Rehagro Blog

O que você precisa saber sobre o nitrogênio na cultura do café

Nitrogênio

  • É o nutriente mais exigido pelas plantas.
  • A absorção do nitrogênio pelas plantas é feito via: NO3 (nítrica – predominante em condições naturais), NH4+ (amoniacal), ureia.
  • Transporte via xilema – corrente transpiratória.
  • É um nutriente altamente móvel, dessa forma, os sintomas de deficiência ocorrem inicialmente nas folhas velhas.

pH x absorção de N

O pH ácido inibe a absorção do NH4+ e favorece a do NO3, já em pH neutro/alcalino o contrário é observado. Possivelmente, devido a efeitos competitivos do H+ e OH no processo de absorção do NH4+ e do NO3, respectivamente. (FAQUIN, 2005).

Funções do Nitrogênio

  • Constituinte de aminoácidos e proteínas.
  • Constituinte de ácidos nucléicos.
  • Constituinte da clorofila.

Figura 1. Molécula de clorofila (Fonte: Google imagens)

Deficiência de nitrogênio

Os sintomas de deficiência desse nutriente na cultura do café é uma clorose – amarelecimento – que aparece inicialmente nas folhas velhas.

Em condições de deficiência podem ser observadas folhas pequenas, devido ao nitrogênio atuar na formação de folhas. Além disso, pode ser observada desfolha, morte dos ramos, acarretando em menor atividade fotossintética.

nitrogênio no café

Figura 2. Sintomas de deficiência de nitrogênio em café (Foto: Diego Baquião).

nitrogênio no café

Figura 3. Lavoura com deficiência de nitrogênio. (Foto: Luiz Paulo Vilela)

Já em condições de excesso de nitrogênio, pode acarretar em favorecimento de doenças como a Phoma e Bacterioses.

Cálculo de recomendação de nitrogênio na cultura do café

Exemplo de cálculo, seguindo a fórmula da Fundação PROCAFÉ:

N (Kgs/ha) = (produção (em sacas ha)x 2,6) + (próxima safra (em sacas ha) x 3,6)

Condições da lavoura:

  • Produção do ano: 40 sacas
  • Produção esperada para a próxima safra: 28 sacas

Recomendação de nitrogênio para produção e vegetação:

N (Kgs/ha) = (40 sacas x 2,6 kg de N) + (28 sacas x 3,6 kg de N)

N (Kgs/ha) = 104 + 100,8 = 204,8 kg de N

Após calculada a dose de nitrogênio necessária, deve se escolher o fertilizante a ser utilizado. Dentre as fontes de fertilizantes nitrogenados, podemos citar:

nitrogênio no café

Fonte: Raij et al. (1997)

Para o exemplo, vamos utilizar o nitrato de amônio, que contém 33% de nitrogênio:

Para os fertilizantes nitrogenados, temos que considerar a eficiência dos mesmos. Para a uréia consideramos uma eficiência de 70%, já para o nitrato consideramos uma eficiência de 90%.

Para o nosso exemplo, como utilizamos nitrato:

Em seguida, calcula-se a porcentagem a ser aplicada em cada parcelamento, que pode ser considerada: 30%, 40% e 30%. Por fim, faz-se a conta da quantidade de adubo por metro linear ou por planta (considerando o espaçamento).

Indicador de nitrogênio por saca de café

O indicador que utilizamos em nossos clientes de consultoria para verificar a eficiência, é quantos quilos de nitrogênio tenho gasto por saca de café produzida. Para chegar a este número deve-se dividir o total de nitrogênio gasto por safra pelo total de sacas de café produzida.

É importante avaliar este indicador por biênios, pois avaliando em um ano somente poderá ser mascarado pela bienalidade da produção.

O benchmarking para este indicador é a faixa de 6 a 8 kg de N/sc.

  • Se estiver abaixo de 6,0 kg de N/sc ÓTIMO, mas cuidado!
  • 8 a 9,0 kg de N/sc há margem para melhora.
  • Acima de 9,0 kg de N/sc há muita margem para melhora.

Cuidados na adubação quando se utiliza a ureia:

A ureia se destaca como um dos fertilizantes nitrogenados mais utilizados, no entanto, a aplicação de ureia no solo sem os devidos cuidados pode promover altas perdas por volatilização, na cultura do café essa perda pode chegar até 30% (DOMINGHETTI et al., 2016). Isso ocorre devido à formação do gás amônia (NH3), que é volátil, sendo uma das etapas intermediárias da hidrolise da ureia no solo.

Cuidados:

  • Evitar a aplicação de ureia em solos úmidos, sempre preferindo sua aplicação em solos secos, com boa previsão de chuvas nas próximas horas.
  • Cuidado com a aplicação de ureia em condições de muita matéria orgânica, pois a enzima uréase (produzida por bactérias, fungos de solo ou originada de restos vegetais) é responsável pela hidrolise da ureia, podendo haver perdas.
  • Cuidado com a aplicação de ureia em solos com pH alcalino, que favorece a formação de amônia, que é volátil.

Teor de nitrogênio das folhas:

Tabela 2. Parâmetros para análise de folha do cafeeiro, para o nutriente nitrogênio ao longo dos meses do ano:

nitrogênio no café

** Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / ha Folhas recém – amadurecidas (Resultados na matéria seca).
Fonte: E. Malavolta / G.C.Vitti

Com base nesses parâmetros de Malavolta e Vitti podem ser realizados ajustes nas adubações com nitrogênio para o café.

Considerações:

Por isso, devemos ter atenção para se realizar uma recomendação adequada de nitrogênio para a cultura do café, evitando assim problemas com deficiências desse nutriente que pode afetar o metabolismo e consequentemente a produtividade da cultura. É importante também estarmos atentos aos índices de nitrogênio na análise de folha e aos indicadores de N por saca de café produzida na média de duas safras, a fim de verificar se estamos aplicando mais ou menos nitrogênio que o necessário para a cultura, sempre buscando uma alta produtividade e lucratividade ao produtor.

Referências:

  • DOMINGHETTI, A. W. et al. Nitrogen loss by volatilization of nitrogen fertilizers applied to coffee orchard. Ciência e Agrotecnologia, Lavras, v. 40, n. 2, p. 1-11, mar./abr. 2016.
  • FAQUIN, V. Nutrição mineral de plantas. 2005.
  • FURTINI NETO, A. E., VALE, F. D., RESENDE, A. D., GUILHERME, L. R. G., & GUEDES, G. D. A. Fertilidade do solo. Lavras: Ufla/Faepe, 252. 2001.
  • MALAVOLTA, E., VITTI, G. C., & OLIVEIRA, S. A. D. Avaliação do estado nutricional das plantas: princípios e aplicações. 1997.
  • PROCAFÉ
  • RAIJ, B. VAN; CANTARELLA, H.; QUAGGIO, J. A. & FURLANI, A. M. C., Eds. Recomendações de adubação e calagem para o Estado de São Paulo. Campinas. Instituto Agronômico. 285 p. (Boletim técnico, 100). 1997.

Comentar