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sistema de produção pecuária de corte

Aspectos econômicos do sistema de produção de bovinos de corte

A a maior parte do rebanho brasileiro (38,74%) situa-se em áreas entre 100 e 1.000 ha, categoria em que se encontram apenas 9,35% dos estabelecimentos nacionais. Em seguida, destacam-se áreas maiores de 1.000 ha, que englobam 27,19% do rebanho nacional, distribuídos em apenas 0,94% dos estabelecimentos. Em áreas entre 10-100 ha, dispõe-se 24% do rebanho, sendo 34,06% dos estabelecimentos responsáveis por este rebanho. Por último, estão os estabelecimentos com menos de 10 ha, que representam somente 8,25% do rebanho e 43,96% dos estabelecimentos. Dessa forma, verifica-se que apesar da maior parte dos estabelecimentos encontrar-se em áreas com menos de 100 ha, a maior parte do rebanho bovino encontra-se em poucas e maiores propriedades. Apesar da maioria do rebanho estar localizada em fazendas de médio a grande porte é comum a falta de gestão técnica-administrativa nestas propriedades. A falta de controle dos custos faz com que os pecuaristas orientem-se em apenas um ou poucos parâmetros para tomar a decisão de vender os animais. Relações de troca comparando o preço do boi gordo com o preço de animais para reposição e/ou insumos tem suas limitações, pois o aumento do custo dos demais insumos (vacinas, ração, mão-de-obra, etc.) não modifica estas relações, mas afeta o custo da arroba produzida. Dessa forma, a própria melhoria tecnológica da produção, com conseqüente redução de custos totais, deveria alterar a “regra” de comercialização dos pecuaristas.

Além das “regras” de preços, algumas vezes as decisões são tomadas em função de situações contingenciais de venderem seus animais quando necessitam de capital de giro, enquanto outros o fazem quando não têm mais como manter os animais no pasto, demonstrando a falta de planejamento na atividade. As decisões também podem ser tomadas pela insatisfação com a situação real ou as perspectivas do cenário.

Nas situações de baixa produtividade (média brasileira), a busca por aumento da eficiência produtiva e econômica é necessária. O aumento da produtividade, normalmente, provoca redução do custo operacional total unitário (somatório do custo operacional fixo + operacional variável dividido pelas unidades produzidas). O custo de produção deve ser entendido de maneira global dentro do sistema de produção e não isoladamente em segmentos do sistema de produção (adubação e irrigação de pastagens, confinamento, etc.), procurando sempre maximizar o lucro da atividade.

Índices zootécnicos como ferramenta no processo de gestão

Índices zootécnicos são aqueles cuja interação resulta na produção propriamente dita. Esses fatores podem ser analisados através de índices que permitam verificar o nível produtivo e reprodutivo do rebanho. Dentre os índices zootécnicos preconizados destacam-se, idade ao primeiro parto e ao abate, taxa de natalidade e desmama, taxa de desfrute, taxa de mortalidade, entre outros.

tabela de aspectos economicos do sistema de produção de bovinos de corte

Tabela 1 – Índices zootécnicos médios do rebanho brasileiro em diversos sistemas de produção.

Fonte: Adaptado de Zimer e Euclides Filho, 1997.

Como mostra a Tabela 1, os pecuaristas devem atingir o sistema com média tecnologia, e aqueles já atingiram, devem melhorar estes números para maximizar a produtividade na propriedade buscando as metas listadas.

Taxas de rentabilidade dos sistemas de produção

Com a introdução das tecnologias ocorre um aumento dos custos operacionais variáveis necessitando de maiores desembolsos no fluxo de caixa da empresa rural. Em contrapartida o aumento da produção (bezerros desmamados, arrobas produzidas, animais abatidos, etc.) tende a diluir os custos operacionais fixos (depreciações e despesas fixas) fazendo com que o custo operacional total unitário seja menor. Esses resultados serão melhores ou piores em função da região (preços de insumos, terra e de arroba) e escala de produção ou tamanho da propriedade. As taxas de rentabilidades mais baixas, normalmente, são de fazendas em regiões com preços de terras mais elevadas, e as taxas mais elevadas de rentabilidade são de fazendas localizadas em terras mais baratas (Tabela 2). Essas taxas também variam em função do sistema de produção, local, escala e nível de intensificação (correção e adubação de pastagens, suplementação nutricional, inseminação artificial, etc.).

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Tabela 2 – Diferentes taxas de retorno do capital investido para sistema de 5.000 UA  em função dos sistemas de produção.

Fonte: Anualpec, 2006.

De uma maneira geral as taxas de rentabilidades do sistema de cria são mais baixas, o sistema de recria/engorda mais alta e o ciclo completo intermediário. O sistema de cria normalmente é feito em locais de terras menos férteis, com forragens de menor produtividade (braquiária humidícola, decumbens, andropogon, capim nativo do Pantanal e dos campos do Sul do Brasil, etc.) e valor nutricional mais baixo (demanda nutricional do sistema de cria é mais baixo). O sistema de recria/engorda necessita de terras mais férteis com maior produção de forragens (braquiária decumbens, braquiarão, Panicum sp., entre outros) e melhor valor nutritivo. O sistema completo necessita de áreas maiores para ter escala de produção e áreas com fertilidade para terminarem os animais.

O sistema de cria, normalmente, é de menor produtividade (arrobas produzidas /hectare/ ano) em função de “perda” na eficiência reprodutiva (anestro, abortos, absorção embrionária, natimortos, etc.), menor eficiência nutricional (kg de ganho/kg de alimento consumido) da matriz e das taxas de mortalidade dos bezerros mais elevadas. A intensificação deste sistema deve ser analisado com critério, pois os riscos são maiores em função da menor produtividade quando comparado aos outros dois sistemas.

Diversas tecnologias no sistema de produção

Um estudo de simulação feito pela Embrapa-CNPGC avaliou a introdução da estação de monta  em uma fazenda tradiconal com 1.220 hectares de pastagens e 1.593 cabeças. Foram avaliados os efeitos de redução da taxa de mortalidade de bezerros de 10 para 4% (efeito A), redução da relação touro:vaca de 1:25 para 1:33 (efeito B), aumento da taxa de natalidade de 65 para 75% (efeito C) e redução da mão-de-obra de vaqueiros (efeito D). Com a introdução dos efeitos a produtividade foi aumentando, bem como o valor presente líquido (VPL), demonstrando a viabilidade econômica das tecnologias introduzidas (Tabela 3).

tabela aspectos-economicos-do-sistema-de-producao-de-bovinos-de-corte

Tabela 3 – Médias dos indicadores biológicos e econômicos de acordo com os cenários.

Fonte: Abreu et al., 2002.

Esses mesmos autores analisaram a introdução destas tecnologias em fazendas tradicionais no Pantanal (MS) e mostraram aumento da eficiência econômica no sistema ao longo dos anos. Os anos nos quais ocorreram maiores investimento foram os de menor eficiência. Porém, de modo geral, os anos nos quais ocorreram maiores investimentos (1996, 1998 e 1999) foram seguidos por anos com maiores eficiências (1997 e 2001). Inicialmente os investimentos realizados prejudicaram a eficiência do sistema como um todo, mas forneceram a base física para a implantação das tecnologias e seus  aprimoramentos no sistema de produção.

Ao analisar uma propriedade em Minas Gerais com sistema intensivo de engorda (rotação e adubação de pastagens e confinamento) conclui-se que a produtividade a pasto já é elevada quando comparada à média do Brasil, e quando são somadas as arrobas produzidas no confinamento este números aumentam de 11 a 19% (@/ha) (Tabela 4). Os custos são das arrobas produzidas dentro de cada tecnologia, onde a produção a pasto torna-se mais barata. Mas, para o sistema obter esta produtividade torna-se necessário o confinamento para terminar a maioria desses animais. O sistema altamente intensificado necessita de um investimento alto, portanto torna-se de risco mais elevado, e obtém melhores taxas de rentabilidade onde o preço da arroba vendida é mais elevada.

tabela aspectos-economicos-do-sistema-de-producao-de-bovinos-de-cort

Tabela 4 – Produção e custo de arrobas totais em uma propriedade em Minas Gerais de acordo com o ano e a tecnologia empregada.

* Custo não incluído a compra de animais.

Fonte: Barbosa, 2006 (dados não publicados).

Considerações finais

É necessário mensurar e avaliar economicamente o impacto do uso das tecnologias disponíveis para o aumento dos índices zootécnicos e produtivos nas diversas fases do ciclo de produção de bovinos, de acordo com cada sistema em particular, para que possa ser indicado técnica e economicamente as  tecnologias. O nível de intensificação deverá ser ditado pelos índices zootécnicos levantados inicialmente, isto é, com baixos índices produtivos, as medidas de manejo, de investimento menor, proporcionam retornos rápidos. Com o aumento gradativo dos índices produtivos devem ser introduzidas tecnologias de investimento mais elevado. A intensificação também está em função do capital disponível de investimento, o risco e a taxa de retorno de cada situação. O uso das tecnologias no sistema de produção tem que ser gradativo e coerente com os objetivos de produção, com coletas precisas dos dados para gerar as informações necessárias, buscando o aprendizado mútuo e contínuo de todos no sistema.

O planejamento técnico aliado ao financeiro é uma ferramenta imprescindível para verificar a viabilidade operacional e econômica das estratégias assumidas dentro do sistema e fornecer com maior precisão as informações necessárias para a tomada de decisão. A simulação técnica-econômica de projetos é uma maneira mais rápida e de menor custo para analisar os impactos das tecnologias em diversas situações.

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