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Casca de café: benefícios e recomendação

O que é a casca de Café?

A casca de café é um subproduto da própria fazenda, que após o beneficiamento resulta em uma grande quantidade desse material, que possui excelente potencial para a lavoura. Sua utilização na lavoura proporciona melhoria das condições físicas, químicas e biológicas do solo.

Casca de café

Figura 1. Casca de café (Foto: Larissa Cocato).

Casca de café

Figura 2. Casca de café (Foto: Larissa Cocato).

Benefícios da casca de café?

A casca de café é um adubo orgânico, dessa forma fornece nutrientes de forma gradual, também, a casca de café melhora a atividade biológica do solo e atua no aumento da CTC (Capacidade de Troca de Cátions), fato esse, muito importante para os nossos solos brasileiros.

Além disso, devido a barreira física no solo proporcionada pela casca, ela atua na maior retenção da umidade do solo, no controle da temperatura do solo e também no controle do crescimento de plantas invasoras na projeção da saia do café, tanto de forma física, como de forma alelopática. De acordo com o trabalho de Santos et al. (2001), houve influência das coberturas mortas de casca de café (Coffea arabica L.) e casca de arroz (Oryza sativa L.) sobre o controle do Caruru-de-macha (Amaranthus viridis l.) em lavoura de café. Fato extremamente vantajoso, visto que, além de todos os benefícios citados acima, a casca de café pode ter influência no controle de plantas daninhas, podendo dessa forma diminuir os custos com triações na lavoura.

Composição da casca de café?

A casca de café fornece nitrogênio (N), fósforo (P) e potássio (K), com teores médios em torno de 1,5% de N, 0,15% de P e 3,0% de K (Matiello et al., 2010). 

A análise abaixo mostra os valores de N, P e K em g/kg, de 18,5 de N, 1,2 de P e 2,9 de K g/kg, o que representam 1,8% de N, 0,12% de P e 2,9% de K. Além de outros macronutrientes que também encontramos na casca de café, como cálcio, magnésio e potássio. 

Tabela 1. Composição da casca de café:

Fonte: Larissa Cocato.

Resultados de estudos?

Resultados observados por Silva (2019) comprovam os benefícios proporcionados pela utilização de materiais orgânicos na cultura do café, inclusive da utilização da casca de café. O estudo comparou a utilização de três condicionadores de solo e a testemunha (em que não se aplicou condicionador de solo), sendo eles: casca de café, composto orgânico e gesso. Foi avaliado o vigor das plantas com base em um sensor portátil que mede o NDVI (Índice de Vegetação por Diferença Normalizada).

De acordo com os resultados, foi observado maior vigor nas plantas que receberam materiais orgânicos em cobertura, seja ele composto orgânico ou casca de café. Vale destacar que este maior vigor foi observado no período mais seco, ou seja, nos meses de maio e julho, que normalmente se observa pouca ou nenhuma precipitação.

Figura 3. Representação gráfica do NDVI para os meses de maio (A) e julho) em cafeeiros cultivados sob três condicionadores de solo (casca de café, composto orgânico e gesso) e sem condicionador.

Casca de café

Legenda:  Barras seguidas de mesma letra, não diferem entre si a 5% de probabilidade, pelo teste Scott-Knott. Fonte: Silva (2019).

Além disso, Barros et al. (2001) realizaram um trabalho comparando a produtividade da lavoura com a aplicação de palha de café seca, esterco e adubação exclusivamente química. Os autores observaram que a associação de adubo químico e adubo orgânico é extremamente benéfico a produção do cafeeiro em relação a adubação exclusivamente química, e além disso, nas doses 1,0, 2,0, e 4,0 Kg/cova de palha de café seca houve aumento crescente na produção, com destaque para a produção da parcela de 4 kg de palha na cova.

Tabela 2. Produção anual, média de cinco safras (1997/2001), em cafeeiros do cultivar Catuaí 44, do ensaio de doses e modos de aplicação de palha de café e esterco de gado associado ao adubo químico, na formação e produção do cafeeiro. Martins Soares – MG – 2001.

Recomendação de aplicação:

A recomendação para a casca é a aplicação de 5 a 10 toneladas por hectare. Vale destacar que é importante considerar o equilíbrio entre o potássio, cálcio e magnésio no solo, visto que a palha de café possui um alto teor de potássio e baixo teor de magnésio e cálcio, ressaltando que no solo esses nutrientes devem sempre ficar na relação adequada (9:3:1 a relação Ca:Mg:K).

Considerações:

Portanto a casca de café é um subproduto da própria fazenda, que pode ser utilizado na adubação orgânica das lavouras e proporciona vários benefícios, desde o fornecimento de nutrientes até a proteção do solo, dessa forma, sua utilização é muito recomendada. Além disso, por ser um resíduo da fazenda, não são necessárias despesas adicionais para a compra desse adubo orgânico, os custos gerados são apenas de sua aplicação na lavoura, considerando a importância de uma prática que não encareça os custos de produção e traga benefícios, uma vez que quanto maior esses custos, menor o lucro do produtor. 

Referências

  • BARROS, U. V.; GARÇON, C. L. P.; SANTANA, R. MATIELLO, J. B. Doses e modos de aplicação de palha de café e esterco de gado associado ao adubo químico, na formação e produção do cafeeiro, solo LVah, na Zona da Mata de Minas Gerais. ii Simpósio de pesquisa dos Cafés no Brasil. 2001. (Link)
  • MATIELLO et al., Cultura do Café no Brasi l- Manual de Recomendações, Mapa Fundação Procafé, Ed 2010. (Link)
  • SILVA, L. C. Monitoramento do vigor de cafeeiros submetidos a estratégias de manejo para atenuar os efeitos da escassez hídrica. 81 f. Dissertação (Mestrado em Fitotecnia) – UFLA, Universidade Federal de Lavras, Lavras/MG, 2019. (Link)

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