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Dessecação da soja: Qual o momento certo de realizar?

Dessecação da soja: Qual o momento certo de realizar?
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O uso da dessecação em pré-colheita na cultura da soja é bastante utilizado. Você conhece as vantagens de se realizar está prática? Qual é o momento certo de realizar a dessecação e não reduzir a produtividade?

Atualmente, diversas regiões agrícolas brasileiras vêm adotando a dessecação em pré-colheita da soja. Essa prática possui três benefícios fundamentais para os produtores: uniformidade da maturação dos grãos, antecipação da colheita e controle de infestação de plantas daninhas que não foram manejadas corretamente no início do cultivo, facilitando assim a colheita.

A uniformidade da maturação dos grãos é um fator muito importante, pois permite maior rendimento operacional da colhedora, reduzindo os problemas de plantas com haste verde e retenção foliar, o que faz com que a máquina embuche menos, diminuindo de forma expressiva a perda de grãos.

Além disso, a dessecação permite antecipar a colheita da soja, o que é fundamental para regiões que tem possibilidade de realizar a segunda safra, principalmente com a cultura do milho. Realizar a semeadura nos primeiros dias da janela de plantio é uma das formas de reduzir os riscos climáticos que são inerentes de cada região, sejam eles geadas ou veranicos.

Controle de plantas daninhas

Outro fator que merece destaque nesta atividade é o controle de plantas daninhas que não foram manejadas de forma eficiente no início de desenvolvimento da lavoura. Essas plantas invasoras, além de reduzir o rendimento operacional, aumentam a porcentagem de impurezas nos grãos e também o teor de umidade, o que gera prejuízos ao produtor no momento do beneficiamento, sendo assim, a dessecação reduz este problema.

Pode-se perceber as diversas vantagens de utilizar a dessecação na cultura da soja, no entanto, o produtor precisa ficar atento ao momento correto de se realizar a aplicação do herbicida, pois se aplicado no estádio fenológico incorreto, pode reduzir de maneira expressiva a produtividade da lavoura. Foi pensando nisso, que o Rehagro Pesquisa conduziu um experimento com o objetivo determinar o estádio fenológico adequado para se realizar a dessecação de forma que não afete o potencial produtivo soja.

Para isso foi utilizado o herbicida Paraquat, que atua inibindo o fotossistema I. É um herbicida que possui efeito apenas no local de contato com o material vegetal, ou seja, ele não será absorvido e transcolado pela planta, como ocorre no caso de produtos sistêmicos. A escolha do produto é muito importante, pois caso seja selecionado um herbicida incorreto para está prática, há a possibilidade de deixar resíduos nos grãos que serão colhidos, desta forma, deve verificar quais os produtos são permitidos e respeitar o período de carência.

A dessecação foi realizada em três estádios fenológicos, R5.5 que representa uma granação de 76 a 100%, R6 que é 100% da granação com sementes verdes preenchendo toda a cavidade da vagem e no estádio R7.2 que representa a maturidade fisiológica, onde há de 50 a 70% de folhas e vagens amarelas. Foi conduzido também um tratamento sem dessecação.

Na figura abaixo é possível verificar a situação dos grãos 10 dias após a dessecação.

situação dos grãos 10 dias após a dessecação da soja Na figura abaixo é possível observar efeito significativo referente ao peso de mil grãos. A dessecação em R7.2 apresentou maior peso em gramas do que as dessecações realizadas em R5.5 e R6, no entanto, não houve diferença com o tratamento controle sem dessecação.

Como visualizado no peso de mil grãos, houve diferença significativa também em produtividade. Na figura abaixo é possível observar a importância de se realizar a dessecação no estágio fenológico correto. As aplicações realizadas em R5.5 e R6 tiveram perda de produtividade de 59,9 e 24,9%, respectivamente, quando comparados com a testemunha sem dessecação. Não houve diferença estatística entre a aplicação realizada no estádio R7.2 e o tratamento sem dessecação.

Desta forma, é possível notar a importância de realizar um manejo correto, realizando as atividades no momento ideal. Com esses resultados é possível pensar nas estratégias de manejo mais adequada para cada região, sendo mais uma ferramenta para a tomada de decisão.

Referências

DE CARVALHO, F. T. Eficácia do flumioxazin aplicado na dessecação pré-colheita da soja e efeito residual no controle de plantas daninhas no milho safrinha. Cultura Agronômica: Revista de Ciências Agronômicas, v. 26, n. 4, p. 683-693, 2017.

BOTELHO, F. J. E., OLIVEIRA, J. A., VON PINHO, É. V. D. R., CARVALHO, E. R., FIGUEIREDO, Í. B. D., & ANDRADE, V. Qualidade de sementes de soja obtidas de diferentes cultivares submetidas à dessecação com diferentes herbicidas e épocas de aplicação. Revista Agro@ mbiente On-line, v. 10, n. 2, p. 137-144, 2016.

DOS SANTOS, T. T. M., TIMOSSI, P. C., LIMA, S. F., GONÇALVES, D. C., & SANTANA, M. V. Associação dos herbicidas diclosulam e glyphosate na dessecação visando o controle residual de plantas daninhas na cultura da soja. Revista Brasileira de Herbicidas, v. 15, n. 2, p. 138-147, 2016.