O colostro bovino consiste na secreção produzida pela glândula mamárias de vacas na primeira ordenha após o parto, se diferenciando do leite principalmente pelo elevado teor de proteína (cerca de 14-16%), lipídeos, baixo teor de lactose e principalmente pela presença de imunoglobulinas como IgG, IgA e IgM.
A placenta bovina é do tipo sindesmocorial, nesse caso não existe passagem de grandes moléculas, como imunoglobulinas, da circulação materna para a fetal, por isso é tão importante o fornecimento do colostro de qualidade, em quantidade adequada e o mais rápido possível para garantir uma boa transferência de imunidade passiva.
O que é o colostro hiperimune?
Durante a vida, as vacas são expostas a diferentes patógenos de forma espontânea ou por vacinação e quando isso ocorre desenvolvem imunoglobulinas específicas como resposta, ou seja, o colostro produzido tem ferramentas de imunidade que combatem agentes que um dia já afetaram a vaca.
O colostro hiperimune é uma variação do colostro bovino que contém ainda mais anticorpos, ele é obtido a partir de vacas imunizadas anteriormente ao parto com patógenos de interesse.
Vantagens para a saúde de bezerras
O colostro hiperimune contém imunoglobulinas e outros agentes que fortalecem o sistema imunológico de bezerras assim como o colostro bovino tradicional, mas o grande destaque a essa modalidade se dá devido a possibilidade de utilização para prevenção de infecções específicas, reduzindo incidência de diarreia por Cryptosporidium parvum e viroses respiratórias como BoHV-1 e BRSV.
Estudos mostram menor duração de doenças, maior ganho de peso diário e redução de morbidade, otimizando custos com tratamentos em 15-25%.
Como é produzido o colostro hiperimune?
O colostro hiperimune é produzido a partir da imunização de vacas gestantes em diferentes momentos dependendo do agente de interesse, como 10 semanas antes do parto, 8 semanas, 6 semanas e 4 semanas.
Após o parto, o colostro é ordenhado e analisado por ELISA para titulação de anticorpos, etapa em que se verifica a presença de anticorpos desejados no colostro hiperimune
Como utilizar essa estratégia na propriedade?
O uso de colostro hiperimune não é uma estratégia aplicada em fazendas comerciais, até o momento seu uso é limitado à pesquisa. Alguns estudos indicam que a vacinação da vaca no período pré-parto pode favorecer a transferência e a duração de anticorpos contra agentes do complexo DRB, como BoHV-1 e BRSV, mas que em outros casos como BVDV e BPI3-V não é eficiente. Embora a prática não seja inviabilizada, ainda são necessários mais estudos para melhoria nas respostas imunes contra os demais patógenos.
O uso do colostro hiperimune ainda está em fase exploratória e existem estudos que demonstram sua eficiência em tratamentos humanos, como para o vírus SARS-CoV-2 e Cryptosporidium parvum. Nesses casos, as vacas como biofábrica de anticorpos são imunizadas no período pré-parto para que os anticorpos neutralizantes sejam encontrados no colostro hiperimune bovino.
O futuro da pecuária leiteira depende de quem sabe tomar decisões certas
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Referências:
- BACCILI, C. C.; SILVA, C. P. C. C.; BALDACIM, V. A. P.; GREGHI, G. F.; VASCONCELLOS, G. S. F. M.; CACCIACARRO, B. S.; RIBEIRO, C. P.; GOMES, V. Influência da vacinação materna na transferência de imunidade passiva contra as viroses respiratórias dos bovinos. Arq. Bras. Med. Vet. Zootec., v. 70, n. 2, p. 391-400, 2018.
- EMBRAPA GADO DE LEITE. Anuário Leite 2022: pecuária leiteira de precisão. Juiz de Fora: Embrapa Gado de Leite, 2022. 114 p.
- ABREU, V. J. S.; CARDOSO, A. L.; PENA, H. F. J.; GENNARI, S. M.; SINHORINI, I.; DAMY, S. B. Avaliação da eficácia do colostro bovino hiperimune na infecção experimental de roedores com Cryptosporidium parvum. Braz. J. Vet. Res. Anim. Sci., v. 40, supl. 3, 2003.








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