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Boro: saiba mais sobre esse micronutriente

O boro é um micronutriente que apresenta funções indispensáveis na planta. Dentre elas, podemos citar:

  • Germinação do grão de pólen
  • Crescimento do tubo polínico
  • Regulagem da síntese da parede celular
  • Crescimento de meristemas
  • Atividade enzimática

Sendo assim ressalta-se a importância de um suprimento adequado desse nutriente, principalmente pela sua influência no pagamento da florada, que interfere diretamente na produção do cafeeiro.

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Florada da Lavoura – Cultivar Topázio – Plantio: novembro 2015 (Foto: Diego Baquião)

Boro – características

Esse nutriente não se movimenta pelo floema, devido a essa imobilidade, sua aplicação via foliar apresenta baixa eficiência, por isso é indispensável sua aplicação via solo, quando houver demanda. Sendo assim, a aplicação de boro via foliar deve funcionar apenas como um complemento da aplicação via solo, pois se utilizada em substituição pode resultar em deficiência desse nutriente.

Na faixa de pH da maioria dos solos o nutriente ocorre na forma de ácido bórico (H3BO3). Desta forma, por ocorrer na solução em forma neutra, esse micronutriente é muito suscetível a perdas por lixiviação no solo.

Esse nutriente é mais fortemente absorvido pelos coloides orgânicos do solo do que pelas argilas, por isso, a presença de matéria orgânica pode minimizar as perdas de boro por lixiviação.

Sintomas de deficiência 

Os sintomas de deficiência de boro ocorrem primeiramente nos órgãos mais novos e em regiões em crescimento. As folhas mais novas apresentam redução de tamanho e deformação, menor desenvolvimento das raízes, seca e morte das gemas apicais e menor pegamento da florada.

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Deficiência de boro (Foto: Luiz Paulo Oliveira)

Recomendação de boro

Na literatura recomenda-se sua aplicação quando teores abaixo de 0,6 mg/dm³ no solo, entretanto, muitos técnicos têm optado por aplicar boro quando este apresentar teor abaixo de 1,0 mg/dm³ no solo.

Em relação a fonte de aplicação pode-se optar por ácido bórico ou ulexita, considerando que o ácido bórico (H3BO3) é uma fonte solúvel em água e além de resultar em uma alta disponibilidade inicial, são extremamente suscetíveis a lixiviação. Já no caso da ulexita, que é um borato de sódio e cálcio, sua solubilidade depende diretamente da proporção de entre sódio e cálcio, dessa forma, o boro é liberado mais lentamente, de acordo com a granulometria. Além disto, deve-se ter atenção com relação ao tipo do solo, uma vez que solos de textura argilosa apresentam maior capacidade de retenção do boro, quando comparado a solos de textura arenosa, em que situações de elevada irrigação ou precipitação, pode acarretar em lixiviação deste nutriente.

Normalmente a recomendação em lavouras a partir da primeira safra, quando se utiliza a fonte de boro ulexita, varia de 4 a 6 kg de boro por hectare. Essa recomendação varia primeiramente em função do teor de boro no solo, mas também é importante estar de olho no histórico de aplicação de boro nas safras anteriores, da expectativa de produção das lavouras e na textura do solo.

Exemplo de cálculo: 

Por exemplo, uma lavoura adulta 0,60 mg/dm3 de boro no solo, em que não foi feita a aplicação no ano anterior, com solo de textura media argilosa. A nossa recomendação para essa lavoura é de 5 kg de boro por hectare.

Dessa forma, a recomendação de boro via ulexita em 1 hectare é de: 50 kg desse fertilizante.

Teor de boro nas folhas

Para se acompanhar se o boro aplicado está sendo mesmo absorvido basta olhar os resultados das análises de folha de acordo com o valor de referência de cada mês (Tabela 1):

Tabela 1. Parâmetros para análise de folha do cafeeiro:

** Faixas de variação nos teores foliares em cafezais com produção média entre 30-40 sacas beneficiadas / ha – Folhas recém – amadurecidas (Resultados na matéria seca).
Fonte: E. Malavolta / G.C.Vitti.

Referências: 

  • FAQUIN, V. Nutrição mineral de plantas. 2005. (Link)
  • FURTINI NETO, A. E., VALE, F. D., RESENDE, A. D., GUILHERME, L. R. G., & GUEDES, G. D. A. Fertilidade do solo. Lavras: Ufla/Faepe, 252. 2001. (Link)
  • MALAVOLTA, E., VITTI, G. C., OLIVEIRA, S. A. D. Avaliação do estado nutricional das plantas: princípios e aplicações. 1997. (Link)

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