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Lesões de casco em bovinos: causas, tratamento e como prevenir

Lesão de casco de bovino sendo tratada

As lesões de casco estão entre os problemas que mais comprometem o bem-estar e o desempenho dos bovinos. Quando sente dor ou desconforto ao se locomover, o animal pode caminhar menos, reduzir as visitas ao cocho e ao bebedouro, permanecer mais tempo deitado e apresentar queda no consumo e na produção de leite.

Essas alterações também aumentam os custos da propriedade com tratamentos, mão de obra e descarte involuntário de animais. Por isso, a saúde dos cascos deve ser acompanhada como parte do manejo sanitário, nutricional e produtivo do rebanho.

As causas são variadas e podem envolver as condições das instalações, excesso de umidade, higiene inadequada, pisos abrasivos, falhas nutricionais, características individuais e ausência de casqueamento preventivo.

Além de tratar o animal afetado, é fundamental identificar os fatores que contribuíram para o surgimento da lesão. Caso contrário, novos episódios podem continuar ocorrendo na fazenda.

Neste artigo, você conhecerá os principais sinais e tipos de lesões de casco em bovinos, como elas devem ser avaliadas e quais cuidados fazem parte do tratamento e da prevenção.

 

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O que são lesões de casco em bovinos?

As lesões de casco são alterações que atingem uma ou mais estruturas dos dígitos dos bovinos. Dependendo da origem e da gravidade, podem provocar inflamação, dor, dificuldade de locomoção e comprometimento dos tecidos internos.

Nem todas as lesões são iguais. Algumas possuem origem predominantemente infecciosa, enquanto outras estão relacionadas a traumas, desgaste inadequado, alterações na qualidade do tecido córneo, distribuição incorreta do peso ou distúrbios nutricionais e metabólicos.

A intensidade também varia. Uma alteração identificada precocemente pode ser corrigida com maior facilidade, enquanto casos mais avançados podem demandar tratamento prolongado e comprometer profundamente o desempenho do animal.

Por esse motivo, o tratamento deve começar com a identificação correta da lesão e de sua possível causa.

Quais são as principais causas de problemas de casco?

As afecções dos cascos possuem origem multifatorial, isso significa que vários fatores podem atuar ao mesmo tempo e aumentar o risco de lesões. Entre os principais são:

  • Pisos duros, irregulares, abrasivos ou escorregadios;
  • Presença de pedras e trilhas acidentadas;
  • Excesso de umidade e matéria orgânica;
  • Baixa frequência de limpeza nas instalações;
  • Longas distâncias de caminhada;
  • Condições inadequadas de conforto;
  • Falhas no manejo nutricional;
  • Distúrbios metabólicos, como a acidose ruminal;
  • Características genéticas e de conformação dos pés e membros;
  • Falta de casqueamento preventivo;

A fase produtiva também pode influenciar a ocorrência dos problemas. No início da lactação, por exemplo, as vacas enfrentam mudanças metabólicas, nutricionais e de manejo que podem aumentar sua susceptibilidade.

Quando muitos animais apresentam alterações, é importante analisar o problema no nível do rebanho. Tratar apenas as lesões individuais, sem corrigir as condições ambientais, nutricionais ou operacionais, tende a gerar resultados limitados.

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Quais sinais indicam problemas nos cascos dos bovinos?

As manifestações dependem do tipo, da localização e da gravidade da lesão. Nem sempre uma alteração no casco é imediatamente visível, mas mudanças no comportamento e na locomoção podem servir de alerta.

Entre os principais sinais estão:

  • Dificuldade para caminhar;
  • Passos curtos ou irregulares;
  • Alteração na forma de apoiar os membros;
  • Arqueamento do dorso durante a locomoção;
  • Redução da movimentação;
  • Permanência por mais tempo deitada;
  • Dificuldade para chegar ao cocho ou ao bebedouro;
  • Inchaço nos membros;
  • Feridas, rachaduras ou alterações visíveis;
  • Redução do consumo de alimentos;
  • Queda na produção de leite.

A claudicação é um dos sinais mais evidentes, mas não deve ser o único critério utilizado. Quando o animal começa a mancar de forma intensa, a lesão pode já estar em estágio avançado.

A observação periódica da locomoção e dos cascos permite identificar alterações mais cedo e iniciar a avaliação antes que o quadro se agrave.

Lesões de casco bovinos mais frequentes

Diferentes alterações podem afetar os cascos. Conhecer suas características ajuda a reconhecer o problema e direcionar a avaliação.

Lesões de sola

As lesões de sola podem apresentar diferentes profundidades e níveis de gravidade. Nos casos mais avançados, pode ocorrer exposição ou comprometimento de tecidos internos, provocando dor intensa e dificuldade de locomoção.

Lesão de sola em casco bovino com exposição do córionLesão circunscrita que expõe o tecido córion. Fonte: Arquivo Rehagro

Doença da linha branca

A linha branca é a região de união entre a parede e a sola do casco. Quando ocorre separação ou comprometimento dessa estrutura, sujeira e microrganismos podem penetrar nos tecidos e favorece processos dolorosos e infecciosos.

A doença da linha branca pode estar relacionada a alterações na qualidade do casco, traumas e condições inadequadas do piso.

Doença da linha branca em casco bovinoDoença da linha branca – consequência comum da laminite. Fonte: Arquivo Rehagro

Erosão de talão

A erosão de talão provoca perda de qualidade e irregularidades no tecido córneo localizado na parte posterior do casco. Ambientes úmidos, higiene deficiente e contato constante com matéria orgânica podem contribuir para o desenvolvimento e o agravamento da alteração.

Erosão de talão em bovino leiteiroErosão de talão – baixa qualidade dos tecidos córneos secundária à laminite e a infecções bacterianas secundárias. Fonte: Guia Bayer de podologia bovina

Dermatite interdigital

A dermatite interdigital afeta a pele localizada entre as unhas. Trata-se de uma alteração infecciosa favorecida principalmente por ambientes úmidos, sujos e com elevada presença de matéria orgânica.

Quando não é identificada e controlada, pode provocar desconforto, inflamação e favorecer outros problemas nos cascos.

Dermatite interdigital em bovino leiteiroDermatite interdigital. Fonte: Arquivo Rehagro

Sola fina

A sola fina ocorre quando a espessura do tecido córneo é insuficiente para proteger adequadamente as estruturas internas.

Essa condição aumenta a sensibilidade ao contato com o solo e pode deixar o animal mais suscetível a contusões, úlceras e outras lesões.

Podridão do casco

Essa condição infecciosa afeta os tecidos da região interdigital e pode provocar inchaço, dor intensa, claudicação e piora rápida do estado do animal. Ferimentos na pele, umidade excessiva, lama e higiene inadequada podem favorecer a entrada dos microrganismos envolvidos.

A nomenclatura e o diagnóstico das lesões devem ser confirmados por um profissional capacitado, pois alterações diferentes podem apresentar sinais semelhantes.

Como identificar e avaliar uma lesão de casco?

Ao perceber mudanças na locomoção ou no comportamento de um animal, é importante realizar uma avaliação cuidadosa.

O processo geralmente inclui:

  1. Observar o bovino parado e em movimento;
  2. Identificar qual membro apresenta alteração;
  3. Conter o animal de maneira segura;
  4. Limpar completamente o casco;
  5. Avaliar as unhas, a sola, os talões e o espaço interdigital;
  6. Identificar a localização e as características da lesão;
  7. Verificar sua profundidade e gravidade;
  8. Definir a conduta mais adequada.

A limpeza é essencial porque a presença de barro e matéria orgânica pode esconder alterações importantes. Também é necessário avaliar se existem sinais de infecção, comprometimento de tecidos profundos, inchaço ou dor intensa. Casos mais graves devem ser acompanhados por médico-veterinário.

Nem toda claudicação possui origem no casco. Alterações nas articulações, músculos e outras estruturas dos membros também podem provocar dificuldade de locomoção. Por isso, a avaliação precisa considerar o animal como um todo.

Como é feito o tratamento das lesões de casco?

O tratamento varia de acordo com o tipo de lesão, sua gravidade, os tecidos comprometidos e o estado geral do animal.

Não existe uma única conduta adequada para todos os casos. De forma geral, o manejo pode envolver:

  • Contenção segura do animal;
  • Limpeza e inspeção detalhada do casco;
  • Casqueamento terapêutico quando indicado;
  • Remoção criteriosa de tecidos soltos ou comprometidos;
  • Alívio da pressão sobre a região lesionada;
  • Utilização de tamanco na unha saudável em situações específicas;
  • Tratamento de processos infecciosos;
  • Controle da dor e da inflamação sob orientação veterinária;
  • Manutenção do animal em ambiente limpo, seco e confortável;
  • Acompanhamento da cicatrização.

A utilização de medicamentos deve ser definida pelo médico-veterinário, especialmente quando houver infecção profunda, comprometimento de estruturas internas ou alterações no estado geral.

Além do tratamento individual, é necessário investigar a origem do problema. Quando os casos se repetem, devem ser avaliados fatores como piso, higiene, umidade, dieta, conforto e rotina de casqueamento.

Qual é o papel do casqueamento?

O casqueamento pode ter finalidade preventiva ou terapêutica.

No casqueamento preventivo, o objetivo é preservar a conformação e o equilíbrio dos cascos, melhorar a distribuição do peso e identificar alterações antes que evoluam para quadros mais graves.

Já o casqueamento terapêutico é realizado após a identificação de uma lesão. O procedimento busca remover tecidos comprometidos quando necessário, reduzir a pressão sobre a área afetada e criar condições favoráveis para a recuperação.

O casqueamento precisa respeitar a anatomia do casco. A retirada excessiva do tecido córneo pode deixar a sola muito fina, aumentar a sensibilidade e agravar o problema.

Por isso, o procedimento deve ser executado por uma pessoa capacitada, com equipamentos adequados e conhecimento sobre as diferentes lesões.

Quando utilizar o tamanco no tratamento?

O tamanco pode ser usado como auxiliar no tratamento de determinadas lesões de casco.

Sua função é transferir parte do peso para a unha saudável, diminuindo a carga exercida sobre a unha lesionada. Para isso, ele é fixado na unha oposta àquela que apresenta o problema.

Ao criar uma diferença de altura entre as duas unhas, o dispositivo reduz o contato da região afetada com o chão e oferece melhores condições para a recuperação dos tecidos.

O tamanco não trata sozinho a causa da lesão. Antes de sua colocação, é necessário:

  1. Conter o animal adequadamente;
  2. Limpar as duas unhas;
  3. Realizar o casqueamento;
  4. Nivelar a unha saudável;
  5. Avaliar e tratar a lesão;
  6. Preparar o tamanco e o material de fixação;
  7. Fixar o dispositivo na unha saudável.

Como o tamanco é fixado?

Uma peça de madeira ou material específico é fixada na unha saudável com uma resina apropriada.

A superfície precisa estar limpa e preparada para favorecer a aderência. A resina é aplicada entre o tamanco e a unha, preenchendo adequadamente a área de contato.

O dispositivo deve ficar firme, sem comprometer outras estruturas ou causar novos pontos de pressão.

Preparo da massa acrílicaPreparo da massa acrílica e deposição no tamanco. No detalhe: Pote de resina acrílica

Fixação do tamanco na unhaFixação do tamanco na unha oposta à afetada, a unha e o tamanco devem ser totalmente envoltos pela resina para melhor fixação.

Desnivelamento entre as unhasDesnivelamento entre as unhas.

A indicação depende da localização e do tipo de lesão. Portanto, o tamanco não deve ser aplicado indiscriminadamente em todos os problemas de casco.

Com o passar do tempo, o dispositivo pode se desgastar pelo contato com o solo. Durante esse período, a unha afetada permanece com menor pressão e pode se recuperar. Ainda assim, são necessárias revisões periódicas para verificar a evolução da lesão e as condições do tamanco.

Considerações finais

A saúde dos cascos influencia diretamente o bem-estar, o consumo, a produtividade e a permanência dos animais no rebanho.

Por isso, os problemas não devem ser tratados apenas quando a claudicação se torna evidente. Uma estratégia eficiente combina observação frequente, identificação precoce, tratamento adequado e correção das causas presentes na propriedade.

O tamanco pode ser um recurso valioso para aliviar a pressão sobre determinadas lesões, mas deve fazer parte de um manejo mais completo, que inclua casqueamento, acompanhamento e prevenção.

Ao integrar sanidade, nutrição, conforto, instalações e gestão, a fazenda reduz os impactos das lesões e cria melhores condições para que os animais expressem seu potencial produtivo.

Da saúde dos cascos à saúde financeira da fazenda

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Texto produzido pela Equipe Leite Rehagro.

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