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Tipos de moinho para moagem de grãos

Os tipos de grãos mais utilizados na nutrição de bovinos são: milho, sorgo, trigo e cevada. Sua aplicabilidade depende da região do país e custos desse insumo. Dentre desse o de uso mais comum no Brasil é o milho. 

O milho é um alimento muito utilizado no Brasil por se tratar de uma fonte energética e com custo mais competitivo. Entretanto, o cenário pode mudar dependendo do local, condições climáticas e época do ano. 

Independente do grão que se opte para uso na alimentação animal, o processamento tem o mesmo objetivo que é alterar as características físicas e/ou químicas do grão para que haja alteração na taxa de digestão, melhora na qualidade de mistura e, por sua vez, melhor desempenho animal.  

Esse processamento pode ser através da alteração no tamanho de partícula, aumento na área de superfície, exposição do amido pela quebra de barreiras físicas, aumento da umidade e gelatinização do amido.  

Dentre os tipos de processamento, os mais comuns são: moído, laminado, floculado, ensilado, rehidratado e ensilado.  

Nesse texto vamos abordar a moagem, que é o tipo de processamento mais comumente utilizado no Brasil. 

A moagem é de custo relativamente baixo comparando-se com outras maneiras de processamento. Seu objetivo é a redução de tamanho do grão através da aplicação de forças mecânicas, sendo o grão reduzido em vários fragmentos menores. Com a redução do tamanho da partícula e aumento da uniformidade dos pedaços, obtém-se uma maior superfície de contato do ingrediente, melhorando a degradabilidade ruminal e, facilitando ainda, misturas em processamentos de formulação das rações.

Para moagem é necessário a utilização do moinho, que é o responsável pelo processo de redução das partículas dos grãos. Existem diversos tipos de moinho, todos com a mesma finalidade, entretanto, algumas diferenças no produto final e no método de ação.

Antes do detalhamento dos tipos de moinhos mais comumente utilizados nos processos relacionados à pecuária, algumas ressalvas devem ser destacadas. Para uma boa qualidade do produto final da moagem, não é suficiente ter apenas um bom moinho ou uma excelente operação de moagem, a qualidade da matéria prima é determinante para a qualidade e produtividade do produto final, seja ele, farelo, quirela, canjica e etc. 

Os grãos moídos “finos”, matérias estranhas e impurezas que prejudicam a qualidade do moído devem ser evitados durante o processo como um todo, como exemplo de fatores que levam a produção de “finos” temos: genética do grão, tipo do grão (duro, semi-duro, mole), formato do grão, danos provocados pela colheitadeira, temperatura de secagem do grão e transporte do grão. Outro fator extremamente importante para um insumo de qualidade é a questão sanitária da fábrica e locais de armazenagem, onde devemos evitar e minimizar ao máximo as causas e as fontes de fungos, ácaros, insetos, tóxicos e demais contaminações.

Os moinhos mais utilizados na produção agrícola nacional, são os moinhos de rolo e os de martelo, a correta escolha do moinho é de extrema importância para o sucesso, não apenas da atividade moagem em si, mas também no processo como um todo. É indispensável a observação de algumas características do moinho antes da aquisição do mesmo, além de fatores como qualidade e preço do equipamento, que são inerentes a qualquer mercadoria adquirida, em relação a moinhos devemos atentar a alguns aspectos em específico. 

Para determinar o desempenho do moinho, devemos avaliar a Taxa de moagem (TX) que é obtida através da relação entre tempo gasto na moagem e quantidade de milho em kg utilizado e o consumo de energia elétrica que é calculado de acordo com a potência do motor. 

O dimensionamento do moinho deve ser muito bem avaliado de acordo com as características produtivas e capacidade de sua fábrica, onde um moinho subdimensionado com capacidade inferior às necessidades e demandas do empreendimento, vai impreterivelmente atrasar todo o processo de produção da ração, numa reação em cadeia todo a parte de produção, distribuição e fornecimento do trato dos animais será comprometido, levando a uma diminuição da produtividade acarretando em baixos índices de lucratividade. Por outro lado, um moinho superdimensionado, ou seja, com capacidade de produção superior ao exigido pelas demandas da atividade, acarretará em desperdício, tanto para com o investimento, quanto para manter os custos de energia de um equipamento subutilizado, lembramos ainda em relação à gastos com energia que quanto mais fino for a moagem, maior será o gasto com energia elétrica. 

Agora que conhecemos os principais fatores inerentes a moagem de milho, devemos conhecer as características dos diversos tipos de moinhos encontrados no mercado.

Moinho de rolo

Utilizando da força de compressão dois ou mais cilindros giram em direção contrária, com velocidades diferentes, onde o milho ao passar pelos cilindros recebe uma força de compressão, existem ainda moinhos de rolo onde se tem apenas um rolo que comprime o material moído contra a parede do moinho. 

O resultado final é uma moagem resultando um produto mais uniforme. É extremamente usual nas atividades ligadas à pecuária. Encontra-se moinhos de rolo de diversos tamanho e capacidades, desde pequenos moinhos caseiros para grãos, café, malte e outros, até grandes moinhos para industriais de mineração. O moinho de rolo permite uma moagem mais fina, grande parte entre 1,25 a 2 mm, aumentando a degradabilidade do grão, em contra partida exige maiores cuidados com manejo da dieta, e distúrbios metabólicos.

moinho para moagem

Fonte: Aula Professor Rafael Cervieri, Pós Corte Online.

Moinhos de Martelos

Tendo com o impacto a força responsável para a quebra do grão é utilizado para produção de produtos de tamanhos entre intermediário e grandes (o tamanho das partículas pode variar entre moinhos mesmo comparando peneiras semelhantes, em virtude de potência, amperagem, desgaste dos martelos).

moinho para moagem

Fonte: Aula Professor Rafael Cervieri, Pós Corte Online.

Entretanto, com mais tempo de moagem e dependendo do material a ser moído pode também fornecer um produto mais fino inclusive do que o obtido no moinho de rolo, a granulometria do produto obtido é diretamente dependente de alguns fatores como a potência do motor, o número de martelos, o tamanho dos martelos, a distância entre o martelo e a parede do cilindro e ainda a área de abertura da peneira na saída do moinho. O moinho de martelo, o mais utilizado no Brasil, funciona com uma alta rotação de “martelos” acoplados a uma peça giratória, que quando em alta velocidade atinge o grão causando a quebra deste.

moinho para moagem

Fonte: Aula Professor Rafael Cervieri, Pós Corte Online.

Moinho de disco

Fornece ao final da moagem um produto de granulação fina, dependendo do tipo de produto pode ser de disco simples ou disco duplo. É composto por um ou dois discos giratórios e um disco fixo, os discos giratórios comprimem o alimento a ser moído no disco fixo, são extremamente utilizados para alimentos fibrosos.

Trituradores de mandíbulas

O produto a ser moído, vai passando por duas grandes e resistentes mandíbulas, quando vão passando, e a medida que as mandíbulas vão se estreitando o produto vai sendo moído, não é muito usual para moagem do milho.

Moinhos de bolas

O moinho de bolas é basicamente um cilindro regular contendo várias bolas, de material pesado e resistente, onde a força e o impacto das bolas no material a ser moído será responsável pelo processo. Esse moinho é utilizado para um produto final com baixa granulometria, mais utilizado para moer polpa de cacau, amêndoas, castanhas e amendoins e menos usual na pecuária.

A escolha do moinho deve ser realizada de acordo com as demandas e necessidades de cada propriedade, observando o objetivo da moagem e principalmente, as características que cada moinho implicará no milho e consequentemente na dieta dos animais.

Imagem de capa – (Link)

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