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	<title>fisiologia animal Archives | Rehagro Blog</title>
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	<title>fisiologia animal Archives | Rehagro Blog</title>
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		<title>Fisiologia do rúmen: você sabe como esse órgão funciona?</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Pedro Azevedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 28 Feb 2024 11:00:18 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LEITE]]></category>
		<category><![CDATA[bovinos leiteiros]]></category>
		<category><![CDATA[fisiologia animal]]></category>
		<category><![CDATA[pecuária leiteira]]></category>
		<category><![CDATA[rúmen]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O rúmen é o primeiro compartimento do sistema digestivo dos bovinos e o maior dentre as quatro câmaras do estômago. O alimento chega no rúmen e lá serão digeridos ou degradados por processos fermentativos, os quais são realizados por microrganismos ali presentes, como é o caso de bactérias, protozoários e fungos.   Nesse texto iremos abordar [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-weight: 400;">O rúmen é o primeiro compartimento do <strong>sistema digestivo dos bovinos e o maior dentre as quatro câmaras do estômago.</strong> O alimento chega no rúmen e lá serão digeridos ou degradados por processos fermentativos, os quais são realizados por microrganismos ali presentes, como é o caso de bactérias, protozoários e fungos.  </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Nesse texto iremos abordar sobre o funcionamento ruminal, compreendendo desde a sua anatomia até a importância da sua motilidade. Além disso, iremos entender razões pelas quais é fundamental conhecer mais sobre esse funcionamento. </span></p>
<div style="background-color: #efefef; padding-left: 10px; padding-right: 5px; border-radius: 10px;">
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!</span></strong></p>
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</div>
<h2>Entendendo a anatomia do rúmen</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O rúmen é lateralmente comprimido e se estende da parte cárdica, pouco abaixo do meio do sétimo espaço intercostal, até a entrada pélvica, no teto do assoalho abdominal, e da parede corporal esquerda do animal ao longo da linha média, caudal e ventralmente podendo alcançar o flanco ventral direito. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">O rúmen possui uma face parietal, adjacente ao diafragma e à parede abdominal lateral esquerda e ventral e uma face visceral, onde se encontra contra o fígado, intestinos, omaso e abomaso. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ele possui vários compartimentos formados por inflexões de sua parede que formam os pilares do rúmen que são projetados para o seu lúmen, o que divide o órgão em saco dorsal e ventral. A parte dorsal é dividida em saco cranial, saco dorsal e saco cego caudodorsal. A parte ventral consiste no saco ventral e no saco cego caudoventral.</span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A mucosa ruminal é formada por </span><b>papilas</b><span style="font-weight: 400;"> cônicas que se projetam para a luz a partir da membrana mucosa, que podem ter 1,5 cm de comprimento e conter um eixo de tecido conjuntivo altamente vascularizado, composto por fibra colágenas finas e fibras elásticas. O hábito alimentar dos ruminantes define o número, distribuição e tamanho das papilas, que são dependentes da ação trófica dos alimentos sobre o desenvolvimento da mucosa.</span></p>
<p><img fetchpriority="high" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44809 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen.webp" alt="Estômago do bovino" width="879" height="262" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen.webp 879w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-300x89.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-768x229.webp 768w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-370x110.webp 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-270x80.webp 270w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-740x221.webp 740w" sizes="(max-width: 879px) 100vw, 879px" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;">A &#8211; Estômago bovino, lado esquerdo. B &#8211; Estômago bovino, lado direito. 1 – retículo, 2 – omaso, 3 – abomaso, 4 – rúmen. Fonte: Dyce, 2010.</span></p>
<p><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-44810 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-1.webp" alt="Secção transversal esquemática da cavidade abdominal para mostrar a disposição do omento maior" width="597" height="344" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-1.webp 597w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-1-300x173.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-1-370x213.webp 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-1-270x156.webp 270w" sizes="(max-width: 597px) 100vw, 597px" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;">Secção transversal esquemática da cavidade abdominal para mostrar a disposição do omento maior. 1, saco dorsal do rúmen; 2, saco ventral do rúmen; 3, parede superficial do omento maior; 4, parede profunda do omento maior; 5, bolsa omental; 6, duodeno descendente; 7, massa intestinal; 8, rim direito; 9, aorta; 10, veia cava caudal; 11, recesso supra omental; 12, fixação retroperitoneal do rúmen. Fonte: Dyce, 2010</span></p>
<h2>Fisiologia ruminal</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">O rúmen tem importante papel no trato digestivo dos ruminantes devido à sua capacidade de fermentação. Esse órgão fornece um ambiente ideal para sobrevivência e atividade de microrganismos como bactérias e protozoários. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença de </span><b>bactérias celulolíticas</b><span style="font-weight: 400;"> é importante devido à característica da <a href="https://rehagro.com.br/blog/dietas-para-bovinos-leiteiros/" target="_blank" rel="noopener"><strong>dieta das vacas</strong></a>, elas produzem enzimas capazes de romper as ligações dos açúcares que compõem a celulose e hemicelulose dos alimentos, elas clivam as ligações β dos carboidratos estruturais da parede celular dos vegetais e utilizam as hexoses e pentoses liberadas para obter energia, o produto final de sua fermentação são os </span><b>ácidos graxos voláteis</b><span style="font-weight: 400;"> (AGVs) acetato, butirato e propionato. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Os AGVs são rapidamente absorvidos por difusão não iônica através do epitélio do pré-estômago e usados pelo ruminante para obtenção de energia. O pH ruminal médio permanece maior que 5,7, no entanto, podem haver variações de acordo com a dieta dos animais, por exemplo, dietas ricas em forragem promovem um pH ruminal mais alto entre 6,5 – 7,0, enquanto dietas ricas em grãos diminuem o pH ruminal devido à maior produção de ácidos graxos.</span></p>
<p><a href="https://rehagro.com.br/cursos/pos-graduacao-em-pecuaria-leiteira?utm_campaign=mkt-materiais-pl&amp;utm_source=blog&amp;utm_medium=rumen" target="_blank" rel="noopener"><img decoding="async" class="aligncenter wp-image-43763 size-full" title="Clique e saiba mais sobre o curso!" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo.jpg" alt="Banner Pós-graduação em Pecuária Leiteira" width="966" height="329" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo.jpg 966w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-300x102.jpg 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-768x262.jpg 768w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-370x126.jpg 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-270x92.jpg 270w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-740x252.jpg 740w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2026/07/banner-pl-novo-150x51.jpg 150w" sizes="(max-width: 966px) 100vw, 966px" /></a></p>
<h2>Manutenção do ambiente ruminal</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Existem mecanismos fisiológicos ruminais para manter o ambiente adequado para o crescimento de bactérias, fungos e protozoários, favorecendo o processo fermentativo. Essas condições incluem:</span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong>Manutenção da temperatura</strong><span style="font-weight: 400;">: mantida relativamente constante, em média 39º C pelos mecanismos homeostáticos que mantêm as condições fisiológicas dentro do hospedeiro. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;"><strong>Manutenção do pH</strong>:</span><span style="font-weight: 400;"> o pH ruminal deve estar dentro da faixa ideal para o desenvolvimento dos microrganismos. As bactérias celulolíticas e protozoários necessitam de pH de 6,2 ou mais alto, enquanto as bactérias amilolíticas são ativas em condições mais ácidas com pH em torno de 5,7. Portanto o pH do fluido ruminal afeta a degradação dos alimentos e o seu valor varia de 5,5 – 7,0, para manter o pH em níveis adequados a salivação é muito importante que pela concentração elevada de bicarbonato, fosfato e potássio e capaz de tamponar o rúmen.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong>Ausência de oxigênio</strong><span style="font-weight: 400;">: o </span><b>ambiente anaeróbico</b><span style="font-weight: 400;"> é necessário para que as bactérias anaeróbicas estritas sejam capazes de realizar a </span><b>digestão fermentativa</b><span style="font-weight: 400;">. Ocorre a passagem de oxigênio para o rúmen através da ingestão dos alimentos ingeridos, água e por difusão sanguínea, porém é usado rapidamente por bactérias anaeróbicas facultativas e/ou eliminado por eructação.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><strong>Manutenção dos padrões de motilidade características. </strong></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><span style="font-weight: 400;"><strong>Presença de microrganismos</strong>. </span></li>
</ul>
<h2>Motilidade ruminal</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Ocorrem </span><span style="font-weight: 400;">três tipos distintos de contrações no rúmen</span><span style="font-weight: 400;"> que desempenham papéis diferentes: </span><b>mistura da ingesta </b><span style="font-weight: 400;">com as bactérias ruminais, </span><b>remoção de gases (eructação) </b><span style="font-weight: 400;">produzidos durante a fermentação e </span><b>regurgitação do conteúdo luminal (ruminação) </b><span style="font-weight: 400;">de modo que possa ser mastigado adicionalmente para ajudar no processo de degradação pelas bactérias do rúmen. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Cada tipo de contração é controlado por um reflexo programado distinto no bulbo em resposta aos estímulos pelos nervos eferentes do vago, isso impede, por exemplo, que durante a contração de regurgitação ocorra a passagem de gás do rúmen ou que durante o reflexo de eructação ocorra entrada de material fibroso no esôfago. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A ingesta no rúmen forma camadas distintas dentro do órgão, as partículas de forragens mais longas flutuam na estrutura denominada </span><b>colchão fibroso, </b><span style="font-weight: 400;">dorsalmente à essa camada encontramos a fase gasosa ou camada gasosa do rúmen, onde os gases produzidos pela fermentação bacteriana, metano e CO</span><span style="font-weight: 400;">2</span><span style="font-weight: 400;"> situam-se. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Ventralmente ao colchão fibroso encontramos um conteúdo mais líquido, com partículas pequenas, nessa porção temos maior absorção de AGVs e maior concentração de bactérias onde ocorre a fermentação, essa porção está apta ao direcionamento ao omaso e abomaso. </span></p>
<h3>Contrações de mistura</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Servem para </span><b>manter o conteúdo ruminal bem misturado</b><span style="font-weight: 400;">, buscando promover uma fermentação efetiva. Esse movimento começa próximo da cárdia (local de entrada do esôfago) e prossegue pela superfície dorsal até a parte caudal do rúmen, essa contração prossegue até a porção ventral do rúmen e o retículo e por fim, retorna à região da cárdia. Durante esse processo o material presente no rúmen é transferido do saco dorsal do rúmen para o saco ventral, depois para o saco cego caudal dorsal e de volta ao saco dorsal. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse processo de mistura leva entre 30 – 50 segundos e as contrações ocorrem uma depois da outra, é possível auscultar com estetoscópio sobre a região da fossa paralombar esquerda. Ausculta-se aproximadamente três sons ribombantes a cada 2 minutos em uma vaca saudável, e esse processo só é interrompido caso haja contrações de regurgitação ou eructação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença de material fibroso é importante fator para estimulação das contrações, o colchão fibroso também é denominado de </span><i><span style="font-weight: 400;">“fator scratch”, </span></i><span style="font-weight: 400;">pois a presença de material fibroso espesso promove um aumento das contrações tanto da mistura quanto de regurgitação do rúmen.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44811 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-2.webp" alt="Imagem ilustrando a contração de mistura do rúmen" width="227" height="128" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Imagem ilustrando a contração de mistura do rúmen. </span><span style="font-weight: 400;">Fonte: Reece (2017).</span></span></p>
<h3>Contrações de eructação</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Durante a fermentação ruminal são produzidos a cada minuto 2 L de gás, principalmente o dióxido de carbono e em pequenas quantidades, metano. Esses gases precisam ser removidos para evitar a distensão do rúmen. Cada contração dura 30 segundos para se completar e ocorre uma eructação depois de três a cinco contrações de mistura. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Esse reflexo é iniciado por nervos aferentes vagais que detectam a distensão do rúmen dorsal pelo gás. As contrações se iniciam na porção caudal do órgão, seguem para o saco cego caudal dorsal para o saco dorsal, simultaneamente ao relaxamento do saco caudal ventral do rúmen, permitindo a entrada de gás no esôfago, ele é propelido em movimento ascendente no esôfago por um esforço inspiratório contra a nasofaringe parcialmente fechada. Isso ocasiona a entrada de parte do gás eructado na traqueia e pulmões, ele é expelido pelas narinas durante a expiração seguinte.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44812 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-3.webp" alt="Reflexo de eructação dos bovinos." width="348" height="227" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-3.webp 348w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-3-300x196.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-3-270x176.webp 270w" sizes="auto, (max-width: 348px) 100vw, 348px" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Reflexo de eructação dos bovinos. </span><span style="font-weight: 400;">Fonte: Reece (2017).</span></span></p>
<h3>Contrações de regurgitação</h3>
<p><span style="font-weight: 400;">Permitem a transferência do material formado por partículas grandes do rúmen para a boca. Para que a vaca possa mastigá-lo para reduzir o tamanho das partículas e aumentar a área de superfície disponível para fixação das bactérias, a presença do colchão fibroso provoca o início do reflexo de regurgitação. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Essa contração começa pela contração na porção média do saco dorsal, esse movimento força o colchão fibroso em direção à cárdia, enquanto a camada de gás do rúmen é direcionada para a parte caudal do rúmen. Ocorre um esforço inspiratório contra a nasofaringe fechada e o esfíncter esofágico superior aberto que cria uma grande pressão negativa no esôfago para que o material fibroso entre no esôfago, através do esfíncter esofágico inferior relaxado. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A presença do material fibroso no esôfago ocasiona contrações antiperistálticas, retrógradas que leva o bolo para dentro da boca. O bolo é mastigado por alguns minutos e deglutido. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">A quantidade de fibra detergente neutra (FDN) na dieta afeta a taxa de regurgitação, e o material fibroso demora 3 dias para ser digerido no rúmen. A regurgitação também favorece a produção de saliva, importante na manutenção de pH ruminal pela sua ação tamponante. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Normalmente ocorre uma contração de regurgitação a cada 2-3 minutos entre as contrações de mistura e de eructação, em um rebanho em repouso pelo menos 60% das vacas devem estar mastigando ativamente o material regurgitado.</span></p>
<p><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44813 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2024/02/rumen-4.webp" alt="Reflexo de regurgitação no rúmen" width="233" height="201" /></p>
<p style="text-align: center;"><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Reflexo de regurgitação. </span><span style="font-weight: 400;">Fonte: Reece (2017).</span></span></p>
<h2>Mas porque é importante entender sobre o funcionamento do rúmen?</h2>
<p><span style="font-weight: 400;">Entender melhor sobre o funcionamento do rúmen, bem como a ocorrência de suas contrações, é fundamental por várias razões e dentre elas podemos citar: </span></p>
<ul>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Eficiência alimentar</b><span style="font-weight: 400;">: O rúmen é o órgão responsável pela fermentação dos alimentos fibrosos que a vaca ingere, por isso compreender como ele funciona pode permitir a otimização das dietas, ou seja, a garantia se que os nutrientes sejam digeridos e absorvidos de forma adequada, elevando assim a eficiência alimentar.</span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Saúde digestiva:</b><span style="font-weight: 400;"> Para a movimentação dos alimentos dentro do rúmen as contrações ruminais são essenciais, pois culminam promovendo uma digestão eficiente. Conhecer sobre essas contrações pode ajudar na identificação precoce de problemas digestivos, como é o caso da <a href="https://rehagro.com.br/blog/acidose-ruminal-em-vacas-leiteiras/" target="_blank" rel="noopener"><strong>acidose ruminal</strong></a> e <a href="https://rehagro.com.br/blog/timpanismo-em-bovinos/" target="_blank" rel="noopener"><strong>timpanismo</strong></a>. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Bem-estar:</b><span style="font-weight: 400;"> Sabemos que o <a href="https://rehagro.com.br/blog/enriquecimento-ambiental-para-vacas-e-bezerras-leiteiras/" target="_blank" rel="noopener"><strong>bem-estar das vacas</strong></a> está profundamente ligado à saúde do rúmen. Vacas com um bom funcionamento ruminal se sentem mais confortáveis, o que vai ser evidenciado por comportamentos tranquilos. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Desempenho produtivo:</b><span style="font-weight: 400;"> Vacas saudáveis e com adequado funcionamento ruminal irão ter um desempenho produtivo promissor dentro da atividade. Uma dieta bem equilibrada aliada a uma função ruminal eficiente irão contribuir para uma melhor produção e <a href="https://rehagro.com.br/blog/como-melhorar-a-qualidade-do-leite-nas-fazendas/" target="_blank" rel="noopener"><strong>qualidade do leite</strong></a>. </span></li>
<li style="font-weight: 400;" aria-level="1"><b>Monitoramento da saúde:</b><span style="font-weight: 400;"> Além das contrações ruminais serem um bom indicador da saúde digestiva e evidenciar problemas digestivos, elas também podem ser um sinal precoce de outros problemas de saúde nos animais. Redução na frequência ou intensidade das contrações podem indicar a presença de dor ou desconforto, permitindo assim intervenções em estágios iniciais dos problemas. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-weight: 400;">Em resumo, é importante compreender melhor as contrações ruminais e o funcionamento do rúmen para a garantia do bem-estar, da saúde e do desempenho produtivo das vacas leiteiras. </span></p>
<p><span style="font-weight: 400;">Isso permite aos produtores tomar decisões antecipadas e informadas sobre dieta, manejo e cuidados de saúde, o que irá contribuir para o sucesso da atividade leiteira.</span></p>
<h2>Aprofunde seus conhecimentos e leve sua produção de leite a outro nível</h2>
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		<title>Estresse térmico em vacas leiteiras: quais os impactos e como reduzir</title>
		<link>https://rehagro.com.br/blog/estresse-termico/</link>
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		<dc:creator><![CDATA[João Pedro Azevedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 09 Jul 2018 15:29:20 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[LEITE]]></category>
		<category><![CDATA[animais]]></category>
		<category><![CDATA[estresse térmico]]></category>
		<category><![CDATA[fisiologia animal]]></category>
		<category><![CDATA[produção de leite]]></category>
		<category><![CDATA[vacas]]></category>
		<category><![CDATA[vacas leiteiras]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O estresse térmico é um dos principais desafios para a produção de leite em regiões de clima quente. Quando as vacas não conseguem dissipar adequadamente o calor produzido pelo organismo e absorvido do ambiente, seu comportamento, consumo de alimentos, saúde e desempenho podem ser comprometidos. Entre os principais impactos estão a redução do consumo de [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>estresse térmico</strong> é um dos principais desafios para a produção de leite em regiões de clima quente. Quando as vacas não conseguem dissipar adequadamente o calor produzido pelo organismo e absorvido do ambiente, seu comportamento, consumo de alimentos, saúde e desempenho podem ser comprometidos.</p>
<p>Entre os principais impactos estão a redução do consumo de matéria seca, <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/queda-na-producao-de-leite/">queda na produção de leite</a></strong> e alterações na eficiência reprodutiva.</p>
<p>Por isso, identificar os sinais de estresse térmico e adotar estratégias para melhorar o conforto dos animais é fundamental para reduzir perdas produtivas.</p>
<p>Neste artigo, você entenderá o que é o estresse térmico em bovinos leiteiros, como identificar o problema e quais medidas podem ser adotadas para minimizar seus efeitos.</p>
<div style="background-color: #efefef; padding-left: 10px; padding-right: 5px; border-radius: 10px;">
<p>&nbsp;</p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="font-size: 14pt;">Sem tempo para ler agora? Baixe este artigo em PDF!</span></strong></p>
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</div>
<h2>Conhecendo e definindo o estresse térmico</h2>
<p><strong>O termo estresse térmico é utilizado para referenciar os efeitos ocasionados na fisiologia, no comportamento e na produção dos animais devido às alterações no ambiente. </strong></p>
<p>De modo semelhante, o estresse térmico pode ser definido como a soma das forças internas (metabolismo, ex.) e externas (ambiente) que atuam em um animal para causar um aumento na temperatura corporal e provocar uma resposta fisiológica.</p>
<p>Nos países de clima tropical, como o <strong>Brasil</strong> por exemplo,<strong> é muito mais comum a ocorrência de estresse térmico pelo calor do que pelo frio</strong>. Altos valores de temperatura e umidade, além da exposição à radiação solar, são fatores que contribuem de forma significativa para que as vacas acumulem calor corporal.</p>
<p><strong>O estresse térmico em vacas leiteiras ocorre quando a taxa de ganho de calor do animal excede a de perda, fazendo com que o mesmo saia de sua zona de conforto</strong>. Desta forma, são necessários ajustes no comportamento e/ou fisiologia do animal.</p>
<p>Assim como qualquer outra espécie animal, os bovinos de leite também apresentam uma faixa de temperatura considerada como zona termoneutra. Nesta faixa de temperatura o animal não precisa direcionar grandes quantidades de energia para termorregulação, seja para capturar, seja para dissipar calor.</p>
<p>Desse modo, o gasto de energia para manutenção é mínimo, resultando em máxima eficiência produtiva.</p>
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<p>Em temperaturas inferiores àquela mínima da zona termoneutra as vacas entram em estresse térmico pelo frio. Já quando a temperatura se encontra superior ao limite máximo da zona termoneutra, o estresse térmico instaurado é pelo calor.</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44255 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas.webp" alt="Zona termoneutra" width="370" height="255" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas.webp 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-300x207.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-270x186.webp 270w" sizes="auto, (max-width: 370px) 100vw, 370px" /><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Adaptado de Kadzere et al., 2002</span></span></p>
<h2>Vacas de alta produção e o estresse térmico</h2>
<p>Vacas de alta produção são mais susceptíveis ao estresse térmico quando comparadas às vacas de baixa produção.</p>
<p>A <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/genomica-nas-fazendas-leiteiras/" rel="noopener">seleção genética</a></strong> para produção de leite contribuiu para que as vacas aumentassem a quantidade de calor metabólico, pois <strong>vacas que produzem mais leite</strong> ingerem mais alimentos e, logo, possuem metabolismo mais elevado em relação às vacas de menor potencial genético.</p>
<p>Com a menor capacidade de dissipação de calor, <strong>as vacas elevam sua temperatura corpórea com maior facilidade</strong> e perdem calor para o meio ambiente com maior dificuldade. O resultado final é o maior acúmulo de calor, podendo ocorrer mais facilmente o estresse térmico.</p>
<p>Ao analisarmos os dados de 2018 do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos, por exemplo, vemos que é relatado um aumento de 13% na produção de leite na última década, passando de quase 9.000 kg de leite para 14.000 kg de leite/vaca/ano.</p>
<p>Conforme descrito por Berman (2005), o aumento na produção de leite de 35 kg de leite/dia para 45 kg de leite/dia contribui para que o limite de temperatura para estresse térmico seja reduzido em torno de 5°C, significando que as vacas tenderão a sofrer estresse térmico de forma mais precoce.</p>
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<h2>Como identificar um animal com estresse térmico</h2>
<ul>
<li>Animal ofegante, com aumento de salivação e transpiração;</li>
<li>Redução na ingestão de matéria seca;</li>
<li>Redução na produção de leite;</li>
<li>Aumento no consumo de água;</li>
<li>Aumento da frequência cardíaca e respiratória;</li>
<li>Temperatura retal maior que 39,1ºC.</li>
</ul>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44256 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-1.webp" alt="Vaca leiteira com sinais de estresse térmico" width="512" height="260" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-1.webp 512w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-1-300x152.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-1-370x188.webp 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-1-270x137.webp 270w" sizes="auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px" /><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Vaca leiteira em estresse térmico pelo calor. Note: boca aberta, língua para fora e aumento de salivação.</span></span></p>
<p>A temperatura corporal representa o<strong> principal indicador da termorregulação do organismo</strong>, estando relacionada à saúde, <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/manejo-reprodutivo-de-vacas-leiteiras/" rel="noopener">sucesso reprodutivo</a></strong> e produtividade dos animais.</p>
<p>No entanto, vale ressaltar que <strong>não é somente o estresse térmico que ocasiona elevação da temperatura do organismo</strong>.</p>
<p>Eventos como doenças, lesões, infecções, toxinas, etc. podem provocar a hipertermia nos animais. Outros fatores que também ocasionam elevação da temperatura corporal, mas em uma menor magnitude, são nível de atividade do animal e estro.</p>
<p>Além da temperatura corporal, uma das primeiras alterações observadas em animais com estresse térmico é o aumento da frequência respiratória no intuito de perder calor para o ambiente.</p>
<p>A taxa respiratória dos bovinos sofre influência multifatorial, incluindo idade, nível de produção, condição corporal, ingestão de matéria seca, particularidades das instalações e dos sistemas de resfriamento, exposição a ambientes quentes, etc.</p>
<p>Resultados de pesquisas científicas demonstram que vacas expostas a ambientes com temperatura variando entre 24° e 39°C apresentaram aumento na frequência respiratória entre 2,8 e 3,3 movimentos respiratórios/minuto para cada 1°C a mais no ambiente.</p>
<p>A elevação da frequência respiratória consiste em um dos indicadores fenotípicos mais sensíveis para caracterizar o estresse térmico pelo calor em vacas leiteiras, sendo que taxas acima de 60 movimentos respiratórios/minutos já indicam provável alteração devido ao estresse térmico (Shultz, 1984; Berman et al., 1985).</p>
<p style="text-align: center;"><img loading="lazy" decoding="async" class="aligncenter wp-image-44257 size-full" src="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-2.webp" alt="Resfriamento de vacas leiteiras" width="740" height="494" srcset="https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-2.webp 740w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-2-300x200.webp 300w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-2-370x247.webp 370w, https://rehagro.com.br/blog/wp-content/uploads/2018/07/estresse-termico-vacas-2-270x180.webp 270w" sizes="auto, (max-width: 740px) 100vw, 740px" /><span style="font-size: 10pt;"><span style="font-weight: 400;">Resfriamento térmico de vacas leiteiras com aspersores e ventiladores. (Fonte: Grupo Rehagro, Meara Gado Holandês – Fazenda Barreiro Alto).</span></span></p>
<h2>Monitorando o estresse térmico</h2>
<p>Monitorar o conforto térmico das vacas leiteiras representa atualmente um dos pontos base dos sistemas de produção. Ofertar condições que previnam a ocorrência de estresse térmico tornou-se essencial, visto a magnitude que <strong>os impactos deste evento ocasionam na saúde, reprodução e produção dos animais.</strong></p>
<p>Entretanto, para monitorar o conforto, primeiro devemos conhecer quais os sinais presentes no estresse térmico.</p>
<p>De forma geral, vacas leiteiras em estresse térmico apresentam os seguintes sinais, na tentativa de trocar calor com o ambiente:</p>
<ul>
<li>Respiração ofegante;</li>
<li>Boca aberta;</li>
<li>Língua para fora;</li>
<li>Aumento da salivação e da transpiração.</li>
</ul>
<p>Em situações como essa, se os animais estão em galpões onde haja ventiladores e aspersores, eles deverão ser ligados.</p>
<p>Caso não estejam alojados nestas instalações, molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento.</p>
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<h2>Medidas para diminuir o estresse térmico das vacas leiteiras</h2>
<ul>
<li>Sombreamento adequado para os animais;</li>
<li><strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/qualidade-da-agua-para-bovinos-leiteiros/" rel="noopener">Disponibilidade de água</a></strong> suficiente para os animais beberem, principalmente após a ordenha e nas horas mais quentes do dia;</li>
<li>Para animais confinados em <a href="https://rehagro.com.br/blog/free-stall/" rel="noopener"><strong><em>Free stall</em></strong></a>, adequado sistema de resfriamento com ventiladores e aspersores, permanecendo ligados nas horas mais quentes do dia;</li>
<li>Para animais que não estão no <em>Free stall</em>, o fato de molhar bem os animais em estado mais crítico pode ajudar no resfriamento;</li>
<li>Reduzir distâncias de deslocamento do animal.</li>
</ul>
<p>Na <a href="https://rehagro.com.br/blog/sala-de-espera-na-ordenha/" rel="noopener"><strong>sala de espera</strong></a> da ordenha é um momento em que as vacas sofrem muito com o calor. Manter os animais o <strong>menor tempo possível na sala de espera</strong>, além de proporcionar aos animais uma instalação coberta, com ventiladores e aspersores, com um pé direito mais alto, pode favorecer um melhor conforto.</p>
<p>No ambiente, podemos utilizar sombras, sendo naturais ou artificiais, que forneçam uma área de pelo menos 3 a 5 m² por animal, salientando-se que quanto maior a área destinada à sombra, menores serão os riscos de acidentes e menor a formação de barro.</p>
<p>A sombra natural possui a vantagem de ser mais barata, mas como o crescimento das árvores é um processo lento, muitas vezes é necessário lançar mão do sombreamento artificial. Este pode ser conseguido com a <strong>utilização de sombrites</strong>, que são telas de fibra sintética e que devem <strong>fornecer de 60% a 80% de sombra</strong>.</p>
<p>Deve-se planejar a orientação das árvores ou da estrutura artificial. Quando os animais estão confinados a melhor orientação é a leste/oeste por proporcionar sombra o dia todo.</p>
<p>Para os animais que não estão confinados, eles podem se movimentar à procura de sombra, devendo então a estrutura ter orientação norte/sul, para que a sombra “caminhe” ao longo do dia de oeste (período da manhã) para leste (período da tarde), reduzindo a formação de lama.</p>
<p>A utilização de rodízio das áreas de sombra, quando estiverem com muita lama, também é necessária e pode ser realizada com o auxílio da cerca elétrica, isolando as áreas mais críticas.</p>
<p>A utilização de ventiladores, aspersores e nebulizadores também pode ser planejada para galpões de confinamento, currais de espera ou em áreas cobertas e apresenta grande eficiência na retirada de calor do animal e do ambiente.</p>
<p>Outro fato de extrema importância é a <strong>presença de cochos de água e comida na sombra ou próximo</strong>, para que os animais não fiquem apenas na sombra e tenham seu consumo diminuído. Não é necessário ter um bebedouro grande, mas este deve apresentar um fluxo contínuo de água, uma vazão que o mantenha sempre cheio e ser mantido limpo.</p>
<p>Comparada a um eficaz sistema de manejo do ambiente, a manipulação da <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/dietas-para-bovinos-leiteiros/" rel="noopener">dieta da vaca leiteira</a></strong> em estresse calórico terá efeito relativamente pequeno sobre a produtividade. O consumo de matéria seca começa a reduzir quando a temperatura ambiente excede 25,5 °C.</p>
<p>Uma estratégia para diminuir a queda no consumo de matéria seca é aumentar o número de fornecimento da dieta ao longo do dia. Além disso, limpar o cocho diariamente retirando sobras que possam fermentar e impactar ainda mais na queda do consumo do alimento.</p>
<p>Pode-se realizar outras ações como <strong>manter a ordenha sempre nas horas mais frescas do dia</strong>, buscando minimizar os efeitos negativos do calor quando os animais estiverem aglomerados. E evitar a lida com os animais (vacinação, pesagem, inseminação, controle de parasitos, entre outros) nos momentos mais quentes do dia, pois o calor e aglomeração dos animais irá piorar o estresse térmico.</p>
<p>O efeito do estresse calórico no desempenho animal, provavelmente vai se tornar muito mais importante no futuro, caso a destruição ambiental continue aumentando. Dessa forma, pode-se notar os efeitos do aquecimento global, que tende a ter efeitos ainda maiores.</p>
<p>Em se tratando de estresse calórico animal, deve-se promover a integração entre técnicos, pesquisadores e produtores, na busca por alternativas viáveis e adaptadas a cada realidade. Ações que melhorem o conforto térmico do animal levam a transformação do bem-estar em maior consumo de alimentos, que resultará em aumento da produção de leite e melhora na reprodução.</p>
<h2>Minimize o estresse térmico e maximize a produção de leite</h2>
<p>O calor excessivo pode reduzir a produtividade e comprometer a saúde do rebanho.</p>
<p>No <span style="font-weight: 400;"><strong><a href="https://rehagro.com.br/cursos/capacitacao-em-gestao-na-pecuaria-de-leite?utm_campaign=mkt-materiais-gpl&amp;utm_source=blog&amp;utm_medium=estresse-termico" target="_blank" rel="noopener">Curso Gestão na Pecuária Leiteira</a></strong></span> do Rehagro, você aprende técnicas de manejo, climatização e gestão estratégica para manter as vacas confortáveis, saudáveis e com alta performance, mesmo nos dias mais quentes.</p>
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		<title>Sistema digestivo dos bovinos: anatomia e fisiologia</title>
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		<dc:creator><![CDATA[João Pedro Azevedo]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 14 Jun 2018 14:43:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[CORTE]]></category>
		<category><![CDATA[anatomia]]></category>
		<category><![CDATA[bovinos]]></category>
		<category><![CDATA[fisiologia animal]]></category>
		<category><![CDATA[rúmen]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>O sistema digestivo dos bovinos compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas. Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[<p>O <strong>sistema digestivo dos bovinos</strong> compreende boca, faringe, esôfago, pré-estômagos (rúmen, retículo, omaso), abomaso (estômago verdadeiro ou glandular), intestino delgado, intestino grosso, reto e ânus. Os órgãos acessórios são: dentes, língua, glândulas salivares, fígado e pâncreas.</p>
<p>Pela presença dos pré-estômagos, os bovinos, assim como a cabra, a ovelha, o búfalo, o camelo e os cervídeos, <strong>são classificados como poligástricos ou ruminantes</strong>, animais que têm capacidade de ruminar, consistindo na regurgitação dos alimentos ingeridos, na remastigação e em nova deglutição.</p>
<p>Compreender como funciona o aparelho digestivo dos bovinos é fundamental para formular dietas adequadas, favorecer a saúde ruminal e melhorar a eficiência alimentar dos animais.</p>
<p>Neste artigo, você vai conhecer os principais órgãos do sistema digestivo dos bovinos, entender as funções de cada compartimento e descobrir como acontece a digestão dos alimentos, desde a mastigação até a absorção dos nutrientes.</p>
<div style="background-color: #efefef; padding-left: 10px; padding-right: 5px; border-radius: 10px;">
<p>&nbsp;</p>
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</div>
<h2>Qual a importância da mastigação e da ruminação?</h2>
<p>A língua é o principal órgão prensor, conduzindo o alimento até a boca. Ruminantes não têm dentes caninos nem incisivos superiores. A função antagonista dos incisivos inferiores se realiza pela lâmina dental constituída de tecido conjuntivo fibroso, recoberto por epitélio intensamente cornificado. A fórmula de dentição permanente de ruminantes é 2(I 0/4, C 0/0, P 3/3, M 3/3), quer dizer, 32 dentes.</p>
<p>A <strong>eficácia da mastigação</strong> é uma condição prévia vital para a digestão em ruminantes porque <strong>reduz o material vegetal a partículas de tamanho pequeno</strong>, que permite o ataque de microrganismos do rúmen aos carboidratos estruturais.</p>
<p>Os bovinos <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/consumo-de-bovinos-a-pasto/">pastejam</a></strong> durante longos períodos de tempo, mastigam inicialmente de forma breve, ainda dispõem de amplos períodos de ruminação para reduzir as partículas de alimentos de forma a favorecer o ataque microbiano.</p>
<p style="text-align: left;">Os ruminantes jovens dispõem de uma dentição caduca que na maioria dos casos emerge antes do nascimento. A fórmula de dentição caduca de ruminantes é 2 (I 0/4, C 0/0, P 3/3), ou seja, 20 dentes.</p>
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<h2>Quais são os quatro compartimentos do estômago dos bovinos?</h2>
<p>A função primária do trato digestivo é o de <strong>converter alimentos em componentes químicos capazes de serem absorvidos para a corrente sanguínea</strong>, para o uso como nutrientes para uma variedade de necessidades como manutenção corporal, crescimento, engorda, produção de leite e reprodução.</p>
<p>O estômago de ruminantes tem quatro compartimentos: <strong>o rúmen, retículo, omaso e abomaso</strong>. Coletivamente, estes órgãos ocupam quase 3/4 da cavidade abdominal, enchendo virtualmente todo o lado esquerdo e estendendo significativamente ao lado direito.</p>
<p>O retículo relaciona-se com o diafragma e é unido ao rúmen por uma dobra de tecido. O rúmen, o maior dos pré-estômagos, é propriamente saculado por colunas musculares que são chamadas saco dorsal, ventral, caudodorsal e caudoventral.</p>
<p>Em muitos aspectos, o retículo pode ser considerado uma bolsa cranioventral do rúmen; a digesta flui livremente entre estes dois órgãos. O retículo é conectado ao esférico omaso por um túnel pequeno, o orifício retículo-omasal. O abomaso é o estômago glandular ou verdadeiro do ruminante.</p>
<p>O interior do rúmen, retículo e omaso é exclusivamente coberto com epitélio estratificado escamoso, semelhante ao que é observado no esôfago.</p>
<p>Cada um destes órgãos tem estrutura mucosa muito distinta, embora dentro de cada órgão, alguma variação regional em morfologia possa ser observada. A superfície interior do rúmen forma numerosas papilas que variam em forma e tamanho, desde pequenas e pontiagudas a longas e folhadas.</p>
<p>O epitélio reticular é lançado em dobras que formam camadas poligonais que dão ao retículo, uma aparência de colmeia. Dentro do omaso ocorrem dobras longitudinais largas que lembram as páginas de um livro (um termo comumente utilizado para o omaso é livro).</p>
<p>As pregas omasais são acumuladas com ingesta finamente moída e representam aproximadamente um terço da área de superfície total dos pré-estômagos. Epitélio estratificado, escamoso como achado no rúmen não é normalmente considerado um tipo de epitélio absortivo.</p>
<p>Papilas ruminais são muito ricamente vascularizadas e os ácidos graxos voláteis abundantes produzidos por fermentação são prontamente absorvidos através do epitélio. Sangue venoso dos pré-estômagos, como também do abomaso, leva estes nutrientes absorvidos até a veia porta. Ultrapassando estes compartimentos, a digesta chega ao intestino delgado e ao intestino grosso.</p>
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<h3>Rúmen: fermentação dos alimentos</h3>
<p>O rúmen é o <strong>maior dos quatro pré-estômagos</strong>. Localiza e preenche quase todo o lado esquerdo da cavidade abdominal. Ele é dividido em quatro áreas ou sacos por estruturas musculares chamadas de pilares ruminais. Há um saco dorsal, um ventral e dois sacos posteriores. Os pilares movem o bolo alimentar pelo rúmen em sentido rotatório, misturando o conteúdo sólido com o conteúdo líquido.</p>
<p>O órgão movimenta-se continuamente, a um ritmo de um a três movimentos por minuto, proporcionando uma divisão física (conhecida pelo nome de estratificação da digesta) e mistura das <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/planejamento-forrageiro-na-pecuaria-de-corte/">forragens</a></strong> e outras partículas ingeridas aos líquidos.</p>
<p>Quando completamente desenvolvido, apresenta vilosidades na face interna de sua parede, chamadas papilas ruminais. Estas papilas variam em número e tamanho em função do tipo de alimento fornecido. Quando bovinos são alimentados com dietas ricas em alimentos concentrados, o número e o tamanho das papilas ficam maiores para facilitar a absorção da grande quantidade de ácidos orgânicos produzidos durante a fermentação dos carboidratos.</p>
<p>O rúmen funciona como um <strong>combinado de reservatório e câmara fermentativa dos alimentos ingeridos</strong>. Os alimentos que chegam ao rúmen pela deglutição são digeridos ou degradados por processos fermentativos realizados pelos microrganismos que vivem dentro do órgão: bactérias, protozoários e fungos.</p>
<p>O processo de digestão ou fermentação é garantido por enzimas produzidas por estes microrganismos, enzimas estas que não são secretadas, mas ficam aderidas a parede celular. Tanto o rúmen quanto o retículo (e também o omaso), fornecem condições ideais para a colonização e crescimento destes microrganismos, que são os maiores responsáveis pelos processos digestivos dos ruminantes.</p>
<h4>Quais são as condições ideais para os microrganismos do rúmen?</h4>
<ul>
<li><span style="font-weight: 400;">Anaerobiose, ou seja, ausência quase total de oxigênio (O₂);</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">pH entre 5,5 a 7,0, sendo mais comum valores entre 6,8 a 6,9;</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">Temperatura entre 39 e 40ºC, ideal para a atividade enzimática microbiana;</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">Fornecimento contínuo de substrato, que é o alimento destes microrganismos;</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">Movimentos contínuos do retículo-rúmen, que apresentam e inoculam estes microrganismos nas partículas de alimento (substrato microbiano);</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">Alta umidade (em torno de 80% até 90% de água);</span></li>
<li><span style="font-weight: 400;">Retirada contínua dos produtos finais da fermentação, que poderiam acumular e se tornarem tóxicos.</span></li>
</ul>
<p>A decomposição do conteúdo ocorre através da fermentação bacteriana, pois a saliva dos bovinos não contém enzimas digestivas e o revestimento dos pré-estômagos não têm glândulas capazes de secretar estas enzimas.</p>
<p>De uma maneira geral, a fermentação pelas bactérias ruminais irá ocorrer sobre cada um dos nutrientes dos alimentos.</p>
<p>Os carboidratos das plantas e outros alimentos (celulose, amido e açúcares) serão fermentados a ácidos graxos voláteis (os AGVs) e então absorvidos pelas papilas ruminais. As proteínas e outras fontes de nitrogênio (ureia, por exemplo) serão degradadas até amônia (NH₃), que será então utilizada para a síntese de proteína microbiana.</p>
<p>Os lípides/gordura serão quebrados em glicerol e ácidos graxos de cadeia longa, sendo o primeiro fermentado até AGV e o segundo hidrogenado, ou seja, as ligações duplas e triplas da cadeia de carbono são transformadas em ligações simples.</p>
<p>Os microrganismos do rúmen sintetizam vitaminas do Complexo B e K. Os AGV são absorvidos no rúmen, enquanto que os outros nutrientes passam para os compartimentos digestivos posteriores.</p>
<p>A atividade motora do rúmen e dos outros pré-estômagos é controlada pelo nervo vago (ramo dorsal, que inerva o saco dorsal do rúmen e o ramo ventral, que inerva o saco ventral do rúmen,retículo,omaso e abomaso), ligado ao sistema nervoso autônomo.</p>
<h3>Retículo: movimentação do alimento e ruminação</h3>
<p>O retículo ocupa uma posição cranial e não completamente separado do rúmen. Logo, <strong>suas funções e motilidades estão muito ligadas às do rúmen</strong>. A abertura do esôfago no cárdia é comum ao retículo e ao rúmen.</p>
<p>As paredes internas do retículo estão revestidas por uma membrana mucosa, disposta em inúmeras pregas (em forma de favos de mel).</p>
<p>Os corpos estranhos ingeridos pelo bovino (arames, pregos e outros) ficam retidos nestas pregas e impedidos de passar para os demais compartimentos do aparelho digestivo posterior, com consequentes reticulites e pericardites, altamente indesejável para estes animais, que, não raramente, levam o animal à morte.</p>
<p>Semelhante ao rúmen, o órgão não secreta nenhuma enzima. Apresenta um movimento constante, em sintonia com o rúmen. Do retículo, o alimento passa para o rúmen (alimento ainda não totalmente degradado/fermentado) ou para o omaso (alimento fermentado) e deste, para o trato digestivo posterior (abomaso e intestinos).</p>
<p>O <strong>retículo</strong> é o principal órgão que participa do processo de ruminação, já que <strong>é o responsável pela contração que leva a regurgitação</strong>.</p>
<h3>Omaso: absorção de água e nutrientes</h3>
<p>O omaso localiza-se do lado direito do retículo-rúmen, apresentado um formato esférico. Contêm em seu interior muitas lâminas musculares, que lhe conferiram o nome popular de folhoso (folhas semelhantes às de um livro). Na mucosa destas lâminas formam-se papilas, mais curtas e menos numerosas, se comparadas com as do rúmen.</p>
<p>Suas principais funções estão ligadas a absorção de <a href="https://rehagro.com.br/blog/bebedouro-para-gado-e-a-importancia-da-qualidade-da-agua/"><strong>água</strong></a>, de <strong><a href="https://rehagro.com.br/blog/suplementacao-mineral-para-bovinos-de-corte/">minerais</a></strong>, de ácidos graxos voláteis e redução de partículas alimentares.</p>
<p>Algumas pesquisas apontam o omaso como <strong>um órgão selecionador</strong>, ou seja, ele definiria se a digesta (alimento sendo digerido) que vem do retículo-rúmen está apta ou não para prosseguir para o abomaso. O material semi-líquido do retículo entra no omaso pelo orifício retículo-omasal.</p>
<p>Contrações omasais frequentes e fortes comprimem e trituram a digesta e de 60 a 70% da água é absorvida. O material de consistência mais sólida passa para o abomaso.</p>
<h3>Abomaso: digestão química e enzimática</h3>
<p>Corresponde ao <strong>estômago verdadeiro ou glandular dos bovinos</strong>. Possui uma mucosa mais úmida do que os outros pré-estômagos, com pregas longas e altas. Localiza-se ventralmente ao omaso, do lado direito do rúmen.</p>
<p>No bezerro, o abomaso cobre uma grande parte do assoalho do abdômen. A mucosa possui glândulas responsáveis por secretar o suco gástrico ou abomasal, numa velocidade que compensa, mais ou menos, a perda de líquido no omaso. O conteúdo do suco gástrico determina o pH, que pode ser de 1,5 a 3,0. Nestas condições, os microrganismos vindos do retículo-rúmen acabam morrendo.</p>
<p>Os principais produtos secretados pelas glândulas do abomaso são: enzimas (pepsina e pepsinogênio), hormônios (gastrina), ácidos (ácido clorídrico – HCl) e água. No bezerro, o abomaso secreta uma enzima específica para a digestão do leite, a quimosina, que coagula o colostro/leite, formando um coágulo de caseína e liberando o soro.</p>
<h2>Qual é a função dos intestinos na digestão bovina?</h2>
<p>Os intestinos são divididos em duas porções, as quais sofrem, ainda, subdivisões:</p>
<ol>
<li><strong>Intestino Delgado:</strong> duodeno (porção ativa de digestão e absorção), jejuno (porção para absorção) e íleo (porção para absorção e reabsorção);</li>
<li><strong>Intestino Grosso:</strong> ceco (saco cego), colo (parte mais volumosa do intestino grosso) e reto (termina no ânus).</li>
</ol>
<p>As alças intestinais ocupam os dois terços posteriores do lado direito do abdômen. O rúmen cheio desloca as alças intestinais para a direita da linha média.</p>
<h3>Intestino delgado: digestão e absorção de nutrientes</h3>
<p>A digestão enzimática, que se iniciou no abomaso com a quimosina (bezerro) ou a pepsina (bovino adulto), é completada no intestino delgado com a participação das enzimas pancreáticas (tripsina, quimiotripsina, amilase pancreática, lipase) e de outras enzimas intestinais (lactase, maltase, sacarase, dissacaridases e outras).</p>
<p>Portanto, <strong>é no intestino delgado</strong> (especialmente no duodeno e jejuno) <strong>onde ocorrerá a maior parte da digestão e absorção dos nutrientes</strong> (proteínas, lipídios, minerais e vitaminas), ao passo que a maior parte dos carboidratos já foi fermentada no rúmen.</p>
<p>As paredes internas (mucosas) do intestino delgado são revestidas por inúmeras projeções papilares chamadas vilos ou vilosidades, que servem para aumentar a superfície de absorção destes nutrientes. A digestão enzimática desenvolve-se nas primeiras semanas de vida do bezerro, quando começa a ingerir nutrientes que exigem clivagem: dissacarídeos, amido e lipídios.</p>
<h3>Intestino grosso: fermentação e absorção de água</h3>
<p>No <strong>intestino grosso</strong>, o processo de decomposição, síntese e conversão são mediadas por enzimas bacterianas. É justamente neste órgão que a <strong>maior parte da água ingerida será absorvida</strong>.</p>
<p>Existe no intestino grosso, uma população microbiana semelhante à do rúmen, mas bem menor em número. Estes microrganismos fermentam o pouco substrato que lá chega, da mesma forma que os do rúmen, produzindo ácidos graxos voláteis e proteínas microbianas.</p>
<p>Ocorre também certa digestão da celulose, pelas enzimas destes mesmos microrganismos. As vitaminas B e K, assim como no rúmen, também são sintetizadas neste órgão. Existe absorção destes nutrientes produzidos no intestino grosso, mas ela é bastante limitada.</p>
<h2>Perguntas frequentes sobre o sistema digestivo dos bovinos</h2>
<h3>1. Como funciona o sistema digestivo dos bovinos?</h3>
<p>O sistema digestivo dos bovinos funciona por meio de processos mecânicos, fermentativos e enzimáticos.</p>
<p>Após a ingestão e a mastigação, o alimento passa pelo rúmen e retículo, onde microrganismos realizam grande parte da fermentação. Em seguida, o conteúdo segue para o omaso, abomaso e intestinos, onde continuam a digestão e a absorção dos nutrientes.</p>
<h3>2. Quais são os quatro compartimentos do estômago dos bovinos?</h3>
<p>O estômago dos bovinos possui quatro compartimentos: rúmen, retículo, omaso e abomaso. O rúmen realiza a fermentação microbiana; o retículo auxilia na movimentação e seleção das partículas; o omaso absorve água e outros compostos; e o abomaso realiza a digestão ácida e enzimática.</p>
<h3>3. Por que os bovinos são considerados animais ruminantes?</h3>
<p>Os bovinos são ruminantes porque possuem um sistema digestivo especializado na fermentação de alimentos vegetais e realizam a ruminação.</p>
<p>Esse processo envolve a regurgitação do alimento, sua remastigação, a mistura com saliva e uma nova deglutição, favorecendo a redução das partículas e a digestão das fibras.</p>
<h3>4. Qual é a principal função do rúmen?</h3>
<p>A principal função do rúmen é promover a fermentação dos alimentos pela ação de microrganismos, como bactérias, protozoários e fungos.</p>
<p>Durante esse processo, os carboidratos são transformados em ácidos graxos voláteis, que são absorvidos e utilizados como importante fonte de energia pelos bovinos.</p>
<h3>5. Qual é a diferença entre rúmen e abomaso?</h3>
<p>O rúmen é o principal compartimento de fermentação microbiana, enquanto o abomaso é o estômago glandular dos bovinos. No rúmen, os microrganismos degradam diversos componentes dos alimentos.</p>
<p>No abomaso, o ácido clorídrico e enzimas digestivas, como a pepsina, participam principalmente da digestão das proteínas.</p>
<h3>6. Onde ocorre a absorção dos nutrientes nos bovinos?</h3>
<p>A absorção de nutrientes ocorre em diferentes regiões do sistema digestivo. No rúmen, são absorvidos principalmente ácidos graxos voláteis.</p>
<p>O omaso participa da absorção de água e outros compostos, enquanto o intestino delgado absorve grande parte dos aminoácidos, lipídios, vitaminas e minerais disponíveis após a digestão.</p>
<h2>Aprofunde seu conhecimento em nutrição e produção de bovinos</h2>
<p>Entender a fundo o sistema digestivo dos bovinos é essencial para ajustar dietas, melhorar a conversão alimentar e potencializar o desempenho dos animais. Mas, para transformar esse conhecimento em resultado prático e lucrativo, é preciso ir além do básico.</p>
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<p>Texto produzido pela Equipe Corte Rehagro.</p>
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