Rehagro Blog

Diarreia neonatal – Criptosporidiose bovina: o que é e como controlar

A diarreia neonatal (Criptosporidiose bovina) é uma das principais doenças que acometem as bezerras  leiteiras, trazendo consigo grande impacto no desenvolvimento dos animais, além de  preocupação e perdas econômicas ao produtor. Neste texto iremos abordar sobre o  Cryptosporidium spp., um importante protozoário causador de diarreia em bezerras  leiteiras. Discutiremos sobre o agente, sua forma de controle, manejos necessários e  formas de prevenção.

Sobre o agente, aspectos clínicos e transmissão 

A criptosporidiose bovina, doença causada pelo protozoário Cryptosporidium  parvum, consiste em uma infecção que ocorre por meio da via oro-fecal, através da  ingestão de alimentos e água contaminados por oocistos esporulados do agente. Quando  ingerido, o oocisto esporulado se encista no epitélio intestinal, destruindo-o e causando  atrofia das vilosidades. Como consequência, a absorção de nutrientes e eletrólitos se torna  prejudicada, resultando em diarreia mal absorvida que pode ser agravada em desidratação  quando não identificada e tratada a tempo. 

Patógenos causadores de diarreia em bezerros jovens 

Criptosporidiose bovina

Faubert e Litvinski (2000) ao estudarem a transmissão natural da criptosporidiose  entre vacas e seus bezerros relataram que as vacas eliminavam maior número de oocistos  no momento do parto do que nos períodos de pré e pós-parto. Desta forma, há evidências  que a infecção dos neonatos ocorre no momento do nascimento. 

Animais recém-nascidos infectados com C. parvum tendem a desenvolver diarreia  profusa e aquosa, inapetência, letargia, desidratação e, em alguns casos, óbito. O início  da diarreia ocorre em torno de 3 – 4 dias após a ingestão dos oocistos, durando aproximadamente 1 – 2 semanas. 

Criptosporidiose bovina

Fonte: Maria Cecília Rabelo, estagiária equipe Leite – Grupo Rehagro

Os oocistos do Crypstosporidium são relativamente estáveis e resistentes no  ambiente. Devido a este motivo, já podemos entender qual a importância da higiene do  ambiente no controle deste agente infeccioso. A desinfecção e o vazio sanitário são  medidas essenciais para redução da carga de oocistos, além de que, em ambientes abertos,  a incidência de radiação solar é uma excelente aliada para o controle do Crypstosporidium

Como controlar e prevenir a Criptosporidiose bovina 

A eliminação de oocistos no ambiente ocorre entre 4 e 12 dias após a infecção e se torna desafiadora, pois esta forma infectante é resistente a maioria dos desinfetantes.  Medidas como a remoção frequente das camas e fezes do ambiente, realização de vazio  sanitário nas instalações, além da utilização de produtos de desinfecção a base de dióxido  de cloro, amônia e peróxido de hidrogênio se mostram eficientes e podem contribuir para  a redução da carga de Cryptosporidium no ambiente. 

Segundo Heller e Chigerwe (2018), pequenas doses de oocistos podem resultar  em infecções prolongadas com altas cargas parasitárias, devido ao fenômeno conhecido  como autoinfecção. Nestas situações, o agente infeccioso se replica dentro do hospedeiro 

e ocasiona reinfecção diretamente, sem precisar sair do organismo do animal. Esta  ocorrência representa um dos motivos que favorecem a permanência do agente no  rebanho, e, consequentemente, a sua disseminação em larga escala. 

Falhas na higienização do ambiente e no manejo dos animais podem ocasionar  surtos de diarreia por Cryptosporidium. Além disso, muitas vezes por falta de informação  os produtores não administram o devido tratamento, ou o administram de forma errônea.  Também é importante salientar que muitas das perdas econômicas estão associadas ao  uso abusivo e indiscriminado de antibióticos por parte dos criadores, por pensarem se  tratar de diarreia bacteriana, o que ocasiona grande prejuízo econômico e, também,  desenvolvimento de resistência bacteriana aos antibióticos utilizados (FEITOSA et al.,  2008).  

O medicamento de escolha para prevenção e tratamento da criptosporidiose  bovina é a halofuginona. Seu efeito é criptosporidiostático, atuando sobre o ciclo do  parasito impedindo a sua reprodução no hospedeiro. O ideal é que o tratamento com a  halofuginona seja feito por 7 dias consecutivos, observando-se como ponto positivo a  redução da eliminação de oocistos e da duração da diarreia.  

Assim como em qualquer outro medicamento, é importante se atentar para a dose  recomendada – 2ml para cada 10 kg de peso vivo, uma vez ao dia, por via oral após a  alimentação dos bezerros. Os fabricantes da halofuginona não recomendam o seu uso em  animais que apresentam sinais de diarreia por mais 24 horas, devido ao animal  desidratado e comprometido ser mais susceptível à toxicidade do medicamento. De forma  geral, como medida profilática o medicamento deve ser administrado até 48 horas após o  nascimento e, como agente terapêutico, em até 24 horas após o início dos sintomas  (THOMSON et al., 2017).  

Considerações 

A higienização do ambiente e dos utensílios utilizados no aleitamento, além da  realização de vazio sanitário nas instalações, são etapas essenciais para o controle e  prevenção do Cryptosporidium. Bezerras com criptosporidiose tendem a apresentar  diarreia profusa que leva a uma rápida desidratação. A identificação precoce dos sinais  clínicos e o tratamento sendo prontamente estabelecido asseguram menores riscos para  as bezerras. Além disso, a coleta de fezes para o diagnóstico laboratorial de criptosporidiose consiste em uma alternativa interessante para maior compreensão dos  desafios da propriedade. 

Referências 

  • FEITOSA, Francisco LF et al. Importância de Cryptosporidium spp. como causa de  diarréia em bezerros. Pesquisa Veterinária Brasileira, v. 28, n. 10, p. 452-456, 2008. 
  • HELLER, Meera C.; CHIGERWE, Munashe. Diagnosis and treatment of infectious  enteritis in neonatal and juvenile ruminants. Veterinary Clinics: Food Animal Practice,  v. 34, n. 1, p. 101-117, 2018. 
  • SILVERLÅS, Charlotte; BJÖRKMAN, Camilla; EGENVALL, Agneta. Systematic  review and meta-analyses of the effects of halofuginone against calf  cryptosporidiosis. Preventive veterinary medicine, v. 91, n. 2-4, p. 73-84, 2009. 
  • THOMSON, Sarah et al. Bovine cryptosporidiosis: impact, host-parasite interaction and  control strategies. Veterinary Research, v. 48, n. 1, p. 1-16, 2017.

Para este e outros assuntos, siga-nos no Instagram! Clique AQUI.

Comentar