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Qualidade do leite: como a genética influi sobre ela?

O leite é um dos mais completos alimentos disponíveis. Seu baixo custo relativo para a população faz dele um componente indispensável da dieta. O leite contém nutrientes essenciais e sua riqueza em proteínas, vitaminas, gorduras e minerais tornam-no um alimento indispensável. A qualidade do leite está diretamente ligada em sua composição.

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Tabela 1 – Composição média do leite

O principal grupo de proteínas do leite são as caseínas. Estas proteínas contêm uma composição de aminoácidos de grande importância para o crescimento e desenvolvimento infantil. Elas são facilmente digeridas no intestino quando comparadas com outras fontes de proteicas, fazendo do leite uma das melhores fontes existentes deste nutriente.

A composição do leite pode ser alterada basicamente por três fatores:

  • Nutrição – com efeito transitório, ou seja, depende da dieta no momento,
  • Manejo – também transitório,
  • Genética – esta com efeito permanente.

Raças leiteiras

As diferentes raças leiteiras apresentam diferentes composições de leite, como visto na tabela 2 abaixo:

Dentro das diferentes raças, podemos ainda trabalhar geneticamente para a seleção de rebanhos com teores maiores ou menores de sólidos e/ou volume. Sabemos que a seleção genética para volume de leite tem correlação negativa com percentuais de gordura e proteína, ou seja, quando selecionamos para altos volumes de leite (kg), a tendência é perdermos em percentuais de gordura e proteína. Desta forma, é necessário traçar uma estratégia de seleção que atenda à demanda do mercado comprador. A tabela 3 abaixo demonstra as diversas estratégias de seleção genética conforme interesse do mercado comprador.

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Tabela 3 – Composição do leite conforme critério de seleção

Seleção genética para produção

Baseado nesta tabela, podemos optar pelo caminho a ser traçado na seleção genética para produção. Os atuais sistemas de pagamento do leite sugerem que volume de leite é uma importante característica a ser trabalhada. O volume de sólidos passa a ter importância no sistema de pagamento, com diversas empresas remunerando o produtor conforme teor de sólidos no leite produzido.

Baseado nestas colocações, nos parece mais lógico trabalhar com a seleção para volume de proteína. No entanto, rebanhos que já tenham altas produções médias nas suas vacas, podem se beneficiar trabalhando em selecionar percentuais (% proteína ou % gordura).

Basicamente, devemos estar atentos para a situação corrente do rebanho e, obviamente, para o que o mercado está buscando. A remuneração do produto (leite) definirá a estratégia de seleção genética para produção no rebanho.

Progresso genético

A genética cumpre importante papel na determinação dos atuais níveis de produção e composição do leite. A seleção através do uso de touros e vacas superiores tem se mostrado uma ferramenta de alto valor para o melhoramento das diferentes raças leiteiras no que se refere à sua principal função, qual seja, produzir leite. Confira o progresso genético obtido nos diferentes componentes do leite dentro da raça Holandesa nos EUA.

O gráfico acima representa os ganhos genéticos (EBVs) para volume de leite de vacas e touros ao longo dos últimos 40 anos. Os valores fenotípicos correspondentes passaram de 6.259 kg de leite em 1960 para os 11.623 kg em 2003!

O volume de gordura em 1960 era de 230 kg por lactação. Este volume passou para 426 kg em 2003. Grande parte deste aumento se deve ao próprio aumento em volume de leite, uma vez que os percentuais de gordura mostram-se estáveis.

A exemplo das outras características de produção, também a proteína teve grande aumento ao longo dos últimos 40 anos. Notamos que este aumento é mais acentuado do que a de gordura, mais uma vez refletindo as demandas de mercado e sua influência na seleção genética. O volume de proteína na raça Holandesa em 1960 era de 196 kg por lactação. Este volume passou para 357 kg em 2003.

Herdabilidades para características de produção

As características de produção têm médias a altas herdabilidades, até certo ponto em função da facilidade como são medidas e da acurácia das mensurações. Desta forma, o progresso genético obtido é relativamente rápido. Consideramos características de média a alta herdabilidades aquelas que estão acima de 0,12 (12%). Confira as herdabilidades para as características de produção:

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Como fica evidente nos números mostrados acima, a seleção genética para as características de produção tem rápidas respostas em função das altas herdabilidades apresentadas. Na prática, podemos dizer que o produtor tem uma relativa facilidade em obter melhorias nos teores de sólidos e volumes de produção com o uso da genética adequada. No entanto, como mencionado, a seleção isolada para produção atende apenas a uma parte do processo.

Para o produtor, é essencial que ele obtenha alta produção de uma matéria prima de qualidade com vacas eficientes e rentáveis. Características como fertilidade, longevidade e baixo custo de manutenção são essenciais para obter a rentabilidade esperada. Estas características dependem em muito de uma correta estrutura funcional da vaca. Com isso, queremos dizer que a funcionalidade de sistema mamário, correção de aprumos, estrutura de garupa adequada que facilite os processos reprodutivos e dê correta sustentação de úbere, além de equilibrada força e caracterização leiteira, são características importantes num processo de seleção.

Muitas destas características têm herdabilidades consideradas médias a baixas. Desta forma, o processo de seleção torna-se ainda mais importante, devendo o produtor estar constantemente atento ao uso de touros que mantenham o equilíbrio desejado entre produção e tipo funcional. Touros extremos para uma ou outra característica nem sempre trazem o melhor resultado no longo prazo. 

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