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polinização do milho

Fatores que afetam a polinização do milho

Fatores que afetam a polinização do milho
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A polinização é uma etapa muito importante durante o ciclo do milho, sendo assim, reunimos alguns pontos importantes para melhor compreendermos sobre este processo. Mas antes disso, é preciso conhecer um pouco sobre aspectos genéticos que estão relacionados com a polinização, fique por dentro:
O milho é uma espécie alógama e sua polinização ocorre predominantemente por cruzamento (95%), que neste caso, faz com que ocorra troca de genes entre os próprios indivíduos.

Expressão Genética

Do ponto de vista genético, a troca de genes faz com que os descendentes (grãos colhidos) tenham menor expressão do potencial produtivo quando cultivados. Ou seja, se o produtor adquirir uma semente de um milho híbrido com elevado potencial produtivo, fizer o seu cultivo e, após realizar a colheita, separar parte dos grãos para plantar na próxima safra, ele não observará a mesma expressão genética da safa anterior.
Isso ocorre porque o cruzamento entre estes indivíduos, considerados aparentados, faz com que aumente os locus em heterozigose, que nada mais é do que o aumento da existência de genes deletérios ou com baixa expressão gênica. Sendo assim, sempre que for iniciar um cultivo, será preciso adquirir um novo lote de sementes híbridas, para assim, permitir com que se alcance boas produtividades a cada safra.

Polinização do Milho

Sabendo-se de algumas características genéticas da planta de milho, é preciso compreender quais são os fatores externos que podem influenciar sua polinização:
Ao entrar no período de florescimento, as plantas de milho emitem as inflorescências: masculina – pendão (Figura 1) e feminina – espiga (Figura 2).

polinização do milho

O pendão é o órgão responsável pela produção e liberação dos grãos de pólen do milho e, a principal forma de dispersão é através do vento, podendo carrega-los até uma distância de 500 metros sem que sua viabilidade seja afetada, além disso a dispersão pode durar de 5 a 8 dias, os quais, permanecem viáveis por até 24 horas após sua liberação, podendo variar de acordo com as condições ambientais. Após serem dispersados, os grãos de pólen atingirão o estilo-estigma da espiga de milho, ou “cabelo” do milho, dando início ao processo de fecundação dos óvulos.
Condições adequadas para que o estilo-estigma permaneça viável:
Temperaturas entre 16º C e 35ºC;
Umidade relativa superior a 65%.

Cada “cabelo” do milho corresponde a um óvulo que quando fecundado, formará um grão. É importante ressaltar que cada espiga pode produzir de 500 a 1000 óvulos. Condições ambientais como tempo seco neste período faz com que o estilo-estigma perca umidade e isso resultará em baixa germinação do tubo polínico e consequentemente, baixa fecundação do óvulo e assim, não formará grãos causando falhas na espiga.

Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

Durante este período de emissão da espiga e do “cabelo” do milho, deve-se atentar à presença da lagarta-da-espiga, pois esta pode comprometer a produtividade da lavoura, fique atento:
Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea): Esta praga se alimenta preferencialmente do “cabelo” do milho, podendo comprometer diretamente a fertilização dos óvulos e assim, causar falhas na formação de grãos. Além disso, quando os cabelos do milho já estão secos, a lagarta passa a atacar os grãos, reduzindo a produção esperada e podendo ainda facilitar a entrada de microrganismos na espiga.

Manejo da Lagarta-da-espiga (Helicoverpa zea)

Manejo da lagarta-da-espiga: O controle químico tem sido pouco utilizado como forma de manejo desta praga em razão da dificuldade de aplicação. Portanto, pode-se adotar o controle biológico, através da liberação de inimigos naturais, como o Trichograma.

REFERÊNCIAS

VALICENTE, F. H.; Manejo Integrado de Pragas na Cultura do Milho, Circular Técnica 208, EMBRAPA Milho e Sorgo, Sete Lagoas, MG, ISSN 1679 1150.
Miranda, G. V., Coimbra, R. R., Godoy, C. L., Souza, L. V., Guimarães, L. J. M., & de Melo, A. V. (2003). Potencial de melhoramento e divergência genética de cultivares de milho-pipoca. Pesquisa agropecuária brasileira, 38(6), 681-688.

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