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Micotoxinas no Trigo

Micotoxinas no Trigo: uma questão de segurança alimentar

Neste artigo abordaremos um dos assuntos mais importantes quando se pensa em segurança alimentar, que é a presença de micotoxinas, especialmente em trigo armazenado. Fique atento e saiba mais sobre o que são essas micotoxinas, quais são as novas leis por trás de sua presença nos produtos alimentícios à base de trigo e como evitar a sua ocorrência.

A cada ano a população mundial cresce e com isso, a busca por aumento de produção de alimentos também. Diante disso, a cadeia produtiva, principalmente a primária, deve se movimentar para que possa disponibilizar a maior quantidade de produtos possíveis. No entanto, não é só produzir incessantemente, pois, nada adianta se estes produtos não apresentarem qualidade e segurança alimentar.

As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas a partir do crescimento de fungos, seu desenvolvimento ocorre em função de condições de temperatura e umidade propícios. O surgimento pode ter início na produção dos grãos, ainda na lavoura, ou no processo de armazenamento, e os efeitos de sua presença são: perda de rendimento e produção de micotoxinas, que podem alterar o sabor, odor e aparência dos alimentos.

Durante o cultivo do trigo, a presença do fungo causador da doença Giberela (Fusarium) é o grande responsável pela produção de micotoxinas. Enquanto no armazenamento, os fungos Aspergillus e Penicillium são os responsáveis. Estes fungos são considerados toxigênicos, portanto, é preciso se atentar a presença deles de modo a garantir qualidade e segurança alimentar aos produtos finais.

A presença destas micotoxinas em alimentos deve ser levada realmente a sério, pois, quando ingeridas em quantidades suficientes podem afetar os rins, fígado, cérebro, músculos e o sistema nervoso, com sintomas variando de náuseas à falta de coordenação dos movimentos, podendo levar o indivíduo a morte.

Os produtos infectados podem afetar de forma direta e indireta:

Direta – Utilização direta dos produtos na alimentação humana e animal;

Indireta – A partir dos subprodutos e derivados contaminados que foram utilizados na alimentação animal, transferindo a toxina para o leite e carnes.

É relatado que a forma mais frequente de contaminação por micotoxinas é direta, onde se utiliza na alimentação, cereais, sementes oleaginosas e produtos derivados, os quais foram contaminados no processo pré e pós colheita.

De acordo com dado da FAO, cerca de 25% dos alimentos no mundo estão contaminados com micotoxinas e os principais são: alimentos de origem agrícola (cereais, sementes oleaginosas, frutos e vegetais), alimento de origem animal (leite e seus derivados e carne) e produtos fermentados (cerveja, aditivos alimentares e vitaminas).

Devido aos efeitos negativos destas toxinas à saúde humana e animal, bem como, no quesito econômico, foi estabelecido uma legislação específica que determina um valor de nível máximo de presença destas substâncias nos produtos alimentícios, que é denominada de LMT (Limites Máximos de Tolerância), criada pela ANVISA.

Atualmente são quatro micotoxinas que acometem os produtos à base de trigo, são elas: Desoxinivalenol (DON), Zearalenona (ZEA), Ocratoxina A (OCRA) e Aflatoxinas (AFLA) B1, B2, G1 e G2.

De acordo com a legislação até este ano de 2019 o limite máximo de tolerância deve ser reduzido em alguns produtos para algumas micotoxinas, fique por dentro:

micotoxinas

A micotoxina Desoxinivalenol (DON) é a principal toxina que afeta a cultura do trigo e sua ocorrência está associada a espécies de fungos do complexo Fusarium graminearum, encontrado geralmente em cereais e responsável pela doença Giberela. A presença de DON durante o cultivo de trigo é favorecida por condições de umidade elevada e temperaturas amenas.

Assim como a DON, a micotoxina ZEA também é produzido por fungos do gênero Fusarium, em especial F. graminearum e F. culmorum, as quais ocorrem ainda com a cultura no campo e sob condições de boa precipitação pluviométrica e temperaturas amenas.

A micotoxina OCRA é produzida pelos fungos Aspergillus carbonarius, A. ochraceus, A. selerotiorum e A. sulphureus, e sua ocorrência se dá em fase de pós-colheita, principalmente quando o produto conservado estiver com umidade acima de 13%.

Assim como a OCRA, a micotoxina AFLA é também produzida por fungos do gênero Aspergillus, sendo eles: Aspergillus flavus, A. parasiticus e A. nomius. Sua ocorrência também se dá em fase de pós colheita.

Saiba como evitar a presença de micotoxinas em trigo:

  • Utilização de cultivares mais resistentes à colonização fúngica e a Giberela;
  • Manejo adequado de Giberela no trigo – integrar ferramentas de manejo de doenças;
  • Colheita apropriada;
  • Secagem, armazenamento e estocagem adequados;
  • Controle de insetos e roedores para evitar danos aos grãos;
  • Descarte de grãos leves, chochos e atacados por fungos;
  • Controle de umidade e temperatura no armazenamento;
  • Tempo de estocagem dentro dos limites de vitalidade dos grãos.

REFERÊNCIAS

IAMANAKA, B. T., OLIVEIRA, I. S., & TANIWAKI, M. H. (2013). Micotoxinas em alimentos. Anais da Academia Pernambucana de Ciência Agronômica, 7, 138 – 161.

VIEIRA, A. P., BADIALE-FURLONG, E., & OLIVEIRA, M. L. M. (1999). Ocorrência de micotoxinas e características físico-químicas em farinhas comerciais. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 19(2).

CALORI-DOMINGUES, M. A., ALMEIDA, R. R., TOMIWAKA, M. M., GALLO, C. R., GLORIA, E. M., & DIAS, C. T. S. (2007). Ocorrência de desoxinivalenol em trigo nacional e importado utilizado no Brasil. Ciência e Tecnologia de Alimentos, 27(1), 181 – 185.

CARTILHA DO AGRICULTOR: MICOTOXINAS NO TRIGO –  ABITRIGO E EMBRAPA

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