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Deficiência de zinco x fitotoxicidade por glifosato em cafeeiros

O sintoma abaixo é deficiência de zinco, que devido a pouca mobilidade desse nutriente na planta, os sintomas se manifestam nas folhas mais novas, apresentando-se pequenas, cloróticas e lanceoladas. Além disso, ocorre também encurtamento dos internódios.  Deve-se ter o cuidado, para não confundir esse sintoma com toxicidade do herbicida glifosato em plantas de café, que podem apresentar sintomas parecidos. 

deficiência de zinco

Figura.1 Sintoma de deficiência de zinco (Foto: PROCAFÉ).

Os sintomas observados para intoxicação por glifosato são: estreitamento do limbo foliar, clorose e excesso de brotações nas regiões apicais do ramo (figura 2 e 3).

deficiência de zinco

Figura.2 Fitotoxicidade de glifosato em cafeeiro. (Foto: Larissa Cocato).

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Figura.3 Fitotoxicidade de glifosato em cafeeiro. (Foto: Larissa Cocato).

Figura.4 Diferença visual de desenvolvimento de plantas de café intoxicadas pelo Glifosato (seta vermelha) e plantas normais (seta verde), sem a ocorrência de intoxicação.

Nos solos, o zinco é fortemente adsorvido aos minerais oxícidicos do solo, dessa forma, podendo causar deficiência desse nutriente. Além disso, casos de excesso de fósforo podem acarretar em deficiência de Zn devido a precipitação de compostos de P-Zn, inibição não competitiva no processo de absorção e pelo efeito de diluição (FAQUIM, 2005).

O Zinco atua como ativador e componente enzimático, participando de vários processos que ocorrem no metabolismo das plantas, como: fotossíntese, respiração, síntese de aminoácidos e outros. Nesse sentido, é importante o fornecimento desse nutriente para as plantas.

Um estudo feito por Garcia & Salgado (1981) em cafeeiro, com aplicação de 0,325 g de zinco por planta por aplicação, variando as fontes desse nutriente, os autores observaram que o íon acompanhante pode afetar a velocidade da absorção do zinco, nesse sentido, o cloreto, como componente da fonte ou na forma de KCl, promoveu as maiores absorções de zinco pelas folhas do cafeeiro. Por isso, é comum a presença de KCl em soluções de aplicação foliar para auxiliar na absorção. Da mesma forma, o nitrato de zinco também proporcionou maior absorção de zinco pelas folhas (Tabela.1).

Tabela.1 Efeito da fonte sobre a absorção de zinco de cafeeiro.

Tabela.1 Efeito da fonte sobre a absorção de zinco de cafeeiro.

Portanto, devido a importante função desempenhada pelo zinco no cafeeiro, é importante estar atento aos níveis adequados desse nutriente tanto no solo, quanto na folha. No solo, níveis de zinco abaixo de 1,5 são considerados baixos e entre 1,5-3,0 mg/dm3 são considerados médios (PROCAFÉ). Nas folhas, Malavolta e Vitti mostram os teores adequados de zinco na folha de acordo com os meses do ano (Tabela.2).

Figura.4 Lavoura com excesso de zinco no solo – 15 mg/dm3 – acarretando em sintomas de toxidez desse nutriente.

Tabela 2. Fonte: Adaptado de E. Malavolta / G.C.Vitti

Por isso, é importante monitorar os teores de zinco para tomada de decisão de aplicações de zinco via e solo, e do número de pulverizações com zinco via foliar a serem feitas desse nutriente no período de outubro a abril.

Referências

  • FAQUIM, V. Nutrição mineral de Plantas. Universidade Federal de Lavras – UFLA. FAEPE, 2005. (Link)
  • GARCIA, A. W. R., & SALGADO, A. R. (1981). Absorção do zinco pelo cafeeiro através de sais e misturas quelatizadas. In 9. Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras27-30 Oct 1981Sao Lourenço, MG (Brasil) (No. 633.73063 C749 1981). Instituto Brasileiro do Café, Rio de Janeiro (Brasil). (Link)
  • MALAVOLTA, E. & VITTI, G. C. Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / há – FOLHAS RECEM – AMADURECIDAS (Resultados na matéria seca)

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