A produtividade do milho não depende apenas de fertilidade, genética ou clima, em muitas situações, o principal fator limitante está no manejo de pragas. E o problema não é apenas a presença dessas pragas, mas a forma como elas são manejadas.
Durante o evento Pesquisa em Campo do Rehagro, foram discutidas situações reais de lavouras onde decisões equivocadas no controle de pragas resultaram em perdas expressivas de produtividade, mesmo em áreas tecnicamente bem conduzidas.
O ponto central é que o manejo de pragas no milho precisa ser encarado como um sistema, e não como ações isoladas ao longo do ciclo.
Neste artigo, você vai entender, de forma técnica e aplicada, como estruturar um manejo eficiente, quais são os principais erros cometidos no campo e como tomar decisões mais assertivas para proteger o potencial produtivo da lavoura.
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Manejo de pragas no milho: uma visão sistêmica
Um dos principais aprendizados observados na prática é que o manejo de pragas não pode ser pontual.
Não se trata apenas de “controlar quando aparece”, mas de estruturar um programa de monitoramento e manejo que acompanhe o desenvolvimento da cultura. A lógica é simples: monitorar e controlar no momento ideal.
Quando o produtor falha no início do ciclo, ele carrega um problema que se intensifica ao longo do desenvolvimento da planta. Por outro lado, quando o manejo é bem feito desde a base, o sistema se mantém mais equilibrado, exigindo menos correções ao longo do tempo.
Principais pragas do milho ao longo do ciclo
Entender o comportamento das pragas ao longo do ciclo é fundamental para posicionar corretamente as estratégias de controle.
Percevejo barriga-verde: o prejuízo invisível no início
O percevejo barriga-verde tem ganhado relevância nos últimos anos, principalmente por sua ocorrência cada vez mais precoce.
O dano causado por essa praga é muitas vezes subestimado. Plantas atacadas ainda no início do desenvolvimento, a depender do nível de infestação na área, podem apresentar redução de porte, perfilhamento e “encharutamento” do cartucho do milho, prejudicando o potencial produtivo da lavoura. Na prática, isso representa perda direta de plantas produtivas.
O ataque precoce do percevejo barriga-verde compromete o desenvolvimento inicial das plantas, reduzindo o número de plantas produtivas na lavoura. Essa perda de população, mesmo que aparentemente pequena, impacta diretamente o rendimento final, já que cada planta tem papel fundamental na formação da produtividade por área.
Cigarrinha do milho: presença já é problema
A cigarrinha é uma das pragas mais críticas do sistema, principalmente por ser vetor de doenças como o enfezamento.
Um ponto importante destacado no campo é que não é necessário alta infestação para causar danos.
A cigarrinha deve ser encarada como uma praga de presença. Isso significa que, mesmo em baixas populações, ela representa risco para a lavoura, já que um único inseto pode transmitir molicutes a várias plantas. Essas plantas infectadas tornam-se focos de disseminação dos enfezamentos, ampliando rapidamente o problema e comprometendo o potencial produtivo da área.
Em diversas áreas avaliadas, a ausência do manejo da cigarrinha em fases iniciais, por percepção de baixa infestação, resultou posteriormente em plantas com sintomas claros de enfezamento.
Pulgão: impacto direto na formação de grãos
O pulgão tem se destacado como uma praga relevante em determinados anos, principalmente quando há menor pressão de cigarrinha.
Esse comportamento está relacionado à competição dentro do nicho ecológico. Quando uma praga reduz, outra pode ganhar espaço.
O dano do pulgão é bastante característico: falhas na granação das espigas.
Durante as avaliações de campo, foi possível observar espigas com falhas de polinização e menor peso de grãos, resultado direto da ação do pulgão. Em alguns casos, a perda de produtividade foi evidente apenas na fase reprodutiva, o que dificulta a correção tardia.
O manejo eficiente dessa praga começa com a leitura correta da lavoura. Uma forma prática de classificação observada em campo é:
- Baixa infestação: até 10% das plantas com presença de pulgão;
- Média infestação: entre 20% e 30%;
- Alta infestação: acima de 40%.
Essa diferenciação é essencial porque define a escolha da estratégia e dos produtos. Sem esse critério, o produtor corre o risco de utilizar moléculas inadequadas para o cenário, reduzindo a eficiência do controle dessa praga.
Lagartas: desafios crescentes no controle
As lagartas continuam sendo um desafio, especialmente pela variação de espécies e pelo aumento de casos de perda de eficiência de tecnologias Bt.
Espécies como a Helicoverpa apresentam maior agressividade, podendo consumir múltiplas fileiras de grãos na espiga, enquanto a Spodoptera tende a causar danos mais limitados.
Um ponto crítico é que, atualmente, o controle químico na fase de espiga é bastante limitado, o que reforça a importância do manejo antecipado.

Estação Manejo de Pragas na Cultura do Milho no evento Pesquisa em Campo Rehagro. Fonte: Acervo Rehagro.
Manejo antes do plantio: onde muitos perdem eficiência
Uma das oportunidades mais subaproveitadas no manejo de pragas no milho está na dessecação pré-plantio. Durante o evento, foi reforçado que essa operação já possui um custo operacional, normalmente atribuído ao herbicida.
Ao adicionar um inseticida nesse momento, o produtor consegue reduzir a população inicial de pragas, especialmente percevejos, com baixo custo adicional.
Em termos práticos, essa estratégia pode reduzir em cerca de 30% a população inicial de pragas, aumentando a eficiência do manejo ao longo do ciclo.
Manejo inicial: do plantio ao V2
Após o plantio, o foco deve ser proteger a planta no momento mais vulnerável. O tratamento de sementes com neonicotinoides é uma prática importante, contribuindo para o controle inicial de pragas sugadoras. No entanto, após a emergência, a planta ainda possui pouca área foliar, o que limita a ação de produtos sistêmicos.
Por isso, nesse momento, a recomendação é o uso de produtos de choque, com destaque para o acefato, que apresenta ação rápida sobre as pragas presentes.
Manejo por estádios: o que muda ao longo do ciclo
À medida que a planta se desenvolve, o manejo precisa evoluir.
- No estágio V2 a V4, a planta já possui área foliar suficiente para absorver produtos sistêmicos. Nesse momento, o uso de moléculas com residual passa a ser estratégico.
- Entre V6 e V8, a atenção se volta para o pulgão e para a continuidade do controle da cigarrinha. Falhas nesse período têm sido associadas a problemas como enfezamento e perdas na formação de grãos.
- No pré-pendoamento, o objetivo é consolidar o manejo, garantindo que a planta chegue protegida até o enchimento de grãos, uma vez que entradas na lavoura após o pendoamento esbarram na limitação operacional.
Escolha de inseticidas: mais do que o produto, o contexto
A escolha do inseticida deve considerar dois fatores principais: o nível de infestação e o comportamento da molécula.
Produtos de choque são mais indicados para altas infestações, pois atuam rapidamente.
Já os produtos sistêmicos, com maior residual, são mais adequados para cenários de baixa a média infestação.
Existe ainda uma relação importante entre mobilidade da molécula e persistência. Produtos que se movimentam mais rapidamente na planta tendem a ter ação mais rápida, mas menor residual.
Programas de manejo: investimento vs eficiência
Durante o Pesquisa em Campo do Rehagro, foram comparados programas de manejo com diferentes níveis de investimento.
- Programas de alto investimento, na faixa de R$ 500 a R$ 600 por hectare, apresentaram bons resultados, mas não foram os únicos eficientes.
- Programas de médio investimento também tiveram desempenho semelhante, desde que as aplicações fossem realizadas no momento correto e com combinações adequadas de produtos.
Isso reforça um ponto importante: eficiência no manejo não depende apenas do investimento, mas da estratégia.
Conclusão
O manejo de pragas no milho é um dos principais fatores que determinam o sucesso produtivo da lavoura. Mais do que escolher produtos, é necessário entender o sistema, o comportamento das pragas e o momento correto de intervenção.
Os dados e observações do Pesquisa em Campo do Rehagro deixam claro que decisões bem estruturadas podem reduzir perdas significativas e aumentar a eficiência do uso de insumos.
No fim, o produtor que domina o manejo não é aquele que aplica mais, mas aquele que aplica melhor.
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Texto produzido pela Equipe Grãos Rehagro.








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