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origem do trigo

Trigo no Brasil: origem e histórico de cultivo

O trigo (Triticum sp.) é uma cultura de grande importância econômica e alimentícia, pois faz parte da dieta de praticamente toda a população mundial. O cultivo e a origem do trigo estão diretamente relacionados com a história e evolução da humanidade. Alguns pesquisadores acreditam que esse cereal seja originário de gramíneas silvestres, que se desenvolveram as margens dos rios Eufrates e Tigre, na Ásia, entre o período de 10.000 a 15.000 a.C. Os primeiros relatos do registro de trigo domesticado (trigo-einkorn e trigo-amidoreiro) datam de 9.500 a.C. Com disso, é possível perceber a existência dessa relação entre a evolução da humanidade e o cultivo dessa gramínea.  

origem do trigo

Os produtos derivados do trigo são bem variados e seu papel como produto alimentício é bem importante devido à qualidade e quantidade de proteínas encontradas nos grãos. Porém, não é de hoje que os produtos derivados de trigo são bastante utilizados na alimentação humana. Relata-se que o primeiro pão foi feito ainda na Idade da Pedra, por habitantes de um lago suíço, há mais de 8.000 anos. Já o pão foi produzido a partir de uma massa fermentada é atribuído aos egípcios há 5.000 anos. Outro produto a base de trigo que é muito utilizado ainda hoje na alimentação humana é o macarrão. Porém, sua origem ainda gera muitas controvérsias, já que alguns pesquisadores dizem que ele foi inventado pelos chineses há 4.000 anos, enquanto outros afirmam que o alimento surgiu na Palestina na Antiguidade. Ainda há aqueles que afirmam que os gregos foram os primeiros a comer macarrão. 

A chegada do trigo no Brasil

Mesmo diante dos usos dos produtos derivados do trigo serem bem antigos, o cultivo deste cereal nas Américas ocorreu tempos mais tarde, já na era d.C. No Brasil a introdução desse cereal se deu por volta do ano de 1534, no período colonial na Capitania Hereditária de São Vicente, a qual corresponde atualmente ao Estado de São Paulo. Esta primeira iniciativa de cultivo deste cereal no país teve pouco sucesso de produção devido as condições climáticas. Porém, quando o cultivo do trigo migrou para o Sul do país, foram encontrados clima e solo com condições favoráveis ao desenvolvimento da cultura.

O cultivo de trigo no Brasil tem um histórico de altos e baixos que pode ser atribuído a fatores fitossanitários e políticos. No século 18 o trigo quase desapareceu do país, isso porque foi observado o surgimento da ferrugem da folha, doença cujas perdas podem chegar à 60%. Entretanto, ao final do século 19, com a chegada dos alemães e italianos, o cultivo desse cereal foi mantido no Estado do Rio Grande do Sul, tendo um novo impulso e entusiasmo para sua produção.

O trigo no século XX

No início do século 20, houve outra grande queda de produção de trigo no Brasil, que também foi atribuída à presença de doença. Dessa vez, a enfermidade estava associada as sementes que foram importadas. Diante desse novo impasse na produção, o Ministério da Agricultura buscou incentivar o plantio deste cereal e, para isso, criou em 1919 duas estações de pesquisa: uma no Paraná e outra no Rio Grande do Sul. O objetivo era auxiliar os triticultores em suas lavouras.

Se por um lado o governo incentivou a triticultura no país, com a criação de estações de pesquisa, por outro desestimulou. O motivo foi a ocorrência de fraudes no setor e fechamento de acordos de compra de trigo americano. Com isso, a triticultura brasileira foi colocada em segundo plano e desvalorizada. 

No entanto, após a segunda Guerra Mundial, o governo passou a valorizar mais a produção deste cereal e, após a chegada de maquinários próprios para esta cultura no RS em 1960, a mesma foi consolidada no país. Entre a década de 1960 e 1970 o governo brasileiro criou políticas de incentivos à produção do cereal, baseada em preços de garantia, crédito agrícola a juros menores, seguro e criação de infraestrutura de suporte, que permitiu aumento de áreas plantadas, aumento de produção e tornando o país quase que autossuficiente. Além disso, em 1974, com a criação da Embrapa Trigo, foram desenvolvidas cultivares mais adaptadas ao clima da região, possibilitando com que o produtor tivesse maior êxito em sua lavoura. 

Produção do trigo nos anos 80, 90 e 2000

O crescimento de área cultivada e produção de trigo no Brasil era notável, mas na década de 1980, houve uma forte crise econômica, fazendo com que tivesse aumento de inflação e assim, algumas políticas de negociação do trigo foram repensadas e tiveram mudanças, as quais o preço do trigo seria determinado em relação ao mercado externo, provocando queda no preço de venda do cereal. Diante disso, na década de 1990, parte dos agricultores passaram a substituir o trigo por outras culturas.

Entretanto, ao final da década de 90 o cenário tritícola começou a ser estimulado novamente, devido principalmente à crescente desvalorização da moeda brasileira, redução dos estoques de trigo mundial e aumento dos preços no mercado internacional. Com isso, no início dos anos 2000 novos acordos políticos foram firmados com o governo, possibilitando incorporação de novas áreas para cultivo de trigo no país e expansão para outros estados, como Minas Gerais, Goiás, Distrito Federal, Santa Catarina e São Paulo. 

Referências

BORÉM, A.; SCHEEREN, P. L. Trigo: do plantio à colheita. 2015

CAFÉ, S. L., FONSECA, P. S. M. D., AMARAL, G. F., MOTTA, M. F. D. S. R., ROQUE, C. A. L., & ORMOND, J. G. P. (2003). Cadeia produtiva do trigo.

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