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Pragas e doenças nas pastagens: quais são, como identificar e minimizar os seus impactos

Hoje no Brasil existem em torno de 160 milhões de hectares de pastagens, que garantem a competitividade do brasil na produção de carne e leite. Porém, na grande maioria dos casos os sistemas de produção que utilizam dessas pastagens são extensivos e pontos importantes como manejo e nutrição de pastagens acabam sendo negligenciados.

Para que haja sustentabilidade produtiva, pensando em maior produtividade do pasto e sustentabilidade ambiental em relação a conservação de solos, onde existe o estabelecimento de pastagens, serão abordados pontos que fazem parte do Manejo Integrado de Pragas (MIP), que é um grande aliado na longevidade do sistema.

 

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Principais doenças das pastagens

Mela-das-sementes

A mela-das-sementes é uma doença que tem alto impacto na produção de sementes de Urochloa, sobretudo as U. brizantha cv. Xaraés e Marandu. Contudo, a doença pode incidir em cultivares de P. maximum

A mela é causada pelo fungo Claviceps sulcata, o qual infecta o hospedeiro logo após a abertura das flores.

Inicialmente, as flores infectadas apresentam, exsudação de líquido com aspecto pegajoso, o que constitui o principal sintoma do patógeno e foi a inspiração para o nome. A doença se manifesta durante o estádio de florescimento e maturação das sementes, sobretudo em ambientes com alta umidade e baixas temperaturas.

Para o controle da doença, além de usar sementes de procedência sanitária certificada e o plantio ser feito em áreas livres da doença, alguns produtos químicos (fungicidas) registrados para esse patógeno são extremamente importantes em um controle eficiente.

Mela-das-sementes

Mela-das-sementes: mela em U.brizantha cv. Xaraés (A); escleródios nas sementes (B); mela e crescimento de saprófitos P. maximum cv. Tanzânia (C). Fonte: Embrapa

 

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Carvão da braquiária

O carvão da braquiária causado pelo fungo Ustilago operta é observado nas sementes, as quais podem ser totalmente colonizadas pelo fungo. Os sintomas são caraterizados pela presença de massas pulverulentas negras, podendo romper ou não o tegumento das sementes.

Uma vez presente na área o carvão é de difícil erradicação, dada a ausência de métodos eficientes de controle e sua capacidade de sobrevivência.

Carvão da braquiária

Carvão em sementes de U. brizantha cv. BRS Piatã: Aspecto geral de sementes infectadas (esquerda) e sadias (direita) (A); Semente sadia (B); Semente infectada exibindo massa pulverulenta negra (C). Fonte: Embrapa

Ferrugem da braquiária

Nos últimos anos, tem-se observado aumento da intensidade da ferrugem em algumas cultivares de U. brizantha, causando redução na quantidade produzida e na qualidade da forragem.

Os sintomas se iniciam na parte abaxial das folhas como pequenos pontos cloróticos, posteriormente os sintomas podem ser observados na parte adaxial das folhas, ocorrendo coalescência das lesões, com produção abundante de massa de urediniósporos e teliósporos, e evoluindo para a seca prematura das folhas.

Pesquisas apontam que as melhores alternativas de controle são uso de cultivares resistentes e a aplicação de fungicidas registrados para a cultura.

Ferrugem da braquiária
Ferrugem da braquiária em folhas de U. brizantha: Pústulas nas faces adaxial (A) e abaxial (B); Seca prematura (C). Fonte: Embrapa

Mortalidade do capim-marandu (MCM)

Devido à grande popularidade do cultivar de U. brizantha, Marandu, conhecido popularmente como braquiarão, desde o seu lançamento em 1983 houve uma alta taxa de implantação desse capim em áreas de pastejo, o que levou a extensas áreas de monocultivo que por sua vez torna o sistema de produção vulnerável aos estresses bióticos e abióticos.

Na maioria das propriedades, os sintomas da MCM são distribuídos irregularmente nas pastagens, ou seja, em reboleiras. As plantas afetadas normalmente vão apresentar folhas amareladas e posteriormente morrem. Os sintomas se apresentam na maioria das vezes na época das águas e quase sempre em áreas com drenagem deficiente.

Mortalidade do capim-marandu

Sintomas da mortalidade de capim-marandu: Distribuição em reboleiras ao longo da pastagem (A); Detalhes de touceira afetada (B). Fonte: Embrapa

Principais pragas das pastagens

Cigarrinha-das-pastagens

A principal praga de pastagens é cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta), essas cigarrinhas são insetos sugadores de seiva, cujos adultos vivem na parte aérea dos capins.

É importante ressaltar que o ataque de cigarrinhas se intensifica geralmente no início do período chuvoso, momento onde ocorre a eclosão dos ovos que resistem a condições adversas sofridas no período seco, dando origem as ninfas, a fase jovem das cigarrinhas.

Essas ninfas eclodidas se alojam na base das gramíneas forrageiras, envoltas por uma espuma que elas mesmo produzem por meio da secreção das glândulas de Bateli, essa proteção protege essas ninfas de desidratação e do controle de inseticidas químicos, principalmente quando o capim está alto, mostrando a importância de um bom manejo cultural.

As cigarrinhas são responsáveis pela “queima” das pastagens. Elas introduzem toxinas, causando o amarelecimento das folhas e posterior senescência, a redução na produção gira em torno de 15%.

Praga cigarrinha-das-pastagens

Ninfas de cigarrinha protegidas pela espuma. Fonte: Rehagro.

Praga Cigarrinha-das-pastagens na fase adulta

Cigarrinha adulto. Fonte: Bayer

Cupim de montículo

De modo geral, a ocorrência desses cupins é mais comum em pastagens degradadas, sendo a principal espécie (Cornitermes cumulans) conhecida como cupim de montículo, responsável por causar desuniformidade da lavoura além de atacar as raízes levando as plantas a morte.

O controle apesar de barato é bem trabalhoso, pois exige a destruição completa dos cupinzeiros e aplicação de inseticidas a base de fipronil.

Existe também a possibilidade de controle por meio de inseticidas em pastilhas, onde a pastilha é colocada dentro do cupinzeiro e o mesmo é lacrado. O gás advindo das pastilhas será disseminado internamente e após 10 dias deve ocorrer a destruição completa de todos os cupinzeiros.

Cupim de montículo

Cupim de montículo. Fonte: Educapoint.

Lagartas

Em pastagens as lagartas são consideradas pragas ocasionais, ou seja, não ocorrem de forma recorrente, mas quando há presença de altos níveis de infestação reduzem de forma considerável a quantidade de forragem disponível.

O problema é que isso tem sido cada vez mais frequente, devido as cultivares de grandes culturas transgênicas com resistência à lagarta e proximidade dessas lavouras a áreas de pastagens.

Por exemplo, a lagarta-do-cartucho (Spodoptera fugiperda) que no passado só atacava lavouras de grãos, hoje é uma das principais lagartas que atacam pastagens.

As lagartas têm 5 fases de desenvolvimento e de forma análoga as cigarrinhas, o seu controle deve ocorrer nas fases iniciais. Afinal, quanto maiores essas lagartas são, maior o potencial de consumir capim e maior o dano causado.

Praga Lagarta-do-cartucho

Lagarta-do-cartucho (Spodoptera fugiperda). Fonte: Embrapa

 

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Manejo Integrado de Pragas (MIP)

O primeiro ponto para que o MIP seja implantado é o pecuarista enxergar o pasto como uma lavoura, porém, com a colheita sendo feita pelos animais. Após esse entendimento, se inicia o MIP, abaixo estão listados os principais pontos:

Diversificação de cultivares

Os capins mais utilizados para pastejo no Brasil são do gênero Urochloa (braquiária), e a variação dentre espécies e até outros gêneros vai depender do clima, região, nível tecnológico e sistemas de produção.

O fato é que diversificar os tipos de capim dentro da propriedade é de extrema importância para um bom manejo integrado de pragas, além de usar cultivares que sejam recomendadas para a realidade da propriedade e se possível alguma que apresentam resistência a cigarrinha-das-pastagens (Deois flavopicta).

Manejo cultural

Devemos compreender que existem fatores cruciais para sustentabilidade e longevidade da pastagem, e dentre esses fatores podemos citar:

  • Pressão de pastejo;
  • Taxa de lotação;
  • Nutrição do pasto.

É necessário manejar os animais para que a disponibilidade de alimento e consumo esteja equilibrados, sem que tenha excesso de capim e nem que ocorra a retirada total pelos animais. Os sistemas de pastejo alternado ou até mesmo rotacionado, são estratégias que além de permitir uma maior taxa de lotação auxiliam no manejo de pragas e doenças.

Controle biológico

O princípio básico do controle biológico é controlar as pragas agrícolas a partir do uso de seus inimigos naturais, que podem ser outros insetos benéficos, predadores, parasitoides e microrganismos, como fungos, vírus e bactérias.

No caso das cigarrinhas, utiliza-se o fungo Metarhizium anisnh buvcopliae, que ao ser aplicado na pastagem coloniza preferencialmente a ninfa, matando a cigarrinha evitando que a mesma chegue até a forma adulta e cause danos.

No caso das lagartas, o controle é feito por meio da utilização de produtos à base da bactéria Bacillus thurigienses (BT) que atua no início da infestação quando as lagartas ainda estão pequenas.

Controle químico

O controle químico se faz necessário para apoiar os pontos anteriores, porém, o uso deve ser recomendado por um profissional com experiência na área e os produtos usados devem ser devidamente registrados no sistema Agrofit do (MAPA) Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

Considerações finais

Desse modo, vimos que culturas de pastejo são fonte de forragem para a grande parte do rebanho brasileiro, sendo assim, é necessário que as pastagens sejam manejadas como lavouras.

Começando pelo cultivo de espécies recomendadas para a região, correto manejo de adubação e tratos culturais, além de monitorar visando evitar perdas por pragas e doenças.

Isso permite que essas áreas de pastagem sejam usadas de forma eficiente do ponto de vista agronômico e zootécnico, promovendo a produtividade de forma sustentável e eficiente dos animais.

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