ainda mais o sistema imune do animal, instalações em condições sanitárias precárias, alta densidade animal com diferentes faixas etárias, fornecimento de alimento de má qualidade e de forma irregular.

A patogenia da Babesia nos bovinos está ligada à espécie, sendo B. bovis mais patogênica que a B. bigemina, cepa, taxa de inoculação, idade do animal, fatores de estresse e raça. A babesiose tem um período de incubação de sete a vinte dias. Quando um animal se torna infectado, ocorre uma multiplicação dos protozoários nas hemácias dos vasos periféricos (B. bigemina), ou nas hemácias dos vasos viscerais (B. bovis), levando-as à destruição. Quando a multiplicação do protozoário alcança seu pico, ocorre o desenvolvimento de uma hemólise levando a sinais clinicamente detectáveis. O período de incubação é de uma a três semanas nas infecções naturais.

Os mecanismos da patogenia da A. marginale provocam alterações na membrana celular das hemácias parasitadas. Essas alterações induzem à produção de anticorpos contra estas células e também contra os hemácias não parasitadas, que são retiradas da corrente sanguínea pelas células do sistema de defesa do animal chamado sistema monocítico fagocitário (SMF). O período de incubação da A.marginale é variável de duas a quatro semanas ou mais, pois depende da sensibilidade do hospedeiro e da quantidade de parasitas no sangue. Se houver inoculação com sangue contaminado o período pode ser de uma ou duas semanas a cinco semanas.

Quais são os sinais clínicos?

Os sinais clínicos da babesiose são:

  • Temperatura elevada, acima de 39,5ºC;
  • Mucosas pálidas, hemoglobinúria, icterícia, anorexia, fraqueza e apatia;
  • Mucosas conjuntivas e vulvar ficam extremamente pálidas, há aumento na frequência respiratória e cardíaca.
  • Animais que são infectados com B. bigemina podem apresentar babesiose cerebral, que se manifesta por sinais neurológicos de incoordenação, paralisia posterior e convulsões.

Nos sinais da Anaplasmose também há aumento da temperatura corporal. O animal fica fraco, desidratado, deprimido, com micção frequente, urina amarelo escura e apático e muitas vezes não se alimenta. Os animais anêmicos apresentam uma dispneia grave. As mucosas na fase inicial apresentam-se pálidas e se tornam ictéricas após a fase aguda da doença.

O diagnóstico do complexo da tristeza parasitária bovina se baseia no histórico do animal, se veio de áreas de instabilidade enzoótica, e idade. O aumento da temperatura se mostra um dos mais importantes meios de diagnóstico precoce da infecção e trabalhos apontam que está acompanhada do aumento da parasitemia dos agentes causadores da TPB. Já a palidez das mucosas ocular, vulvar, gengivais é outro meio que se mostra perceptível, porém após o pico da parasitemia. Ou seja, o ponto mais baixo do hematócrito é após o pico da parasitemia, sendo percebida tardiamente. Icterícia, depressão e anorexia também fazem parte dos sintomas para o diagnóstico da doença.

tristeza parasitáriaSinais Clínicos da doença

Controle e prevenção da tristeza parasitária bovina

Os pontos importantes para reduzir os casos da TPB estão na prevenção e na eficiente transmissão da imunidade passiva para o bezerro através do colostro, além da manutenção de ambiente limpo e capaz de fornecer ao animal a maior possibilidade de expressar seu potencial produtivo. O controle eficaz de carrapatos é importante para evitar a infestação dos animais e diminuir a transmissão das doenças. É necessário fazer um programa adequado de vacinação dos animais do rebanho, fornecer dieta com qualidade e regularidade, detectar de forma precoce a doença e fazer o tratamento eficaz.

O tratamento para Babesiose pode ser feito com Imidocarb (1 a 2 mg/Kg peso vivo – pv) ou Diaceturato de diminazene  (3 a 5 mg/ Kg pv). Já o de Anaplasmose pode ser feito através do Imidocarb (3mg/Kg pv) ou Tetraciclinas (8 a 11 mg/Kg pv) ou Tetraciclinas de ação prolongada (LA) (20 a 30 mg/ Kg pv). A hidratação do animal se mostra muito importante para o retorno ao equilíbrio hidro-eletrolítico desse animal em qualquer dessas enfermidades.

Conclusão

Devemos ter foco em basicamente três pilares determinantes para a ocorrência da doença: ambiente, onde se busca diminuir o desafio térmico e o estresse para permitir ao animal expressar sua máxima capacidade produtiva; hospedeiro, aumentando a imunidade do animal, através da colostragem ideal do bezerro e atuando também com foco no diagnóstico precoce da doença, quer seja a própria TPB ou concorrentes; agente, atuando no controle populacional de carrapatos através de bons manejos com carrapaticidas, assim como tratamento eficiente da doença. Sobre esses pilares a palavra chave é prevenção, sendo a forma mais eficiente e de baixo custo na atuação sobre a tristeza.

Referências

BLOOD, D.C.; RADOSTITS, O.M. Clínica Veterinária. 7ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1991. 1263p.

COELHO, L. C. T. Anaplasmose bovina: parâmetros clínicos e de patologia clínica em bezerros infectados experimentalmente. Escola de Veterinária. 2007. 65 p. Dissertação (mestrado) – Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.

MARQUES, D.C. Criação de bovinos. 7º ed. Belo Horizonte:Ed.Consultoria Veterinária e Publicações, 2003. 586p.

RIBEIRO, M.F.B.; REIS, R. Prevalência de anaplasmose em quatro regiões do estado de Minas Gerais. Arq. Esc. Vet. UFMG. v.33, n.1, p.57-62, 1981a.

SILPER, B. F.; COELHO, S. G.; LANA, A. M. Q.; FRANZONI, A. P. S.; CAMPOS, E. F. Ocorrências de doenças na fase de aleitamento em rebanho bovino leiteiro e seus efeitos em ganho de peso, idade ao primeiro parto e produção de leite na primeira lactação. 2009. (Apresentação de Trabalho/Outra).

SOUZA, J.P.C.; SOARES C.O.; MASSARD C.L. et al. Soroprevalência de Anaplasma marginale em bovinos na mesorregião Norte Fluminense Pesq. Vet. Bras. v.20, n.3, p.97-101, 2000.

2 comentários

  • bom dia, eu tive um problema com tristeza parasitaria em um lote de 16 bezerras, dessas 3 morreram com a doença, mas consegui controlar a infestação porem as bezerras atrasaram muito seu desenvolvimentos, estou procurando a melhor maneira para a retomada de desenvolvimento e crescimento deste lote mas nao estou encontrando o referido artigo.
    gostaria de um concelho sobre o que fazer para que as bezerras tivessem um ganho e uma recuperação rapida
    obrigado