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Você sabe como calcular a recomendação para adubação com NPK para cafeeiros em produção?


Tabela 1. Florada de cafeeiro adulto (Foto: Diego Baquião).

A adubação é um aspecto muito importante que influencia na produtividade da cultura. Nesse sentido, um fornecimento adequado dos nutrientes tem interferência direta em seu crescimento.

Nitrogênio

Para calcular a demanda de nitrogênio para lavouras de café em produção, é utilizada a fórmula da PROCAFÉ, que considera a produtividade esperada para as safras seguintes, conforme a fórmula abaixo:

N (Kgs/ha) = (produção (em sacas por ha) x 2,6) + (próxima safra (em sacas por ha) x 3,6)

Nessa fórmula, a demanda de N é calculada com base na produção esperada em sacas por hectare naquele ano agrícola, multiplicada por 2,6. Esse valor  é somado a produção esperada na safra seguinte, em sacas por hectare, multiplicada por 3,6. A partir desse cálculo, temos como resultado a quantidade de nitrogênio que deverá ser aplicada naquela safra em quilos por hectare.

Exemplo:

Se naquele ano agrícola a produção esperada é de 40 sacas/ha e na safra seguinte é de 25 sacas/ha:

N (kgs/ha) = ( 40 sc x 2,6) + (25 sc x 3,6) = 104 + 90 = 194 kg de N por hectare

Então, a demanda para essa lavoura é de 194 kg de nitrogênio por hectare, que deve ser parcelada em pelo menos três adubações.

Fontes de nitrogênio

Após calculada a necessidade de nitrogêniopor hectare e determinada a fonte a ser utilizada, faz-se o cálculo da quantidade de adubo nitrogenado considerando porcentagem de Nem cada fonte:

Tabela 1. Fontes de fertilizantes nitrogenados que podem ser utilizadas:

 

Fonte Forma do N Teor de nitrogênio
%
Ureia Amídica 45-46
Nitrato de amônio Amoniacal e nítrica 33
Sulfato de amônio Amoniacal 21
DAP Amoniacal 16-18
MAP Amoniacal 11
Nitrato de cálcio Nítrica 15-16

 

Fonte: Raij et al. (1997)

Após calculada a dose de nitrogênio necessária e escolhido o fertilizante a ser utilizado, faz-se o cálculo considerando a eficiência (aproveitamento) da fonte. Para a utilização da fonte ureia se considera uma eficiência de 70%, já para a fonte de nitrato de amônio se considera 90%.

Sintomas de deficiência de nitrogênio:

Os sintomas de deficiência de nitrogênio aparecem em folhas velhas, com clorose (amarelecimento) generalizada (Figura 2).



Figura 2. Sintomas de deficiência de nitrogênio em cafeeiros (Foto: Diego Baquião).

Fósforo

Para recomendação de adubação com fósforo em lavouras de café, quando utilizado o extrator Mehlich 1, os técnicos trabalham com um intervalo entre o mínimo de fósforo no solo sendo 15 mg/dme um ideal de 25 mg/dm3. Para o extrator Resina é comum trabalhar com teores acima de 30 ou 40 mg/dm³ no solo.

A diferença entre os extratores Mehlich 1 e Resina é que o método de Mehlich 1 (ácido clorídrico + ácido sulfúrico) utiliza um extrator fortemente ácido. Dessa forma, esse método pode extrair o fósforo ligado ao cálcio, que não está disponível para as plantas. Por isso, solos adubados com fosfatos de baixa solubilidade (como fosfatos naturais) e com a utilização desses extratores ácidos, é possível retirar quantidades de fósforo superiores àquelas consideradas disponíveis. Além disso, em solos argilosos esse mesmo extrator pode subestimar os valores de P disponíveis, apresentando valores menores devido ao fato de os extratores serem mais desgastados nesses solos, quando comparados aos arenosos (Novais & Kamprath, 1979; Muniz at el., 1987).

 Já o extrator Resina se fundamenta na premissa de simular o comportamento do sistema radicular das plantas na absorção de fósforo do solo (Raij, 1978). Esse processo gera a adsorção de P na solução nas cargas positivas da resina e, como consequência, há a remoção do P adsorvido na superfície das partículas do solo. Dessa forma, a resina não superestima a disponibilidade de P em solos tratados com fosfatos naturais, como ocorre com os extratores ácidos.

Para elevar o nível de fósforo no solo, calcula-se com base na tabela de Souza et al. (2007) (Tabela 2.) Variando a quantidade de P2O5 com base no teor de argila e no extrator utilizado. Por exemplo, um solo com teor de argila menor que 15%, é necessário 5 kg de P2Opara elevar 1 mg/dm3 de fósforo, se utilizado o extrator Mehlich 1. Já se for utilizado o extrator Resina para o mesmo solo, é necessário a utilização de 6 kg de P2Opara elevar 1 mg/dm3 de fósforo.

Tabela 2. Valores do fator CT (capacidade tampão de fósforo) para estimar a dose do adubo fosfatado, em função do teor de argila no solo, para os métodos de Mehlich 1 e resina.

Fontes de fósforo % de P2O5
Superfosfato Simples 18%
Superfosfato triplo 43%
Fosfato monoamônico 48%
Fosfato Diamônico 45%
Adaptado de Souza et al., 2007.

Fontes de fósforo

Após calculada a necessidade de P2Opor hectare e determinada a fonte de fósforo, faz-se o cálculo da quantidade de adubo fosfatado considerando porcentagem de P2Oem cada fonte:

Tabela 3. Fontes de fertilizantes fosfatados que podem ser utilizadas:

Teor de argila Capacidade tampão de fósforo
% Mehlich 1 Resina
(kg P2O5/ha)/(mg/dm3 de P)
<= 15 5 6
15 a 35 9 9
36 a 60 30 14
> 60 70 19
Sintomas de deficiência de fósforo

Os sintomas de deficiência de fósforo aparecem inicialmente em folhas velhas, caracterizado por folhas verdes e sem brilho. Elas podem amarelecer e apresentar grandes manchas pardas ou violáceas na ponta e no meio (Figura 3).


Figura 3. Sintomas de deficiência de fósforo em cafeeiros (Fonte: Daniel Veiga).

Potássio

A recomendação de adubação para o potássio em lavouras adultas normalmente é trabalhada na manutenção com cerca de 120 mg/dmou de 0,30 a 0,35 cmolc/dm3 no solo, adicionada a extração de potássio para produção e vegetação.

Cálculo para manutenção:

Por exemplo, se o solo possui teor de potássio de 100 mg/dm3 e você deseja que ele tenha 120 mg/dmde potássio:

120 mg/dm3 (quero atingir) – 100 mg/dm3 (tenho no solo) = 20 mg/dm3

20 mg/dm3 é o que eu preciso aumentar de potássio no solo, para que ele atinja 120 mg/dm3.

Em cmolc/ dm3 essa quantidade corresponde a: 0,05 cmolc/dm3 que preciso aumentar no meu solo (massa molar do potássio: 390). 

1 cmolc/dm3 de K ——– 390 mg/dm3
X ——– 20 mg/dm3
X = 0,05 cmolc/dm3

Para aumentar 1 cmolc/dm3 é necessário 942 Kg de K2O por hectare:

1 cmolc/dm3 de K ——– 942 Kg de K2O/ha
0,05 cmolc/dm3 ——– X
X = 47,1 Kg de K2O/ha

Então, para que eu aumente 20 mg/dm3 ou 0,05 cmolc/dm3 de potássio no meu solo eu preciso adicionar 47,1 Kg de K2O por hectare.

Cálculo para a extração:

Para a produção é considerado 3,00 kg de K por saca e para vegetação 2,90 kg de K por saca. Considerando o mesmo exemplo do nitrogênio com produção esperada de 40 sacas/ha naquele ano agrícola e na safra seguinte de 25 sacas/ha.

K (kg/ha) = (produção x 3) + (vegetação x 2,9)

K (kg/ha) = (40sc x 3) + (25 sc x 2,9) = 120 + 72,5 = 192,5 kg de K2O por hectare

Dessa forma, é demandado para a produção e vegetação 192,5 kg de K2O por hectare.

Para a adubação com potássio soma-se a quantidade demandada de potássio para atingir o teor pretendido no solo + teor de potássio para a produção e para a vegetação.

47,1 Kg de K2O/ha + 192,5 kg de K2O/ha = 239,6 kg de K2O/ha

Resultando em uma demanda de 239,6 kg de K2O/ha. De acordo com essa quantidade demandada de potássio, escolhe-se a fonte que será utilizada e faz o cálculo da quantidade de fertilizante com base na porcentagem de K2O da fonte.

Fontes de potássio

Após calculada a necessidade de potássiopor hectare e determinada a fonte de potássio, faz-se o cálculo da quantidade de adubo potássico considerando porcentagem de K2Oem cada fonte:

Tabela 4. Fontes de fertilizantes fosfatados:

Fontes de potássio K2O
Cloreto de potássio 60
Sulfato de potássio 50
Nitrato de potássio 44
Das fontes citadas acima a mais utilizada é o cloreto de potássio devido ao seu menor custo quando comparado com outras fontes.


Sintomas de deficiência de potássio

Os sintomas de deficiência de potássio aparecem inicialmente em folhas velhas, sendo esse sintoma caracterizado por clorose com posterior necrose nos bordos e no ápice das folhas (Figura 4).


Figura 4. Sintomas de deficiência de potássio em cafeeiros (Foto: Daniel Veiga)

Referências:

NOVAIS, R. F. & KAMPRATH, E. J. Fósforo recuperado em três extratores químicos como função do fósforo aplicado no solo e do “fator capacidade”. R. Bras. Ci. Solo, 3:41-46, 1979.
MUNIZ, A. S.; NOVAIS, R. F.; FREIRE, J. C. L.; BARROS, N. F. Disponibilidade de fósforo e recomendação de adubação avaliadas através de extratores químicos e do crescimento de soja em amostras de solo com diferentes valores do fator capacidade. R. Ceres, 34:125-151, 1987.
PROCAFÉ
RAIJ, B. van. Seleção de métodos de laboratório para avaliar a disponibilidade de fósforo em solos. R. bras. Ci. Solo, Campinas, 2:1-9, 1978.
SOUZA, D. M. G. D.; MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L. Adubação fosfatada. In: MARTHA JÚNIOR, G. B.; VILELA, L.; SOUZA, D. M. G. D.; Cerrado: uso eficiente de corretivos e fertilizantes em Pastagens. 2007.

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