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Plantio direto

Práticas sustentáveis na agricultura: confira a adoção e seus benefícios

O Brasil é um dos mais importantes produtores de commodities e serviços agrícolas do mundo. Esse sucesso pode ser explicado por um conjunto de fatores, incluindo condições edafoclimáticas adequadas para atividades agrícolas que oferecem uma série de vantagens.

O sucesso do cultivo agrícola implica conhecer, estudar e adequar-se às particularidades de cada tipo de solo e clima, além de investir em práticas que possam tornar a agricultura sustentável e otimizar os benefícios ambientais, econômicos e sociais.

Isso mostra claramente que a sustentabilidade não depende apenas da conservação e valorização dos recursos naturais, mas também de ganhos de produtividade e rentabilidade aos agricultores.

 

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Plantio direto: uma prática revolucionária

A prática do Plantio Direto tem causado uma revolução na agricultura brasileira, pois tem permitido o desenvolvimento de uma produção sustentável baseada na agricultura de conservação, envolvendo cobertura permanente do solo e sistemas de cultivo diversificados com mais de uma colheita por ano.

O plantio direto também levou à redução dos custos de produção, uma vez que são necessárias menos operações agrícolas, economizando combustível e custos de mão de obra.

Além disso, a qualidade e a saúde do solo podem ser melhoradas e restauradas, em particular os níveis de carbono e biodiversidade do solo podem aumentar os rendimentos agrícolas, ao longo do tempo, reduzindo a aplicação de fertilizantes, devido à redução da erosão, colocação mais precisa de fertilizantes e melhoria da saúde do solo. Por fim, minimiza-se o impacto das gotas de chuva no solo e o escoamento da água, mitigando os processos erosivos.

No Brasil, o plantio direto foi introduzido pela primeira vez no início da década de 1970, por iniciativa de agricultores pioneiros do Paraná, como forma de controlar inicialmente o escoamento de água e a erosão do solo, mas posteriormente para melhorar a saúde e a produtividade do solo, integrando outras práticas complementares para construir sistemas conservacionistas.

Foi uma resposta ao uso de sistemas de preparo intensivo em áreas de produção de grãos que causavam severas perdas por erosão e degradação do solo, afetando a capacidade produtiva e a produtividade das culturas, nas décadas de 1970 e 1980.

A expansão do plantio direto

Entre 2006 e 2017, um aumento de 84,9% na área de lavouras na prática do plantio direto foi registrada no Brasil, passando de 17,9 para 33,0 milhões de ha.

Esse aumento da área de plantio direto foi observado em todas as cinco grandes regiões do país (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte e Nordeste). O número de propriedades sob a prática do plantio direto também passou de 507 mil para mais de 553 mil, ou seja, um aumento de 9,2%.

A maior expansão da área de plantio direto no Brasil entre 2006 e 2017 ocorreu na região Centro-Oeste, de 6,5 a 13,7 milhões de ha, um aumento de 110,4%. Essa expansão ocorreu com maior intensidade em Mato Grosso, atualmente o estado com maior área de plantio direto e área média de plantio direto no ranking nacional, superando a região Sul nesse período.

A expansão da área de plantio direto também foi de alta intensidade nos estados de Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.

Na região Sudeste, a área sob a prática do plantio direto expandiu de 1,4 para 2,9 milhões de ha, um aumento de 107,4% entre 2006 e 2017.

Há dois estados principais em termos de terras agrícolas nesta região: estado de São Paulo predominantemente no Atlântico Bioma Floresta onde a área de NT expandiu 113,0 % e o estado de Minas Gerais predominantemente no bioma Cerrado onde houve um aumento semelhante de 103,0 % na área de plantio direto.

A área sob plantio direto na região Nordeste passou de 1,2 para 3,3 milhões de ha, correspondendo a um aumento de 184,2%. Este aumento foi o resultado de diferentes fenômenos e esconde tendências opostas dentro dele.

Por um lado, um aumento acentuado da área total de plantio direto foi registrado nos estados da Bahia (BA), Maranhão (MA) e Piauí (PI), que pertencem à nova área de expansão dentro do bioma Cerrado denominada MATOPIBA. que inclui os três estados (MA, PI, BA) juntamente com o estado do Tocantins (TO) localizado na região Norte.

Na região Norte, a área total do plantio direto aumentou de 0,2 para 1,2 milhão de ha, ou seja, um aumento de 431%. Os estados do Tocantins, Pará e Rondônia, que juntos respondem por 93% da área do NT na região, foram os mais destacados.

Área de plantio direto em relação à área total de grãos

A área de cultivo anual no Brasil aumentou de 36,6 milhões de ha em 2006 para 52,7 milhões de ha em 2017, um aumento de 43,9% durante este período.

Enquanto isso, a área de cultivos anuais sob a prática do plantio direto nas propriedades que o utilizam como sistema exclusivo de manejo do solo no Brasil aumentou de 18,7 para 32,1 milhões de ha, ou seja, um aumento de cerca de 71,5%.

Com isso, o percentual de cultivos anuais sob plantio direto passou de 51,2 % em 2006 para 61,0 % em 2017. Sendo a prática do plantio direto um dos três princípios da agricultura sustentável, sua adoção e disseminação tem contribuído para a correspondente expansão da área de agricultura sustentável no Brasil.

Assim, o aumento da área de plantio direto indica uma melhora na sustentabilidade econômica e ambiental da agricultura brasileira.

Os sete principais estados com maior adoção da prática de TN em 2017 são Mato Grosso (86,6%), Paraná (81,9%), Rio Grande do Sul (76,8%), Santa Catarina (71,3%), Goiás (70,7%), Distrito Federal (69,9%) e Mato Grosso do Sul (69,3%).

A adoção do sistema plantio direto foi um dos principais fatores que contribuíram para a expansão e ganhos de produtividade liderados por agricultores na agricultura brasileira.

O papel do plantio direto na mitigação das mudanças climáticas

A introdução do plantio direto em áreas de vegetação nativa reduz os estoques de carbono do solo entre 4% e 8% na camada de 0-30 cm após 20 anos de uso da terra em várias regiões do Brasil.

Esses dados mostram que a manutenção dos ecossistemas naturais deve ser uma prioridade para evitar possíveis perdas de carbono do solo com consequentes emissões de gases de efeito estufa para a atmosfera, ocasionado pelo revolvimento do solo.

Por outro lado, a adoção de plantio direto em áreas anteriormente manejadas por sistemas convencionais e pastagens é uma alternativa potencial para promover o sequestro de carbono em solos agrícolas nas diferentes regiões do Brasil.

Especificamente, a conversão do cultivo convencional para plantio direto promoveu aumentos médios nos estoques de carbono do solo não apenas nas camadas superficiais do solo (0-30 cm), mas também em perfis mais profundos (0-50 cm), e que variaram entre 9% e 25%.

Em áreas ≥ 20 anos após a conversão de cultivo convencional para plantio direto a taxa de sequestro foi de 0,63 Ton de C ha-1 ano-1, ou 17% do carbono do solo, enquanto em áreas ≥ 20 anos após a conversão de pastagem para plantio direto, a taxa de sequestro foi de 0,53 Ton C ha-1 ano-1 ou 10% de carbono orgânico do solo.

O sequestro de carbono orgânico do solo é evidentemente uma função do tempo desde a conversão de cultivo convencional para plantio direto, com uma taxa de sequestro de 0,39 Ton C ha-1 ano-1 ou 2% carbono orgânico do solo entre 4 e 10 anos após a conversão, e 0,59 Ton C ha-1 ano-1 ou 16% carbono orgânico do solo entre 17 e 26 anos.

Para a conversão de pastagem para plantio direto, o sequestro de carbono orgânico do solo varia com o tempo, onde em áreas com menos tempo desde a conversão (2-7 anos) a taxa de sequestro é de 0,05 Ton C ha-1 ano-1 ou 2% carbono orgânico do solo, e em áreas com em um período mais longo (12-20 anos) a taxa de sequestro é de 0,45 Ton C ha-1 ano-1 ou 10% carbono orgânico do solo.

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