Rehagro Blog
Milho

Adubação nitrogenada na cultura do milho

Adubação nitrogenada na cultura do milho
Gostou desse artigo?

Nos últimos anos, percebeu-se um considerável aumento na produtividade das áreas de milho no Brasil. Esse fato pode ser atribuído ao emprego de novas tecnologias, aliadas à fertilidade do solo e práticas eficientes de manejo. Muitos produtores já estão experimentando produtividades de 10 – 12 t/ha grãos e 60 – 70 t/ha de forragem, no entanto, a média nacional está bem abaixo desses valores, sendo que a produção de grãos varia de 3 – 4 t/ha e 30 – 40 t/ha de forragem.

A queda na produtividade, na maioria das vezes, está ligada à baixa fertilidade do solo e manejo nutricional inadequado da lavoura.

Exigência nutricional na cultura do milho

A exigência nutricional da cultura é determinada pela quantidade de cada nutriente extraído do solo pela planta (tabela 1). No entanto, ao recomendar a quantidade de adubo nitrogenado, devem ser levadas em consideração uma série de fatores, como: sistema de produção (convencional ou plantio direto), condições edafoclimáticas, época de semeadura, resposta da planta à adubação, época modo de aplicação, fonte do nutriente, recursos financeiros, dentre outras.

adubacao-nitrogenada-na-cultura-do-milho1

Segundo Coelho et al. (2007), para produzir 9,2 toneladas de grãos por hectare a lavoura de milho é necessário 185 Kg/ha de N. Estes dados são comprovados por Coelho e França (2005), como citados na tabela 1.

De acordo com Casagrande e Fornasieri Filho (2002), aumento nas doses de nitrogênio resulta em teores maiores de Nitrogênio, Fósforo, Enxofre e Zinco nas folhas de milho.

Fontes de nitrogênio

A fonte de nitrogênio a ser utilizada será um fator decisivo no modo e época de aplicação, evitando perdas e aumentando a velocidade de disponibilidade deste nutriente para a planta. Para adubação na cultura do milho, são usadas basicamente três fontes de nitrogênio: Uréia (45 % N), Sulfato de Amônio (20 % N e 22-24 % S) e Nitrato de Amônio (32 % N).

Meira (2009), em experimentos avaliando diferentes dosagens e fontes distintas de Nitrogênio, concluiu que a produção de grãos aumenta com o acréscimo na dosagem do nutriente, porém não há diferença entre as fontes de nitrogênio utilizadas.

Época de aplicação

Entre os estádios V3 a V6 é o período em que a planta tem maior demanda de nitrogênio, pois está definindo o seu potencial produtivo. No entanto, essa é a melhor época para se realizar a adubação de cobertura, e por outro lado, a não aplicação do nitrogênio ou fornecimento fora da época recomendada pode causar grandes perdas de produção. Essa informação é comprovada por Fancelli e Casadei (Quadro 1), onde as melhores respostas à produtividade de grãos ocorre quando as adubações de cobertura são feitas entre os estádios V2 e V6.

A prática mais comumente usada entre os produtores é aplicar no máximo 1/3 da dose total de Nitrogênio, desde que esse valor não passe de 50 kg/ha de N. O restante aplicar a lanço ou incorporar nos estádios V3 a V6. Em solos arenosos, a dose deve ser parcelada em 2 ou 3 vezes.

No entanto, é possível observar que não existe necessidade de fornecer nitrogênio em estádios fenológicos avançados. Além de não contribuir para o aumento de produtividade, essa prática pode favorecer a ocorrência de doenças como helmintosporiose, ferrugem e cercosporiose.

O resultado benéfico a respeito da aplicação de N em estádios fenológicos iniciais é comprovado pelo de Uhart e Andrade, 1995 (citado por Fancelli, 2010), onde constataram que 15 dias após a floração o milho remobilizou entre 28 kg ha-1 e 100 kg ha-1 de N absorvido nos estádios iniciais, representando 18% a 42% daquele presente na biomassa (planta). Do total mobilizado, cerca de 46-50% foi proveniente das folhas e 54-60%, do colmo.

Diante do exposto, fica claro que o nível de informações geradas pela pesquisa e comprovadas através de experimentações em campo devem ser absorvidas pelo produtor que busca aprimorar o uso eficiente dos fertilizantes e obter elevadas produtividades.

Referências

CASAGRANDE, J.R.B.; FORNASIERI FILHO, D. Adubação Nitrogenada na Cultura do Milho Safrinha. Pesquisa Agropecuária Brasileira. Brasilia-DF. v. 37, n. 1, p 33-40, jan. 2002

COELHO, A.M. Manejo da Adubação Nitrogenada na Cultura do Milho. Embrapa Milho e Sorgo (Circular Técnica 96). Sete Lagoas-MG. 11 p. 2007.

FANCELLI, A.L. Boas práticas para uso eficiente de fertilizantes: culturas; v.3 anais…/ed. Luís Inácio Prochnow, Valter Casarin e Silvia Regina Stipp. Piracicaba: IPNI, p. 43-89, 2010.

MEIRA, F.A. Fontes e Épocas de Aplicação do Nitrogênio na Cultura do Milho Irrigado. Seminário: Ciências Agrárias, v. 2, p. 275-284, Londrina-PR. 2009

UHART, S.A.; ANDRADE, F.H. Nitrogen and carbon accumulation and remobilization during grain filling in maize under different source/sink ratios. Crop Science, Madison, v.35, no.1, p.183-190, 1995.