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Preparo do solo na implantação de lavouras de café

A implantação de uma lavoura de café é um período crucial devido ao cafeeiro ser uma cultura perene, e por isso permanecerá por muito tempo no campo, refletindo assim na longevidade e nos resultados de produtividade da lavoura. Por isso, essa etapa demanda grande foco do produtor, sempre em busca da excelência e consequentemente na colheita de bons resultados.

Em situações onde há dificuldade e/ou impedimento de expansão do sistema radicular, há prejuízos na absorção de água e nutrientes pelas plantas, acarretando assim em menor crescimento e produtividade da lavoura, visto que esses são fatores essenciais para um bom desenvolvimento do cafeeiro. Nesse sentido, um preparo de solo adequado proporciona melhores condições para o crescimento radicular, promovendo assim maior volume de solo explorado para absorção de água e nutrientes. Devemos ter em mente, que a implantação da lavoura é um momento ímpar para se realizar este trabalho de preparo do solo, principalmente em profundidade, com operações de aragem, gradagem e subsolagem.

Estudos

A descompactação do solo tem sua importância destacada no trabalho de Fernandes et al. (2012), realizado em uma lavoura adulta irrigada da cultivar Catuaí Vermelho, com espaçamento de 3,70 m entre linhas e 0,70 entre plantas. Neste estudo, foi feito uma subsolagem em setembro de 2009 utilizando nos tratamentos de uma a quatro hastes no subsolador (Tratamentos: T1- testemunha, T2- Subsolagem com uma haste, T3- Subsolagem com duas hastes, T4- Subsolagem com três hastes e T5- Subsolagem com quatro hastes). Os resultados de produtividade desse experimento podem ser observados na tabela abaixo (Tabela 1).

Tabela 1 – Produção do cafeeiro submetido à subsolagem (2009) por número de hastes.

Resultados do primeiro triênio 2010 a 2012, Campo experimental Izidoro Bronzi, Araguari, MG.

Preparo do solo

Como pode ser observado na média de 3 safras após a subsolagem, todos os tratamentos em que foi realizada essa operação foram superiores a testemunha (sem subsolagem), com destaque, as maiores médias de produtividade, 64 sc/ha e 58 sc/ha,  foram observadas quando se realizou a subsolagem com 2 hastes e 4 hastes, respectivamente, marcadas em verde na tabela. Quando se utilizou a subsolagem com 2 hastes, houve um acréscimo de 65% na produtividade, quando comparada à média obtida pela testemunha. Dessa forma, notamos a diferença quando se realiza a subsolagem no solo, em relação a testemunha.

Além disso, Carvalho (2012) observou que, cafeeiros com maiores valores de altura e produtividade coincidiam com áreas de menor resistência mecânica do solo a penetração. 

Preparo do solo:

No preparo do solo, adotamos práticas como aração, gradagem e/ou subsolagem, a fim de melhorar as condições do solo para favorecer o crescimento e desenvolvimento das plantas.

Para a decisão de qual manejo a ser realizado no preparo do solo, deve-se avaliar o grau de compactação da área, realizado com equipamentos utilizados para esse fim, penetrômetro ou penetrôgrafo, em que a partir da avaliação, podemos tomar a decisão do manejo para a área. Alguns sinais que indicam que o solo pode estar compactado são, crostas superficiais, fendas no solo e/ou empoçamento de água.

Função de cada implemento:

Aração:

A principal função dos arados é de propiciar ao solo melhores condições de aeração, infiltração, armazenamento de água. A aração do solo faz a inversão de camadas do solo, normalmente realizada na profundidade de 20 cm. Em áreas que é necessário a correção do solo com calcário, é feito uma aração em área total entre as aplicações, utilizada para incorporação de corretivos ou material orgânico com o solo.

No caso dos arados temos dois tipos, o de discos e o de aiveca. O arado de discos podemos utilizar discos lisos, que são mais indicados para solos mais arenosos, e discos recortados para solos mais argilosos e com maior volume de palhada, pois eles possibilitam uma maior penetração. No caso do arado de aiveca, ele possui uma superfície torcida que eleva, torce e inverte parcialmente a leiva cortada.

Subsolagem:

Quando se possui uma compactação em camadas abaixo de 20 cm, é recomendado a utilização do subsolador. A função do subsolador é romper camadas compactadas presentes principalmente nas camadas inferiores, trata-se de um implemento robusto que demanda grande força de tração. O número de hastes, angulação, espaçamento e o tipo, deve ser ajustado de acordo com a necessidade, mas de maneira geral quanto maior o número de hastes maior a potência requerida para seu tracionamento.

Preparo do solo

Subsolador (Foto: Luiz Paulo Vilela)

Gradagem:

Após a aração ou subsolagem, práticas já comentadas, ocorre a formação de torrão no solo. Para o destorroamento e nivelamento desse solo, é utilizado a gradagem, e o perfil de solo revolvido é superficial, cerca de 10 a 15 cm. O cuidado que se deve ter nessa operação é não entrar na área com solo úmido pois como consequência pode ocorrer o “pé de grade”, que é uma camada com 5 cm ou mais de espessura endurecida ou compactada com baixa capacidade de infiltração de água no solo, causando erosão laminar.

Preparo do solo

Grade (Foto: Flávio Moraes).

Recomendação na implantação

Alguns técnicos optam pela sequência: subsolador, grade, niveladora e sulcador, realizando assim uma boa preparação do solo. O subsolador, conforme sua recomendação é para a descompactação de camadas inferiores. Quando possível sua realização o mais profundo possível, pode trazer grandes benefícios, visto que o sistema radicular do cafeeiro pode atingir grandes profundidades.

Época de realização

É importante destacar que deve-se ter o cuidado na época de realização dessas práticas, visto que, dependendo das condições de chuva, pode facilitar a ocorrência de erosões hídricas, por isso, deve ser feita na época correta.

As operações aragem e gradagem, devem ser feitas ao final do período seco. No entanto, em casos com grande compactação do solo há a acentuada formação de torrões. Para isso, uma alternativa é esperar as primeiras chuvas, pois como mostrado por Sasaki (2005), que avaliou o desempenho de um subsolador em função da umidade do solo, ele chegou à conclusão que quando os teores de água estiveram entre 50 e 60% da capacidade de campo, os resultados operacionais foram melhores e a qualidade técnica do preparo de solo mais adequada. Um entrave que pode ocorrer é que, com a espera, a janela de tempo para as operações fica estreita, por isso, o planejamento deve sempre ser revisado para evitar o atraso do plantio.

Sulco de plantio:

Após a descompactação do solo e incorporação de corretivos e/ou material orgânico na área, é momento de realizar a abertura do sulco de plantio. Essa operação é feita com o sulcador, e é nesse momento que podemos adicionar calcário complementar, material orgânico e fertilizantes que vão ficar próximos as raízes da lavoura.

A orientação dos sulcos  após a decisão de espaçamento entre linhas, deve ser bem planejada, de forma que futuramente no manejo da lavoura se tenha o menor número de manobras possíveis de maquinários, desde adubação, tratamentos fitossanitários até a colheita, e de preferência em nível para evitar com que ocorra carreamento do solo do colo da planta após o plantio. Esta pratica deve ser alinhada de maneira que as linhas fiquem paralelas com a mesma distância. Para isso ser feito, devemos utilizar de ferramentas, podendo ser simples como uma barra na frente do trator (podendo ser feita com bambu), que  demonstra a distância entre as linhas ou pode ser utilizados ferramentas como o GPS.

Considerações 

A decisão de preparo do solo para o plantio varia conforme o tipo de solo, o grau de compactação, vegetação, fertilidade. No entanto, conforme já citado, devido ao café ser uma cultura perene, que ficará por muitos anos no campo, deve-se levar em consideração a oportunidade de realizar esse preparo adequado do solo antes do seu plantio, por isso, colocar na balança o valor do investimento, que é a base para proporcionar melhores condições para o desenvolvimento radicular e consequentemente, boa formação e produtividade da lavoura.

Referências

  • CARVALHO, L. C. C. Variabilidade espacial de atributos físicos do solo e características agronômicas da cultura do café. 2012. (Link)
  • FERNANDES, A. L. T., SANTINATO, F., & SANTINATO, R. Utilização da subsolagem na redução da compactação do solo para produção de café cultivado no cerrado mineiro. Enciclopédia Bioesfera, Centro Científico Conhecer, Goiânia, 8(15), 1648. 2012. (Link)
  • JÚLIO CÉSAR D. C. MANEJO DO SOLO Adubação e calagem, antes e após a implantação da lavoura cafeeira. (circular nº120). Londrina -PR, 2002. 36p. (Link)
  • SASAKI, C. M. Desempenho operacional de um subsolador em função da estrutura, do teor de argila e de água em três latossolos. Tese de Doutorado. Universidade de São Paulo,  2005. (Link)

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