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Identificação dos estádios fenológicos da cultura da soja

Muitas culturas de grãos de interesse agronômico possuem definições de seus estádios de desenvolvimento e, tão importante quanto saber manejar uma lavoura é saber em qual estádio fenológico ela se encontra e quais são as peculiaridades deste momento. Para isso, reunimos neste texto um detalhamento dos estádios fenológicos da soja e, os momentos “chave” de maior sensibilidade à estresses hídricos, bem como, para realizar monitoramento/controle de pragas, doenças e plantas daninhas, visando altas produtividades e melhor utilização de recursos. 

O desenvolvimento da soja pode ser dividido em dois momentos importantes: o período vegetativo (V), onde a planta está priorizando o seu crescimento e acúmulo de reservas e o período reprodutivo (R) onde as flores se desenvolvem e inicia-se a formação do produto de interesse, os grãos.

Estádio vegetativo (V):

O período vegetativo é subdivido e suas denominações podem ser com letras seguidas do (V) ou números. Após a semeadura da soja e o processo de embebição das sementes, dá-se início ao processo germinativo e ao período vegetativo, fique atento:

VE

Período de emergência da plântula, onde os cotilédones ficam acima do solo, o que a caracteriza como germinação epígea. Neste momento a presença de pombas na área pode levar a uma redução de estande. É um período crítico também ao ataque de patógenos e pragas de solo;

estádios fenológicos da soja

Fonte: Normam Neumaier

VC

Cotiledonar, onde os cotilédones se encontram totalmente desenvolvidos e completamente abertos, curvados para baixo e os bordos das folhas unifolioladas não mais se tocam. Este período pode durar de 3 a 10 dias. Período crítico também ao ataque de patógenos e pragas de solo;

estádios fenológicos da soja

Fonte: Normam Neumaier

V1

Completo desenvolvimento das folhas unifolioladas e a primeira folha trifoliolada com os bordos não mais se tocando. Caracterizado e identificado também pelo primeiro nó. Nesta fase, os patógenos de solo e pragas como coleópteros podem afetar o estabelecimento da cultura;

estádios fenológicos da soja

Fonte: Normam Neumaier

V2

Pode ser definido como o segundo nó ou a segunda folha trifoliolada em que os bordos não mais se tocam. Do estádio V1 ao V2 é que se dá o início da nodulação e o processo de Fixação Biológica do Nitrogênio (FBN), portanto, neste momento deve ser observado de 4 a 8 nódulos por planta. No estádio V2, o ataque de pragas e doenças de solo também devem ser monitorados e a partir daqui inicia-se o período de matocompetição, ou seja, plantas daninhas podem passar a competir com a soja por recursos (água, nutrientes e espaço);

estádios fenológicos da soja

Fonte: Normam Neumaier

V3 e V4 

A planta apresenta 3 nós e a terceira folha trifoliolada já se encontra com os bordos não mais se tocando e 4 nós e a quarta folha trifoliolada com bordos não mais se tocando, respectivamente. Neste período compreendido entre V3 e V4 a presença de nódulos deverá aumentar onde serão observados no mínimo 10 nódulos por planta;

estádios fenológicos da soja

V5 

A planta apresenta 5 nós e, neste momento, define-se a partir de processos fisiológicos o potencial de nós que a planta poderá ter. Cada nó será responsável por um ramo lateral, cujas vagens serão formadas, portanto, este período é importante para definição do potencial da cultura; 

Vn

Enésimo nó, este é o estádio anterior ao surgimento de flores e entrada no período reprodutivo.

Estádio Reprodutivo (R):

R1

Início do florescimento, ao menos uma flor aberta em qualquer parte da haste principal;

estádios fenológicos da sojaFontes: Danilo Estevão e IPNI

R2

Florescimento pleno e uma flor aberta em um dos 2 últimos nós do caule com folha completamente desenvolvida. No período compreendido entre R1 e R2 a planta se encontra mais sensível ao ataque de insetos praga, portanto, o monitoramento deve ser constante. A partir de R2, inicia-se a rápida acumulação de matéria seca e de nutrientes na planta, sendo este o período recomendado para fazer a coleta de folhas para análise dos teores de nutrientes foliares e avaliação da qualidade nutricional do solo.

estádios fenológicos da soja

Fontes: Danilo Estevão e IPNI

R3

Início do desenvolvimento das vagens, conhecido também como fase de canivetinho, onde as vagens apresentam até 5 mm de comprimento. Este estádio é de grande importante para definição de componentes de rendimento da planta, como número de vagens por planta, sendo sensível às condições ambientais, onde o estresse hídrico pode causar abortamento de vagens;

estádios fenológicos da soja

Fontes: Danilo Estevão e IPNI

R4

Vagens completamente desenvolvidas e apresentando cerca de 2 cm de comprimento em um dos 4 últimos nós do caule com folha completamente desenvolvida. A partir desse estádio até R5.5 ocorre rápida acumulação de matéria seca pelas vagens;

Fontes: Danilo Estevão e IPNI

R5 

Início da formação e enchimento dos grãos, período caracterizado também pelo rápido enchimento de grãos, onde ocorre redistribuição de matéria seca e nutrientes das partes vegetativas para os grãos. O estádio R5 é subdividido em 5 pontos, onde correspondem ao enchimento dos grãos até atingirem seu tamanho potencial. Ataques de sugadores como percevejos é um grande limitante para o potencial produtivo. Quando os ataques são nos estádios iniciais de R5 pode não haver formação de grãos e nos estádios mais tardios de R5 poderá ocorrer a redução do tamanho e peso dos grãos. Além disso, condições de estresse também poderão reduzir o peso dos grãos;

  • R5.1 – grãos perceptíveis ao tato, equivalente à 10% da granação;
  • R5.2 – Granação de 11 a 25%;
  • R.3 – Granação de 26 a 50%;
  • R5.4 – Granação de 51 a 75%;
  • R5.5 – Granação de 76 a 100%.

R6

Grão verde ou vagem cheia, nesta fase o grão ocupa toda a cavidade da vagem. O rápido amarelecimento das folhas (senescência) começa após este estádio e continua acentuadamente até R8;

Fonte: IPNI

R7

Início da maturação fisiológica dos grãos, neste período será observado ao menos uma vagem madura, localizada na haste principal, com coloração marrom ou palha. A maturidade ocorre quando se cessa o acúmulo de matéria seca, nesta fase os grãos apresentam cerca de 60% de umidade e a partir daqui a umidade tende a cair;

Fonte: IPNI

R8 

Maturidade completa, neste período 95% das vagens encontram-se maduras e serão necessários cerca de 5 a 10 dias para que a umidade atinja 15% ou menos. Desta forma, o momento de colheita dos grãos é crucial e a umidade adequada para esta tarefa é de 13%, mas colheita com umidade pouco acima desse valor também pode ser considerada, devendo lembrar que os custos com secagem para posterior armazenamento serão incluídos.

Dicas importantes para o momento da colheita para evitar perdas na lavoura e qualidade do grão:

  • Velocidade adequada;
  • Verificar abertura do côncavo da colhedora;
  • Avaliar velocidade do cilindro;
  • Aferir as peneiras e velocidade do ar de ventilação;
  • Regular altura de corte a fim de minimizar perdas.

Referências: 

IPNI – Como a planta de soja se desenvolve. http://brasil.ipni.net

Neumaier, N., Nepomuceno, A. L., Farias, J. R. B., & Oya, T. (2000). Estádios de desenvolvimento da cultura de soja. Estresses em soja. Passo Fundo: Embrapa Trigo, 19-44.

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