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Zinco na cultura do café

O zinco é um micronutriente essencial para a nutrição de plantas. Se tratando da cultura do café, isso não é diferente, este elemento exerce grandes funcionalidades no metabolismo da planta, sendo imprescindível para uma boa produção final da safra. Apesar de ser demandado em menores quantidades, quando comparado a outros nutrientes, principalmente os macronutrientes, não o torna menos importante, pois cada macro e micronutriente tem sua função especifica dentro da planta, dessa forma, sendo necessário a presença de todos em quantidades suficientes para seu bom funcionamento. 

Funções do Zinco:

Este elemento está intimamente ligado ao crescimento da planta de café, uma vez que tem entre suas funções a síntese do aminoácido triptofano, que é percursor do regulador de crescimento auxina, sendo responsável pelo crescimento de tecidos vegetais. Também, o zinco está ligado a diversas reações enzimáticas e fotossintéticas. Além disso, outras funções também estão ligadas a esse nutriente, como produção de açucares e síntese de proteínas. 

Sintomas de deficiência de Zn:

Na ausência deste elemento a planta apresenta sinais bem característicos, como exemplo a presença de internódios curtos, com folhas novas pequenas, estreitas e cloróticas. Em alguns casos surgem rosetas na ponta dos ramos plagiotrópicos, comumente chamado de “vassoura de bruxa”. Os sintomas de deficiência são observados inicialmente nas folhas mais novas, uma vez que este nutriente apresenta baixa mobilidade na planta, dessa forma, não permitindo que se desloquem das folhas velhas para as folhas novas.

zinco na cultura do café

Figura 1. Sintomas de deficiência de zinco em cafeeiro. (Foto: Luiz Paulo Vilela).

zinco na cultura do café

Figura 2. Sintomas de deficiência de zinco em cafeeiro. (Foto: PROCAFÉ).

Sintomas de deficiência de Zn x toxidez por glyphosato

Devemos ter o cuidado para não confundir os sintomas de deficiência de zinco, com a toxidez por glyphosato, visto que eles são parecidos, conforme mostra a figura abaixo:

zinco na cultura do café

Figura 3. Sintoma de toxidez por glyphosato (Foto: Larissa Cocato).

Excesso de Zn:

Considerando todos os nutrientes, o equilíbrio sempre é necessário, por isso, tanto a deficiência quanto excesso de qualquer nutriente são prejudiciais, e para o zinco isso não é diferente. Abaixo, temos a foto de uma lavoura com altos teores de zinco, apresentando 15 mg/dm3 no solo, acarretando em toxidez deste nutriente. Vale destacar que os sintomas de deficiência e de excesso são parecidos, por isso, é importante estar atento ao que foi realizado de manejo na lavoura.

zinco na cultura do café

Figura 4. Sintoma de excesso de zinco em cafeeiro. (Foto: Daniel Veiga).

Características do zinco no solo:

O zinco na solução do solo ocorre na forma Zn2+, forma essa que é absorvida pelas plantas. Devemos nos atentar em relação a disponibilidade desse nutriente via solo, visto que, sua concentração diminui cerca de 100 vezes com o aumento de uma unidade no pH, como mostra o gráfico abaixo, com o aumento do pH, há a redução da disponibilidade de alguns micronutrientes, como ferro, cobre, manganês e o zinco.

Figura 5. Gráfico de disponibilidade de nutrientes em função do pH. (Fonte: Adaptado de Matiello).

Além disso, condições de altos teores de fósforo, também afetam a disponibilidade desse nutriente. Não é comum se observar essa condição no campo, mas é importante saber que há um antagonismo entre os nutrientes P e Zn, dessa forma, altas concentrações de fósforo, acarretam em baixa disponibilidade de zinco. 

Por isso, torna-se imprescindível estar atento aos teores de zinco tanto via solo, quanto via foliar.

Teor de no solo e na folha

Após realizado as adubações de zinco na lavoura, ou suas pulverizações com fontes de zinco, é importante sempre fazer o acompanhamento deste micronutriente, tanto via solo quanto via foliar, para evitar que sua lavoura sofra com as perdas das funcionalidades que este elemento irá trazer para as plantas. 

Na análise foliar, teores considerados adequados se tratando do cafeeiro estão na faixa de 10-20 ppm ou 10-20 mg/dm3. Malavolta e Vitti mostram os teores adequados de zinco na folha de acordo com os meses do ano, conforme mostra a tabela abaixo:

Tabela 1. Fonte: Adaptado de E. Malavolta / G.C.Vitti

Já para análise de solo, de acordo com o Procafé, níveis de zinco abaixo de 1,5 mg/dm3 são considerados baixos e entre 1,5-3,0 mg/dm3 são considerados médios, e acima de 3,0 mg/dm3 são considerados altos. 

Recomendação:

Dessa forma, os técnicos buscam trabalhar com um teor de zinco no solo acima de 3,0 mg/dm3, no entanto, para o manejo deste nutriente, devemos estar atentos ao teor de argila dos solos, se o solo é mais arenoso ou mais argiloso, uma vez que, em solos mais argilosos, o zinco fica muito retido no solo, nestes casos, a aplicação de zinco via foliar é mais eficiente. Além disso, pelo fato dos micronutrientes serem demandados em menores quantidades, a aplicação via foliar é bem recomendada, e também acarreta em respostas mais rápidas após a aplicação. No entanto, quanto possível, e em solos mais arenosos, o fornecimento tanto via solo quanto via folha é desejável, devido a ação mais residual do fornecimento via solo e mais rápida do fornecimento via folha, sempre estando atento aos níveis adequados do zinco.

Referências:

  • FAQUIM, V. Nutrição mineral de Plantas. Universidade Federal de Lavras – UFLA. FAEPE, 2005.
    MALAVOLTA, E. & VITTI, G. C. Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / há – FOLHAS RECEM – AMADURECIDAS (Resultados na matéria seca).
  • MALAVOLTA, E. & VITTI, G. C. Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / há – FOLHAS RECEM – AMADURECIDAS (Resultados na matéria seca).
  • PROCAFÉ.
  • MALTA, Marcelo Ribeiro et al. Efeito da aplicação de zinco via foliar na síntese de triptofano, aminoácidos e proteínas solúveis em mudas de cafeeiro. Brazilian Journal Of Plant Physiology, Lavras, v. 14, p. 31-37, 2002.

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