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Defeitos dos grãos de café e suas causas

Diversos fatores podem causar defeitos aos grãos de café. Esses defeitos podem ser oriundos da sua produção, processamento, armazenamento, ação de microorganismos, ação de pragas, alterações fisiológicas e genéticas, que interferem diretamente no tipo do café e consequentemente na sua precificação. 

A identificação e conhecimento da origem dos defeitos nos possibilita aprimorar o nosso manejo de lavoura ou o manejo na pós-colheita do café, visando evitar a ocorrência desses defeitos, que depreciam o café. Nesse texto vamos abordar os principais defeitos encontrados em um lote de café beneficiado bica corrida, para isso devemos entender primeiro como é feita a classificação desse lote. 

Na classificação física do lote é recomendado pela INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 11 DE JUNHO DE 2003 uma amostra de trabalho de 300 g homogênea. Deve-se separar os defeitos dessa amostra. Com os defeitos separados, a categorização do lote pode ser dado em catação, que é a pesagem de todos os defeitos e convertido em porcentagem (exemplo: uma amostra de 300 g foi pesado 30 g de defeitos, logo a amostra possui 10% de catação), esta classificação para o produtor não é satisfatória para a correção de seu manejo pois falta a descrição de que tipos de defeitos apresenta em seu café.

Outra classificação é por meio da equivalência de defeitos, em que se separa todos os defeitos encontrados e os quantifica, e cada defeito apresenta uma equivalência como apresentado na tabela 1. Esta classificação pode ser usada para observar qual o defeito mais prejudica o lote de café e assim buscar alternativas para solução do problema.

Tabela 1 – Classificação do Café Beneficiado Grão Cru quanto à equivalência de defeitos (intrínsecos):

Sobre os defeitos e sua origem nos lotes de cafés, podemos dividir em dois grupos, os defeitos intrínsecos, que são defeitos que ocorrem nos grãos de café, e defeitos extrínsecos, que não ocorrem nos grãos de café e podem ser encontrados na amostra.

Defeitos Intrínsecos nos grãos de café

Grão Verde ou imaturo

Grãos que não completaram o amadurecimento e apresentam a película prateada ainda aderida, com coloração verde em tons diversos. 

grãos de café

Figura 1. Grão verde.

A causa dos grãos verdes é  colheita prematura do fruto e no processo de secagem podemos apresentar mais um tipo de defeito que é causado pela secagem intensa e com alta temperatura, que é o grão Preto Verde, que diferente do defeito grão preto se apresenta brilhante por ainda ter a película prateada aderida, e deve ser considerado como defeito ardido.

Figura 2. Grão preto verde.

Grão ardido

Grãos que por meio de alguma fermentação apresenta a coloração marrom, em diversos tons.

grãos de café

Figura 3. Grão ardido.

O grão ardido está como o segundo pior defeito a ser encontrado em um lote, ele pode ser resultado de fermentações de microrganismos que pode ocorrer na lavoura ou na falta de revolvimento na secagem, terreiros com fendas ou buracos onde podem ficar alguns grãos é comum encontrar grãos como esse. 

Grão Preto

Grão com coloração preta opaca, categorizado como o pior defeito a ser encontrado no lote de café.

Figura 4. Grão preto.

Se origina da permanência do fruto na planta por muito tempo, ou grãos que estavam em contato com o solo afetando seu aspecto, são grãos em apodrecimento.

Grão Brocado

Grão danificado pela broca do café ainda na lavoura, podendo ser dividido em brocado limpo, brocado rendado e brocado sujo.

grãos de café

Figura 5. Grão brocado.

A diferença entre esses três tipos de brocado é que o brocado limpo é aquele que apresenta até três furos sem partes pretas no grão, o brocado rendado apresenta três ou mais furos sem partes pretas no grão, e o brocado sujo é aquele grão que apresenta parte pretas ou azuladas junto aos furos da broca do café. A equivalência do grão brocado varia de 2 a 5, de acordo com a classificação entre os 3 tipos. 

Para conhecer mais sobre essa praga, e como controlá-la, acesse nosso artigo técnico sobre a broca do café.

Grão Cabeça e mal formados

O grão mal formado é um grão com formação incompleta apresentando-se com pouca massa e, às vezes, com a superfície enrugada. Já o grão cabeça é composto por dois grãos imbricados, oriundos da fecundação de dois óvulos em uma única loja do ovário, neste caso, ele não será considerado defeito, a menos que se separe, dando origem à concha e ao miolo de concha.

grãos de café

Figura 6. Grão mal formado.

Grão Concha e Miolo de Concha

O grão concha e miolo de concha é resultante da separação de grãos imbricados ou grão cabeça.

Figura 7. Grão concha e miolo de concha.

O grão concha é considerado um defeito com equivalência de 3:1, enquanto o miolo de concha é categorizado junto com os grãos quebrados.

Grão quebrado ou esmagado

Os grãos esmagados ocorrem principalmente quando o grão possui alta umidade, e é ocasionado por esmagamento de maquinários. Já os grãos quebrados são mais comuns de ser encontrados quando o grão está com baixa umidade (abaixo de 10 % de umidade), pois ficam mais quebradiços, principalmente no beneficiamento. A regulagem e dimensionamento adequados de equipamentos como descascadores e desmuciladores na via úmida e máquinas de beneficiamento podem evitar a quantidade desse defeito encontrado na amostra.

Figura 8. Grão quebrado.

Defeitos Extrínsecos

Além dos defeitos apresentados podemos encontrar defeitos extrínsecos na amostra, que são aqueles que não são grãos de café, estes possuem uma penalidade maior na amostra como mostra a tabela 2, sua equivalência é de acordo com o tamanho do defeito encontrado e todos eles podem ser evitados pela regulagem adequada dos equipamentos.

Tabela 2 – Classificação do Café Beneficiado Grão Cru quanto à equivalência de impurezas (extrínsecos).

Defeito Coco

É o grão que não teve sua casca retirada no beneficiamento.

Figura 9. Defeito coco.

Defeito Marinheiro

Grão que, no beneficio, o pergaminho não foi total ou foi parcialmente retirado.

Figura 10. Defeito Marinheiro.

Defeito Pau, Pedra, Torrão e materiais estranhos

Impurezas e outros detritos que contaminam o lote.

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Figura 11. Defeito pau, pedra e materiais estranhos.

Defeito Casca

Fragmento de casca seca do fruto do cafeeiro, de diversos tamanhos.

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Figura 12. Defeito casca.

Referências

  • INSTRUÇÃO NORMATIVA Nº 8, DE 11 DE JUNHO DE 2003. (Link)

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