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sequestro da recria

“Sequestro” da recria, o que ganhamos com essa ferramenta tão atual?

 

 

 

O sistema de produção de gado a pasto é desafiador, pois a sazonalidade na produção de forragem representa um grande gargalo na produção. Não temos, nos meses de estiagem, pastagens em volume e qualidade suficientes para proporcionar aos animais ótimas condições para expressar seu potencial genético. Os ganhos nessa fase são irrisórios ou muitas vezes inexistentes quando não há nenhum tipo de planejamento quanto ao uso de tecnologias para contornar esses desafios.

O fato supracitado imprime uma segunda dificuldade aos produtores: o custo. Um importante fator impactante na rentabilidade do negócio é o custo operacional, ou seja, o custo ligado a operação do sistema. Quanto maior o período de dias em que os animais ficam na propriedade, maior será o custo operacional por cabeça. Diferentemente, os custos ligados a nutrição onde, em tese, quanto maior o investimento maior ganhos e melhores resultados.

sequestro da recria

Os custos ligados ao operacional não significam melhores ganhos. Minimizar esses custos é fundamental para um bom retorno financeiro econômico da atividade. Um animal que passa por todo um período das secas, sem ganhar peso, por exemplo, continua acumulando custo operacional sem produzir. Isso encarece muito o custo da @ produzida ao final processo produtivo.

Pensando nesses dois fatos importantes, sazonalidade na produção de forragem e diluição dos custos operacionais, algumas estratégias podem ser utilizadas dentro da propriedade com intuito de acelerar o processo de ganho dos animais. Essas estratégias podem ser utilizadas independente da fase de vida do animal, cria, recria ou engorda. Entretanto, uma estratégia vem chamando atenção: várias propriedades estão lançando mão do chamado “sequestro da recria”, “confinamento da recria” ou “resgate”. Elas também são alternativas de nomes à serem utilizados para classificar o processo de tratar os animais da recria no período das seca, no cocho. As estratégias fornecem toda a dieta desses animais por um período de tempo determinado. A estrutura utilizada pode ser de confinamento ou então selecionado uma área da fazenda. O planejamento para que se tenha espaçamento de cocho adequado, insumos e logística para todo o período de resgate é fundamental para o sucesso da operação.

Como forma de exercício pensamos em uma propriedade de ciclo completo, onde os bezerros são desmamados no mês de maio. Esses bezerros serão apartados da mãe e deixarão de ter o fornecimento do leite em um período do ano altamente desafiador. O momento de grande estresse pela desmama dos animais é sequenciado pelo momento que eles passam a depender exclusivamente de forragem em uma época de baixa oferta e qualidade. Esse período (primeira seca dos animais), é um momento de grande desafio por parte dos produtores, uma vez que os animais estão em uma fase muito importante da vida. Um erro no manejo dessa categoria, pode proporcionar o fracasso de todo o sistema produtivo.

Além do desafio dos animais propriamente dito, um outro fator deve ser levado em consideração quando pensamos na estratégia de sequestro da recria: o “descanso” das áreas de pasto, no momento de escassez de chuva. A produção de forragem nessa época do ano é limitada. Manter altas taxas de lotação nesse período é um risco, pois os animais procuram as rebrotas desse capim devido ao maior valor nutritivo. Isso pode comprometer o desempenho das pastagens por um bom tempo, proporcionando aparecimento de invasoras e iniciando um processo de degradação. Não significa que utilizar os pastos no período da seca seja um erro, pelo contrário, existem excelentes estratégias para utilização dos pastos durante essa época do ano. Entretanto, o sequestro da recria pode ser uma grande alternativa para poupar e recuperar as pastagens, mantendo os animais na propriedade e principalmente, com bom desempenho produtivo.

sequestro da recria

O tempo de resgate desses animais é variável, e depende muito do objetivo do produtor. Alguns  pecuaristas trabalham com período de tempo mais curto, 60 a 90 dias de sequestro, a fim de favorecer a rebrota dos pastos. Já outros produtores trabalham com confinamento da recria em um período maior de dias. Nesse último cenário, além dos ganhos com as pastagens, aceleram ainda mais o processo produtivo pela redução considerável do tempo da recria. Esses trabalham com até 150 dias de cocho da recria.

Colocar os animais no cocho para receberem a dieta no período das secas é de grande valia para as pastagens como dito anteriormente. Para os animais, essa ferramenta também é extremamente eficiente. Animais oriundos de uma cria intensiva, com creep, bons pastos, filhos de matrizes com boa habilidade materna, entram nesse sistema logo após a desmama com 7 a 8 @ e mantem a crescente no seu desenvolvimento.

Um detalhe importante e que deve ser levado em consideração, é exatamente o quando podemos permitir que esses animais ganhem de peso durante o sequestro da recria, principalmente em resgates mais longos. Não é recomendado que os animais ganhem mais de 600, 700 gramas por dia. O custo da produção da @ nesse período até se justifica para um recriador, mas para pecuaristas que desejam dar sequencia no processo produtivo desses animais no período das águas, esse custo pode ficar muito elevado. Outro adendo importante é a exigência desses animais no “pós-sequestro”. Animais oriundos de uma cria bem-feita, que passam pelo resgate, são animais que requerem uma continuidade no processo de desenvolvimento. Sendo assim, é esperado que no período sequente das águas esses animais sejam devidamente suplementados para manterem o desempenho.

O resgate de animais após a desmama é uma ferramenta muito eficiente. Ela requer infraestrutura, logística e investimentos, mas quando bem executada, proporciona grandes benefícios aos produtores.

Já sabe como planejar a próxima estação de seca?

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