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Micotoxinas do trigo

Micotoxinas no trigo: como evitar a contaminação

Imagine demorar toda uma safra de lavouras de trigo e, no final, ele não poder ser comercializado porque acabou pegando fungo tóxico e colocando em risco a alimentação por meio dele?

Lidar com lavouras e obter renda por meio dela, vai muito além de semear e colher. Entre dispor as sementes no solo e colher os grãos, há pormenores que farão a lavoura ter fartura e lucro, ou prejuízo. Aliás, na ‘borda’ desses dois extremos (semeadura e colheita), ainda há:

  • Planejamento da safra;
  • Análise e preparo do solo;
  • Escolha das sementes adequadas;
  • Escolha do melhor sistema e manejo;
 

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E, mesmo tendo tudo isso planejado e executado bem, há ainda as precauções que devem ser tomadas na pós-colheita, que é o caso de armazenamento, ensacamento, distribuição e comercialização. Grãos são organismos que transpiram e, como tal, precisam de uma umidade, por exemplo, que não o faça germinar ou ainda que seja propício aos fungos.

Tudo isso se reflete na qualidade do produto, que no caso do trigo, pode ainda passar aos subprodutos.

Então, neste artigo abordaremos um dos assuntos mais importantes quando se pensa em segurança alimentar, que é a presença de micotoxinas, especialmente em trigo armazenado.

A cada ano a população mundial cresce e com isso, a busca por aumento de produção de alimentos também. Diante disso, a cadeia produtiva, principalmente a primária, deve se movimentar para que possa disponibilizar a maior quantidade de produtos possíveis. No entanto, não é só produzir incessantemente, pois, nada adianta se estes produtos não apresentarem qualidade e segurança alimentar.

O que são as micotoxinas

As micotoxinas são substâncias tóxicas produzidas a partir do crescimento de fungos. Seu desenvolvimento ocorre em função de condições de temperatura e umidade quando propícias.

O surgimento pode ter início na produção dos grãos, ainda na lavoura, ou no processo de armazenamento, e os efeitos de sua presença são: perda de rendimento e produção de micotoxinas.

Essas micotoxinas, podem causar alterações não desejadas, como:

  • Alterar o sabor;
  • Alterar o odor e
  • Alterar até a aparência dos alimentos.

Durante o cultivo do trigo, a presença do fungo causador da doença Giberela (Fusarium) é o grande responsável pela produção de micotoxinas. Enquanto no armazenamento, os fungos Aspergillus e Penicillium são os responsáveis.

Estes fungos são considerados toxigênicos, portanto, é preciso se atentar à presença deles de modo a garantir qualidade e segurança alimentar aos produtos finais.

Os perigos das micotoxinas em alimentos

A presença destas micotoxinas em alimentos deve ser levada realmente a sério, pois, quando ingeridas, em quantidades suficientes, podem causar sintomas e afetar diversos órgãos, inclusive vitais, como:

  • Fígado;
  • Rins;
  • Cérebro;
  • Músculos;
  • Sistema nervoso.

Os sintomas variam de náuseas à falta de coordenação dos movimentos, podendo levar o indivíduo à morte.

Os produtos infectados podem, ainda, afetar de forma direta e indireta:

  • Direta: utilização direta dos produtos na alimentação humana e animal;
  • Indireta: a partir dos subprodutos e derivados contaminados que foram utilizados na alimentação animal, transferindo a toxina para o leite e carnes.

É relatado que a forma mais frequente de contaminação por micotoxinas é direta, onde se utiliza na alimentação, cereais, sementes oleaginosas e produtos derivados, os quais foram contaminados no processo pré e pós colheita.

De acordo com dado da FAO, cerca de 25% dos alimentos no mundo estão contaminados com micotoxinas e, confirmando ainda mais a importância desse artigo, os principais são:

  1. Alimentos de origem agrícola (cereais, sementes oleaginosas, frutos e vegetais);
  2. Alimento de origem animal (leite e seus derivados e carne);
  3. Produtos fermentados (cerveja, aditivos alimentares e vitaminas).

Mesmo em lavouras tecnificadas, com adoção de agricultura de precisão, esses tipos de fungos podem aparecer ainda na lavoura, por isso requer mais atenção.

Devido aos efeitos negativos destas toxinas à saúde humana e animal, bem como no quesito econômico, foi estabelecido uma legislação específica que determina um valor de nível máximo de presença destas substâncias nos produtos alimentícios, que é denominada de LMT (Limites Máximos de Tolerância), criada pela ANVISA.

Principais micotoxinas do trigo

Atualmente são quatro micotoxinas que acometem os produtos à base de trigo:

  1. Desoxinivalenol (DON);
  2. Zearalenona (ZEA);
  3. Ocratoxina A (OCRA) e
  4. Aflatoxinas (AFLA) B1, B2, G1 e G2.

De acordo com a legislação, até este ano de 2019, o limite máximo de tolerância deve ser reduzido em alguns produtos para algumas micotoxinas, fique por dentro:

Tolerância de micotoxinas no trigo

A micotoxina Desoxinivalenol (DON) é a principal toxina que afeta a cultura do trigo e sua ocorrência está associada às espécies de fungos do complexo Fusarium graminearum, encontrado geralmente em cereais e responsável pela doença Giberela.

As condições climáticas de umidade elevada e temperaturas amenas, que já favorecem o surgimento de fungos, como a ferrugem em trigo, também favorecem a presença de DON durante o cultivo do grão.

Assim como a DON, a micotoxina ZEA também é produzido por fungos do gênero Fusarium, em especial Fgraminearum e F. culmorum, as quais ocorrem ainda com a cultura no campo e sob condições de boa precipitação pluviométrica e temperaturas amenas.

A micotoxina OCRA é produzida pelos fungos Aspergillus carbonarius, A. ochraceus, A. selerotiorum e A. sulphureus, e sua ocorrência se dá em fase de pós-colheita, principalmente quando o produto conservado estiver com umidade acima de 13%.

Assim como a OCRA, a micotoxina AFLA é também produzida por fungos do gênero Aspergillus, sendo eles: Aspergillus flavus, A. parasiticus e A. nomius. Sua ocorrência também se dá em fase pós-colheita.

Como evitar a presença de micotoxinas em trigo?

  • Utilização de cultivares mais resistentes à colonização fúngica e a Giberela;
  • Manejo adequado de Giberela em trigo – integrar ferramentas de manejo de doenças;
  • Colheita apropriada;
  • Secagem, armazenamento e estocagem adequados;
  • Controle de insetos e roedores, para evitar danos aos grãos;
  • Descarte de grãos leves, chochos e atacados por fungos;
  • Controle de umidade e temperatura no armazenamento;
  • Tempo de estocagem dentro dos limites de vitalidade dos grãos.

Fique atento! Como você pôde ver nesse artigo, os cuidados com a segurança alimentar, evitando o desenvolvimento de fungos e a produção de micotoxinas vão desde a lavoura, na armazenagem, mas também nos derivados, para não comprometer a saúde animal e humana.

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