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Como interpretar uma análise de solo e fazer os cálculos de recomendação

Como interpretar uma análise de solo e fazer os cálculos de recomendação de nitrogênio, fósforo e potássio (com exemplo prático)

No mercado do Agronegócio, não existe espaço para a dúvida. Em um setor que movimenta milhões, profissionais de todas as pontas da cadeia devem ter segurança máxima para exercer suas funções com excelência.

No dia a dia do campo, sabemos que a análise do solo é uma ferramenta valiosa, que ampara com exatidão os próximos passos do manejo, como a adubação racional. 

Com o resultado em mãos, devemos conhecer bem os parâmetros que buscamos, para realizarmos os cálculos de recomendação dos nutrientes corretamente. 

Quando há escassez de nutrientes no solo, os sintomas de deficiência se manifestam e, neste ponto, as alterações no metabolismo da planta já ocorreram, o que significa que a produção já está sendo comprometida e o prejuízo já está ocorrendo.

Por isso, faz-se necessário uma recomendação adequada de nutrientes, suprindo todas as demandas do cafeeiro.

Neste artigo, vamos demonstrar, passo a passo, como realizar os cálculos de recomendação de:

  1. Nitrogênio;
  2. Fósforo;
  3. Potássio.

Para isso, vamos usar um exemplo prático. Acompanhe abaixo:

Tabela 1. Resultado da análise de solo de 0 – 20 cm de profundidade em lavoura de café.

Informações do talhão 1: 

  • Lavoura com 8 anos de idade.
  • Produtividade esperada para esse ano agrícola: 25 sc/ha.
  • Produtividade esperada para a safra seguinte a esse ano agrícola: 45 sc/ha.
  • Teor de argila do solo: 40%

Tabela 2. Padrões referenciais médios para avaliação de resultados de análise de solo na cultura do café.

Fonte: Luiz Paulo Vilela – Coordenador da equipe Rehagro Café e consultor técnico.

Cálculo para recomendação de nitrogênio (N):

Como não há resultado de teor de nitrogênio na análise de solo, devido a sua dinâmica no solo, a recomendação para esse nutriente é feita com base na expectativa de produtividade esperada para a cultura:

N (Kg/ha) = (produção (em sacas por ha) x 2,6) + (próxima safra (em sacas por ha) x 3,6)

Calculando:

N (Kgs/ha) = (25 sc/ha x 2,6) + (45 sc/ha x 3,6)

N (Kgs/ha) = 65 + 162

N (Kgs/ha) = 227 kg/ha de nitrogênio.

Se a fonte utilizada for a uréia, que possui 45 % de N, serão necessários:

No entanto, é necessário calcular a demanda de ureia com base na sua eficiência (perdas por volatilização), que pode ser considerada de 60 a 80% dependendo das condições, assim consideramos 70%:

504,4 Kg de uréia / 0,70 (eficiência) = 720,6 Kg de uréia por ha

Dessa forma, com base nos cálculos, para essa lavoura com produtividade esperada para esse ano agrícola de 25 sacas por hectare e para a safra do ano seguinte de 45 sacas por hectare, é recomendado a aplicação de 227 kg/ha de nitrogênio. Utilizando a fonte uréia é demandado 720 kg desse fertilizante por hectare, considerando sua eficiência de 70%.

Cálculo para recomendação de fósforo (P):

Na análise foi utilizado o extrator Mehlich 1, e o teor de fósforo é 15,5 mg/dm3, mas eu quero atingir 20 mg/dm3 (tabela 2). Por isso, é necessário aumentar 4,5 mg/dm3.

20 mg/dm3 (teor desejável) – 15,5 mg/dm3 (teor no solo) = 4,5 mg/dm3.

Conforme a tabela abaixo, utilizando o extrator Mehlich, para elevar 1 mg/dm3 de fósforo em um solo com 40% de argila, é necessário 30 kg de P2O5 (marcado em vermelho):

Tabela 3. Valores do fator CT (capacidade tampão de fósforo) para estimar a dose do adubo fosfatado, em função do teor de argila no solo, para os métodos de Mehlich 1 e resina. 

Dessa forma, se eu desejo aumentar 4,5 mg/dm3:

Utilizando a fonte de Superfosfato Simples que possui 18% de P2O5, teremos que aplicar:

Dessa forma, a quantidade de Superfosfato Simples recomendada será de: 750 kg desse fertilizante por hectare.

** Se o extrator utilizado for o resina, devemos olhar os parâmetros para se trabalhar no solo com o extrator resina (tabela 2), e verificar quantos kg de P2O5 é necessário para aumentar no solo 1 mg/dm3 de P (tabela 3). Após isso, realizar os mesmos cálculos exemplificados acima.

Cálculo para recomendação de potássio (K): 

Para o nutriente potássio, pode-se trabalhar para manter 120 mg/dm3 no solo (tabela 2), adicionado a extração pela cultura, de acordo com a produção e vegetação:

  • Recomendação de K para produção e vegetação:

K (kg/ha) = (produção x 3) + (vegetação x 2,9) 

K (kg/ha) = (25 sc x 3) + (45 sc x 2,9) 

K (kg/ha) = 75 + 130,5 = 205,5 kg/ha de K2O

  • Recomendação de K para manter um nível de segurança no solo:

Como o solo já está com teor de potássio acima de 120 mg/dm3, vamos calcular para descontar essa reserva do solo da quantidade de potássio demandada para aplicação:

153,0 mg/dm3 (teor no solo) – 120 mg/dm3 (nível para manter no solo) = 33 mg/dm3

Em cmolc/ dm3 essa quantidade corresponde a: 0,08 cmolc/dm3 que preciso aumentar no meu solo: 

Para aumentar 1 cmolc/dm3 é necessário 942 Kg de K2O por hectare:

Recomendação de potássio:

205,5 kg/ha de K2O (para produção e vegetação) – 75,4 Kg de K2O/ha (reserva do solo) = 130,1 Kg de K2O/ha.

Se a fonte utilizada for o cloreto de potássio, que contém 60% de K2O:

Tabela 4. Demanda de nitrogênio, fósforo e potássio por hectare para essa lavoura:

Exemplificamos acima, como é feita a recomendação de adubação para os nutrientes NPK, com base na análise de solo, e nas condições da lavoura exemplificadas neste material.

E então?

Da próxima vez que a análise de solo chegar, você vai estar pronto para fazer uma recomendação adequada? 

Essa interpretação e esses cálculos geram muitas dúvidas, até mesmo nos mais experientes profissionais.

Mas precisamos saber realizá-los com exatidão, porque são a base de planejamento para outras etapas de importância crucial na produção.

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